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sábado, 8 de outubro de 2011

Um pequeno conto


Tanto tempo fora de mim
(Marcos Henrique)

Passei dois dias fora de mim, vaguei por tantos lugares coloridos e cheios de vida que quando voltei ao meu corpo, não me senti mais a vontade. Para aonde fui não precisava de um corpo chato e preguiçoso para me atrasar. Não precisava comer essa comida alterada, nem beber água fresca. Fresca?

Percebi que o universo não é tão vasto, nos é que não temos mais tempo para contemplá-lo. É uma pena, pois o universo tem todas as respostas e todas as perguntas guardadas num arquivo morto, com fichas coloridas.

Do que mais senti saudades? Foi de poder me ver por inteiro, sabe nu mesmo. Senti muita falta de poder me ver nu, pois não conseguia me ver sem meu corpo, só sentia que estava lá, mas não podia me ver ou me tocar. Masturbação então era impossível, mas quem precisa se masturbar quando se tem tanta coisa para ver?

Nesses dois dias que passei fora de mim, não senti, um único dia, falta da humanidade, e o pior é que agora não me sinto mais parte da matilha, me sinto deslocado, um eremita numa casa com banheiros.

Tanto tempo fora e, ninguém sentiu falta de mim. Não os culpo, é o progresso nos roubando a vida e nos dando falsas expectativas de um futuro glorioso. Futuro?

Sempre me preocupei com meu futuro, mas depois que sai do meu corpo, não me preocupo mais com nada, porque não há mais nada para se preocupar, pois hoje, eu sei que sou eterno nesse grande universo sempre em expansão, sou a menor partícula da uma razão que não entendo, se é que existe alguma razão, mas sei que penso.

Depois de minha experiência, consigo ver todo o individualismo em que minha raça se encontra. Não, não encontrei vida inteligente lá fora, continuamos sós, entre esses mais de 6 bilhões. É, é triste mesmo, eu sei. Continuamos mais sozinhos que o universo, mais perdidos que a justiça, sem sentido algum para ter prazer com o ato de se masturbar, apenas fingindo e tomando remédios de tarja preta para conseguirmos suportar uns aos outros.

Dois dias fora de meu corpo. E tudo está bem pior do que ontem.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Versos perdidos ao vento


Versos perdidos ao vento
(Marcos Henrique)

O Fogo não queima mais em meu peito;

Meu peito não bate mais um coração;

Meu coração é músculo com defeito, nessa vida cinza cheia de mórbidos desejos e doce alusão.

O tom de meu poetar, são diatônicas imprecisas, acordes desafinados, uma dissonante imperfeita que segue a risca as regras dos acordes fracos que toco em um violão desafinado. No fim do jogo me deito e canto canções desprovidas de tom, de voz, melodia, das lembranças de outras vidas vividas, ou dores que não senti em mim. E agora a hora me chega, me parte, me torce, deflora. E o tom que agora me consola me lembra que hoje não sou nada, nem ontem fui se quer.

Meus versos se perdem, não apertam as mãos. Coerência não é bem vida. Já existe civilidade e racionalidade de mais, mesmo que de forma tão burocrática.

O fogo não queima mais em meu peito porque acordei de meu longo sonho, onde só sonhava e não via nada além da beleza frágil que teimava em consertar, mas a cola acabou, e hoje, só vejo o que me faz pensar nessa triste sina que é a miséria humana, contada ao longo dos séculos, sofrida todos os dias que me sinto menos nesse não tão perfeito mundo perfeito.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Mortos (Parte Final)



O brilho da lamina cega por alguns segundo o rapaz.

Vai! Faz o que tem de ser feito, eu prefiro virar o nada a te seguir. – fala o rapaz abrindo os braços, aceitando assim sua sentença.

O ser não hesita, e corta-lhe a cabeça em um só golpe, caindo assim o corpo do rapaz ao chão.

O ser; proferi um grito medonho e sai voando, em seguida chega ao local dois anjos.

Chegamos tarde, o aliciador esteve aqui antes. – comenta o anjo para o outro.

Pobre homem, não teve tempo de saber a verdade, só a verdade vos libertara. – diz o outro anjo.

Na terra, outra criança acaba de nascer.

