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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Conto - Eles são reais



Eles são reais


Estava sem sono, já passava das duas da madrugada, a única coisa que ouvia nitidamente era o som do relógio da sala de minha casa, tic,TAC,tic,TAC. No mais, tudo era silêncio total, não um silêncio desconfortável e sim um silêncio tranqüilo, pura calmaria.

- Quase três horas da madrugada e eu aqui sem dormir – pensei enquanto cruzava os braços, estava um pouco frio.

Toda a cidade dormia pelo menos uma boa parte dela. Apenas, deveriam estar acordadas pessoas que tinha que vivar da noite para ganhar a vida, e não me reviro somente a prostitutas, muita gente vara a noite trabalhando para poder sobreviver nessa selva moderna.

- Mas o que é aquilo? – pensei, quando vi aquela luz no céu, não era um clarão normal e se movimentava com tanta destreza – só pode ser um balão meteorológico – pensei, coçando o queixo com a barba por fazer.

Muitas pessoas veem coisas estranhas no céu, mas nunca Henrique, ele era cético com o assunto que beiravam o desconhecido, era uma ateu convicto e um cético respeitado por seus amigos, pois sempre tinha respostas para mistérios que deixava seus amigos desconcertados, respostas dentro da razão.

- Só pode ser um balão ou um avião – pensou em vós alta, ele não poderia acreditar no que estava vendo, logo ele, que nunca acreditou nem em Deus, disco voador ou Papai Noel.

A luz foi ficando cada vez mais clara, cada vez mais perto de sua janela e uma forma arredondada se formou uma espécie de nave, sem janelas ou turbinas para lhe manter planando. Henrique gostaria de correr, porém alguma coisa o impedia de fazer isso – Salve sua vida seu idiota! – não parava de ecoar esse pensamente em sua cabeça, mas ele não podia fazer nada, nem mesmo piscar os olhos a única coisa que lhe passava pela cabeça era como se fazia mesmo a saudação vulcana de Spock do filme jornada nas estrelas, talvez isso pudesse salvar sua vida.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Última parte do conto - Contos e Retalhos




A fada dos dentes ri – Vejo que cresceu, ficou lindo e engraçado, porém sinto muito fizemos um acordo além do mais se você se tornar astronauta quem me garante que, em uma de suas viagens especiais você não volte nunca mais e eu perca suas jóias – fala se aproximando da cama e tocando o pé de Pedro com uma mão tão fria quando a de um defunto, fazendo Pedro se arrepiar todo.

- Você não poderia me dar mais um tempo – continua Pedro tentando convencer a fada lhe dar mais tempo ou quem sabe desistir de seus dentes – eu não tenho dinheiro para comprar dentes novos e dessa forma como vou conseguir arrumar uma namorada?

- Sinto muito, mas temos um acordo e preciso dos seus dentes para continuar visitando mais pessoas – a fada se aproxima ainda mais e toca a coxa de Pedro.

Pedro a olha bem nos olhos como se estivesse hipnotizado, a fada se aproxima mais e de súbito Pedro reage, pega o canivete o arma e passa no rosto da fada num golpe certeiro. Com o golpe a fada se afasta e da um grito fino de dor que logo se transforma em gargalhada.

- Você acha que essa faquinha pode me ferir?! – diz a fada com um ar de deboche – Você é mesmo um imbecil! Me dê logo esses dentes moleque, pois estou morrendo de fome – fala a fada que se transforma num ser asqueroso, suas asas que antes se pereciam asas de borboleta se transformam em asas de morcego e seu rosto antes belo como um entardecer na praia fica desfigurado, seus dentes se transforma em prezas disformes, suas mãos ressecadas e enrugadas agarram as pernas de Pedro para tentar imobilizá-lo.

- Socorro! Pai! – grita Pedro desesperado.

Carlos acorda meio desorientado, escutando bem distante o chamado desesperado de seu filho.

- Pai! Pai! Socorro – Continua Pedro com a perna sangrando, as unhas da fada dos dentes o machucam com violência.

Carlos se levanta de uma vez só meio tonto – Muleque! – continua Carlos coçando a cabeça e assanhando seus cabelos.

Os gritos continuam e então Carlos desperta por completo – Pedro!? – diz Carlos e corre para o quarto do filho, o corredor parece mais longo do que antes, os gritos ficam mais altos e Carlos se desespera.

Aporta do quarto está fechada, Carlos arromba a porta com um chute, nem mesmo o velho Carlos imaginava ter tamanha força e para sua surpresa seu filho está todo ensanguentado morto deitado na cama.

- Pedro! Pedro! O que aconteceu meu Deus?! – grita Carlos abraçando o corpo do filho, ele não percebe, mas não está só no quarto.

- Valeu apena esperar todo esse tempo – diz a fada dos dentes se deliciando com sua refeição “os dentes de Pedro”, todos os dentes.

Carlos olha em direção ao guardaroupas do filho e para sua surpresa agachada bem distraída com sua refeição a fada nem nota Carlos a li olhar.

- Quem é você? O que é você!? – pergunta Carlos em choque.

A fada dos dentes se vira para Carlos e com um sorriso de satisfação, lambendo os dedos, se deliciando com a refeição que acabara de fazer.

Carlos olha ao redor do quarto e a única arma que consegue acha é o canivete suíço presente da mãe de Pedro.

- O que você fez sua maldita coisa?! – grita Carlos apontando o canivete para a fada que da uma gargalhada gelando a alma de Carlos.

- Agora ele é seu filho? – continha a fada – eu sou a prostituta que você queria dar de presente ao garoto, só que... – a fada olha para Carlos e volta a se transforma no ser asqueroso que aquele semblante belo esconde - ... Eu cobro antecipado e os dentes de Pedrinho eram tão lindos que não resisti, tive que come-los.

