acompanhar

Mostrando postagens com marcador star wars. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador star wars. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Mais um trecho de meu livro Lugar Nenhum - Paraíso Distópico



O ar daquela casa me sufocava, não conseguia respirar, não conseguia raciocinar lá dentro, todo o ambiente me oprimia, me encarcerava.

– Lázaro! – grita Ainá tentando me fazer parar.

Não conseguia ouvi-la bem, mas pelo tom de sua voz sabia que ela queria que eu a esperasse, no entanto só me vinha à vontade de sair daquela casa, de sair de perto daquele homem bêbado que me fizera toda aquela confissão. À medida que tentava alcançar a porta ia ficando sem forças, mais e mais sufocado, já não conseguia enxergar bem, à vista estava turva e tudo começara a girar, lembro que cheguei a tocar com um dos dedos na maçaneta da porta, depois, escuridão.

Não sei quanto tempo fiquei desacordado, mas foi tempo suficiente para que o senhor Gildo ficasse mais sóbrio, ele me olhou de forma dócil, ergueu uma caneca com café quente e depois mudou o semblante, ficando austero.

– Você está bem garoto? – perguntou-me, acenei com a cabeça dando a entender que sim.

Ainá se aproximou de mim e me abraçou. Estávamos no quarto do Senhor Gildo, era um quarto simples, tinha uma cama de casal, que eu estava deitando, um criado mudo, um guarda-roupa sem portas, que deixava as poucas roupas que tinha a mostra, e muitas lãs de aço espalhadas pelo chão.  

– Onde estão os outros? – perguntei a Ainiá ainda convalescente.

– Espalhando mais lãs de aço e chapas de metais por toda a casa – respondeu o senhor Gildo se antecipando.

Podia sentir em sua voz que o esforço de Gabriel e dos outros era em vão, só não entendia o porquê dele deixa-los desprender toda aquela energia.

– Precisamos conversar filho – falou o homem pondo a caneta em cima do criado mudo.

– Sou todo ouvidos.

– Não na frente dela.

– O senhor me fala tudo agora, eu conto tudo a ela logo em seguida, então não percamos tempo.

– Tudo bem, mas acho que após ela me ouvir, não terá uma noite de sono tranquilo. – falou num tom ameaçador e ao mesmo tempo preocupado – Isso tudo é bem maior do que você pensa – continuou, – quando eles começam esse processo, só param quando tem aquilo o que querem.

– Com o senhor foi assim? – pergunto. 

A pergunta abala o velho homem que segura à mão esquerda, que começa a dar espasmos involuntários.

(...)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Onírico



Onírico
(Marcos Henrique Martins)


São dez anos a caminhar por desertos em busca de meus sonhos – não consigo vê-los, porém cinto –.

Há mais de dez anos erro por mundos, tangíveis e intangíveis, em busca de minhas epifanias. São todas proscritas.

Vejo à história de todos ganharem vida e se ramificarem - as minha dormem e roncam -. Não sei se plantei corretamente as sementes, ou se o chão é muito arenoso para aflorarem.

Quando será minha colheita?
Será quem um dia se realiza?
Quando meus sonhos deixarão de serem sombras?
(Sonhos que tardam me tocar).
Quando pararei de me perdem entre os mundos?
(Morpheus vem me ninar). 

Há mais de dez anos vago por tempestades de areias – meus olhos lutam para não permanecerem fechados –, luto para não me sentir tão perdido.

Vi um oásis
(triste ilusão)
Ouvi meu nome
(Lobos famintos a me chamar) 
Me vi no espelho
(rugas me sorriam)
Voltei a vagar.

Há mais de dez anos que busco;
Há mais de dez anos que tenho lampejos, palpitações e copos com águas, tempestivas, que não posso tocar. 

sábado, 8 de outubro de 2011

Um pequeno conto


Tanto tempo fora de mim
(Marcos Henrique)

Passei dois dias fora de mim, vaguei por tantos lugares coloridos e cheios de vida que quando voltei ao meu corpo, não me senti mais a vontade. Para aonde fui não precisava de um corpo chato e preguiçoso para me atrasar. Não precisava comer essa comida alterada, nem beber água fresca. Fresca?

Percebi que o universo não é tão vasto, nos é que não temos mais tempo para contemplá-lo. É uma pena, pois o universo tem todas as respostas e todas as perguntas guardadas num arquivo morto, com fichas coloridas.