Da próxima vez chagaremos a tempo? – pergunta o anjo ao outro.

Não sei, mas até lá, espero que ele tenha uma vida apreciável, essa é a terceira vez que o perdemos, não podemos falhar mais. – responde o anjo.

A vida sempre sopra em nossos ouvidos, antes de nos deixar viver.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mortos parte 4



O ser pergunta ao rapaz de que lado ele pretende ficar.

Do lado da justiça – responde o rapaz.

Então vá para o outro lado – diz o ser.

O rapaz fica espantado e lhe vem um aperto no coração.

De que lado você luta – pergunta o rapaz.

Do lado do ser mais puro que Deus já vez, Lúcifer! – responde o ser.

O rapaz fica atônito, não sabe o que pensar, em toda sua vida ele imaginava que o diabo era um monstro, um ser feio aos olhos humanos.

Vejo que você não aprendeu nada humano tolo – diz o ser com ar de superioridade.

Esse exército de demônios que você vê, não é de meu senhor, e sim de teu Deus, ele despreza os suicidas e fetos que são abortados não servem para sua vaidade – fala o ser com ódio nos olhos.

Não! Não pode ser...! – fala o rapaz com os olhos em pranto.

Sim! Esses seres alados que você vê; e essa infantaria que vem em nossa direção é de teu Deus – diz o ser abrindo suas asas e demonstrando imponência.

Prefiro que corte minha cabeça, a ficar do teu lado demônio, que meu Deus te perdoe as ofensas e tenha piedade de tua alma. – responde o rapaz erguendo o punho fechado.

Se, é assim, não tenho outra escolha - fala o ser desembainhando sua espada.

sábado, 17 de abril de 2010

Parte 3 de Mortos


E como se mata o que já está morto? – perguntou o rapaz.

Aqui nesse instante você não está vivo, você acha que esse é seu corpo, que está com essas roupas, que agora você está respirando, tudo está na sua cabeça meu filho – desse o ser.

O rapaz ficou intrigado e com medo, apertou as mãos e perguntou ao ser.

Então quer dizer que se deceparem minha cabeça viro nada – falou o rapaz com a voz tremula.

Sim – respondeu o ser.

E nesse momento um clarão se formou no céu, um estrondo cortou o céu e as nuvens ficaram da cor de sangue, ouvia-se choro de crianças, mulheres gritando e gritos horríveis cortavam o céu, o rapaz sentiu um calafrio e um medo lhe paralisou todo o corpo. Bestas aladas rasgavam as nuvens, uma carruagem com cavalos pegando fogo corria por sobre as nuvens, eram guiados por uma besta metade homem, metade pássaro, ele erguia a mão e de súbito uma legião de demônios, com seios de mulheres e genitálias masculinas, apareceram rasgando tudo e todos que estavam em seu caminho, não poupavam nem as crianças, os anjos voavam com lanças em direção ao exercito de demônios, raios e trovões se espalhavam num barulho ensurdecedor.
Onde o jovem se encontrava era belo, flores perfumavam o lugar, árvores enormes davam sua graça, cachoeiras com águas cristalinas, rios cheio de vida, de repente, ele olha e observa que em sua direção vem uma espécie de infantaria; cavalos com cabeças pegando fogo servem de montaria para homens sem olhos, catapultas são armadas e são lançados fetos ardendo em fogo de mulheres que abortaram.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

POEMA 11


Escrever às vezes dói;

Depressão às vezes mói a nossa alma;

Melancólico heroísmo é bem sórdido o egoísmo;

Eu quero bem, viver! Viver! Não sei, morrer! Morrer! Não sei, não sei...

Além do túnel que nunca atravessei, não sei ir até lá fundo, não sei, parei, parem com o mundo ou vomitarei veneno do teu mundo ruído, ruim!

Perco a fé na humanidade, perco a fé no meu futuro, jubileu tão obscuro. Quebrem o muro! Falem mais! Façam menos, provem mais do seu veneno, quebrem mais! Pensem menos, assim é mais fácil, tudo é mais fácil quando se pensa no fim.

No fim não me vejo, no fim, eu sou meio.

