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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Novos tempos!



Bom dia, boa tarde, boa noite e boa madrugada!

Comunico aos que seguem meu blog, que a partir de hoje começo uma nova faze literária em minhas linhas do tempo. Não farei mais postagens em meu blog Poemas de Caverna. Mas calma, não vou parar de postar meus poemas, contos e trechos de meus romances, apenas estou mudando de endereço e agora todos os meus textos serão postados em meu novo blog o Reverberando literatura.

Achei melhor mudar de nome porque com o novo epíteto a coisa fica mais ampla, pois vou postar além de meus texto, crônicas, resenhas de outros livros e - não uma crítica - minhas impressões  em relação a livros que venha a ler. 

Então é isso, estou de casa nova e convido aos amigos e amigas a fazerem uma visita a meu novo universo literário. 

Entre sem bater.

Marcos Martins.
Abraços literário!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

SURREALITÉ



SURREALITÉ 



Estou sonhado... Estou acordado... Estou sonhado. 
Estou existindo dentro de um quadro pintado com tintas frias.

As mãos não servem apenas para criar;
(Servem para expor o mal nos homens)
As mãos não servem apenas para tocar; 
(Servem para castrar sonhos).

Ó, doce amuleto que para mim não tem serventia, pois sou um cético incorrigível que ao observar o sol – esse astro rei imponente – vê apenas algo queimando num lugar sem oxigênio, não o belo de algo que nos aquece o corpo e dos poetas o coração.

Estou andando e não sinto minhas pernas – que já não são mais minhas;
Estou dormindo e não consigo mais sonhar – cérebro que não me dá condições de divagar em terras férteis;
Estou vivendo morto por dentro; 
Estou destruindo o castelo que construí para morar.

Ao contemplar o céu na noite calma ou de tormenta, não vejo estrelas, vejo apenas pontos tristes – lágrimas amargas –, lembranças secretas que o presente não pode tocar.

Estou sonhando... Estou acordado... Estou chorando... Estou sem estar.  


Marcos Martins.

sábado, 21 de novembro de 2015

O que esperar do agora


O que esperar do agora


Ontem um cabelo de anjo me feriu mortalmente. No início achei até divertido sangrar, pois apenas se senti vivo quando se sangra.

Ontem, com a pena de um anjo escrevi o poema mais lindo do mundo, só que ninguém quis ouvi-lo. Tudo bem, não se pode ter tudo em uma única vida.

Ontem, foi tão bom, apesar de tudo, foi tão bom. Fiquei em paz com o resto do mundo e por uma fração de segundos esqueci o quão demasiados desumanos somos.

Ontem foi o dia.
Hoje é um dia sem sentido e por isso mesmo me sinto perdido olhando todo esse sangue de mim se exaurindo.



Marcos Martins.

sábado, 29 de agosto de 2015

Mais um trecho de meu livro: "Relatos de uma Vida ausente - O que não confesso nem ao anjos", onde conto a história de Carlos, um cara acomodado com sua vida que a tem mudada de forma radial apos a morte de sua mãe, uma quase estranha para ele, mesmo dividindo o mesmo teto com ela a mais de 30 anos. Hoje da página 11 até a 15. (caso queiram ler as 10 primeiras é só vistar meu perfil, que postei a uma semana mais ou menos.



(...)
Finalmente chega ao outro lado da pista, consegue cruzar o caminho dos donos das estradas são e salvo e toca a calçada com cheiro de urina, porém segura. Para se vingar de todos esses anos de coação, num ato impensado e inesperado, ergue a mão esquerda, de costas para os carros e de frente para uma loja de CD’s que estava fechada, pode ver sua imagem refletida na vitrine da loja, e os carros em suas costas, ele se pergunta: “Quem ainda compra CD’s?” Não importa. E de costas para a pista, para os carros, para seus problemas, com o braço erguido o mais alto que pode, estica o dedo anelar: “Eu os saúdo, filhos de uma puta!”, diz em voz alta, quase gritando e consegue perceber a reação de ódio dos motoristas, consegue ver seus semblantes distorcidos pelo reflexo da vitrine da loja. Senti em suas costas, em forma de calafrio, à vontade por parte deles de passarem com seus carros por cima de seus ossos. Abaixa o braço, sorri, e segue sem olhar para trás, com a sensação de dever cumprido. O ronco dos motores não o incomoda mais.