Do que mais senti saudades? Foi de poder me ver por inteiro, sabe nu mesmo. Senti muita falta de poder me ver nu, pois não conseguia me ver sem meu corpo, só sentia que estava lá, mas não podia me ver ou me tocar. Masturbação então era impossível, mas quem precisa se masturbar quando se tem tanta coisa para ver?

Nesses dois dias que passei fora de mim, não senti, um único dia, falta da humanidade, e o pior é que agora não me sinto mais parte da matilha, me sinto deslocado, um eremita numa casa com banheiros.

Tanto tempo fora e, ninguém sentiu falta de mim. Não os culpo, é o progresso nos roubando a vida e nos dando falsas expectativas de um futuro glorioso. Futuro?

Sempre me preocupei com meu futuro, mas depois que sai do meu corpo, não me preocupo mais com nada, porque não há mais nada para se preocupar, pois hoje, eu sei que sou eterno nesse grande universo sempre em expansão, sou a menor partícula da uma razão que não entendo, se é que existe alguma razão, mas sei que penso.

Depois de minha experiência, consigo ver todo o individualismo em que minha raça se encontra. Não, não encontrei vida inteligente lá fora, continuamos sós, entre esses mais de 6 bilhões. É, é triste mesmo, eu sei. Continuamos mais sozinhos que o universo, mais perdidos que a justiça, sem sentido algum para ter prazer com o ato de se masturbar, apenas fingindo e tomando remédios de tarja preta para conseguirmos suportar uns aos outros.

Dois dias fora de meu corpo. E tudo está bem pior do que ontem.

sábado, 3 de setembro de 2011

Poema tirado de meu livro Segunda era

Segunda era.
29/09/2002


Não quero mais, se só essas palavras bastassem, não há mais nada a ser feito, não quero mais o dom maldito, eu tenho e não aceito, mas percebo que é só o que sei fazer.

Quantas trevas mais?!

Quantas lágrimas?!

Quanta pressão em meu corpo, meu pensar, que falta me faz ter não ter juízo, todos os sons, todos que não ouço, mas sei que gritam.

Quanto mais agüentarei?

Quanto mais afundarei?

Os apoios se foram, por quê ainda persisto?

De onde vêm essas forças?

O que me mantém vivo?

O que me mantém nesse tormento? Nesse mundo sem ar que vivo.

Malditas feridas!

Malditas cicatrizações fingidas!

Fuga pro nada, pro mundo sem solo, pro solo sem pés, só limbo, só limbo...

Nada de choro ou sorrisos.

Não acendam as velas, ainda estou vivo.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Somos um




Somos um
(Marcos Henrique)



Quero sentir teu sexo, teu corpo dentro do meu, tua boca em minha boca, teu suor se fundindo ao meu.

Teu hálito, tão gostoso, teu gozo, teu fogo. O melhor de teu tesão.

Suas mãos me acariciam. Me tocam. Te toquei, te senti em minha língua, te provei como a uma bebida, que me embriaga, me faz perder a fala. As palavras nem sempre falam tão bem quanto os olhos.

Nos sentimos muito próximos, somos dois, somos um.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mortos parte 4



O ser pergunta ao rapaz de que lado ele pretende ficar.

Do lado da justiça – responde o rapaz.

Então vá para o outro lado – diz o ser.

O rapaz fica espantado e lhe vem um aperto no coração.

De que lado você luta – pergunta o rapaz.

Do lado do ser mais puro que Deus já vez, Lúcifer! – responde o ser.

O rapaz fica atônito, não sabe o que pensar, em toda sua vida ele imaginava que o diabo era um monstro, um ser feio aos olhos humanos.

Vejo que você não aprendeu nada humano tolo – diz o ser com ar de superioridade.

Esse exército de demônios que você vê, não é de meu senhor, e sim de teu Deus, ele despreza os suicidas e fetos que são abortados não servem para sua vaidade – fala o ser com ódio nos olhos.

Não! Não pode ser...! – fala o rapaz com os olhos em pranto.

Sim! Esses seres alados que você vê; e essa infantaria que vem em nossa direção é de teu Deus – diz o ser abrindo suas asas e demonstrando imponência.

Prefiro que corte minha cabeça, a ficar do teu lado demônio, que meu Deus te perdoe as ofensas e tenha piedade de tua alma. – responde o rapaz erguendo o punho fechado.

Se, é assim, não tenho outra escolha - fala o ser desembainhando sua espada.

sábado, 17 de abril de 2010

Parte 3 de Mortos


E como se mata o que já está morto? – perguntou o rapaz.

