Meu livro está com um precinho menor no site do Clube de Autores. Dá um ciber pulo lá e descobre os mistérios de Fora do Paraíso. Você pode ler as 20 primeiras grátis!
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domingo, 12 de novembro de 2017
Agora sim!
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Novos tempos!
Bom dia, boa tarde, boa noite e boa madrugada!
Comunico aos que seguem meu blog, que a partir de hoje começo uma nova faze literária em minhas linhas do tempo. Não farei mais postagens em meu blog Poemas de Caverna. Mas calma, não vou parar de postar meus poemas, contos e trechos de meus romances, apenas estou mudando de endereço e agora todos os meus textos serão postados em meu novo blog o Reverberando literatura.
Achei melhor mudar de nome porque com o novo epíteto a coisa fica mais ampla, pois vou postar além de meus texto, crônicas, resenhas de outros livros e - não uma crítica - minhas impressões em relação a livros que venha a ler.
Então é isso, estou de casa nova e convido aos amigos e amigas a fazerem uma visita a meu novo universo literário.
Entre sem bater.
Marcos Martins.
Abraços literário!
Link: Reverberando Literatura.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
SURREALITÉ
SURREALITÉ
Estou sonhado... Estou acordado... Estou sonhado.
Estou existindo dentro de um quadro pintado com tintas frias.
As mãos não servem apenas para criar;
(Servem para expor o mal nos homens)
As mãos não servem apenas para tocar;
(Servem para castrar sonhos).
Ó, doce amuleto que para mim não tem serventia, pois sou um cético incorrigível que ao observar o sol – esse astro rei imponente – vê apenas algo queimando num lugar sem oxigênio, não o belo de algo que nos aquece o corpo e dos poetas o coração.
Estou andando e não sinto minhas pernas – que já não são mais minhas;
Estou dormindo e não consigo mais sonhar – cérebro que não me dá condições de divagar em terras férteis;
Estou vivendo morto por dentro;
Estou destruindo o castelo que construí para morar.
Ao contemplar o céu na noite calma ou de tormenta, não vejo estrelas, vejo apenas pontos tristes – lágrimas amargas –, lembranças secretas que o presente não pode tocar.
Estou sonhando... Estou acordado... Estou chorando... Estou sem estar.
Marcos Martins.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Existo
Existo
Existem coisas que as mãos não podem tocar para não
quebrar;
Existem afetos que devem permanecer apenas na
subjetividade para não rachar o que a fantasia transformou em eterno, em belo;
Existem lábios que nunca se encontrarão nessa vida –
quem sabe em outro plano (quem sabe há planos);
Existe o agora que a todos devora por não ter forças
para transformar desejos em matéria – tudo está como Hipnos quer que esteja;
Existem desejos que sempre serão castrados pela
Senhora Razão;
Existe o sim, mas apenas convivo com os nãos;
Existem inúmeras maneiras de te dizer: “Te amo”, sem
machucar outro coração?
Assim como dois pontos seduzem uma linha reta e a
enganam simulando o caminho mais limpo, sigo sem escolhas, sem seguir caminhos
que almejo – caminhos que sonho ter menos espinhos, mas sinto que não.
Sigo desesperado pela estrada no ventre do monstro
marinho, sentindo que não ei de provar aquele ósculo com um gosto divino, que
apenas contos de fadas proporcionam.
Existo para sentir que existo para preencher o vazio
que me preenche a pele, reveste os ossos, deforma minh’alma, maltrata meu corpo,
me põe de joelhos no chão.
Existo, porém, não vivo.
Marcos Martins.
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domingo, 27 de dezembro de 2015
O CORAÇÃO É TEU INIMIGO
O CORAÇÃO É TEU INIMIGO
Não escuta teu coração – esse verme que engana até o mais cético dos céticos.
Não, não escuta esse órgão demoníaco que só serve para nos enganar.
O cérebro, esse sim, é um amigo verdadeiro que não te trai não te leva a abismos infinitos.
Não, o coração não é um bom lugar para se estar em noites de chuva, em noites com luar, prefira um café quente ou dançarinas de cancan, nunca esse órgão a lhe esmurrar.
