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Mostrando postagens com marcador poetas. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

HABITA-ME


HABITA-ME

Esse ser que me habita, faz-me escrever em transe;
Esse ser que me habita, faz-me experimentar sensações constantes;
Esse ser que me habita, embriaga-me para fazer amor comigo sem culpa por me embriagar;
Esse ser que me habita, torna-me caverna platônica viva;
Esse ser que me habita, faz com que eu escreva essas linhas sem saber aonde vou pousar.

Ser que me habita, sempre podes entrar e eu mim fazer morada, és parte de mim – mistura complacente, meu ser inconstante.

Habita-me;
Consome-me;
Deleita-se em meu existir, pois sem ti nada sou – nem verbo, nem substantivo, nem em adjetivos posso estar contido.


Marcos Martins.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

ABAFADO


ABAFADO


O grito.
O silêncio.
O grito.
Há silêncio.

O eco;
O ego;
Dor que vem e se aloja em meu peito.

O grito.
O silêncio.
Coisa que toco e quebro com meus defeitos.

O susto;
O lamento;
O grito dentro de meu silêncio.

Estética rasa, rala como o século que precisa de adendo, onde tudo falta, onde tudo se abafa e apenas olhamos como os dias ainda podem passar lentos.

O grito - meu silêncio.
O grito - esquecimento.
O grito - prisão sem trancas.
O grito - pássaro sem asas que canta um canto de lamento.

O grito abafado pelo vento.
O silêncio perdido dentro do grito.
O grito que me negam, engulo com meus medos.


Marcos Martins.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Não sei tocar sem quebrar


Não sei tocar sem quebrar


Não sei te amar como deviria serdes amada;
Não sei tocar como tu devirias serdes tocada;
Não sei dizer "Eu gosto de você", sem parecer forçado.

O mundo me presenteou com o desamor, pois não sinto amor como todos o sentem. Não o experimento como todos o experimentam. Não sei abraçar sem machucar e sentir-se abraçado.

Se me amas de verdade vai, não tentas tocar-me, pois posso quebrar-te o coração – e esse quando quebra nunca mais bate dentro do compasso.

Vai, deixa-me aqui quieto, desfiando, observado os casais enamorados que tudo dizem – sem nada dizer – apenas com os gestos que nunca fui capaz de dar-te, com caricias que nunca fui capaz de tocar-te.

Vai, seja feliz ao lado de outrem que possa fazer-te sorrir, que não te faça chorar como tantas vezes fiz.  


Marcos Martins.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

MEU ÚLTIMO DESEJO


MEU ÚLTIMO DESEJO


Quantas vidas uma pessoa pode ter em um único dia? – Milhares ou nenhuma.

Minhas pernas não chegaram aonde eu queria, mas é preciso continuar a caminhar, assim como é preciso respirar, alimentar-se, fingir sorrir, fingir se alegrar, sonhar e ter medo.

Mais um ano que se esvai e a poeira do tempo incomodam-me os olhos, que antes estavam tão abertos e agora lutam para não fecharem.

Lembro-me do tempo em que enchia o peito com esperanças por um ano novo melhor, com menos mortes e ódio, com menos dor e mais altruísmo, mais amor ao que não é o meu umbigo.

Agora que mais um ano se esfarela, e logo, logo, todas as rádios entoarão cânticos momescos – para esconder, para por embaixo do tapete todas as coisas não concretizadas, todas as promessas não cumpridas, toda força em vão, tudo o que ficou apenas idealizado em plantas baixas... Eu sei, eu sei, eu sei do outro lado do mundo há algo bom e altivo para todos os que pronunciaram poucas vezes a palavra “Não”.  

Meu último desejo, antes do badalar da aurora que logo vai se apresentar, é não ter mais desejos para meu corpo todo dilacerar.


Marcos Martins. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

Hoje é dia da poesia e o que mais posso dizer? - ABSOLUTAMENTE NADA



ABSOLUTAMENTE NADA


Nada do que eu disser mudara o rumo das coisas, crianças continuarão nascendo e seus choros estrondosos serão ouvidos, outras terão o choro cessando antes do nascer do sol – é a vida em seu estado selvagem e cruel.