Aqui nesse instante você não está vivo, você acha que esse é seu corpo, que está com essas roupas, que agora você está respirando, tudo está na sua cabeça meu filho – desse o ser.

O rapaz ficou intrigado e com medo, apertou as mãos e perguntou ao ser.

Então quer dizer que se deceparem minha cabeça viro nada – falou o rapaz com a voz tremula.

Sim – respondeu o ser.

E nesse momento um clarão se formou no céu, um estrondo cortou o céu e as nuvens ficaram da cor de sangue, ouvia-se choro de crianças, mulheres gritando e gritos horríveis cortavam o céu, o rapaz sentiu um calafrio e um medo lhe paralisou todo o corpo. Bestas aladas rasgavam as nuvens, uma carruagem com cavalos pegando fogo corria por sobre as nuvens, eram guiados por uma besta metade homem, metade pássaro, ele erguia a mão e de súbito uma legião de demônios, com seios de mulheres e genitálias masculinas, apareceram rasgando tudo e todos que estavam em seu caminho, não poupavam nem as crianças, os anjos voavam com lanças em direção ao exercito de demônios, raios e trovões se espalhavam num barulho ensurdecedor.
Onde o jovem se encontrava era belo, flores perfumavam o lugar, árvores enormes davam sua graça, cachoeiras com águas cristalinas, rios cheio de vida, de repente, ele olha e observa que em sua direção vem uma espécie de infantaria; cavalos com cabeças pegando fogo servem de montaria para homens sem olhos, catapultas são armadas e são lançados fetos ardendo em fogo de mulheres que abortaram.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mortos (continuação) parte 2



(continuação)


Ele não sabia, mas sua jornada só estava começando.

E como foi meu enterro? Acho que não foi ninguém – falou o rapaz.

É, você não tinha muitos amigos – disse o ser.

No céu, estavam travando uma longa batalha, demônios tentavam invadir e destronar Deus, os anjos estavam perdendo a batalha, então os homens também tinham que lutar; homens e anjos se misturavam, asas e lanças se misturavam.

O que terei que fazer? – perguntou o rapaz.

Terás que lutar, para poder ficar livre – respondeu o ser.

Mas, aqui eu sou livre – disse o rapaz.

Não, não é, você foi convocado meu filho – disse o ser.

Convocado, mais eu estou morto e estou no céu, não posso ser convocado aqui – disse o rapaz com um espanto claro em seu rosto.

Então o ser meio homem meio animal começa a lhe explicar tudo.

Você tirou sua própria vida, sua alma estaria condena ao tormento eterno, Deus lhe está dando uma chance, se você lutar Por ele, sua alma será salva, se não...

Quer dizer que ou eu luto, ou vou para o inferno – disse o rapaz.

Não, você vai para um lugar pior que o inferno – respondeu o ser abrindo suas asas.

E se eu morrer aqui? Não posso morrer aqui não é? – perguntou o rapaz.

Sim, aqui se você for destruído, vira infinito, vira poeira, se junta ao nada – respondeu o ser com um brilho no olhar.


(continua...)

terça-feira, 30 de março de 2010

Outro poema de Segunda era


Larvas flamejantes brotam em mim, um queimor, uma febre que não cessa em meu corpo. Não sinto meu espírito, o que é mesmo isso?

O que foi?

O que aconteceu?

Por que essa insônia?

Por que a claridade me dói os olhos?

Uma dor aguda me corta de canto a canto. O sol lá alto, imponente, nunca será tocado, eu nunca serei tocado, nunca serei violado, mesmo depois de morto, podre, decrépito. Nunca serei tocado, nunca serei eu mesmo de novo, nunca é uma palavra que me causa medo e dor. Meu suicídio tem feições de menino, minhas feições, meu rosto, meus olhos, todo meu corpo, todo meu ser, tudo, tudo...

...Eu nada sou. Nada encontrei. Meu poema suicida nunca será entendido porque ainda respiro. Eu me acho dor, me sinto dor. A dor se materializa em mim, em mim. Como gostaria de olhar no espelho e ver um rosto sorrindo, a angustia da alma me tortura, me maltrata, que tipo de homem eu sou? Que tipo de dúvida eu sou?

Meus pulsos estão com cicatrizes profundas, meus olhos estão negros e sem vida, mas não acendam as velas, ainda estou vivo.