***

Carlos tinha 35 anos e um emprego medíocre em uma papelaria chamada Paulina, de mesmo nome da filha do dono, o senhor Francisco, um homem que ao sair do emprego investiu todas as economias na realização de seu sonho, mas que não tinha muito tino para os negócios. Na verdade não tinha tino algum.

Carlos sempre tinha que explicar do que se tratava seu ramo, pois sempre achavam, pelo fato dele trabalhar em uma papelaria, que lidava com coisas de gráfica, então, pacientemente, explicava que seu emprego não tinha nada haver com gráfica e sim com a venda de artigos para escritório, informática e até produtos de limpeza. E assim ele seguia seu dia trabalhando como uma espécie de lã de aço de mil e duas utilidades. Era encarregado das contas a pagar, de dar entrada em mercadorias e quando a coisa apertava saia para fazer entregas. Era a parte que ele mais adorava, pois podia sair da rotina enclausurante da papelaria e se sentir a materialização da utilidade. Sempre que tinha que fazer uma entrega se sentia bem, como se estivesse fazendo um bem à humanidade, mas sempre que voltava, havia uma pilha de coisas para fazer de suas atribuições, porque ninguém, nunca, o ajudava. Ele sempre ajudava a todos.   

O Senhor Francisco era um homem singular, não por sua genialidade e sim por sua falta de expressividade. Era um homem de estatura média e Q.I um pouco menor. Alguns funcionários diziam que ele era simplesmente o cara que assinava os cheques e enxergava os vendedores como se fossem cifrões, nada mais.

Carlos já trabalhava na papelaria a mais de dez anos, porém, tinha apenas três anos de carteira assinada. Sua vida não era fácil no trabalho, mas a de quem é quando se trabalha simplesmente para se pagar as contas. O trabalho foi inventado como forma de castigar os sonhadores, os artistas e boêmios que sabem apreciar boa cerveja e a companhia de prostitutas que sabem sorrir e não cobrar nada por isso. Carlos entendia de prostituas, não entendia de cerveja, mas de prostitutas sim, foram elas que lhe ensinaram tudo depois que seu pai se foi. É. Carlos teve um pai que foi embora, mas ele não sentia a falta de seu velho, pois sempre foi ausente, mesmo quando estava lá, na sala, assistindo a programas dominicais que exploram a desgraça alheia e mostram bailarinas sensuais em roupas que ficariam curtas em meninas de seis anos.

Inconscientemente ele adotara o Senhor Francisco como um pai, era por isso que aguentava tanta injustiça vinda do patrão. Além de ser um faz tudo na papelaria, ainda tinha que limpá-la aos sábados. Todos os funcionários folgavam nesse dia, menos Carlos que ia para o trabalho limpar os produtos de escritório, informática e limpeza. E isso era o mais irônico de tudo, ter que limpar produtos de limpeza, ter que limpar garrafas de detergente e de sabão em pó. Os clientes não aceitavam receber mercadorias empoeiradas e o Senhor Francisco achava que se o produto fosse coberto de poeira, seria desvalorizado. O pior de tudo era que a papelaria ficava em uma avenida movimentada, onde carros, ônibus e até veículos de tração animal não paravam de circular, então era impossível não acumular poeira ao longo da semana. E o trabalho se tornava duro, sujo, cansativo.