Nada do eu disser porá fim as guerras dentro e fora de nós – apenas sorria e acene, sorria e acene e finja que é feliz assistindo sua TV LCD de 100 polegadas, pois nada poderá lhe tocar, nem mesmo os comerciais.

Homens públicos continuarão financiando o freak show, colocando o capital em suas cuecas de grife – se possível até nas nádegas – tudo para fugir dos órgãos alfandegários e do coro popular os chamando de corruptos, mas não se preocupam realmente, pois o coro popular fica rouco em pouco tempo e mínimo.

Nada do que eu disser tocara por mais de cinco minutos sua consciente – a fugacidades matou o tempo dentro do século XXI.

Nada do que eu disser te fará feliz de verdade, porque não há felicidade, o que existe é o poder de compra e quem não o tem está fadado ao inferno na terra.

Não protestem mais doces crianças, não adianta tentar criar uma revolução nesse século, já que o sentido das revoluções morreu junto com a serventia dos filósofos.    

A fugacidade matou o tempo;
A fugacidade matou o século;
A fugacidade matou o degustar de um poema;
A fugacidade matou o mendigo que dormia enrolado em jornais de ontem;
A fugacidade matou o sentido de se ter por de sois.

Criança, nada do que eu disser tornara o mundo mais seguro para você.

Marcos Martins.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Encômio ao ócio



Encômio ao ócio



O relógio avisa-me que são 10 horas da manhã e eu aqui deitado, deitado em meu ócio. Não sinto vontades, nem as fisiológicas, que o amanhecer nos trás, apenas ócio. Fecho os olhos, sinto os olhos a mexerem de um lado para o outro, de um lado para o outro. Contemplo o escuro com toda sua calma, sabedoria e cumplicidade.

O relógio me avisa que são 11 horas da manhã. A cama esquenta, meu quarto esquenta, meu corpo está frio. Terei morrido? Não quero mexer-me para ter certezas. Concentro-me e o ouço o tic, tac, tic, tac. 11 e meia. Não tenho animo, apenas ócio.

Elevo meu pensamento para longe, para bem longe de tudo. Meus quadris doem um pouco, tanto tempo deitado, tanto tempo a refletir sobre tudo, sobre o nada, meu existir, o existir dos outros, das coisas, o fato de EU existir, do Ele existir, o sentido da vida que quero dar a outras pessoas, por não conseguir ter um sentido em mim.

Levantei.

Comi, mas permaneci com fome
Bebi e continuei com sede
Sorri, porém por dentro não me alegrava
Vivi triste com a vida que levava.

Há dias em que existo
A dias em que existo
Adia meu existir.

Por vezes, me tranco mim
Por vezes, deixo meu ócio por meus ossos entranharem-se dentro de todos os questionamentos que vivem mim.
Louvo o ócio
Louco ócio
Ócio, contraditório, que me faz produzir. 



Marcos Martins.
 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Feliz ano morto





Feliz ano morto


Ouço na porta o cântico da realidade - Um coral que canta desafinado todas minhas frustrações do ano que está prestes a morrer. (Afinados são meus infortúnios).

Gostava mais dos anos dos dentes de leite, pois não me pegava em falecidos sentimentos. O único enterro que quis ir foi o que não pude segurar na alça do caixão.

Porque as feridas sempre se abrem um dia antes da morte do ano velho? Essas feridas que me moldaram ao longo dos tempos opacos, por vezes coloridos, esperançosos e confusos.

Imagens circulam aqui e acolá, me enchem, esvaziam-me, acolhem e beijão minhas lágrimas.

Meu corpo continua preso e sou tão consciente disso que sei que não adianta - por mais que sonhe nunca poderei voar com essas asas atrofiadas, que nasceram em minhas costas curvadas. (O nunca é malvadamente infinito).

Gostaria de ter uma agenda lotada para não ter que saldar a morte do ano velho que pari as duras penas – sem anestésicos –, o novo que chega com sua esperança, insuportavelmente, inocente. O novo. Com velhos lobos e novos figurantes, uns não tão novos assim.

Fico em teu velório, meu velho amigo, até o último minuto, até o último segundo em que você povoa a terra. No entanto, não vou segurar tua mão úmida e engelhada, nem corrigir as imperfeições das flores colocadas às presas em teu caixão. Lá fora, gritam por um nome que não é o teu, o teu já se esqueceram de pronunciar.