Marcos Henrique

quinta-feira, 18 de março de 2010

Mais um poema



Jaboatão, amizades falsas, ano difícil.
Marcos Henrique


O medo me toma. Eu e meu corpo não somos um só faz dias, estamos separados por nossos medos, aleluia para os atues. Como posso pensar se não enxergo? Como andar se não sei nadar?

Tem uma festa em minha cabeça, em meu cérebro angustiado, tudo se resolve se tudo se complica e os ecos não sabem cantar desafinados. Por onde eu tenho andado que não me lembro de mim? Por onde eu tenho sonhado se não me lembro do ontem?

Esse meu mundo louco não me prende ao chão, junto tudo e cuspo num papel em forma de versos só por não ter mais ninguém por perto, eu sei o que você sabe, todos vamos ter câncer um dia e daí se nada mais importar ao não ser ficar vivo sentado na escada e ver seus netos correndo.

Dança comigo? Vem dança. Juro que não te piso mais que o necessário, eu sei que você sabe que os sonhos são intocáveis de mais para sonharmos por tanto tempo, mas agora mesmo foi feito mais bebês e isso renova nossa fé falha e opaca. Vem dança só essa música comigo, prometo que serei um cavalheiro, não importa meu passado, não por agora, vem dança comigo.

Cansei de ser um homem triste, vou explodir por dentro e matar toda minha vida antiga porque cansei de ser um homem triste, não me faça despedaçar o que restou, não me faça raspar minha cabeça só para ver se ainda estou lá, cansei de ser triste e coeso, vem e me diz como saio da lua para poder roubar umas bicicletas, ainda posso correr, mesmo com fome, mesmo com dor.

Quero se você quiser e serei melhor que o papa e que todo o vaticano, não sei o que ainda faço aqui em pé olhando para ti, mas quero ser melhor, chega de mentir para si, mentir soa tão bem e é mais fácil que viver.


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Hora certa para chorar.



Não adianta mais mentir, a vida chegou ao fim, como eu queria sentir o que foi deixado para trás. É, eu sei, o sol brilhara amanhã.

Lágrimas me partem o coração, como queria sentir, sentir seu gosto...

A trilha não existe mais, estou perdido, por favor, venham no vazio e me salvem, aqui é infinito e o vento não sopra, vejo anjos caindo, vejo seus rostos tristes e me pergunto – Deus o que fizestes!? Não entendo tantas línguas, não sei o que é misericórdia e todos essas coisas que o senhor vê de seu trono lhe entristece?

Coragem, força, não podem ser tocados e às vezes nem sentidas.

Como gostaria de saber uma nova reza que me completasse, me reconforte-se.

Vejo um corredor com rostos conhecidos, meu ateísmo retorna e meu espírito chora, soluça, implora, não ouço nada, nem um respirar, uma só palavra de conforto.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Muro

Tive medo que meu ateísmo se desenvolvesse, tive medo da descrença de não poder me apegar em nada, coisa essa que não sinto.

Serei repreendido por tais palavras, os intelectuais nunca são, mas eu nada sou, embora o nada seja vasto, sou mínimo, sou curto. E esse meu peito duvidoso! Qual o caminho certo?

Qual porta me levara para o céu?

Qual afagara no inferno?

Eu sinto, mais às vezes passa desapercebido, se não existe culpa, o que somos?
Ira, calmaria, ímpio, gentil, estórias, contos, fé, sobras, tudo se mistura, quem administra o abstrato?

Quem tanto pergunta tem culpa tem culpa?

Quem pouco responde tem culpa?

E essa busca!

Será tolice?

Será carência?

Culpa?

Se meu ateísmo se desenvolver, piedade e clemência eu imploro, um julgamento justo e paz para uma mente atormentada, que sofre por achar que tua voz, tua fala; fica cada vez mais longe, cada vez mais fraca.

Marcos Henrique.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Eu, meu corpo & minha poesia


Jaboatão, 2005 a.C.


Suicídio vem me buscar me leva bem alto no imenso céu azul púrpuro escuro tão claro e distante, vem e me salva de meus fracassos que nunca são passageiros sempre constantes e fortes.

Ela sempre me olha de um jeito estranho e desconfortante, não consigo me acostumar, por mais que ela já tenha me olhado sempre parece que é a primeira vez.