***

O sol já despontava menos tímido. Pessoas começavam a circular com mais frequência e frenéticas passavam umas pelas outras sem darem bom dia, sem se olharem nos olhos. Quem se importa com estranhos que não estão nos programas dominicais? Carlos segue para a próxima parada de ônibus “Ser pobre é uma merda”, pensa. Ao chegar à parada, vê algumas crianças cheirando cola – o cartão postal que todo político gostaria de por em baixo do tapete persa –, ele fica entretido com a felicidade entorpecente dos garotos de rua, sente uma ponta de inveja, não sabe o porquê, mas se sente com inveja dessa liberdade, por mais faminta e entorpecida que possa ser. Eles podem voar e Carlos preso ao chão, preso a sua vida insípida. 

Por sorte o ônibus chega logo, ele sobe. Vagueia com os olhos. Não há lugar para sentar. Vai em pé toda a viagem, mas não acha ruim, dessa forma pode apreciar a vista, as formas, o concreto, o asfalto cheio de emendas mal feitas, os não lugares e pessoas que passam, passam e passam sempre apresadas; quanto a ele, não há pressa, a menos que sua mãe comece a cheirar mal, mas ela está bem guardada, levará algum tempo até quererem enterrá-la como indigente ou a exalar algum odor. A vontade de estar se dirigindo para outro lugar o toma e um calafrio aponta do meio de suas costas “Não consigo imaginar como ela está”, diz para si. Não consegue chorar. Talvez seja o ônibus cheio, talvez seja a poluição ou um vírus que os países europeus tenham lançado na América Latina, quem vai saber dessas coisas. O que sabe é que gostaria de estar sonhando, mas sonhar tem sido cada vez menos permitido. 

O ônibus corta a cidade, pessoas sobem, descem, voltam a subir em outros coletivos – nossas vidas passam – e por vezes os motoristas queimam as paradas, então você é privado de descer, de subir, de viver, mas nunca de morrer. Felizes são os que morrem velhos, já lhe disseram várias vezes, mas Carlos não via vantagens em envelhecer. Os velhos só são respeitados por financeiras e essas não têm coração. Envelhecer foi o castigo de Deus para com a maldade humana, era nisso que Carlos acreditava, mas mesmo com esses pensamentos conflitantes ele amava a mãe, não a tratava mal, ele amava sua coroa, como a chamava carinhosamente em segredo, apesar de todo o distanciamento. 

O câncer em sua mãe não havia devorado apenas seus órgãos, também devorava Carlos, e Carlos que sonhava em ser vegetariano sabia que, assim como a progressão do câncer, não poderia voltar e concertar os copos quebrados. A verdade era que sua mãe havia morrido e seu único filho tinha desaprendido a chorar em alguma parte de sua existência.

Finalmente um lugar surge no ônibus, Carlos anda até a cadeira que parecia lhe sorrir, mas logo descobre que não, ela não estava rindo para ele e se dele, pois logo atrás havia uma mulher grávida, com olhos de cobiça. Ele nem bem se senta logo se levanta e cede o lugar para grávida, que é bom ressaltar, nem o agradece.

“Obrigado, otário”, pensou enquanto olhava a grávida que virou o rosto para o lado sem se importar com quem havia lhe proporcionado uma viajem menos dura. A cordialidade havia se tornado um artigo de luxo e os humanos aprendiam cada vez mais a se isolarem dentro de seus mundos particulares. 

Sua parada estava chegando – seu destino –, ironicamente a mesma parada onde havia vomitado quando criança, em um dia de domingo de sol. Ele não estava preparado para presenciar o fim da chama. Mas quem está? Você?

“Vai descer!”, gritou porque o motorista, por estar conversando com uma mulher que ria de qualquer coisa que ele lhe falava, não tinha notado que Carlos havia pedido parada.

Da parada onde descera até o hospital eram cerca de dez minutos de caminhada, mas naquela manhã foram vinte e um. Carlos seguia de cabeça baixa, ombros curvados e o maior vazio na alma. O sol o olhava e quase sentia pena daquela figura diminuta que seguia em linha reta ao encontro de sua verdade. Parou em frente ao hospital. Fica olhando, não com um olhar de contemplação, pelo contrário, reluta em entrar, mas não há como fugir, não depois de ter vivido tanto tempo com aquela mulher, não seria certo.