Feliz ano morto, vida nova;
Feliz ano morto, minha cara alma;
Feliz ano morto, minha fé flácida;
Feliz ano morto, todas as promessas que nunca vou cumprir;
Feliz ano morto, para todos que nesse dia sofrem por ainda estarem cheios de lembranças geriátricas, que lutam para se manterem, inutilmente, vivas antes da meia noite, porém, irão se perder nos labirintos de um corpo novo, de um ano novo, de uma vida esperançosamente confusa.


Marcos Martins.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Febre do Rato (2011)

Texto fantástico sobre o filme "Febre do Rato", do diretor pernambucano Cláudio Assis, no blog Cooltural, do blogueiro Ademar Júnior. Quem ainda não viu o filme, vai querer ver. Quem já viu, vai querer assistir novamente. 

padrao

O Mangue Beat é um movimento de contracultura que surgiu na década de 90 em Recife, como forma de denunciar o descaso econômico do mangue e a desigualdade social da capital pernambucana. O movimento fortaleceu-se através do músico Chico Science, famoso pela mistura musical do maracatu com hip hop, funk e música eletrônica. A agitação causada pelo Mangue Beat foi tão grande que logo contaminou as artes plásticas, a moda e até mesmo o cinema.

O diretor Cláudio Assis é sem dúvida um dos maiores representantes, não somente do cinema Mangue Beat, como também do próprio cinema pernambucano. Sua carreira cinematográfica é marcada por obras cheias de nudez explícita, palavrões e histórias cruas. Em Febre do Rato, seu último longa, temos todos esses elementos aliados a uma poesia suja e marginal.
(...)

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sexta-feira, 21 de junho de 2013

Nasce um poetar


Nasce um poetar


Sinto que uma poesia quer nascer – sair de dentro de meu ser -, porém, não sei como fazer para expeli-la (Os anos no serviço burocrático me apagaram).

Sinto-a em meu peito e umedecendo os olhos, mas não me faz chorar, é mais saudade de lugares que sei nunca vou tocar com minhas mãos ásperas.


Marcos Martins.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Poesia bandida


Poesia bandida


Sou um poeta que nunca amou de verdade;
Nunca foi acariciado de verdade;
Nunca beijou uma boca verdadeiramente.

Beijei apenas bocas pagas, é, tive que pagar por amor, mas na verdade era por pena, pena de mim, pena de minha vida, meus fracassos.

Enquanto o mundo escorria ladeira a baixo, eu escrevia, escrevia e escrevia coisas sem sentido; coisas que tinha que dar um sentido; coisas que ninguém entendia e, por isso mesmo, torciam o rosto para mim.

Sou um poeta que odeia as rimas, que odeia qualquer tentativa de métrica na poesia, mas não sabe amar, pois o amor tem rima, ritmo, carícias espontâneas. Não se aprende o que não se teve; não se viveu. Talvez Baudelaire me entendesse, quem sabe.

Nunca vou morrer por amor;
Nunca vou sofrer por amor;
Nunca vou sorrir sem sentir dor.

Sou o poeta que não grava suas poesias, que não sabe fazer performances para declamar seus poemas, apenas leio e ponto. Leio, leio e leio, mesmo sem entender, mesmo que não faça sentido a outrem. O mundo deixou de fazer sentido desde ontem. 

Sou o poeta que sempre se perde eu sua louca e tola razão do poetar. Mas vou continuar a fazer meus versos, mesmo sem nunca ter provado o amor desses versos, mas há dor, essa dor contida e escondida nas entrelinhas, delas sou cúmplice.

Sou eu esse poeta que só sentiu gosto de saliva em todas as bocas que pagou para deflorar, que sabe, como ninguém, o que é sofrer pelo que nunca se teve da forma como se deve ter: verdadeira, pura. 


Marcos Martins.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Uma poesia para os amigos apreciarem nessa terça que se inicia




Cultivando afãs


Te amei; nunca me amaste;
Te toquei; nunca me tocaste;
Sempre te segui; nunca nem me olhastes;
Sempre sofri; tu nunca me notaste.

Quero um colo, mas não vou fugir de casa; iria para aonde?

Você só aprende na vida com suas dores – nunca vou descobrir porque tem que ser assim -.

Gosto de sorrisos doces, límpidos, verdadeiros, singelos; todos se escondem de mim.

