acompanhar

Mostrando postagens com marcador escritores nacionais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador escritores nacionais. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Mórbida aspiração



Mórbida aspiração



Quero ser teu parasita;
Quero roubar tua alma;
Quero roubar tua vida;
Tudo o que você tem e sonha em conquistar.

Quero roubar teu presente, passado e o por vir;
Quero roubar tuas alegrias, teus olhos, tua angustia, dor, anseios, medo, morte, razões e porquês;
Quero roubar tua forma de ver a vida.
Quero ser o mundo como você vê.

Sou teu parasita, vivo em tuas vísceras, me alimentando de teus desejos, de toda tua luta para sobreviver nesta, e se existir outra, vida.
Eu sou teu parasite. Quero roubar teu céu, sonhos, sons que te ninam, todas as idéias que idealizas; projetos concretizados, aplausos bem sucedidos, sorrisos, teu suor a métrica em tuas poesias.

Quero sugar a alma que enxergo em tuas retinas, ser o parasita que te habita, pois, sem você em mim, não há vida, nem há razões para meu ser.




Marcos Martins.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Ônus (conto)



Ônus


  
Flashes e mais flashes eternizavam, de uma forma mórbida, a garota deita, seminua, em um matagal afastado do centro. Ela sonhava em ser modelo e agora estava morta.

Sofia tinha 16 anos, mas nunca havia votado em eleições municipais ou nacionais. Não teve tempo. A mãe olhava, sem acreditar em seus olhos, a menina que carregara no ventre um dia ser motivo de curiosidade de populares e alimento para os vermes implacáveis. Três policiais tentavam segurar o pai que estava fora de sua sanidade. Os filhos não deveriam viver menos que os pais.

O destino, ou seja, lá que nome tente dar a atrocidades, inverteu a ordem das coisas. Mas uma vez as pessoas se sentiriam inseguras, comovidas e indignadas, mas o mundo continuaria seguindo sem se importar. A comoção tomou conta de mães, pais e filhos que choraram abraçados com perca daquela família, que até bem pouco tempo atrás não sabiam que existia. Somos solidários na dor.

As investigações tiveram início. Crime passional, por motivo fútil, concluíram. O algoz, o namorado da menina, um jovem de 18 anos que não aceitava o fim da relação. No decorrer das investigações, os jornais televisivos mostraram filmagens do assassino executando a vítima. Tudo aconteceu em frente a um posto de gasolina, em mais uma madrugada manchada por sangue de inocentes. A lua cheia presenciou tudo, mas nada pode fazer.

O rapaz foi preso, mas como não foi pego em flagrante responderia o processo em liberdade. Os pais de Sofia sentiram-se sem chão. Não é fácil perder a fé. Os pais, como forma de repúdio e descrença absoluta nas leis, apelaram para que o Estado deixasse de mão a investigação, até chegaram a pedir desculpas aos policiais que se empenharam na elucidação do crime. Se ao menos a lei não fosse cega, Sofia não teria sido ceifada de seu mundo.

Em carta aberta à mãe desabafou em rede nacional, falou que não acreditava na justiça, que não perdoava o assassino de sua filha, no entanto não queria que fizessem justiça com as próprias mãos, pelo contrário, gostaria que o rapaz permanecesse vivo para que todos os juristas, políticos, homens e mulheres que mandam no país sentissem vergonha do código penal e que, ao cruzarem com o assassino de sua filha, pudessem refletir por um só momento que à violência não escolhe: posição social, etnia, credo, faixa etária ou opção sexual e que os assassinos, e ladrões poderiam até estarem acima da lei, mas que ninguém é imune ao efeito devastador da violência.


Marcos Martins.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Encômio ao ócio



Encômio ao ócio



O relógio avisa-me que são 10 horas da manhã e eu aqui deitado, deitado em meu ócio. Não sinto vontades, nem as fisiológicas, que o amanhecer nos trás, apenas ócio. Fecho os olhos, sinto os olhos a mexerem de um lado para o outro, de um lado para o outro. Contemplo o escuro com toda sua calma, sabedoria e cumplicidade.

O relógio me avisa que são 11 horas da manhã. A cama esquenta, meu quarto esquenta, meu corpo está frio. Terei morrido? Não quero mexer-me para ter certezas. Concentro-me e o ouço o tic, tac, tic, tac. 11 e meia. Não tenho animo, apenas ócio.

Elevo meu pensamento para longe, para bem longe de tudo. Meus quadris doem um pouco, tanto tempo deitado, tanto tempo a refletir sobre tudo, sobre o nada, meu existir, o existir dos outros, das coisas, o fato de EU existir, do Ele existir, o sentido da vida que quero dar a outras pessoas, por não conseguir ter um sentido em mim.

Levantei.

Comi, mas permaneci com fome
Bebi e continuei com sede
Sorri, porém por dentro não me alegrava
Vivi triste com a vida que levava.

Há dias em que existo
A dias em que existo
Adia meu existir.

Por vezes, me tranco mim
Por vezes, deixo meu ócio por meus ossos entranharem-se dentro de todos os questionamentos que vivem mim.
Louvo o ócio
Louco ócio
Ócio, contraditório, que me faz produzir. 



Marcos Martins.
 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Poesia, poetar, poema, poesia




Poesia, poetar, poema, poesia
(Marcos Henrique Martins)


O que não é meu, não é de mais ninguém. Nem de Deus ou do diabo, nem de quem se julga cético, filosófico, poeta ou ateu.