Não, não queira ter amizades com ele, não lhe dê liberdades, nem regalias, queira distância, não o cumprimente pela manhã, deixe-o fazer seu trabalho e só.
Quem quiser ter um dia péssimo se socialize com esse sujeito, por isso eu digo, reafirmo e reafirmo: Não escuta teu coração, porque ele te leva a lugares perigosos, a pistas sem faixas para pedestres ou semáforos, a tormentas que não findam.
O coração foi inventado para que nos sintamos sós. Deus poderia ter colocado um relógio, uma pedra ou um caroço de manga em nosso peito, mas não, preferiu esse músculo que nos esmurra por dentro.
O coração é meu pior inimigo;
O coração é o que de mais temo dentro dos meus extintos;
O coração, esse lugar desprotegido que me faz agonizar nas noites só de domingo.
Coração, coração, coração, inimigo que me habita, inimigo que me mutila, inimigo da razão.
Marcos Martins.
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domingo, 20 de dezembro de 2015
É APENAS POESIA
É APENAS POESIA
Não se assuste querida é apenas poesia.
Não, não tenha receio de me dar à mão e juntos
pularmos por sobre a lua.
Não tenha medo querida é apenas meu Eu lírico gritando
essas coisas sem sentido, dizendo que está morto e se sente vivo apenas quando
está dormindo.
Não, não sou a poesia que escrevo, mas sinto dor, medo
e tenho lampejos, mas é tudo controlado – assim como os parnasianos faziam.
Não quero uma bebida, se bem que um bom vinho cairia
bem.
Não se assuste querida é apenas a poesia saindo de meus
poros. Sim, o poeta é um fingidor, mas a dor é deveras que respingar na alma.
Não sei por que meus dedos doem, não sei por que
escrevo se poesia não é lida e se ninguém quer lançar um poeta vivo.
Tudo bem vou ter cuidado ao atravessar aquela rua sem semáforo,
prometo olhar.
Não posso deixá-lo ir, onde ele habitaria?
Não amo mais meu Eu lírico que você querida, mas é de
cumplicidade que estou falando, não de fluidos.
Tenho que continuar escrevendo, não importam os
motivos, não sou eu é meu Eu lírico.
Não sei como vai terminar essa poesia e para falar a
verdade não me importo, pois o que importa é fazer nascer à poesia, nada mais
importa.
Marcos Martins.
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segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Ressaca da Black Friday
Ressaca da Black
Friday
Recife, 28 de novembro de 2015
– Bom dia.
– Bom dia.
– Eu queria saber o preço do último livro do
Mutarelli, eu não sei o nome, mas se você me mostrar à capa eu sei.
– M-u-t-ar-e-l-e.
– Não é assim que se digita é com dois l e um i.
– M-u-t-a-r-e-l-l-i. Assim?
– Isso.
– É esse aí, O Grifo de Abdera?
– O senhor vai querer?
– Vou sim.
– Deixa eu ver aqui.
Assim fomos para a seção de literatura nacional.
– Como é mesmo o nome do livro – perguntou a
vendedora, sempre solícita.
– O Grifo de alguma coisa, deixa eu vê lá no computador
e volto pra te dizer – disse e fui quase correndo.
Mutarelli coloca cada nome doido nos livros dele,
pensei.
– O grifo de Abdera – falei voltando rapidamente.
– Ele é escritor regional?
– Não, ele é paulista e fuma.
Tentei ser engraçado. Não surtiu efeito.
– Não estou achando. O senhor não quer outro livro?
Temos ali a seção dos mais vendidos, só tem best seller.
– Não, obrigado, vou ficar com o fumante mesmo. Ele é
o cara que escreveu o livro “O cheiro do Ralo”, que virou filme com aquele ator
que dublava a voz do Charlie Brown, do desenho do Snoopy – eu acho que era ele.
O cheiro do Ralo é aquele filme que o cara chora abraçado a uma bunda de
mulher.
– Nunca vi.
– Ele é escritor regional?
– Não, é paulista e escrevia HQ’s, e gosta de gatos.
Eu não gosto.
