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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Novos tempos!



Bom dia, boa tarde, boa noite e boa madrugada!

Comunico aos que seguem meu blog, que a partir de hoje começo uma nova faze literária em minhas linhas do tempo. Não farei mais postagens em meu blog Poemas de Caverna. Mas calma, não vou parar de postar meus poemas, contos e trechos de meus romances, apenas estou mudando de endereço e agora todos os meus textos serão postados em meu novo blog o Reverberando literatura.

Achei melhor mudar de nome porque com o novo epíteto a coisa fica mais ampla, pois vou postar além de meus texto, crônicas, resenhas de outros livros e - não uma crítica - minhas impressões  em relação a livros que venha a ler. 

Então é isso, estou de casa nova e convido aos amigos e amigas a fazerem uma visita a meu novo universo literário. 

Entre sem bater.

Marcos Martins.
Abraços literário!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

SURREALITÉ



SURREALITÉ 



Estou sonhado... Estou acordado... Estou sonhado. 
Estou existindo dentro de um quadro pintado com tintas frias.

As mãos não servem apenas para criar;
(Servem para expor o mal nos homens)
As mãos não servem apenas para tocar; 
(Servem para castrar sonhos).

Ó, doce amuleto que para mim não tem serventia, pois sou um cético incorrigível que ao observar o sol – esse astro rei imponente – vê apenas algo queimando num lugar sem oxigênio, não o belo de algo que nos aquece o corpo e dos poetas o coração.

Estou andando e não sinto minhas pernas – que já não são mais minhas;
Estou dormindo e não consigo mais sonhar – cérebro que não me dá condições de divagar em terras férteis;
Estou vivendo morto por dentro; 
Estou destruindo o castelo que construí para morar.

Ao contemplar o céu na noite calma ou de tormenta, não vejo estrelas, vejo apenas pontos tristes – lágrimas amargas –, lembranças secretas que o presente não pode tocar.

Estou sonhando... Estou acordado... Estou chorando... Estou sem estar.  


Marcos Martins.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Existo



Existo


Existem coisas que as mãos não podem tocar para não quebrar;

Existem afetos que devem permanecer apenas na subjetividade para não rachar o que a fantasia transformou em eterno, em belo;

Existem lábios que nunca se encontrarão nessa vida – quem sabe em outro plano (quem sabe há planos);

Existe o agora que a todos devora por não ter forças para transformar desejos em matéria – tudo está como Hipnos quer que esteja;

Existem desejos que sempre serão castrados pela Senhora Razão;

Existe o sim, mas apenas convivo com os nãos;

Existem inúmeras maneiras de te dizer: “Te amo”, sem machucar outro coração?

Assim como dois pontos seduzem uma linha reta e a enganam simulando o caminho mais limpo, sigo sem escolhas, sem seguir caminhos que almejo – caminhos que sonho ter menos espinhos, mas sinto que não.

Sigo desesperado pela estrada no ventre do monstro marinho, sentindo que não ei de provar aquele ósculo com um gosto divino, que apenas contos de fadas proporcionam.

Existo para sentir que existo para preencher o vazio que me preenche a pele, reveste os ossos, deforma minh’alma, maltrata meu corpo, me põe de joelhos no chão.

Existo, porém, não vivo.



Marcos Martins.

domingo, 27 de dezembro de 2015

O CORAÇÃO É TEU INIMIGO



O CORAÇÃO É TEU INIMIGO 



Não escuta teu coração – esse verme que engana até o mais cético dos céticos.
Não, não escuta esse órgão demoníaco que só serve para nos enganar.
O cérebro, esse sim, é um amigo verdadeiro que não te trai não te leva a abismos infinitos.

Não, o coração não é um bom lugar para se estar em noites de chuva, em noites com luar, prefira um café quente ou dançarinas de cancan, nunca esse órgão a lhe esmurrar.

Não, não queira ter amizades com ele, não lhe dê liberdades, nem regalias, queira distância, não o cumprimente pela manhã, deixe-o fazer seu trabalho e só.

Quem quiser ter um dia péssimo se socialize com esse sujeito, por isso eu digo, reafirmo e reafirmo: Não escuta teu coração, porque ele te leva a lugares perigosos, a pistas sem faixas para pedestres ou semáforos, a tormentas que não findam.

O coração foi inventado para que nos sintamos sós. Deus poderia ter colocado um relógio, uma pedra ou um caroço de manga em nosso peito, mas não, preferiu esse músculo que nos esmurra por dentro. 

O coração é meu pior inimigo;
O coração é o que de mais temo dentro dos meus extintos;
O coração, esse lugar desprotegido que me faz agonizar nas noites só de domingo.
Coração, coração, coração, inimigo que me habita, inimigo que me mutila, inimigo da razão.

Marcos Martins.

domingo, 20 de dezembro de 2015

É APENAS POESIA


É APENAS POESIA


Não se assuste querida é apenas poesia.
Não, não tenha receio de me dar à mão e juntos pularmos por sobre a lua.
Não tenha medo querida é apenas meu Eu lírico gritando essas coisas sem sentido, dizendo que está morto e se sente vivo apenas quando está dormindo.

Não, não sou a poesia que escrevo, mas sinto dor, medo e tenho lampejos, mas é tudo controlado – assim como os parnasianos faziam.
Não quero uma bebida, se bem que um bom vinho cairia bem.
Não se assuste querida é apenas a poesia saindo de meus poros. Sim, o poeta é um fingidor, mas a dor é deveras que respingar na alma.