O que não é meu é desse mundo tangível, desse mundo que fede a mazelas incontáveis, obscurecidas pelos óculos escuros, comprados por dez contos de reis nas feiras populares de minha terra, pois no Recife todos andam de óculo escuro - baratos ou não –. O sol do Recife é quente; é seco e quando toca o chão queima nossas íris. 

O que não é meu, não é da burocracia, aristocracia falida do velho continente que junta dinheiro com os bolsos furados e a cueca remendada na bunda. Não é do capital ou do proletariado que surge tipificado por classes, como se fossem castas, como se fossem espécies em extinção e em ebulição, loucas por viver, loucas por estarem morrendo, ou simplesmente loucas. Loucas, apenas isso. Loucas.  

O que não é meu, não é de você que me quer sentir por dentro de teu existir que acabou de mudar para sempre, mesmo depois de não me entender, mas que sentiu, olhou, me viu refletido nos olhos de um garoto sofrido que reza com sua lata de cola nos lábios rachados da vida sofrida que vive. Vida? Não, não é vida e sim mera existência.

O que é meu me perguntam? São os vícios, verdades duvidosas, dúvidas existencialistas, falta do que fazer em noite de feriado prolongado e todas as coisas indesejáveis que deixamos debaixo dos tapetes imaginários que se formam no fim de cada ano e, na esperança do novo ano que nasce aos prantos de nos chamar pelo nome, antes mesmo de aprender a caminhar. 

O que é meu é o dom da palavra e isto nem que me roubem a alma, não vendo, não troco, nem dou.

E mesmo que a poesia não tenha mais serventia, vou continuar essa jornada, mesmo que não chegue aos Jardins Suspensos da Babilônia, pois me sinto poeta e esse fogo que queima, aqui em meu peito, nem um dilúvio pode apagar.  

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Poema 05


Poema 05
(Marcos Henrique)




Na escuridão não vejo nada;
Na claridade não vejo nada;
Sou sensitivo que não tem sentidos. Às vezes percebo o perigo e sinto o amor que, da medo de se entregar. De olhos fechados, tenho mais chances de não me magoar.

Sou um sensitivo fajuto, mas percebo o perigo de tudo o que a no ar rarefeito que entope meu peito e comprime minha tola linha tênue do raciocinar.

Sou um sensitivo que prefere o escuro, pois sei que no fim de tudo existe um poço sem fundo, coberto do nada, tão frio quanto à alma de quem vai atirar.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Juntos, somos um todo, sozinhos sou nenhum!



Você que pensa igual a mim e acha que uma andorinha só não faz verão, visite o blog http://crowd.net.br/ é um blog de arte colaborativa, só nos unindo é que vão chegar a algum lugar.

Você escreve? Pinta? Desenha? Faz alguma coisa relacionada à arte? Então você vai gostar desse universo do Crowd - Artizing, Ativismo e Produção Coletiva. Junte-se a nós esse é o perfil no facebook: http://www.facebook.com/groups/crowdartizing/

Abraços virtuais a todos!
Marcos Hernique.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Novo mundo



Novo mundo



Por muito tempo estive imóvel;
Por muito tempo pensei ser o que sabia que seria;
Por muito tempo, sempre enxerguei pelo furo da caixa;
Por muito tempo eu tive pilares para me apoiar.

Meu porta retrato está despedaçado junto com as fotos do que achava ser meus conhecidos. Me senti livre depois de ter visto que no retrato não tinham mais rostos conhecidos ou se tinha não os reconhecia mais.

Por muito tempo eu ri, sonhei e pude voar ver tudo lá do alto;
Por muito tempo contei as horas para ficar com alguém;
Por muito tempo tive tempo para pensar no tempo que perdia com rostos conhecidos;
Por muito tempo eu me via no espelho.

Meu baú está mofado e não quero mais limpa-lo, o fogo é a melhor solução. Meus pertences não são mais necessários, pois não piso mais no mesmo chão.

Para que ver o passado?
Para que rememorar?
O que ficou para trás, ficou bem enterrado, num local que não tenho mais como achar.

Por um tempo eu vi sorrisos;
Por um tempo eu vi rostos que para mim não pareciam desconhecidos;
Por um tempo tomei vinho barato e fumei alguns baseados;
Por um tempo fiz parte de uma tribo.

Os anos passaram e eu passei, sobrevivi a tudo e hoje não me vejo mais com clareza no espelho e o porta retrato com todos aqueles rostos, todas aquelas faces que estão no esquecido não sabia mais o que sentia por eles, não sabia mais o que significavam para mim, pois hoje, tenho outros porta retratos, outros álbuns para preencher com novos rostos, com novas estórias, com tudo novo.

Por pouco tempo eu tive uma história que hoje se tornou lenda, e não sei se sonhei ou se a vivi.

Marcos Henrique

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um dia


Um dia
(Marcos Henrique)

Um dia a mais e eu me fiz menos;

Um dia a mais, nuvens borradas e falsos segredos;

Um dia a mais, tudo é o nada em vidas curtas. Vidas, nossos tolos pensamentos;

Um dia a mais. Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sempre;

Um dia a mais, meus sonhos, sonhos pequenos;

Um dia a mais, menos fome, mais vida, menos vida, mais fome;

Um dia a mais para que eu possa ter todos, absolutamente, todos os entendimentos que não vão me servir para nada quando meu dia se fizer menos;

Um dia a mais, só um dia qualquer com versos de efeito, métrica imperfeita, esperanças renovadas e perdidas, ilusões refeitas, apenas um dia a menos.