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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Felicidade

(Marcos Henrique)


A chuva radioativa cai lá fora e eu aqui dentro não posso ir embora, meus pulmões estão com pus, mas eu não pus a culpa em você.

A radiação clareia tão bem a aurora, quase vejo os corpos queimados, só sinto o cheiro de corpos sem formato, ouço os gritos de agonia como um badalar de sinos me estourando os ouvido que já sangram.

As crianças choram porque nascem vivas. Tantos cabelos caindo pelo chão. Um olho olha para mim sem dono, quem perdeu a visão? Quem apertou o botão? Meus dentes caem pelo chão, minhas feridas não saram; estou bem, estou tão feliz, meu filho nasceu morto.
Não sei porque, mas acho que a terra chora, não sei se Deus se foi ou se nós o mandamos embora, não choro mais; estou tão feliz, minha mulher morreu, só falta eu agora.

Não a mais comunicação! Somos tão iguais agora; estão todos como eu, podres por dentro e podres por fora, que sorte a nossa, á morte vem e nos consola.
Estou tão feliz, sinto que vou morrer agora.

2 comentários:

Andréa Trindade disse...

Muito profunda sua poesia, interpretei a como se o eu-lirico estivesse tão acostumado com os problemas da humaninade que estes são olhados como normais sem remeter nenhum tipo de sesação de pavor.São tidos como comuns ao mesmo tempo que triste. O otimismo do eu lirico representa uma esperança ocultada pela ironia de achar que está tudo bem, quando na verdade não está.

Marcos escritor disse...

vc capitou a essencia, acho que vc foi até mais profunda do que eu.
Valeu o comentario andréa espero te ver virtualmente mais vezes por aqui.

Marcos Henrique