Marcos Henrique.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Mais um poema



Jaboatão, amizades falsas, ano difícil.
Marcos Henrique


O medo me toma. Eu e meu corpo não somos um só faz dias, estamos separados por nossos medos, aleluia para os atues. Como posso pensar se não enxergo? Como andar se não sei nadar?

Tem uma festa em minha cabeça, em meu cérebro angustiado, tudo se resolve se tudo se complica e os ecos não sabem cantar desafinados. Por onde eu tenho andado que não me lembro de mim? Por onde eu tenho sonhado se não me lembro do ontem?

Esse meu mundo louco não me prende ao chão, junto tudo e cuspo num papel em forma de versos só por não ter mais ninguém por perto, eu sei o que você sabe, todos vamos ter câncer um dia e daí se nada mais importar ao não ser ficar vivo sentado na escada e ver seus netos correndo.

Dança comigo? Vem dança. Juro que não te piso mais que o necessário, eu sei que você sabe que os sonhos são intocáveis de mais para sonharmos por tanto tempo, mas agora mesmo foi feito mais bebês e isso renova nossa fé falha e opaca. Vem dança só essa música comigo, prometo que serei um cavalheiro, não importa meu passado, não por agora, vem dança comigo.

Cansei de ser um homem triste, vou explodir por dentro e matar toda minha vida antiga porque cansei de ser um homem triste, não me faça despedaçar o que restou, não me faça raspar minha cabeça só para ver se ainda estou lá, cansei de ser triste e coeso, vem e me diz como saio da lua para poder roubar umas bicicletas, ainda posso correr, mesmo com fome, mesmo com dor.

Quero se você quiser e serei melhor que o papa e que todo o vaticano, não sei o que ainda faço aqui em pé olhando para ti, mas quero ser melhor, chega de mentir para si, mentir soa tão bem e é mais fácil que viver.


quarta-feira, 17 de março de 2010

Eu, meu corpo & minha poesia



Jaboatão, mês, ano & horas.
Marcos Henrique

Te odeio, por tudo o que não sou, por todo o fracasso que carrego em minhas veias, por toda fadiga, todo meu ser. Quando falo minhas salivas saem e molham tudo e todos infectando com minha ruína todo bom ser.

Te odeio, por tudo o que não sou, por minha falta de popularidade, por todo amor que sinto e não posso dar a ninguém - o guardo aqui em meu peito, em meu coração cego e engelhado.

Te odeio, por tudo o que não sou, por tudo o que nunca serei, por tudo que já sonhei, por todo ódio infundado, inexplicável.

Te odeio, por tudo o que não sou, pelas risadas bobas, não. Te odeio - pela fome, te odeio - pela dor, te odeio - por meu nome, infundado, inválido com um pronunciar fraco...

Te odeio, por toda a fúria em mim escondida, te odeio, meu reflexo, meu semblante negro, nesse espelho despedaçado.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Te sinto menos

Sofro com você cada vez mais que te sinto menos, meu coração fica cada dia menor, difícil de sentir.

Viver pode ser difícil, mas o mais difícil é sobreviver com alicerces ruindo.

Que saudade do belo, saudade do terno me toma o peito, me estripa, me arruína a vida;

Maldito ateísmo!

Maldita descrença que vem surgindo!

Maldito sou eu, bendito és tu que houve minhas blasfêmias.

As orações já acabaram, não sei o que fazer. As forças acabaram, mas eu não posso ver tua mão amiga - não sinto mais me acolher -.

Sou maldito ou digno de misericórdia?

Sou motivo de vergonha, tristeza, derrota, mas te amo mesmo quando te viro as costas, mesmo quando não sou mais menino, mesmo quando meu ateísmo me toca, mesmo quando estou cego nesse labirinto. Eu, um proscrito.


Marcos Henrique

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Menadel o Proscrito de Deus

Essa é a primeira estória de Menadel o Proscrito de Deus, que foi banido dos céus por não cumprir uma ordem direta de Deus: Matar seu irmão Lúcifer.
Nessa primeira estória vocês vão desvendar as origens de Menadel e saber como ele veio parar na terra, além disso, irão conhecer uma menininha que Menadel terá que salvar das forças do mal, pois a mesma tem o poder de abrir as portas do inferno e libertar todos os demônios na terra, Menadel irá conseguir salva-lá? Descubra isso e muito mais em “Proscrito”.
Aqui estão as primeiras partes da saga de nosso herói, em breve nas bancas vocês saberão toda a verdade que Menadel o Proscrito de Deus nos revelará.
M. Martins.
Autor: M. Martins
Desenhos: Fabiano Tavares

Conheça mais sobre Proscrito no blog: http://menadelproscrito.blogspot.com/

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Muro

Tive medo que meu ateísmo se desenvolvesse, tive medo da descrença de não poder me apegar em nada, coisa essa que não sinto.

