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terça-feira, 13 de abril de 2010

Deus e o diabo me odeiam

Esse é meu primeiro Heterônimo Cecílio Martins

Nesse meu primeiro livro de heterônimos, nasce um personagem que até então nunca busquei em meus poemas, não sei como ele surgiu, entrou em minha vida sem pedir licença e meio que me obrigou a escrever sem cessar, sentia que se não escrevesse explodiriam.

Com Cecílio Martins a poesia se apresentou de uma forma que até então para mim era desconhecida, sempre que releio este livro, sinto que foi realmente Cecílio quem o escreveu, usando apenas minha mão e deixando meu cérebro dormente e totalmente bloqueado para o tipo de poesia que costumo escrever.

Até que ponto o preconceito pode arruinar um homem, Cecílio Martins sente na pele o que muitas vezes tentamos esconder.

Prólogo


Cecílio Martins jovem de classe media alta, nasceu no dia 02 de novembro de 1912 na cidade do Recife, foi criado por seus tios após a morte da mãe por tuberculose e o suicídio do pai, de família tradicional católica, aos 12 anos de idade começou a sentir fortes atrações por garotos foi várias vezes espancado pelo tio devido o seu comportamento, chegando a freqüentar na adolescência um hospício para tentar curar sua homossexualidade, que era até então considerada loucura; foi torturado e estuprado por enfermeiros, aos 20 anos é forçado a casar com Clarice Silva, mulher essa mais linda da alta sociedade Recifense.

Trabalha no escritório de contabilidade herdado por seu tio que morre de câncer um ano depois de seu casamento; sua tia é internada num hospício louca, por achar que é a virgem Maria depois da morte do marido.

Tem um filho que nasce deformado e morre após três dias de nascido. Louco, começa a culpar Deus por sua infelicidade e no dia 29 de outubro de 1935 aos 23 anos de idade perto de completar seus 24 anos é encontrado morto, totalmente despido e com um diário em sua mão esquerda melada ainda com sangue, decapita seu pênis e o coloca por sobre a bíblia sagrada.
Dois anos depois de sua morte é encontrado num cômodo secreto de sua casa três livros escritos com sua assinatura, são eles: o primeiro é o livro de poesias intitulado “Deus e o diabo me odeiam”, o outro é o romance homossexual inacabado “Todas as bocas que desejei”, e por fim o livro de poemas “Poemas que me forçastes a fazer”.

Todos os livros com forte teor de homossexualismo e revolta por todo sofrimento emocional que ele sentia.



Deus e o diabo me odeiam.

Ainda era noite e eu me sentia dia;

Ainda era açoite e eu nem mais me sentia.

Cecílio Martins.




Ó!




Eu. Dia claro e minha alma está escura, não tem sacrários mais aqui, expulsei todos os indesejáveis dias claros, só esse que me desobedece e torna-me, trás um recado que não quero ouvir.

Meu doce azedume, minha vã vida derradeira, meu espaço mínimo, minha tortura não passageira, és escárnio de minhas vísceras.

Ó! Sorte derradeira!

Ó! Azar que se aloja aqui e jaz, aqui e sempre, em minha doce alma morta.

Recife 02 outubro de 1932.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

POEMA 16



Não conheço a face da justiça, só o rosto da maldade. A insegurança me faz vigilante, cauteloso e tenso.

No grande labirinto sem saída existem paliativos que nos dão como se fossem aspirinas.

Sigo sem rumo, mas seguro que o braço de Deus me guia pela porta certa, para eu não entrar no escuro. Me pergunto que horas são? Não importa se já não destinguo os dias que passam tão rápido e quando notamos já é o amanhã. Não me lembro do ontem só lembro-me de um sonho tão frio e sem final feliz.

Marcos Henrique

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Mudança


Estava tão seguro de si, não me importava, me sentia guardado, um tesouro que nunca seria tocado ou violado, lá era escuro, mas para mim era um mundo claro, não sentia dor, medo ou dúvida, como era fácil, mas também era só, não sei porque lá era só e me sentia confortável. Num belo dia calmo veio a tormenta, vi a luz que outrora me diziam ser a porta para o paraíso, mas eu já estava no paraíso, para aonde mais iria? Um vento frio me cortou de lado a lado e mãos que na minha inocência achava ser de um anjo não de um carrasco que me batera com tamanha força que me fez chora compulsivamente, queria voltar, queria retornar ao meu mundo, meu mundo calmo e aconchegante, chorei o mais alto que pude, tudo em vão; mas ao sentir aquele corpo junto ao meu, tive a sensação que voltara para meu mundo, então; pela primeira vez senti o gosto da vida por meus lábios e por minha garganta descer, para mim era tudo e eu nada sabia que minha vida acabara quando eu nascera.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Enterrado com os sentidos ativos


Não consigo mexer meus ombros, está tudo escuro, tão escuro...

Não posso respirar ou me levantar, o que está havendo? E todos esse vermes que me devoram e vomitam em mim.


Aqui é frio e úmido; quanto excremento repousa em mim;


O que eu fiz meu Deus?!

O que eu fiz para ficar assim?!


Vejo uma luz lá longe, sinto que posso ir até lá, mas temo, temo que lúcifer esteja guardando a porta, guardando meu lugar, talvez tenham demônios esquentando meu lugar e a imundice de seus corpos irão me tocar e me devorar.


Filosofia de cemitério, maldita filosofia! Já posso enxergar, vejo um rosto tão belo, um semblante triste e ao mesmo tempo belo, quero lhe tocar mais que tudo; quero senti-lo.


Quando clamo pelo nome de Deus ele chora sangue, sinto pena e desejo em lhe consolar, é tão mitológica a face de lúcifer, a forma que nos é ensinada, quando o vejo só me vem pena no pensamento, expulso de casa, agora vaga livre e ao mesmo tempo prezo, eu lhe sinto, mais percebo que não sou como ele, não minto como ele, nem faço tentações, não sou um servo fiel, mas mesmo andando, mesmo que de longe de cristo eu o sigo.


Lúcifer me perdoe, mas não posso atravessar as portas que guardas para mim, continuo aqui, prezo, continuo aqui em meu sepulcro esquecido, te desejo do fundo de minhas víceras paz de espírito.