Estou me afogando em meus erros, sempre soube que esse seria meu fim, melhor que uma tragédia grega e quando ouço essa voz dentro de tua voz me distancio ainda mais de mim.

Ouçam! É impossível ouvir como eu, é impossível sentir como eu, é impossível para mim, mas não para meu suicídio meu fiel inimigo que me mantém vivo.

O dia de hoje traçou meu destino sem mim, continuo andando em círculos e suando para esquecer o que nunca lembro, nunca lembro de mim, só me lembro de um triste adeus cinza e pétalas de rosas murchas caindo em cima de um violino quebrado, se você acha que sou loco é porque não me viu por dentro é triste o adeus negro que não sai de meu pensar, adeus, adeus...

O que poderia ser pior que lembranças de uma grávida que acabara de abortar? Eu sei, sou louco por ser tão tolo e ainda acreditar, mas eu sou assim mesmo um sonhador sem pulsos, adeus, adeus vida sem vida, adeus, adeus triste destino, adeus, adeus meu Deus menino que não sabe se trocar ainda.

Coisas que me deixam triste são sempre lembradas por meus inimigos. Todos juntos cantando em si bemol e com aquele velho som do piano com apenas uma tecla afinada, tudo é tão distante que chega a me dar náusea.

Ah meu doce amor amargo, minha menina de vidro quebrado e lábios tão carnudos o que devo fazer para te ter de volta, o armário continua fechado para balanço e não sei quando vão reabrir, adeus minha doce, adeus manhã tão cinza, adeus despertador do medo.

Vem e vem devagar como quem não quer nada de mim e logo se aloja em minhas vértebras, o que mais querer se os céus ainda são alegria, dorme e dorme meu anjo, dorme que a manhã está por vir e tudo vai começar novamente todos os nossos sonhos não serão realizados como queremos, mas só os religiosos não estão preparado para esse dia, vencemos mais que perdemos e isso nos da uma certa vantagem, nos da mais força para enfrentarmos o dia.

Ela estava tão linda ontem com todo aquele humor que só ela tem, seu jeito de sorrir sempre me deixa embriagado, nem percebo o dia surgir, o que mais pedir além de vida?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A vida que escolhi



A escolha mais difícil que fiz em minha vida foi ter escolhido te perder. Um simples abraço, um misero abraço poderia ter mudado tudo.

Continuo lá te esperando em pé na chuva olhando para o nada, para ver se te vejo, não sei onde estás, eu nunca soube como entrar no teu mundo.
Se hoje meu peito sangra;

Se hoje não sinto vida, a culpa é minha, só minha de tê-la perdido, de tê-la feito chorar por meu amor de não ter me arriscado mais.

O dia continua a nascer e as flores ainda morrem sozinhas sem serem vistas na calada da noite, a porta está mais fechada do que nunca, não posso entrar, joguei as chaves fora, será que você soube o quanto foi difícil minha escolha?

A casa que nunca vamos ter, os filhos que nunca vamos educar, as rugas que nunca vou ver em você, o abraço que nunca vou te dar, o tempo que não volta, os erros que estão a nossa volta, as escolhas erradas que sempre ficaram comigo; esse foi meu premio por não te amar quando devia, por ter assassinado essa parte de minha vida de nossa poesia. Nunca pude te tocar, sempre de longe, sempre aqui dentro de mim, meu coração nunca vai parar de sangrar eu sei; a culpa ainda é minha e não tem perdão que nos dê aquele tempo que eu matei para preservar meu medo de viver ao teu lado.

Quem dorme ao teu lado?

Quem enxugou tuas lágrimas?

Quem te viu acordar?

Quem te viu dormindo de um modo engraçado? Eu não sei; mas sei que perdi todos os momentos bons de tua vida e sei que ainda és para mim a menina mais bonita, também sei que nunca é muito tempo, mas é isso o que somos; nunca! Chega de perguntas! Chega de respostas que não podem ser ditas em alta voz, tenho seu coração prezo ao meu, seu coração não bate mais como o meu, não bate mais para o meu...

Morrer seria mais fácil, o suicídio poético, não ter você é pior que o inferno sem fogo ou céu sem anjos, um Deus louco ou súditos mortos. Tudo bem em quanto houver lágrimas, sei que existira vida.
As amoras já estão boas de serem cultivadas, mas me faltam mãos para colhê-las.

