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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

DOCES DE CARAMELO


DOCES DE CARAMELO

Todos os poetas que li mandei fuzilar na velha baixada de meu coração  
Meu Eu lírico me deixou perdido na Central do Brasil e não quero mais voltar para meu corpo prisão 
Agora quero dizer que não sei o que escrever porque não sou mais poeta
sou poema e poema tem que ser poesia, então sou vazio e sem sentido 
Quero, não quero, não sei se sei o que quero, mas quero o todo
Quero matar o homem que matou o mundo 
Quero o mundo sem homens
Quero, não quero, não sei quem eu quero ser 
Quero, não quero. Aperto o botão e boom! Game Over, e a vida segue com novas comidas pré-cozidas para me proporcionar câncer.
Se achas que esses versos não fazem sentido, tira os olhos do fundo do teu umbigo e senti o mundo que estais existindo...

Marcos Martins.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Haraquiri sem corte


Haraquiri sem corte


Então um dia olhei para trás e vi o quão inexpressiva foi minha vida.  Muitos sorrisos falsos, muitas tapinhas nas costas - com punhais escondidos entre os dentes -, muita bebida destilada e dores por estar crescendo tão rápido.

Não, não posso conter meus genes, eles sempre vencerão no final. Ok, ok, todos passam por fazes ao longo da vida, mas... Não sei, não sei o que dizer – foi isso o que fiz a vida toda. E agora, perto desse fim, vejo que me arrependo de não ter feito coisas. Escolhi essa vida simples e inexpressiva, eu escolhi viver assim. Então por que há culpa? 

Escolhi não ter saído à noite anterior ao feriado; escolhi não ter plantando aquela árvore que estaria enorme hoje, nem quis escrever um livro, mesmo todos me falando que levava jeito para a coisa. Também não quis passar meus genes adiante. Não quis que alguém, vindo de meu sangue, pisasse essa terra cada vez mais infértil: – Egoísta! - Me acusaram. Nunca me deixaram falar que escolhi assim, desse jeito minha vida.

É bom acordar para uns, mas para outros é como estar no inferno, é como estar numa fila a mais de 5 horas e não ser atendido. Eu simplesmente voltaria para casa aceitando os fatos, mas algumas pessoas não aceitam a vida quando não é a que se idealiza - e isso faz doer -, faz inocentes sangrarem antes dos 30 anos e velhos terem medo de contar suas histórias.

Escrevi essas linhas tortas, não sei por quê. Mas por que temos que ter respostas para tudo? Quando não as temos – forjamos – É triste, muito triste. Mas o que é a tristeza? Não me importo em saber, essa é a verdade.

Não estou falando de morte e sim de vida, vida que vive sem querer ser oprimida, mas quem dita às regras para a minha vida, por vezes, me oprime, me amordaça, sufoca, cria-me sensações de impotência e prisão.    

Se sua vida pudesse ser uma canção, qual seria?    


Marcos Martins.

sábado, 21 de junho de 2014

Pela íris de uma criança



Pela íris de uma criança


O zumbido das abelhas faz: Zoommmm!
O B do barulho da bomba faz: Boommmm! 
E tudo explode de dentro para fora;
E todos ficam sem lares, chorando sem ter um lugar para chamar de seu, sem ter um lugar para depositar suas lágrimas, suas últimas esperanças.

A abelha faz zoom;
A bomba faz lágrimas;
Os governos fazem “runrun”, enquanto refugiados fazem covas rasas e pedem por dias sem boom.

E as crianças, essas, cortam suas asas de anjo e queimam-nas à noite para não morrerem de frio.

Marcos Martins.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

monólogo refletido contra o espelho da prataria / fábio de carvalho

monólogo refletido contra o espelho da prataria / 
fábio de carvalho


O latifúndio aí estar.
Sempre quis andar pelos caminhos.
Jamais serei o que não sou.
Busco em mim aquilo que não encontro nos outros.
Busco as horas;
Elas me são necessárias.
Meus lamentos são de uma alegria assombrosa.
O colarinho dos políticos não é branco, invisíveis, creio.
A escuridão celeste me faz sentir saudade da luz do sol.
O frio me faz lembrar o verão borbulhante.
Saio pelas ruas sem destino.
Meus pensamentos não tem rumo.
Minha sabedoria vem de onde não surge cegueira humana.
Os passos dos outros também são meus.
Meus pés suportam muita caminhada ainda.
Meus olhos, como quem não quer nada, se fecham com o sono.
A insônia me ajudou a escrever muitas páginas que me acompanham.
O sereno da noite é irreal quando se busca o irreconhecível. 
Cada palavra que pronuncio já foi escrita.
Os meus sonhos me vem quando durmo.
Logo as minhas palavras pensadas se vão por novos pensamentos se achegarem até mim.
Meu reflexo interior me é desconhecido.
Sou uma pessoa simples.
Escrevo muito, sem me dar conta da quantidade de páginas.
Sufoco a mim mesmo quando dou longas tréguas à literatura.
Rego meus dias com a água da terra.
Não costumo me prestar a serviços irrelevantes.
Abomino tristezas visuais.
O meu sofrimento é quase eterno.
A minha alegria é infinita.
O sossego é irrelevante quando se possui melancolia.
As minhas incertezas fazem parte das minhas indecisões.
Algo estar para acontecer.
O mundo não suporta mais tantas injustiças.
Meus inimigos se dão bem e mal.
Minhas promessas são acorrentadas pelo tempo.
O que acredito é que quem dorme bem nem sempre descansou o necessário.
Cabe ao mundo respirar.
Caberá a nós morrer sufocado com o pulmão do mundo inflamado...