Pensei em dizer que não queria mais o livro, que iria mudar
a compra e dizer o título de um de meus livros que foi rejeitado por todas as editoras
do mundo. Mas ela estava tão empenhada. Seria maldade. Pura maldade.
– O senhor não quer outro livro, têm uns bons ali na
seção dos mais vendidos.
– Só tem best seller?
– Sim.
– Quero não. Quero o último do Mutarelli.
– Deixa eu ver aqui.
A vendedora abriu uma portinha onde estavam vários
livros, era um tipo de estoque, como se fosse à parte de baixo de um guarda-roupa,
só que ao invés de roupas intimas havia vários livros. E lá estava ele, O grifo
de Abdera, soterrado por três livros.
– É esse?
– Deixa eu ver a capa. É sim.
Ela me deu o livro e fui pagar no caixa, mas a vontade
que tive mesmo, e nem sei o porquê, foi de sair correndo, sem pagar porra
nenhuma.
Do jeito que o Mutarelli é tímido, acho que aquele
lugar escondido onde estava seu livro era o lugar mais confortável para ele
estar, pensei e fui pro caixa, torcendo pra que meu cartão não tivesse com o
limite estourado.
Marcos Martins.
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
SINAPSES
SINAPSES
Hoje eu quis morrer por fora, já que estou morto e
decrépito por dentro desde mil novecentos e noventa e três – ano que descobrir
que não se deve sonhar.
Tudo acontece de forma fugaz, dou um clique e vejo
todas aquelas fotos felizes; todos aqueles sorrisos felizes que nunca vou dar;
todos aqueles lugares que nunca vou estar; todos aqueles quatro mil novecentos
e noventa e nove amigos que nunca vou ter; todos aqueles momentos aprazíveis que
jamais irei participar.
Hoje, eu quero morrer, não quero mais viver nesse
mundo onde todos fazem revoluções pessoais, onde todos têm argumentos rasamente
irrefutáveis para tudo – Ingmar Bergman tinha razão, por isso morreu de forma
tranquila.
Cansei de tudo.
Cansei das coisas.
Cansei de ter os ossos quebrados e o espírito
dilacerado – sorrir já não me conforta mais – sorrir me maltrata, me deixa com
escoriações faciais.
Hoje, eu quero desistir, estou tão sem forças, quero
sentar e ficar petrificado (Vem Medusa e flerta comigo).
Não quero mais ser notado, apenas quero sentar e ser
esquecido até não mais existir, até não saberem distinguir se já vivi ou se fui
um déjá vu esquecido.
Aqui, deixe-me aqui e vá. Vá! Pois não tenho mais
vontades, tudo é tão clean no mundo
dos bits; tudo é tão cinza no meu,
onde as polaroides estão extintas, onde o concreto não faz sentido, onde
sorrisos não fazem mais sentido, onde crianças mortas em guerras santas nunca fizeram
sentido, onde o verbo “amar” é conjugado sem sentido, onde o verbo se fez carne
e não mais parou de sangrar.
Não morro,
Não me sinto vivo,
Me machucam todos os olhos perdidos.
Carne que sangra, sangra sem sentido.
Não morro,
Não me sinto vivo.
Marcos Martins.
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sábado, 21 de novembro de 2015
O que esperar do agora
O que esperar do
agora
Ontem um cabelo de anjo me feriu mortalmente. No
início achei até divertido sangrar, pois apenas se senti vivo quando se sangra.
Ontem, com a pena de um anjo escrevi o poema mais
lindo do mundo, só que ninguém quis ouvi-lo. Tudo bem, não se pode ter tudo em
uma única vida.
Ontem, foi tão bom, apesar de tudo, foi tão bom.
Fiquei em paz com o resto do mundo e por uma fração de segundos esqueci o quão
demasiados desumanos somos.
Ontem foi o dia.
Hoje é um dia sem sentido e por isso mesmo me sinto
perdido olhando todo esse sangue de mim se exaurindo.
Marcos Martins.
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
ALI
Ali
Vou ali. É ali, na esquina queimar mais um sem voz que
grita a toa.
Vou ali. É, vou ali, na penumbra, buscar corpos ocos
de tanto lhes dizerem que são nada – luz fraca que rasga a madrugada e bem nunca
me faz.