Te amei com toda minhas forças, protegi tuas pegadas para que soubesses o caminho de casa – nunca te importastes em voltar -.

Poderia dizer que meu coração clama, doe, sangra por te, mas não o farei, pois os fatos me fizeram forte. E disso não abro mão.

Algumas pessoas precisam de felicidade para vive, outras, apenas vivem feito máquinas. Eu preciso apenas de poesia, de versos, não importa se estão com ou sem rimas.

Não preciso de afagos, do toque que arrepia a alma, dos lábios com gosto de jasmim, dos olhares complacentes que sorriem na busca de reciprocidade. Preciso apenas de poesia, não de amor. Mas como ter uma sem ter a outra?

Como ser banhado por versos secos, se nem os parnasianos conseguiram o fazer? Mesmo que não assumam. Não adianta só me resta continuar cultivando tuas pegadas rasas, na esperança de que um dia encontrem os sentimentos tolhidos que tenho por ti. 

Continuo aqui;
Continuo assim... 

Marcos Martins.

quarta-feira, 13 de março de 2013

EM LÁGRIMAS



EM LÁGRIMAS


Hoje me veio uma vontade de chorar e com as lágrimas que acariciavam meu rosto, uma paz se faz nasce. A paz que busquei por tantos anos.

Hoje, com minhas lágrimas, todo o peso do mundo desceu de meu dorso e finalmente não tive mais que carregar a cruz do mundo.

Hoje, quando chorei, pude sentir, ver, contemplar o todo.

Chega de dor, de horas mortas.

Hoje chorei e me fez um bem, mais do que todos os sorrisos que dei nos últimos dez anos.


Marcos Martins.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Onírico



Onírico
(Marcos Henrique Martins)


São dez anos a caminhar por desertos em busca de meus sonhos – não consigo vê-los, porém cinto –.

Há mais de dez anos erro por mundos, tangíveis e intangíveis, em busca de minhas epifanias. São todas proscritas.

Vejo à história de todos ganharem vida e se ramificarem - as minha dormem e roncam -. Não sei se plantei corretamente as sementes, ou se o chão é muito arenoso para aflorarem.

Quando será minha colheita?
Será quem um dia se realiza?
Quando meus sonhos deixarão de serem sombras?
(Sonhos que tardam me tocar).
Quando pararei de me perdem entre os mundos?
(Morpheus vem me ninar). 

Há mais de dez anos vago por tempestades de areias – meus olhos lutam para não permanecerem fechados –, luto para não me sentir tão perdido.

Vi um oásis
(triste ilusão)
Ouvi meu nome
(Lobos famintos a me chamar) 
Me vi no espelho
(rugas me sorriam)
Voltei a vagar.

Há mais de dez anos que busco;
Há mais de dez anos que tenho lampejos, palpitações e copos com águas, tempestivas, que não posso tocar. 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

(Conto) Conversando com minha consciência



Foto da livro 7. Lendária livraria do Recife


- Queria comprar um livro.

- Então compre.

- Não tenho dinheiro. 

- Então roube.

- Mas é errado.

- Então roube e depois peça perdão a Deus.

- E Ele vai me perdoar?

- Tente.

- Não sei, tenho medo.

- Então não peça, nem tente falar com Ele.

- Mas se Ele vê tudo? Vai me ver roubando o livro.

- Vai nada.

- Mas Ele não vê tudo?

- Vê sim.

- Então ele vai me ver e me mandar para o inferno.

- Vai não, vai não.

- Como você sabe?

- Já roubei tantos livros que acabei fazendo com que a livro 7 falisse e Deus nunca me castigou por isso, muito pelo contrário, pôs seus anjos para me indicarem os melhores escritores nacionais.

- Como pode isso?

- São mistérios que não devemos tentar entender.

- Então para que serve nossa racionalidade? Para nos fazer sofrer?

- Não.

- Então para que serve?

- Para não sermos totalmente loucos e acharmos que temos culpa.

- Acho que vou roubar o livro.

- Te dou cobertura.



Marcos Henrique Martins.


sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Na Praça Maciel Pinheiro, vi Deus



Na Praça Maciel Pinheiro, vi Deus
(Marcos Henrique Martins)

Quando o fim do mundo chegar, deixarei um canteiro com flores diversas para que ninguém possa aproveitar seu aroma. Parece egoísmo de minha parte, mas qual ser humano não é egoísta? Você? Eu?

