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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Saudade de quem


Saudade de quem
(Marcos Henrique)


Quando seu cordão umbilical tocou meus lábios e me acordou de meu sono leve, não pude ver com a claridade o sorriso que se formava de tua boca murcha. Teu hálito podre depois de dias de óbito tocou minhas narinas com o cheiro da morte e a brisa de um novo dia de luz.

Não tenho o privilegio de sentir saudade, de sentir liberdade que sempre me deixa de fora de suas festas.

Quando tuas vestes úmidas tocaram meu braço, todo o embaraço que era ser culpado sem nunca ter sido julgado...

...E o que mais me dói no peito aberto em carne viva e sangue morto é essa espera que nunca termina, feito o eclipse de minha rotina, sorrateira e equívoca.

E quando o sol morre e a lua ressuscita, me sinto distante tão perto de duvidas infinitas, mas o que mais me impressiona nessa vida torta é que sempre sinto saudades de quem nunca conheci em vida.


“os anos não importam porque os cigarros acabaram”.
Dedicado a Kurt Cobain.

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