Sim, vou ali. Ali. Na esquina, onde homens se devoram
por um prato de passarinha, por um tubo de cachaça, se digladiam – palavra
linda que descreve de forma camuflada a desgraça.
Vou ali, é ali, naquela esquina onde Bil mijou ontem e
nenhum cachorro mais quer mijar.
Vou ali, é, ali, na esquina onde putas ganham a vida –
arriscando a vida –, labutando para tomar um pedaço de pão das mãos do diabo que
sempre sorri antes de machucar.
É, vou ali naquela casa, que fica naquela esquina,
perto daquele poste, que dá pra quela outra esquina, dentro daquele vazio que a
todos consola.
É. Vou. Já não posso mais ficar. Vou me lançar na
selva de pedra sem Deus.
É. Vou. Ali naquela esquina onde tudo é permitido. Mas
tem que ser por baixo das saias das virgens, sem que ninguém veja, do contrário
é errado.
É. Vou ali naquela esquina, onde me perdi em uma tarde
de um dia sem data.
É. Vou ali. Na esquina
dentro de mim.
Marcos Martins.
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segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Acabei de ler a coluna de estreia de José Castello, no Suplemento Pernambuco. Visceral! Acabei tomado pelo texto e pari essa poesia, logo abaixo:
ESCREVO
Eu escrevo com sangue na alma;
Escrevo como quem nasce e morre todos os santos e profanos dias; Escrevo, escrevo e escrevo e depois me deito exaurido, com os dedos dormentes, com a mente entorpecida, preso ao mundo, às vidas que criei – mas nunca foram minhas.
As palavras são livres e livre é minha escrita.
Livre é meu espírito – preso a esse corpo que me serve apenas para acomodar os ossos doloridos.
Escrevo para não enlouquecer, pois escrever para mim é o verdadeiro sentido de se estar vivo e não perder-se nesse mundo de lobos famintos.
Escrevo com sangue – com todo o afinco;
Escrevo com ódio – com amor escarnecido;
Escrevo porque preciso sentir-me vivo;
Escrevo, escrevo, escrevo me exaurindo, passando para o papel minha essência, deixando a literatura em todo lugar – tangível ou intangível –, não importa, porque o que importa é escrever e que o escritor seja esquecido.
Marcos Martins.
(Quem quiser ler o texto, eu recomendo. Aqui! )
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domingo, 11 de outubro de 2015
V ato
V ato
Ignore-me, sou tão louco.
Sou tão compulsivo, tolo!
Não há intrigas, não há discórdia em mim, sou meu próprio amigo moribundo que espera atenciosamente pelo recomeço, meio, mas só sente o fim.
Justas essas frases insolentes não são, insolência também não.
O fruto que tanto busco ficou podre de tanto me esperar, não posso voltar, a sentença já me foi dada.
Sou louco?
Sou louco!
Tolos, não!
Sou só aquele que enxerga de mais na neblina densa como lama.
Marcos Martins
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
UM MOMENTO DE LUCIDEZ DENTRO DO ESTADO EMBRIONÁRIO DA INSENSATEZ
UM MOMENTO DE LUCIDEZ DENTRO DO ESTADO EMBRIONÁRIO DA
INSENSATEZ
Um copo d'água, um copo d'água, por favor, mesmo que
venha em um copo de requeijão;
Um copo d'água, um copo d'água, por favor, mesmo que
venha contaminada pela cólera humana;
Um copo d'água, um copo d'água, por favor – por mais
que mais pessoas tenham sede, eu quero beber antes que todas.
Uma brisa que me toca, faz minha pele acordar.
Uma única certeza esculpida – a de que mais sangue vai
jorrar.
A natureza nos devora dia a dia, dia a dia; e aquele
garoto que não volta com os feijões mágicos para que eu possa sair daqui,
deixar tudo para trás e quem sabe voltar a sorrir, não chega nunca.
Não, eu não sei que horas são ou se tudo voltará ao
normal. Mas o que é normalidade dentro de um mundo de verdades impostas? O que
é normalidade dentro de mentes duvidosas, que conduzem rebanhos a matadouros sorrindo,
sem saberem que não há paraíso; que não há inferno; que você é seu próprio demônio
dormindo.