“O que a senhora está me fazendo fazer, mãe”, se questiona. “Vamos lá Carlos, segue rapaz”, fala para si, tentando criar coragem.

Por um instante suas pernas enrijecem. Não queriam estar ali. Todo o corpo não queria, mas a cabeça comanda o corpo e a ordem é dada: “Ande! Siga! Vá ver sua coroa morta, seu merda”. Seu corpo continua parado enfrente ao hospital, não quer obedecer ao comando. Sentiu o cheiro dos remédios, do formol e da morte, nada mais comum, mas naquele dia o cheiro lhe incomodava, pois sabia que o cheiro da mãe também estava ali, entranhado nas paredes, corredores, cadeiras quebradas, macas, nas batas dos médicos e até no banheiro. Isso daria um bom livro, pensou, mas quem ainda lê livros hoje em dia, se questionou. Você?
(...)

domingo, 3 de maio de 2015

Um de meus contos: UMA TRAGÉDIA NÃO GREGA



UMA TRAGÉDIA NÃO GREGA



Ele queria ser intelectual, forçava a barra para parecer inteligente, até chegou a desenvolver um cacoete, que para ele era “Ô cacoete” que só intelectuais possuíam, pelo menos pensava assim. Seu jeito de andar era imponente, como se soubesse responder todas as perguntas do mundo e as que ainda seriam formuladas algum dia. Por isso andava de forma pesada, como se a gravidade agisse de forma diferente em seu corpo – como se andasse com a sapiência do mundo nas costas. 

Sempre que estava sentando em algum canto, colocava a mão no queixo, fazendo pose de pensador, mas não pensava em nada, era apenas uma forma de aparentar ser inteligente, de ser respeitado, mesmo sendo um fingidor.

Nos finais de semana ia para livrarias e folheava os livros de Kant, Dotoieswisk, Focô, Satre, entre tantos pensadores. Os filósofos gregos eram os seus favoritos, seu ego ficava garboso ao folhear um livro de Platão ou Sócrates, mas o que ninguém sabia era que ele apenas lia os prefácios dos livros. Passava horas com um livro de Nietzsche nas mãos, mas nem conseguia escrever o nome do filósofo nem sabia que Zaratustra tinha contado aos quatro cantos que Deus estava morto. Achava que o filósofo alemão tinha nascido na Argentina.

Descobriu-se mais tarde que na verdade ele ficava contemplando o bigode de Nietzsche, pois tinha vontade de ter um bigode como aquele. Achava que se tivesse um bigode feito o de Nietzsche seria idolatrado por gregos e troianos, porém como gostava de tomar sopa, e sua mãe preparava uma sopa como ninguém toda a terça-feira, logo desistira da hipótese de ter um bigode como aquele. Respirava fundo e entristecia o olhar sempre que via o delicioso prato de sopa em cima da mesa a lhe seduzir e ter o sonho de um bigode impecável não se realizar.

Na roda de amigos, se sentia um rei, sempre falava dos filósofos que nunca lera de verdade e por isso era idolatrado por uns e detestado por outros também, que notavam o quão raso era. As garotas lhe desejavam como Eva desejou Adão – e ele se sentido o fruto proibido. Mas tudo termina um dia e ele foi desmascarado. De tão envergonhado tentou ler todos os livros que fingira ter lido em sua vida inteira. Só que o senhor Tempo é imparcial e em um complô com o senhor Morte, lhe ceifaram a vida – antes mesmo dele ter terminado de ler a Divina Comédia e Dom Quixote.

E sua vida permaneceu rasa, e sua morte foi esquecida rapidamente, e o fruto apodreceu na árvore sem ser degustado.                  

