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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quando tudo for dor


Quando tudo for dor
(Marcos Henrique)

Quando a dor parecer mais puras, vou encontrar o arco-íris em tons de cinza que sempre busquei e nunca pude tocar;

Quando a dor parecer mais pura, serei todo seu acaso. Todo seu, de coração e lagrimas;

Quando a dor parecer mais pura, mais terna, quero leite morno e torradas de alho;

Quando a dor parecer mais pura, meu rosto desfigurado será visto por todos e me servirá de orgulho, um orgulho heróico;

Quando a dor parecer mais pura, de nada mais me servira à maturidade;

Vou ter que lutar pela dor que teima em querer me abandonar, pois preciso de meus medos e demônios para ser um homem completo.

Quando a dor se for, serei só. Todo solidão, um drogado em abstinência, um eu sozinho, bandeira sem haste;

Quando a dor se for, não terei mais motivos para ser um ser vivo, pois de que adianta ter dentes e não se ter carne para mastigar e regurgitar;

Quando a dor se for e o paraíso vier, não terei para aonde ir, não terei para quem viver mais, pois todos os contos de fadas não me serviram mais de nada.

Quando tudo se for, só me restará à ironia de ter visto o quão pequenino, perdido e vão eu sou.

Obrigado a mamãe, papai e a todos os seres do invisível que me cercam. Até os que me sufocam.

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