Aqui jaz meu amor.

Marcos Henrique

O Poema que eu deveria ter vivido há doze anos atrás.
Ano de 2004.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

POEMA 16



Não conheço a face da justiça, só o rosto da maldade. A insegurança me faz vigilante, cauteloso e tenso.

No grande labirinto sem saída existem paliativos que nos dão como se fossem aspirinas.

Sigo sem rumo, mas seguro que o braço de Deus me guia pela porta certa, para eu não entrar no escuro. Me pergunto que horas são? Não importa se já não destinguo os dias que passam tão rápido e quando notamos já é o amanhã. Não me lembro do ontem só lembro-me de um sonho tão frio e sem final feliz.

Marcos Henrique

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Vermelhar


Você é tão linda, tão bonitinha, suas bochechas rosadas, sua força é enorme para o seu tamanho, acho que é por isso que te admiro, te respeito e gosto de teu gosto.

Serás lavada hoje, serás preparada para mim, para que eu possa saciar meu desejo que também é teu, então, é nosso e juntos seremos mais fortes que o universo, seremos uma dupla perfeita, dinâmica, imbatível, o herói e sua desejada, juntos a combater o mal.

Vou te deitar em água corrente, vou te lavar bem lavadinha, para que possas ficar com aquele cheiro que só você tem, com aquele gosto que me toca os lábios e me faz delirar.

Agora que vou te lavar, tiro toda sua roupa com as mãos limpas e suaves, para não te machucar, te reparto de canto a canto e te deito na banheira que te dará mais sabor e me dará mais energia, estás quase pronta é só bater um pouco, adoça-la a gosto e está pronto meu delicioso suco de beterraba, saúde.

Henrique Martins.
2004-06-29

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Crônica de um cronista desempregado



Mais uma de minhas cronicas antigas

Quem é o patrão?


Não sei se vocês se lembram, mas a tv cansou de mostrar comerciais dizendo que nós éramos os patrões porque escolhíamos nossos candidatos e eles teriam de fazer o que agente manda-se, bem, acho que agora sabemos quem é que manda, se você ainda acha que é você; tenho uma péssima notícia meu filho, papai Noel não existi! Sei, é duro saber dessa forma, mas é melhor assim quem sabe você não cresce depois de saber disso.


Nós participamos da festa maior da democracia brasileira, foi uma festa linda, ou você ia, ou se dava mal, lembro quando minha mãe me obrigava a ir a festas que não queria ir, mas era o jeito tinha que obedecer mamãe acho que esse fato me deixou conivente com meu direito “obrigatório” de fazer parte da democracia brasileira, não estou questionando a obrigatoriedade em se votar, acho que não estamos ainda preparados para sermos um país onde não é obrigatório votar, temos muito que nos educar ainda, mas a educação brasileira é tão ruim e agora? Você deve pergunta então o que esse cara tá questionando? Tô questionando o fato de passaram o período eleitoral dizendo que eu era o patrão, eu era o patrão?! Se sou o patrão eu pergunto, por quê ainda estou desempregado? E se sou o patrão por que raios eles não fazem o que eu quero!?


Bem, se sou mesmo patrão desses políticos todos, então digo, não vou deixar vocês aumentarem seus salários para o dobro do que vocês já ganham, não, não, não, está dito, será que vão me ouvir? Será que existe vida inteligente em outros planetas? Será que alguém vai comprar meus livros um dia? Será que meus serás serão respondidos algum dia? Será que Fernando tinha razão e somos todos caipiras? E o mais importante do todos, será que vai chover?


Parabéns nobres parlamentares o povo sofrido, analfabeto, sem educação, saúde, perspectiva de vida, famintos, desdentados, agradecem é ainda bem que já, já chega o carnaval, só assim nós esquecemos de tudo e só notamos essas maravilhosas bunda sorrindo para todos nós, inclusive os nobres parlamentares.


O povo não deve temer o governo, o governo é que deve temer seu povo, fácil de falar isso, o difícil é colocar isso na cabeça de quem está mais preocupado em sobreviver com trezentos e uns quebrados.

Anos da graça 22 de novembro de 2006.
M.Martins.