Marcos Martins.

sábado, 19 de julho de 2014

QUANDO DESCOBRI QUE ESTAVA VELHO


QUANDO DESCOBRI QUE ESTAVA VELHO


Como descobri que estava velho? Não foi com o cair de meus cabelos grisalhos, que brilhavam e sorriam de forma debochada para mim. Não.

Não foi o espelho mostrando as rugas das experiências - sempre esnobadas pelos mais jovens -, nem os passos que não conseguia dar para alcançar o dia a dia. – Tive que criar meus próprios dias para conseguir caminhar.

Não foram os remédios que me dão uma sobrevida;
Não foram as idas ao geriatra, nem a elasticidade petrificante que meu corpo começou a revelar, nada disso.

Não foram os adolescentes que não queriam saber de meus saberes, não foram eles que me fizeram enxergar a velhice.

Meus órgãos estão cansados, mas prosseguem a labutar;
Meus olhos estão cansados, no entanto continuam a me guiar por modernas e seculares paisagens.

Descobri que estava velho quando deixei de sonhar e, para tal fato, a idade foi à peça que menos importou.


Marcos Martins.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Transmutar


Transmutar


Poesia marginal;
Poesia que transcende;
Poesia que incomoda;
Poesia que ascende.

Poesia que arranha;
Poesia que desprende;
Poesia que desconcerta;
Poesia que me entende.


Poesia morta não é poesia;
Poesia sem métrica é poesia;
Poesia sem rima é poesia;
Poesia que toca, penetra e faz um estrago dos diabos para todo o sempre.

Poesia, poesia, poesia.

Poesia para quem te quer;
Poesia para quem não te quer;
Poesia para te deixar com os sentidos dormentes;
Poesia para quem te ama; para quem te odeia; para quem te quer ver pulando do firmamento.

Poesia que liberta; que faz chorar; que dá forma a sorrisos de canto de boca; que te faz pensar que vale apena fechar os olhos e seguir sem ter medo de não olhar, porque você sente que sempre estará lá, por mais que seus pés não possam sentir e suas mãos não possam tocar.

Marcos Martins.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Mais um trechinho meu livro: Lugar Nenhum - Paraíso Distópico


***


Seis horas da manhã, o despertador acha que me desperta, mas dessa vez eu o enganei, não foi preciso, passei à noite em claro, pude ouvir todos os sons da noite, alguns me assustaram.

– Lázaro! Lázaro! Já são seis horas! Acorda cinderela – gritava Tio Paulo da escada, errado dessa vez por achar que eu iria me atrasar como o de costume, dessa vez já estava de pé e sem nenhum sono.

– Já sei Tio, tô indo – gritei do quarto pegando uma tolha.

Vou para o banheiro, tiro toda a roupa, mas mesmo assim me sinto vestido, me olho no espelho do banheiro “Não sou mais um menino”, penso ao ver minha barba por fazer. Apesar de ter pouca idade, minha barba já era completa, apesar de rala não tinha uma única falha.

Abro o chuveiro – nada como uma boa ducha fria para desperta todo o corpo – ao me molhar sinto uma apequena ardência nas costas, estico o braço e toco onde está ardendo, sinto algo, uma protuberância, uma espécie de cicatriz, como se eu tivesse me arranhado em algum lugar. Saio do banho, tento ver no espelho o que é – é uma cicatriz de mais ou menos quatro centímetros, lembra um arranhão feito por uma unha, “Teria sido Ainá”, me questiono. Não podia ter sido ela, pois a cicatriz parecia estar cauterizada.

– Vou terminar ficando louco – digo para meu reflexo – Será que estou doido ou apenas sonhado? Se for um sonho alguém tem que me acordar.

Penso em me beliscar, aproximo meus dedos de meu braço, mas se não for um sonho, se isso tudo pelo o que estou passando for real será uma grande decepção. Você já sentiu como se estivesse acordado, mas com a sensação de estar em um sonho, pois bem, é assim que tenho me sentido ultimamente. E se tudo for um sonho mesmo... Se eu tiver morrido...? E se eu estiver em coma e esse beliscão puder me fazer despertar...? Não, não, não! Sempre que via as pessoas sorrindo para mim elas estavam felizes, mas se tudo só for aparência, se tudo for à ponta de algo tristemente maior... O que posso fazer? Nada posso fazer só esperar que esse tal de Gildo me diga algo que acabe com tudo esse tormento.

