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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Sandeu



Sandeu



Todos os homens são iguais;
Todos os tolos são mortais;
Todo amor sangra;
Todo amor é dor e esperança manca;
Toda mulher é feliz;
Toda algoz se faz feliz;
Toda vida é morticínio.

O que eu quis para mim foi paz, dois pacotes de arroz e um pouco de carne de segunda. Quero água para meu corpo, corpo que não me pertence, mas me preenche.

Todo homem é eterno;
Todo amor é amor, mas não é materno;
Todo céu é igual;
Toda dor é morticínio;
Todo fel é amargo e o amargo é como a vida que o açúcar não dá conta;
Todo homem é filosofo;
Toda verdade é absoluta;

Meus moinhos de vento, não funcionam mais e, meus braços, não te acariciam mais, sou tão sábio que chego a me sentir um deus e em minha luxuria, sou o mais alto e mais tolo de todos os homens tolos.

Toda culpa é gerada de verdades de sábios que são tão pequenos diante dos mistérios do caos.



Marcos Martins.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Crânio



Crânio
(Marcos Henrique)


Os momentos mais felizes de minha vida passei sem ti. Como eram felizes meus dias e, não sei o que aconteceu com meu pobre caos. Uma flecha foi isso o que você causou em meu pobre espírito, pois meu coração havia deixado num canto esquecido e nem sentia falta desse músculo, que sente mais as cosias do mundo do que o pensamento do filosofo mais profundo.

Os momentos mais serenos de minha vida passei ao lado de bêbados com verdades imprecisas, porém verdades, meio fingidas, um tanto quanto cuspidas, escarradas, gritadas e tão doidas que, as vezes me pareciam mentiras verdadeiras com gosto de sandice.

Estou quebrado agora, em mil pedaços, não me junto, não me juntam, se ao menos você pudesse me fazer um favor, mas é melhor assim, dor por dor.

Minha prosa é imprecisa, minha vida não menos. Não enxergo mais nos espelhos das zonas minha ansiedade. E o que vale apena enxergar? Se o que vejo é mais da mesma e boa violência. Pobre ânsia de meu espírito, sempre deprimido e com cheiro de mofo, sempre perdido e sem alvejante para lhe tirar as manchas amareladas.

O mundo são, me assusta e a lua tenta flertar comigo, um flerte proibido, pois não posso mais roubar sua inocência, então, você não tem serventia, nem para mim, nem para os poetas que te usaram e jogaram as folhas com teus poemas fora.

Verdades me são ditas pela boca da mais velha prostituta “A vida” E não adianta saber toda essa verdade, pois todos têm suas verdades - implícitas ou explicitas -. Me faça um favor, vida, cale sua boca e apenas siga, sem me olhar, sem me notar num banco de madeira velha e curtida.

Minha verdade? A verdade que eu digo, é que nem sempre uma prosa é para ser entendida, apenas sentida, apenas, vivida.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Fragmentos de um possível soneto falso


Fragmentos de um possível soneto falso
(Marcos Henrique)


Quero poder dizer
O que todos não dizem
O que os olho omitem
Cegueira de meu ser.

Quando meu mundo começou
Me senti vivo, mas em algum momento, não sei qual, morri
Deixei de nascer como o dia, só dor
E fui para o mais profundo de meu ser

À noite em mim, não se faz mais dia
O dia por meus dedos escorregam
Sou tão ócio e dor, pecado de quem nasce sem ter o que comemorar
Noites em claro e chuva rala que cai numa constância infernal.

Quero poder revelar tudo o que te é ocultado
Mas meu tempo me proíbe e, não sei o que dizer
Tudo o que posso revelar, olhando em teu semblante
É que tudo e nada sei nessa terra de tantos olhos, mas nenhum me vê como os teus me veem.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Ùltima Parte do conto "Mortos"



- Vai! Faz o que tem de ser feito, eu prefiro virar o nada a te seguir. – fala o rapaz abrindo os braços, aceitando assim sua sentença.