Serei repreendido por tais palavras, os intelectuais nunca são, mas eu nada sou, embora o nada seja vasto, sou mínimo, sou curto. E esse meu peito duvidoso! Qual o caminho certo?

Qual porta me levara para o céu?

Qual afagara no inferno?

Eu sinto, mais às vezes passa desapercebido, se não existe culpa, o que somos?
Ira, calmaria, ímpio, gentil, estórias, contos, fé, sobras, tudo se mistura, quem administra o abstrato?

Quem tanto pergunta tem culpa tem culpa?

Quem pouco responde tem culpa?

E essa busca!

Será tolice?

Será carência?

Culpa?

Se meu ateísmo se desenvolver, piedade e clemência eu imploro, um julgamento justo e paz para uma mente atormentada, que sofre por achar que tua voz, tua fala; fica cada vez mais longe, cada vez mais fraca.

Marcos Henrique.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Para papai, mamãe e meu amigo imaginário Emanuel.


Clamor é uma palavra pura, sujeira; sou eu essa criatura impura, amor; não tenho, não trago mais comigo, dor, corpo esquecido.

Os proscritos choram, chamam, imploram, palavras são mais fortes que lanças, um coração enrijecido é mais triste que lágrimas, uma face cansada, um olhar sem pálpebras (chame do que quiser a esperança), nada além do nada no horizonte.

Só me restou forças na mão que impunha a caneta, ela é minha ligação com Deus e com o diabo, com o ódio e corações arruinados. Se estou triste me perguntam, eu digo, indago, sou triste! Sou fruto da árvore do pecado, meus pais me abandonaram, mas me deixaram um crucifixo e uma reza, para quando tudo mais for falho.

Marcos Henrique.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

O Homem que ninguém se lembrava

Para lêr o que está escrito selecione com o mouse e arraste, logo abaixo aparece-rá o texto.


Dezembro, ano desconhecido. Lembrança esquecida.

Lembranças desconhecidas. Lembro de tudo, só não lembro se vivi realmente isso, todos aqueles rostos, todos os sorrisos, todas as reuniões de família, os primos que não via há anos, os tios que me davam dinheiro quando me viam, sempre apertavam minhas bochechas até ficarem vermelhas, todas as vezes que acenei em vão...

Quando fecho os olhos vejo o que vivi, entretanto sinto como se não estivesse lá. Quando era pequeno no dia de minha primeira comunhão fui o único garoto a ter que pedir ao padre a hóstia consagrada, ele havia esquecido de mim, eu disse: - Seu padre! O senhor esqueceu de mim - Quem é você filho? – Perguntou-me o padre. Eu nem desconfiava que isso seria uma rotina em minha vida, na hora achei engraçado, mas quando passam a te perguntar isso por vária vezes, em várias fazes de sua vida é um saco.

- Ola dona Marta bom dia.

- Ola garoto, quem era aquele menino ela se perguntava sempre que lhe dava bom dia? Dona Marte era uma boa pessoa, só com ela eu não me zangava, é que ela tinha, como se chama mesmo, sim! Perda de memória recente ou algo assim.

Sabe é duro ser o garoto invisível do colegial, o único que não é chamado na hora de escolherem o time de futebol, o único a perder todas as manhãs o ônibus para ir ao colégio, o último a ter pelos pubianos, se bem que não vejo vantagem em tê-los, um amigo meu me dizia, se os cabelos de sua bunda estão lá é por algum motivo, sei, esse motivo é um mistério até hoje para mim.

Seria comigo se não fosse trágico ou trágico se não fosse março, esses trocadilhos não servem para nada, são lapsos para podermos suportar nossas vidas....
(continua)...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Céu Azul




Céu Azul


Anjos rasgam os céus azuis em vôos suicidas;
Deus se escondeu com vergonha do que criou;
Meus heróis morram de tristeza! Estão todos pelo chão;
Se você não pode voltar, eu não posso ir.

Não a nada mais aqui, nem pessoas para matar, onde estão?

Segredos que causam dor só servem para envenenar todo ar;
Eu não quero ter medo de você, eu não quero ter que matar você.