Fábio de Carvalho.
Cortês – Pernambuco, domingo, 12 de agosto de 2012.

Quem quiser conhecer melhor o trabalho do poeta visita o blog dele clica aqui: Porões Literário.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Um desejo


Um desejo


Gostaria de dançar uma valsa com você, mesmo que seja com instrumentos desafinados, não importa. Acho que isso pode ser sintoma daquela doença chamada “amor”.

Doces sonhos;
Doces desejos;
Doces aspirações;
Doce, lindo desespero.

Talvez seja amor de fato ou talvez seja apenas um doloroso desconforto estomacal, não sei, nunca fui bom em resolver charadas.

Tento manter os olhos abertos nas esquinas dos sentimentos quando cai uma chuva cinza, fina e continua, mas sempre pisco; e a fração de segundos, entre um piscar e outro, deixo passar coisas que nem as potentes lentes de um telescópio podem captar. 

Cigarros para quem fuma;
Bebidas para quem bebe;
Lenços para que ama;
Sentimentos para quem não mais sente.

Posso ouvir a valsa, me imagino dançado sem par;
Posso ouvir a valsa, continuo aqui, mesmo sem me sentir estar.


Marcos Martins.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Mundo cão


Mundo cão


Quem é louco nesse mundo cão?
Quem é oco nesse mundo, irmão?
Quem é são nesse mundo louco?
Quem é sóbrio nesse mundo ébrio?

Quem tem cede e não prova d’água?
Quem tem fome e mastiga a magoa?
Quem tem dor e se puni em carne?
Quem tem carne e reparte o pão?

Qual teu pleito nesse mundo cão?
Qual teu pleito nesse mundo, irmão?
Quais teus medos – cicatrize nos ossos?
Qual teu sonho que já nasce morto?

Qual a mão que te bate o rosto?
Qual a mão que te afaga a carne?
Qual a vida que te foi negada?
Qual a magoa que teima em viver?

Mundo cão; 
Mundo cão;
Mundo cão.


Marcos Martins.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

ESCREVER E ADOECER A ALMA




ESCREVER E ADOECER A ALMA 

Escrever e adoecer a alma
Será uma dádiva?
Será uma benção?

Quem sabe ao certo esses fatos são apenas rotina crua - crua é minha vida. 

Sempre me sentindo um prisioneiro de mim mesmo.

A dádiva me foi dada e junto me veio a magoa, o medo e o eu sozinho. 

Não me importo como serei lembrado, se como um gênio ou um retardado. Apenas ouçam minhas poesias doentias, meu desabafo.

Chorem!
Riam!
Sejam o que não fui - seres livres!

Sem cortes nos pulsos, sem veneno circulando nas veias, sem saudade de um lugar que nunca foi visto por meus olhos cansados, não posso descrever, mas o sinto desde menino, desde a época clara, antes das trevas reinarem em meu pensar.

Fazer-me vida;
Fazer-me paz;
Fazer-me o que não sou – alegria -. 

Marcos Martins.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Poesia nunca é de mais, poetar, poetar, poetar. Bom dia a todos




INALCANÇÁVEL

Preciso de um pouco de controle para minhas emoções;
Preciso de emoções em minha fadigada vida;
Preciso de um único dia com 26 horas;
Preciso mais de mim do que de você. 

Já não consigo mais me olhar no espelho e ver esperança por dias que valham a pena levantar-se e tentar fazer uma refeição descente.

As lágrimas são minhas únicas amigas verdadeiras, são elas quem me lavam, cuidam de mim depois que a esperança me abandonou na porta de uma igreja velha, onde não se celebram mais missas.

Estou cansado, estou cansado de esperar por quem nunca vem me buscar para um passeio calmo no parque.

Preciso de um pouco de controle, pois os rumos que me levaram até esses versos não são dignos - Quem é digno, por inteiro, em nosso mundo? -.

Quando era garoto tinha medo de palhaços, se soubesse que esse seria o prelúdio de uma alegria que não me queria por perto, talvez minha vida tivesse sido diferente e não tivesse tantas cicatrizes abertas para costurar. 

Preciso de novas emoções e de um espírito juvenil, pois minha velha alma não suporta mais carregar tanta cruz e não há mais espaços para pregos em meus punhos e pés; 

Preciso de suspiros novos, que não me façam inspirar toda a melancolia que os outros descartaram de suas vidas;

Preciso da mão de uma genitora, que possa me acalentar e dizer que tudo ficara bem no final dessa jornada, estreita, desse abismo sem fim, desses sonhos inalcançáveis que um dia almejei em meu existir. 