O ser não hesita, e corta-lhe a cabeça em um só golpe, caindo assim o corpo do rapaz ao chão.

O ser profere um grito medonho e sai voando, em seguida chegam ao local dois anjos.

- Chegamos tarde, o aliciador esteve aqui antes – comenta o anjo.

- Pobre homem, não teve tempo de saber a verdade, só a verdade vos libertara. – diz o outro anjo.

Na terra, outra criança acaba de nascer.

- Da próxima vez chagaremos a tempo? – pergunta o anjo ao outro.

- Não sei, mas até lá, espero que ele tenha uma vida apreciável, essa é a terceira vez que o perdemos, não podemos falhar mais – responde.

A vida sempre sobra em nossos ouvidos palavras inaudíveis, antes de nos deixar viver.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Números e vida


Números e vida
(Marcos Henrique)


1,2,3. Terminei. Só os números que não terminam nunca;

4,5,6. Terminei. Só os dias que não param de fazer-me sangrar;

301,302,306. Terminei. Meus sonhos não findam; minha ânsia não se extingue;

69,666,7. Terminei de contar, mas os números continuam rumo ao infinito, rumo ao horizonte que nunca terei. Será que se eu deixar de contar os dias, poderei viver sem expectativas, sem ânsias de querer voar.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Continuação de Mortos Parte II



No céu, estavam travando uma longa batalha que já durava milênios, demônios tentavam invadir e destronar Deus. Os anjos estavam perdendo a batalha, então homens também tinham que lutar. Homens e anjos se misturavam, asas e lanças se misturavam dor e lágrimas se misturavam.

- O que terei que fazer? – perguntou o rapaz.

- Terás que lutar, para poder ficar livre – respondeu o ser.

- Mas, aqui eu sou livre, não sou? – Perguntou.

- Não, não é. Você foi convocado – disse o ser.

Convocado, mas eu estou morto e estou no céu, não posso ser convocado aqui – disse o rapaz com um espanto em seu rosto.

Então, o ser meio homem meio animal começou a lhe explicar as regras do caos.

- Você tirou sua própria vida, sua alma estará condena ao tormento eterno, Deus lhe está dando uma chance, se você lutar por ele, sua alma será salva, se não...

- Quer dizer que ou eu luto, ou vou para o inferno – interrompeu o rapaz.

- Não, você vai para um lugar pior que o inferno – respondeu o ser abrindo suas asas.

- E se eu morrer aqui? Não posso morrer aqui não é? – perguntou o rapaz.

- Sim, aqui se você for destruído, vira infinito, vira poeira, se junta ao nada, ao caos – respondeu o ser com um brilho no olhar.

- E como se mata o que já está morto? – perguntou o rapaz.

- Aqui nesse instante você não está vivo, você acha que esse é seu corpo, que está com essas roupas, que agora está respirando. Tudo está em sua mente.

O rapaz ficou intrigado e com medo, apertou as mãos e perguntou ao ser.

- Então quer dizer que se deceparem minha cabeça viro nada – falou o rapaz com a voz tremula.

- Sim – respondeu o ser.

E nesse momento um clarão se formou, um estrondo cortou o céu e as nuvens ficaram da cor de sangue, ouvia-se choro de crianças, mulheres gritando e gritos horríveis de agonia e tormento, o rapaz sentiu um calafrio e o medo lhe paralisou todo o corpo.

Bestas aladas rasgavam as nuvens, uma carruagem com cavalos em chamas corria por sobre as nuvens, eram guiados por uma besta metade homem, metade pássaro de olhos negros e mortos, ele erguia a mão e de súbito uma legião de demônios, com seios de mulheres e genitálias masculinas, apareceram rasgando tudo e todos que estavam em seu caminho, não poupavam nem as crianças. Os anjos voavam com lanças em direção ao exercito de demônios, raios e trovões se espalhavam num barulho ensurdecedor. O paraíso estava em guerra.

continua...