Não sei por que meus dedos doem, não sei por que escrevo se poesia não é lida e se ninguém quer lançar um poeta vivo.

Tudo bem vou ter cuidado ao atravessar aquela rua sem semáforo, prometo olhar.
Não posso deixá-lo ir, onde ele habitaria?

Não amo mais meu Eu lírico que você querida, mas é de cumplicidade que estou falando, não de fluidos.

Tenho que continuar escrevendo, não importam os motivos, não sou eu é meu Eu lírico.

Não sei como vai terminar essa poesia e para falar a verdade não me importo, pois o que importa é fazer nascer à poesia, nada mais importa.


Marcos Martins.


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Ressaca da Black Friday


Ressaca da Black Friday


Recife, 28 de novembro de 2015


– Bom dia.
– Bom dia.
– Eu queria saber o preço do último livro do Mutarelli, eu não sei o nome, mas se você me mostrar à capa eu sei.
– M-u-t-ar-e-l-e.
– Não é assim que se digita é com dois l e um i.
– M-u-t-a-r-e-l-l-i. Assim?  
– Isso.
– É esse aí, O Grifo de Abdera?
– O senhor vai querer?
– Vou sim.
– Deixa eu ver aqui.

Assim fomos para a seção de literatura nacional.

– Como é mesmo o nome do livro – perguntou a vendedora, sempre solícita.
– O Grifo de alguma coisa, deixa eu vê lá no computador e volto pra te dizer – disse e fui quase correndo.

Mutarelli coloca cada nome doido nos livros dele, pensei.

– O grifo de Abdera – falei voltando rapidamente.
– Ele é escritor regional?
– Não, ele é paulista e fuma.

Tentei ser engraçado. Não surtiu efeito.

– Não estou achando. O senhor não quer outro livro? Temos ali a seção dos mais vendidos, só tem best seller.
– Não, obrigado, vou ficar com o fumante mesmo. Ele é o cara que escreveu o livro “O cheiro do Ralo”, que virou filme com aquele ator que dublava a voz do Charlie Brown, do desenho do Snoopy – eu acho que era ele. O cheiro do Ralo é aquele filme que o cara chora abraçado a uma bunda de mulher.
– Nunca vi.
– Ele é escritor regional?
– Não, é paulista e escrevia HQ’s, e gosta de gatos. Eu não gosto.

Pensei em dizer que não queria mais o livro, que iria mudar a compra e dizer o título de um de meus livros que foi rejeitado por todas as editoras do mundo. Mas ela estava tão empenhada. Seria maldade. Pura maldade.

– O senhor não quer outro livro, têm uns bons ali na seção dos mais vendidos.
– Só tem best seller?
– Sim.
– Quero não. Quero o último do Mutarelli.
– Deixa eu ver aqui.

A vendedora abriu uma portinha onde estavam vários livros, era um tipo de estoque, como se fosse à parte de baixo de um guarda-roupa, só que ao invés de roupas intimas havia vários livros. E lá estava ele, O grifo de Abdera, soterrado por três livros.

– É esse?
– Deixa eu ver a capa. É sim.

Ela me deu o livro e fui pagar no caixa, mas a vontade que tive mesmo, e nem sei o porquê, foi de sair correndo, sem pagar porra nenhuma.

Do jeito que o Mutarelli é tímido, acho que aquele lugar escondido onde estava seu livro era o lugar mais confortável para ele estar, pensei e fui pro caixa, torcendo pra que meu cartão não tivesse com o limite estourado.




Marcos Martins.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

SINAPSES


SINAPSES


Hoje eu quis morrer por fora, já que estou morto e decrépito por dentro desde mil novecentos e noventa e três – ano que descobrir que não se deve sonhar.

Tudo acontece de forma fugaz, dou um clique e vejo todas aquelas fotos felizes; todos aqueles sorrisos felizes que nunca vou dar; todos aqueles lugares que nunca vou estar; todos aqueles quatro mil novecentos e noventa e nove amigos que nunca vou ter; todos aqueles momentos aprazíveis que jamais irei participar.

Hoje, eu quero morrer, não quero mais viver nesse mundo onde todos fazem revoluções pessoais, onde todos têm argumentos rasamente irrefutáveis para tudo – Ingmar Bergman tinha razão, por isso morreu de forma tranquila.

Cansei de tudo.
Cansei das coisas.
Cansei de ter os ossos quebrados e o espírito dilacerado – sorrir já não me conforta mais – sorrir me maltrata, me deixa com escoriações faciais.

Hoje, eu quero desistir, estou tão sem forças, quero sentar e ficar petrificado (Vem Medusa e flerta comigo).

Não quero mais ser notado, apenas quero sentar e ser esquecido até não mais existir, até não saberem distinguir se já vivi ou se fui um déjá vu esquecido.

Aqui, deixe-me aqui e vá. Vá! Pois não tenho mais vontades, tudo é tão clean no mundo dos bits; tudo é tão cinza no meu, onde as polaroides estão extintas, onde o concreto não faz sentido, onde sorrisos não fazem mais sentido, onde crianças mortas em guerras santas nunca fizeram sentido, onde o verbo “amar” é conjugado sem sentido, onde o verbo se fez carne e não mais parou de sangrar.

Não morro,
Não me sinto vivo,
Me machucam todos os olhos perdidos.
Carne que sangra, sangra sem sentido.
Não morro,
Não me sinto vivo.



Marcos Martins.