Marcos Martins.







sábado, 4 de janeiro de 2014

Meu poema - Lençóis sujos -



LENÇÓIS SUJOS

Adeus, pobre menina de pés descalços;
Adeus, jovens sem motivos para sorrirem;
Adeus, anjos ésteres;
Há Deus - civilização que se devora -.

Dois motivos para um sorrir;
Dois motivos para um abraçar verdadeiro;
Dois motivos para não matar um ser humano;
Dois motivos e várias más intenções em uma vida inteira.

Lençóis sujos revelam uma noite de luxuria que só humanos podem comprar. E isso se aplica em quase tudo que é tangível.

Camas desfeitas, pessoas sonolentas e a terna questão moralista que sempre me acorda no meio da noite e me pergunta: - devo ou não me preocupar em pagar o aluguel do mundo?

Adeus, pobre menino crescido com amargas lembranças;
Adeus, sol poente;
Adeus, inocência.

Sejam bem vindos aos lençóis sujos, à vida suja, ao existir e não se sentir; ao existir e reprimir sua existência, sempre em baixo de mortalhas sujas de sangue vermelho vivo, não importa a espécime.


Marcos Martins.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Transmutar


Transmutar


Poesia marginal;
Poesia que transcende;
Poesia que incomoda;
Poesia que ascende.

Poesia que arranha;
Poesia que desprende;
Poesia que desconcerta;
Poesia que me entende.


Poesia morta não é poesia;
Poesia sem métrica é poesia;
Poesia sem rima é poesia;
Poesia que toca, penetra e faz um estrago dos diabos para todo o sempre.

Poesia, poesia, poesia.

Poesia para quem te quer;
Poesia para quem não te quer;
Poesia para te deixar com os sentidos dormentes;
Poesia para quem te ama; para quem te odeia; para quem te quer ver pulando do firmamento.

Poesia que liberta; que faz chorar; que dá forma a sorrisos de canto de boca; que te faz pensar que vale apena fechar os olhos e seguir sem ter medo de não olhar, porque você sente que sempre estará lá, por mais que seus pés não possam sentir e suas mãos não possam tocar.

Marcos Martins.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Mais um trechinho meu livro: Lugar Nenhum - Paraíso Distópico


***


Seis horas da manhã, o despertador acha que me desperta, mas dessa vez eu o enganei, não foi preciso, passei à noite em claro, pude ouvir todos os sons da noite, alguns me assustaram.

– Lázaro! Lázaro! Já são seis horas! Acorda cinderela – gritava Tio Paulo da escada, errado dessa vez por achar que eu iria me atrasar como o de costume, dessa vez já estava de pé e sem nenhum sono.

– Já sei Tio, tô indo – gritei do quarto pegando uma tolha.

Vou para o banheiro, tiro toda a roupa, mas mesmo assim me sinto vestido, me olho no espelho do banheiro “Não sou mais um menino”, penso ao ver minha barba por fazer. Apesar de ter pouca idade, minha barba já era completa, apesar de rala não tinha uma única falha.

Abro o chuveiro – nada como uma boa ducha fria para desperta todo o corpo – ao me molhar sinto uma apequena ardência nas costas, estico o braço e toco onde está ardendo, sinto algo, uma protuberância, uma espécie de cicatriz, como se eu tivesse me arranhado em algum lugar. Saio do banho, tento ver no espelho o que é – é uma cicatriz de mais ou menos quatro centímetros, lembra um arranhão feito por uma unha, “Teria sido Ainá”, me questiono. Não podia ter sido ela, pois a cicatriz parecia estar cauterizada.

– Vou terminar ficando louco – digo para meu reflexo – Será que estou doido ou apenas sonhado? Se for um sonho alguém tem que me acordar.

Penso em me beliscar, aproximo meus dedos de meu braço, mas se não for um sonho, se isso tudo pelo o que estou passando for real será uma grande decepção. Você já sentiu como se estivesse acordado, mas com a sensação de estar em um sonho, pois bem, é assim que tenho me sentido ultimamente. E se tudo for um sonho mesmo... Se eu tiver morrido...? E se eu estiver em coma e esse beliscão puder me fazer despertar...? Não, não, não! Sempre que via as pessoas sorrindo para mim elas estavam felizes, mas se tudo só for aparência, se tudo for à ponta de algo tristemente maior... O que posso fazer? Nada posso fazer só esperar que esse tal de Gildo me diga algo que acabe com tudo esse tormento.

– Lazaro! Vai morar ai é menino! – os gritos de Tio Paulo me tiram do transe tempestivo que estou tendo, mas a sensação de estar vivendo um sonho não passa por completo. 

Termino de tomar banho sem coragem de me beliscar e ter a certeza da alguma coisa.            

(...)

Marcos Martins.