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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Vivo com meus Nãos



Vivo com meus Nãos


Toco meu coração; 
Toco meu espírito;
Toco meu corpo sem me olhar no espelho; 
Cansei de meu reflexo.

Sinto às cólicas do mundo
Sinto dores nos ossos, às mesmas dores da época de meu crescer – crescer machuca (é um mal necessário).

Toco meu coração, percebo que já mencionei isto, percebo o quão cíclico é meu existir.

Gostaria de poder chorar por você que devora esses versos;
Gostaria de poder chorar, poder tocar você – mesmo sem te tocar – te tocar – mesmo sem compreender meus caminhos – te tocar.

Sempre convivi com as limitações do "Não", o mesmo que carinhosamente nos é dito por nossas amadas genitoras.

Sempre o Não, sempre um Não a me cercar. Mas quando acho um sim, perdido em livros empoeirados sem o acordo gramatical, mesmo assim, sempre termino nas mãos do Não.


Marcos Martins.

sábado, 8 de março de 2014

Poema 85


Poema 85 


Sou o avesso do verso, o poeta sem nexo
Meu mundo é tão imenso, perturbador e complexo
Como meu pensar.

Eu sinto vocês sentem?
Eu sinto, mas não me sinto
Eu minto – sou tão feliz –
Me vejo  – sou tão mentiras –
Omito – sou todo, dúvidas –
Vomito.

Olho no espelho e vejo temor em meu reflexo sem alma, sem cor, sem dúvida, sem dor, o nada.

Eu quero ser reflexo com vida, poder sorrir, poder sentir o calor, o desabrochar, o perfume das flores mais lindas, mas ali trancado, meu reflexo está tão só. Só, porém feliz por ser eu a carregar a cruz de nossa vã existência.         


Marcos Martins.