- Seu maldito demônio! Eu vou te matar – grita Carlos e parte para cima da fada, mas como a uma mosca Carlos é lançado ao chão.

- Humano idiota! - continua a fada – não sou um demônio, mas você é uma anta, anta não que é um animal inteligente apesar de sempre compararem um humano idiota feito você a um animal tão inteligente, é uma ofensa ao animal.

- Eu vou matar você, não importa o tempo, eu vou te destruir! – grita Carlos apontando o canivete para a fada que o olha tranquilamente.

- Você acabou de se incriminar estúpido – continua a fada – eu usei esse canivete para arrancar minha refeição da boca de seu filho, e como não tenho impressões digitais, que pena; você é quem vai pagar o pato pela morte do muleque.

- Eu vou acabar com você! – grita Carlos com ódio nos olhos.

A fada olha para Carlos com um olhar de superioridade – estou lhe esperando quando quiser seu trouxa, se pelo menos ele tivesse podido aprender a andar de bicicleta. Vamos ser sinceros era linda aquela bicicleta que eu dei a ele não era?

Como que por mágica a fada some após revelar o segredo de Pedro, Carlos fica atônito, ele não podia acreditar.

- Não, não, não; não!

Passos rápidos são ouvidos na casa – Pedro? Carlos? – uma voz um pouco aflita chama pelos homens da casa.

É a mãe de Pedro, ela conseguiu uma folguinha para comemorar o aniversário do filho e vinha com um lindo bolo para o ele, mas seu coração de mãe ficou apertado o dia inteiro como que prevendo algo de ruim que iria acontecer.

Sandrea entra no quarto já esperando o pior, ao ver o corpo do filho sem vida em cima da cama todo ensangüentado larga o bolo e começa a gritar. Carlos está no canto da cama, sentado com o canivete na mão e se balançando, ele não fala coisa com coisa, apenas se balança de um lado para o outro batendo com a cabeça na parede do quarto de tal forma que já começa a sangrar.

- O que você fez Carlos!? – grita Sandrea segurando Carlos pelos ombros e o sacudindo.

- Meu menino, meu... Ele só queria andar de bicicleta Sandrea – continua Carlos desnorteado – ele era um bom menino, ele era...

- Carlos! Carlos! Olhe para mim! – continua Sandrea pegando o rosto de Carlos e levantando-o para que possa olha para ela – O que você meu; Deus!?

Carlos respira fundo e olha para Sandrea com lágrimas nos olhos – Eu o amava Sandrea, eu o amava – Carlos larga o canivete o começa a chora.

Sandrea fica sem entender, tenta se recompor, olha para o filho ali, jogado sem vida na cama e sai do quarto, Carlos se estica para tentar alcançar as pernas de Sandrea, mas não consegue. Ele liga para a polícia.

- Alô telefonista eu quero registrar um assassinato em minha casa – continua Sandrea com uma voz hora segura, hora vacilante e os olhos marejados.

- De quem senhora? Meu filho. Meu marido o matou.

Fim.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Todos os Olhos




Todos os Olhos
(Marcos Henrique)


Eu sou...
....o acaso, o medo, dor do parto.

Eu sou...
...o acaso, ouro de tolo, palhaço sem palco; eu sou amor.

E todos os olhos me olham sem me olhar, todos os olhos! Todos os olhos a me censurar!

Eu fui um bom garoto e o que recebo?
Eu fui o que você quis ser, eu fui o que você sempre quis ser.

Saudade de quem não sei se vem, loucura em gostar, amar! Odiar! Ter pavor! Chorar por alguém que não sei se vem.

Eu sou...
...Fraco e o forte, eu fui, eu sou;

Eu sou saudade de mim, minhas mentiras de minha rotina.

Onde eu vou estar quando você parar de me amar?
Eu sinto muito por gostar tanto de você, eu sinto muito por sangrar;
Eu sinto muito por gostar de você;
Eu gosto tanto de você, eu sangro tanto por você.

Eu gosto tanto de você! Sangro tanto por você!
Eu sangro tanto por você;
Sangro.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Meu eu inerte



Meu eu inerte
(Marcos Henrique)


Minha irá vai me consumir.

Vou matar a poesia;
Vou matar meu falar;

Todos riem e eu choro nessa noite sem alegrias. Todos temem o fim, mas almejam agarrá-lo com as duas mãos em seus subconscientes. O fim é só o começo da vida quando me vou, quando me vou!

Feridas abertas e velhas cicatrizes já tão conhecidas, a última ceia e o gosto do arroto ainda se faz soluçar.


O pai que nunca tive me batia de mais. Quem matou a poesia?
Quem matou meu pensar?

Temos dor e tripas, temos tripas e fezes que lutam para se libertar. Se escrever me deixa livre, sou mais livre que Deus ou o diabo que vivem por suas próprias regras.

O último milênio e tudo é tão igual, comida sobre a mesa, mesa sem casa, casa sem paredes, paredes, prisão, mente vazia, cu, boca, solidão.

Fui eterno até ontem... Lá no alto tudo é tão cinza. Passos rápidos, rostos limpos e nada é igual à ontem.

Sempre pensem que liberdade fosse difícil de conseguir, mas é só pular sem olhar para baixo. Minhas asas vão aguentar? Quem sabe?


Sou um conquistador do acaso do mundo sem mundo, sem pés, sem chão, sem nada. Minhas lágrimas derretem meu rosto e tudo fica como a dois mil anos atrás, inerte em meu peito que dança um tango com instrumentos desafinados.

Escrever correto me entedia, eu me entedio de mim, sou tão insatisfeito de mim que jogo fora a mim e sem mim vivo melhor, vivo como homem livre. Vivo,vivo.