Um copo d'água, um copo d'água, pelo amor do deus que
você afirma ser o único que deve ser seguido;
Um copo d'água, um copo com água, água para lavar-me,
para limpar-me de todos esses gritos abafados dos excluídos, enquanto seguimos
fingindo não termos ouvidos.
Marcos
Martins.
Poesia em homenagem a todos os que deixam sua pátria por
causa de guerras.
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
FELICIDADE SEM LEMBRANÇA
FELICIDADE SEM
LEMBRANÇA
Chovia. É. Chovia.
Havia um sabor. É. Havia um sabor.
Crianças brincavam e sorriam. É, sorriam.
Existia amor. É. Existia.
O vento sopra, toca o rosto do homem que definha dentro das areias do
tempo e já não lembra quando aprendeu a andar. Toda brisa é única.
Chovia. É. Chovia?
Havia um sabor, havia?
Crianças brincavam e sorriam. Crianças... sorriam?
Existia amor?
No peito, o vaco;
No vaco, o acaso;
No acaso, saudade;
Na saudade, lembranças em um corpo que não sabe se chovia, se havia um
sabor.
Marcos Martins.
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sexta-feira, 25 de setembro de 2015
O BICHO
Eu posso ser como esses bípedes. Ser gente, assim, gente.
Se eu soubesse me vestir, assim, feito essa gente, feito gente. Andar igual a eles, assim, feito gente. Sorrir assim feito eles, desse jeito bobo, eu poderia tudo. Posso sim.
Se eu faço isso, posso dominar todos. É só mostrar minhas presas e pronto. Mas estou preso aqui, preso por trás dessas grades frias, amofinando, rosnando de raiva, e todos aplaudindo.
Fico aqui agindo feito bicho que sou... Mas eles também são bichos! Só que soltos pra poder matar sem culpa.
Marcos Martins.
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Dialogo
"E ai, Marcos, quais foram os planos para à noite?"
"Estudar."
"E ai, estudou?"
"Nada, escrevi duas poesias"
"Isso vai te ajudar em quê?"
"Não as fiz para me ajudar, as fiz para esgotar a alma, caso contrário explodira ".
"Surtiu efeito mesmo?"
"Por enquanto sim, mas tudo dentro de mim ainda grita, mesmo que de forma silenciosa, ainda grita."
Marcos Martins.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Pungente
Pungente
Não sei fazer poses confortáveis para sair em retratos de família. Na verdade nunca consegui relaxar por completo. Vivo como se tentasse conter o choro, como se tentasse, tentasse e para não mais me cansar usasse a elipse para sentir um conforto artificial, desses que só os gramáticos entendem.
Por que tenho tantos “porquês” dentro da alma. Por que nunca sei quando usar o porquê, se junto, separado, com acento, sem acento. Na verdade sei é o porquê, é que sou um “por que”, um que não se pode responder.
Não sei sorrir de piadas bobas, na verdade nem lembro a última vez que sorri de verdade, ou se já sorri de verdade, ou se já sorri. Só sei fazer poesias e para isso não há serventia, não, não há. Não há mais lugar para se por um poema, não com essa fugacidade que dilacera nossa degustação, essa fugacidade dos dias que não se dorme sem pensar, pensar e pensar... tudo é tão ontem.
Gostaria de resolver minha vida com uma só palavra. Sim, poderia ser “morte”, mas não quero a morte, por mais sedutora que seja não quero a morte. Mas estou com o porquê aqui, é, bem aqui, nesse músculo pulsante (pungente).
Quando o sinal abrir, não terei mais motivos para atravessar a rua.
Como gostaria de saber ficar confortável em fotos de família, mas não tenho mais família, não aquela como nas fotos com meus avós - todos se foram e só fiquei eu para guardas esses sorrisos em minha lembrança, sem ter a certeza se já sorri.
Gosto de imaginar você a tocar meu corpo, a sutileza de teu toque me faz sentir vivo, porém a realidade da aspereza de tua mão me desconcentra sempre que começo a escrever versos como este, que o que importa não é o entendimento do cérebro e sim o sentir do ser infinito que vive dentro de nós, que nos faz olhar no espelho e mesmo em um dia nublado faz sentirmo-nos não só reflexo, mas algo além da carne que nos recobre os ossos.