Quando o fim do mundo chegar, poderei descansar a cabeça no chão duro, neste asfalto que guarda segredos, impressionistas, que ruborizam até os querubins.

Quando o fim do mundo chegar, ficarei sentando num banco, em qualquer praça do centro Recife, ou melhor, ficarei sentando na Praça da Independência, que se tornou a Praça da Desesperança, devido ao número de prostitutas, desocupados, desempregados e mendigos que por lá perambulam. Não ficarei na Maciel Pinheiro, pois lá não existe visibilidade e todos já estão mortos para sociedade.

Assistirei todo o pânico dos transeuntes, em meio ao caos, junto com os que vivem a margem da sociedade. Ficarei calmo, pois a desesperança cessará para aqueles miseráveis acostumados com um amanhã sem possibilidades. Me sentirei em casa e apertarei a mão de todos, até darei abraços efusivos em alguns, mas só nos miseráveis que por lá sempre estão.

Quando o fim do mundo chegar, vou rir; chorar, questionar Deus, culpar a ONU, negar meu fim, me reconciliar com Deus e aceitar o fim definitivamente, pois, ao reconciliar-me com Deus saberei que sou infinito. Não é isso que pregam? A negação da impossibilidade. A negação da obscuridade do “fim” com um ponto e a esperança do “fim” com reticências?

Quando o fim do mundo chegar, vou torcer para que tudo, definitivamente, acabe, pois não suporto mais esse mar revolto de possibilidades, essa calmaria que finge chegar, essa humanidade obtusa a qual faço parte, que trai com beijos, que se arrepende com lágrimas de crocodilo, que pede aos deuses que matem sem misericórdia, que pedem aos deuses que tudo acabe, que pedem, pedem e pedem, mas esquecem dos miseráveis que estão na Praça Maciel Pinheiro ao lado da igreja da Boa Vista onde já vi Deus, em um sermão cansativo, cochilar.


***

Ontem fiz um poema em prosa sobre a Praça Maciel Pinheiro (Recife-PE), que está sofrendo com o descaso das autoridades. É prostituição, consumo de drogas e assaltos, tudo à luz do dia, mas ninguém enxerga a Praça. o interessante é que o jornal Folha de Pernambuco também conseguiu notar a praça e fez uma ótima reportagem sobre a mesma. Esse é o poema em prosa que fiz para a Maciel, a praça de minha infância. Era raro o dia em que não passasse por lá e me deslumbrasse com aquele chafariz jorrando água e os bombos que por lá moravam.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Crucificado

 
Crucificado
(Marcos Henrique Martins)

Hoje, acordei cansado. Comecei o dia ansioso pela noite que se recusava me tocar, pois me traria o sono e o sono me levaria ao mundo dos que sonham. Fiquei à noite interia, em claro, com a esperança de ser visitado pelo senhor Morpheus, mas ela já deveria estar dormindo feito um anjo. Fiquei e
m claro esperando por mais um dia de fadiga, dessa sensação de perda e claustrofobia que minha impotência causa.

Hoje, acordei cansado com os olhos inchados de tanto chorar, com a boca seca e a garganta áspera de tanto orar. Pedi, em dado momento implorei, neguei o silêncio, por fim aceitei o vazio.

Hoje, descortinei as entrelinhas da vida, percebi o quão só somos; o quão poeira somos; o quão tolo somos. Existência passiva. Vida cativa, ordeira, que me causa náuseas, este mal estar.

Hoje, pude ver, com os olhos cheios de olheiras, como somos ovelhas nesta terra de raposas, raposas que se camuflam tão bem, fingem ser vegetarianas e adorarem brócolis e espinafre.

Hoje, acordei e por um breve momento não quis levantar. Mas aquela voz dizia-me:
“Vai! Levanta para sangrar por mais um dia.”
“Vai! Levanta para chorar por todos e por você.”
“Vai! Levanta para lutar por teu pão, sacrificado, de cada dia.”
“Vai! Levanta e vai viver a tua vida.”
“Levanta e vai viver, pois na vida não há tempo para lastimar!”
“Vai! Crucifica-te por todos e por quem não te enxerga, nesta multidão ocupada com seus mundos particulares.”