– Lazaro! Vai morar ai é menino! – os gritos de Tio Paulo me tiram do transe tempestivo que estou tendo, mas a sensação de estar vivendo um sonho não passa por completo. 

Termino de tomar banho sem coragem de me beliscar e ter a certeza da alguma coisa.            

(...)

Marcos Martins.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

ESPERANÇA NO ONTEM



ESPERANÇA NO ONTEM


Vejo fotos em álbuns de família, rotos sorridentes, expressões felizes.

Se ao menos o carrossel girasse no sentido ante-horário, quem sabe tudo não fosse diferente.

Crianças almejam crescer tão rápido – É a inocência –. 

Dizem que verbos no passado não têm força em romances contemporâneos, mas o passado por vezes volta para nos assombrar.  

Fui moldado em barro de baixa qualidade
Descobri que sorrisos podem se transformar em lágrimas
Aprendi que nenhum tudo é alcançado por braços longos.

Tive tanta esperança ontem;
Tive tanta vontade de sorrir, ontem;
Tive tanto medo do dia de hoje, mesmo assim o dia nasceu sem se importar com meus temores;
Tive medo de sonhar e acordar.        

Quando descobrirmos que viver em nostalgia é o melhor que a vida pode proporcionar, os museus finalmente terão a grandeza que sempre mereceram e nunca alcançaram. E o futuro não mais nos preocupará, viveremos com os pés no chão, com as realizações no agora. 


Marcos Martins.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Uma tragédia não grega



Uma tragédia não grega
(Marcos Henrique Martins)


Ele queria ser intelectual, forçava para parecer inteligente, até chegou a desenvolver um cacoete, que para ele era “ó cacoete” que só intelectuais possuíam. Seu jeito de andar era imponente, como se soubesse responder todas as perguntas do mundo e as que ainda seriam formuladas algum dia. Colocava a mão no queixo, fazendo pose de pensador, mas não estava pensando em nada, era tudo pose, uma forma de aparentar ser inteligente, de ser respeitado, mesmo sendo um fingidor.

Nos finais de semana ia para livrarias e folheava os livros de Kant, Dotoieswisk, Focô, Satre e muitos outros pensadores. Os filósofos gregos eram os seus favoritos, seu ego ficava garboso ao folhear um livro de Platão ou Sócrates, mas o que ninguém sabia era que ele apenas lia os prefácios dos livros, passava horas com um livro de Nietzsche nas mãos, mas nem conseguia escrever o nome do filosofo ou saber onde Nietzsche nasceu. Descobriu-se mais tarde que na verdade ele ficava era contemplando o bigode de Nietzsche, pois tinha vontade de ter um bigode como aquele, achava que se tivesse um bigode feito o de Nietzsche seria idolatrado por gregos e troianos, porém como gostava de tomar sopa, e sua mãe preparava uma sopa como ninguém toda a terça-feira, logo desistia da hipótese de ter um bigode como aquele, respirava fundo e entristecia o olhar.

Na roda de amigos era o rei sempre falava dos filósofos que nunca lera, mas prefácios, esses ele sabia de cor e por isso era idolatrado por uns e detestado por outros também. As garotas lhe desejavam como Eva desejou o fruto proibido e ele sempre se fazendo de intelectual, com uma pose que ninguém tinha. Mas tudo termina um dia e ele foi desmascarado e de tão envergonhado passou a estudar todos os filósofos que fingira ler em sua vida inteira, só que o senhor tempo é imparcial e lhe tirou há vida antes mesmo que dele terminasse de ler a Divina Comédia e Dom Quixote e sua vida permaneceu rasa, e sua morte foi esquecida.