
O sol nasce e o medo me toma
O dia nasce e eu não;
O dia brilha no céu e eu não;
Deus olha a terra e a mim não;
Sinto fome, sinto frio, sinto olhares a me ferir, mas nunca Clarice em mim;
Não sei o quanto mais agüento, sei que notas e sei que me amas, mas me sinto sua irmã, não um garanhão viril, como anseias todas as manhãs.
Cecílio Martins.
Recife 25 de novembro de 1933