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Não, não




Não, não
(Marcos Henrique Martins)


O não, não me castra;
O não, não me magoa;
O não, não me maltrata;
O não, não me diz nada;

O não me fortalece;
O não me faz agir de forma cautelosa, quando piso em pontas de facas;
O não é um advérbio, mas é visto apenas como recusa;
O não deixa lágrimas em teus, meus, olhos;

O não me faz formular possibilidades e realidades alternativas;
O não é a luta do pecar contra o ser humano que realmente somos;
O não marca mais que sins frigidos;
O não. Como forma de negar verdades incautas.

O não, repetido de forma vertiginosa;
O doce não, saído dos lábios das mães zelosas.
Dois nãos e a certeza de uma possibilidade. 
Teu não me castra; me sega nesta estrada vaga; me sufoca; me azeda; me marca.

Teu não me mata.

sábado, 21 de julho de 2012

Vocês conhecem a revista Figurinhas Descoladas?


Bom dia, boa tarde ou boa note! Vai depender de que lado do hemisfério do plante terra você esteja. 



Amigos! Gostaria de apresentar a vocês a revista: Figurinhas Descoladas. Na edição de número 3, tive a hora de ter dois de meus poemas selecionados, um conto publicado e meu perfil colocado na revista, além de ser o membro de número 5.000 (cinco mil) do grupo de mesmo nome no facebook. 

Quem quiser lê a revista, ou até mesmo baixa-la, esse é o endereço: http://www.3revistafigurinhas.vai.la/

Na revista, vocês vão encontrar: Contos, ensaios, várias colunas, curiosidades, política e entrevista.

Para os que quiserem fazer parte do grupo:

Fica a dica. E tenham todos, um ótimo fim de semana!     

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O que quero te dizer, mas omito

O que quero te dizer, mas omito
(Marcos Henrique Martins)


Não busco a felicidade nas coisas, nem a tristeza das coisas. Não busco o aroma das flores, nem o sentido da vida. Busco o vaco, a dor e a incerteza, por isto não sou compreendido. Me chamam de louco varrido, mas é na dor que me transformo, que produzo com consciência, que me sinto confortável, neste mundo cheio de ilusões doces.

Não busco certeza em nada, fico confortável com as perguntas sem respostas, pois para que responder tantas perguntas se nós mesmos não temos a verdadeira certeza. Me sinto confortável, neste mundo de ilusões doces.

Não busco a simetria das coisas, gosto da imperfeição, o plural da vida, seja em noite de luar com estrelas, ou em noites frias em pleno verão. Me sinto confortável, neste mundo de ilusões doces.

Não peço a compreensão dos filósofos ou intelectuais, deixem-me com minhas dores, deixe-me em minha cruzada, onde me acostumei com meu fardo e já não paro mais para descansar.

 Não busco a felicidades das coisas, é verdade. Apenas busco me encontrar, saber a que lugar pertenço, mesmo sem ter respostas que façam sentido, mesmo sem fazer sentido as íris dos outros, mas não machuco ninguém por isto.

Por favor, não queiram me compreender, apenas deixe-me viver com todas as feridas que o mundo me presenteou com tudo o que quero te dizer, mas omito.

Me sinto confortável, neste mundo de ilusões doces.




sexta-feira, 15 de junho de 2012

Inspirado no poema Quadrilha do grande poeta Carlos Drummond.

 
 
(Marcos Henrique Martins)

Porque sempre tem que ser assim?

Paulo que ama Julia, que ama Fernanda, que ama Paula, que ama Sandro, que ama Renato, que ama Sandra, que ama Clara, que ama Marcos, que morreu de solidão.

Nossas vidas são linhas cruzadas, que se partem e nem sempre voltam a se achar. E o que nos motiva a continuar, é um mistério.

A solidão, eu provoco com meu convite inócuo – Me faça companhia que estou triste nesta noite sem estrelas. Me faça companhia, e deixe-me afogar todas as frustrações em teus ombros largos. Fique, não hã lugar melhor que meu eu para se estar nesta noite sem poetas, sem lua, sem amor para se entregar. 

Inspirado no poema Quadrilha do grande poeta Carlos Drummond.
Ano da graça: 09.10.02