O sol ainda brilhara amanhã em quanto os justos poderem lutar;
Eu não quero voltar pra você, eu não quero ir...

Meus heróis morram de tristeza! Estão todos pelo chão;
Se você não pode voltar, eu não posso ir.
Não a nada mais aqui, nem pessoas pra matar, onde estão?

Marcos Henrique

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A vida que escolhi



A escolha mais difícil que fiz em minha vida foi ter escolhido te perder. Um simples abraço, um misero abraço poderia ter mudado tudo.

Continuo lá te esperando em pé na chuva olhando para o nada, para ver se te vejo, não sei onde estás, eu nunca soube como entrar no teu mundo.
Se hoje meu peito sangra;

Se hoje não sinto vida, a culpa é minha, só minha de tê-la perdido, de tê-la feito chorar por meu amor de não ter me arriscado mais.

O dia continua a nascer e as flores ainda morrem sozinhas sem serem vistas na calada da noite, a porta está mais fechada do que nunca, não posso entrar, joguei as chaves fora, será que você soube o quanto foi difícil minha escolha?

A casa que nunca vamos ter, os filhos que nunca vamos educar, as rugas que nunca vou ver em você, o abraço que nunca vou te dar, o tempo que não volta, os erros que estão a nossa volta, as escolhas erradas que sempre ficaram comigo; esse foi meu premio por não te amar quando devia, por ter assassinado essa parte de minha vida de nossa poesia. Nunca pude te tocar, sempre de longe, sempre aqui dentro de mim, meu coração nunca vai parar de sangrar eu sei; a culpa ainda é minha e não tem perdão que nos dê aquele tempo que eu matei para preservar meu medo de viver ao teu lado.

Quem dorme ao teu lado?

Quem enxugou tuas lágrimas?

Quem te viu acordar?

Quem te viu dormindo de um modo engraçado? Eu não sei; mas sei que perdi todos os momentos bons de tua vida e sei que ainda és para mim a menina mais bonita, também sei que nunca é muito tempo, mas é isso o que somos; nunca! Chega de perguntas! Chega de respostas que não podem ser ditas em alta voz, tenho seu coração prezo ao meu, seu coração não bate mais como o meu, não bate mais para o meu...

Morrer seria mais fácil, o suicídio poético, não ter você é pior que o inferno sem fogo ou céu sem anjos, um Deus louco ou súditos mortos. Tudo bem em quanto houver lágrimas, sei que existira vida.
As amoras já estão boas de serem cultivadas, mas me faltam mãos para colhê-las.

Aqui jaz meu amor.

Marcos Henrique

O Poema que eu deveria ter vivido há doze anos atrás.
Ano de 2004.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Vermelhar


Você é tão linda, tão bonitinha, suas bochechas rosadas, sua força é enorme para o seu tamanho, acho que é por isso que te admiro, te respeito e gosto de teu gosto.

Serás lavada hoje, serás preparada para mim, para que eu possa saciar meu desejo que também é teu, então, é nosso e juntos seremos mais fortes que o universo, seremos uma dupla perfeita, dinâmica, imbatível, o herói e sua desejada, juntos a combater o mal.

Vou te deitar em água corrente, vou te lavar bem lavadinha, para que possas ficar com aquele cheiro que só você tem, com aquele gosto que me toca os lábios e me faz delirar.

Agora que vou te lavar, tiro toda sua roupa com as mãos limpas e suaves, para não te machucar, te reparto de canto a canto e te deito na banheira que te dará mais sabor e me dará mais energia, estás quase pronta é só bater um pouco, adoça-la a gosto e está pronto meu delicioso suco de beterraba, saúde.

Henrique Martins.
2004-06-29

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Tudo tem um fim



Fim de segunda era.


Bom dia meu melancólico suicídio, como tens dormido? A noite às vezes é fria, mas o sangue de meus pulsos cortados lhe aquecera.

Eu fui um bom menino, agora quero minha recompensa, me é reconfortante saber que o sol brilha alto no céu e que apesar dos pesares o mundo ainda respira.

Meu testamento não foi escrito, sem folhas em branco, sem folhas que deveria ter escrito.

Daqui; vejo meu corpo que logo não existira mais, espero que lembrem-se de mim, só por um dia, mas lembrem-se. Agora vamos que à noite já está por vir, não quero mais o escuro, só a luz me interessa.

Ascendam às velas, não mais respiro.