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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Hora certa para chorar.



Não adianta mais mentir, a vida chegou ao fim, como eu queria sentir o que foi deixado para trás. É, eu sei, o sol brilhara amanhã.

Lágrimas me partem o coração, como queria sentir, sentir seu gosto...

A trilha não existe mais, estou perdido, por favor, venham no vazio e me salvem, aqui é infinito e o vento não sopra, vejo anjos caindo, vejo seus rostos tristes e me pergunto – Deus o que fizestes!? Não entendo tantas línguas, não sei o que é misericórdia e todos essas coisas que o senhor vê de seu trono lhe entristece?

Coragem, força, não podem ser tocados e às vezes nem sentidas.

Como gostaria de saber uma nova reza que me completasse, me reconforte-se.

Vejo um corredor com rostos conhecidos, meu ateísmo retorna e meu espírito chora, soluça, implora, não ouço nada, nem um respirar, uma só palavra de conforto.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Te sinto menos

Sofro com você cada vez mais que te sinto menos, meu coração fica cada dia menor, difícil de sentir.

Viver pode ser difícil, mas o mais difícil é sobreviver com alicerces ruindo.

Que saudade do belo, saudade do terno me toma o peito, me estripa, me arruína a vida;

Maldito ateísmo!

Maldita descrença que vem surgindo!

Maldito sou eu, bendito és tu que houve minhas blasfêmias.

As orações já acabaram, não sei o que fazer. As forças acabaram, mas eu não posso ver tua mão amiga - não sinto mais me acolher -.

Sou maldito ou digno de misericórdia?

Sou motivo de vergonha, tristeza, derrota, mas te amo mesmo quando te viro as costas, mesmo quando não sou mais menino, mesmo quando meu ateísmo me toca, mesmo quando estou cego nesse labirinto. Eu, um proscrito.


Marcos Henrique