Marcos Martins.
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domingo, 20 de setembro de 2015
RAÍZES POÉTICAS
RAÍZES POÉTICAS
O que me resta é torcer para que meus versos possam ir mais longe que meu corpo cansado (morei a vida toda na mesma casa e agora nessa faze crepuscular ele já não é mais familiar).
Quando menino morria de medo de cemitérios, achava que ao entrar em um não conseguiria sair nunca mais – e viver com os mortos me assustava, não por todos estarem mortos, mas por não quererem trocar experiências de vida comigo.
Se um dia a morte deixasse de nos tocar seria bom? Ou toda a humanidade entraria em depressão profunda por não poder mais morrer? A indústria farmacêutica iria lucrar ainda mais com isso; psicolocos, psicanalistas e psiquiatras também, mas os manicômios viveriam lotados – mais cheios que nossas cadeias.
Preocupo-me mais em conseguir por um título descente em uma poesia do que com regras gramáticas “A língua é viva”, dizem os linguistas a plenos pulmões e alguns gramáticos de forma balbuciante.
O que me resta é torcer para que meus versos possam ir além-mar, além-mudo – meu mundo – e que possam sair de minha casinha e encontrar; e tocar almas humana; e tocar os que desaprenderam a chora, como eu desaprendi depois de descobrir que quem amamos também se vão – da mesma forma como os que odiamos.
O que me resta é torcer para que me achem agora que já joguei as sementes nesses campos e que sejam polinizados em todos os cantos, rochosos ou não, pois já vi flores nascerem no asfalto duro das grandes cidades e sensibilizar os corações mais rígidos.
O que me resta é torcer para que minha poesia crie raízes fortes e que toque de forma sutil todos os que ela um dia sentir.
Marcos Martins.
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
DOBRAS APRAZÍVEIS
DOBRAS APRAZÍVEIS
Por trás das pálpebras de Alexandrina vi um mundo maravilhoso, com um lindo sol a brilhar;
Por trás das pálpebras de Alexandrina senti toda a emoção em descobrir o mundo novo.
Não tive medo dos corretores de imóveis que ficavam à espreita, para iniciarem suas especulações imobiliária. Só queria curtir o momento assaz aprazível.
Por trás das pálpebras de Alexandrina vi sonhos nascerem e não vi morte – todos os cemitérios estavam inabitáveis por lá, e os coveiros depressivos por não puderem usar suas habilidades funerárias.
Por trás das pálpebras de Alexandrina tudo faz sentido, todas as cores são vivas e as sopas de letrinhas formam frases poeticamente lindas.
Saí de trás das pálpebras de Alexandrina e não gostei do que vi. Não gostei do que senti. Não gostei da vida devoradora de vidas que presenciei - mastigadora de homens que devoram homens, num movimento antropofágico viciante e cíclico.
Saí dos olhos de Alexandrina e não sei mais como voltar, nem como terminar essa poesia assaz aprazível, devoradora de vidas de homens, maquiavélica e conflitante, como todo ser provido de consciência, que um dia habitou o melhor lugar da terra – as pálpebras de Alexandrina – pôde ter guarida.
Marcos Martins.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2015
DOCES DE CARAMELO
DOCES DE CARAMELO
Todos os poetas que li mandei fuzilar na velha baixada de meu coração
Meu Eu lírico me deixou perdido na Central do Brasil e não quero mais voltar para meu corpo prisão
Agora quero dizer que não sei o que escrever porque não sou mais poeta
sou poema e poema tem que ser poesia, então sou vazio e sem sentido
Quero, não quero, não sei se sei o que quero, mas quero o todo
Quero matar o homem que matou o mundo
Quero o mundo sem homens
Quero, não quero, não sei quem eu quero ser
Quero, não quero. Aperto o botão e boom! Game Over, e a vida segue com novas comidas pré-cozidas para me proporcionar câncer.
Se achas que esses versos não fazem sentido, tira os olhos do fundo do teu umbigo e senti o mundo que estais existindo...
Marcos Martins.
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