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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

DOCES DE CARAMELO


DOCES DE CARAMELO

Todos os poetas que li mandei fuzilar na velha baixada de meu coração  
Meu Eu lírico me deixou perdido na Central do Brasil e não quero mais voltar para meu corpo prisão 
Agora quero dizer que não sei o que escrever porque não sou mais poeta
sou poema e poema tem que ser poesia, então sou vazio e sem sentido 
Quero, não quero, não sei se sei o que quero, mas quero o todo
Quero matar o homem que matou o mundo 
Quero o mundo sem homens
Quero, não quero, não sei quem eu quero ser 
Quero, não quero. Aperto o botão e boom! Game Over, e a vida segue com novas comidas pré-cozidas para me proporcionar câncer.
Se achas que esses versos não fazem sentido, tira os olhos do fundo do teu umbigo e senti o mundo que estais existindo...

Marcos Martins.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Apóstata


Apóstata


Dê-me motivos para sorrir para você;
Dê-me motivos para falar com você;
Dê-me motivos para sangra por você - já que ninguém entende o que fiz;
Dê-me motivos para perdoar-te;

Dê-me motivos para não querer descer dessa cruz;
Dê-me motivos para querer sangrar por teus filhos;
Dê-me motivos para ligar para teu choro angustiado em noites friamente solitárias;
Dê-me apenas um motivo que faça valer a pena respeitar seu egoísmo.

Meus sonhos foram tirados de mim. Minha vida foi dada em holocaustos a canibais famintos que palitaram os dentes após a refeição – como se nada fosse mais importante que saciar a fome da carne.

Pai! Porque sangrei por todos eles?
Pai! Porque não matamos todos eles?

Diga-me quais as verdadeiras razões para tanta reza individual, que talvez te olhe nos olhos sem sentir vergonha de ti.

Sinto cheiro de dor, sinto cheiro de ódio, sinto o cheiro do corpo do deus morto no quarto ao lado (apenas mais um troféu que foi conquistado e esquecido). 

Cansei de acreditar; de pastorear ovelhas que teimam em se perder. Cansei.

Nada do que você diga vai me convencer a aceitar as dores do mundo e as mortes que julgou serem feitas para mim.

Quis apenas subir na cruz para poder ver do alto, para poder ver o que tinha depois do firmamento e agora o que me faz continuar aqui perdeu o sentido.

Seu amor mentiroso não me convence mais.



Marcos Martins.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

V

V



Hoje, senti vergonha por desejar morrer, por desejar não mais sofrer, por desejar ser feliz se todos choram, se todos imploram, se todos são sós, se todos são.

Olhei para o céu atrás de respostas que estavam na terra, que estavam em minhas costas. 

Que dor de parto eu sinto.
Minhas feridas são profundas e já apresentam sinal de infecção. Como temo dizer "Te amo". Deixarei a cena sem nunca ter dito esta verdade.

Eles choram, é eu sei. Tudo logo vai passar é o que sempre cospem em mim.

Ela se apresentou numa tarde triste e fria - não tinha nem um chocolate quente para lhe oferecer. Minha musa sem dentes e com mãos leprosas, você veio e se foi tão rápido.

Hoje, senti vergonha por não chorar, por não falar o que realmente era preciso dizer, por não ser o que tinha de ser, por sonhar acordado e dormir até tarde.

Hoje, não fui além de meu corpo opaco, cansado e tolo.



Marcos Martins.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Faz-me um bem


Faz-me um bem


Não se explicam poemas;
Se sentem poemas; 
Se sente a poesia.

Se você tem que explica-los, o poema não fez sua função social, que é a de virar poesia, que é a de transmutar-se em sentimentos, em palpitações, em lágrimas cristalizadas nas íris, num respirar quebrado de tanta emoção contida dentro do peito, dentro da alma.

Não se explica uma poesia;
Não se explica os caminhos que levaram o poeta a escrever – externar – sua poesia, pois a poesia faz parte da alma do poeta, que ele deixa partir de si, para dentro de ti.

Não, não se pode explicar o que faz um homem escrever e sentir-se livre; escrever e sentir-se vivo, mesmo que o poema ou poesia seja triste – Há vida neles –. 

Há coisas que não se explicam; 
Há coisas que não se devem explicar. Sinta... Sinta... Sinta!

Poesia vem, vem e me salvar.          

Marcos Martins.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Consertar



Consertar



Conserta a casa, homem!
Conserta tua família, homem!
Conserta teu espírito, homem!
Conserta tua vida.

Concerta os campos que queimastes homem;
Concerta às vidas que magoastes homem;
Concertar o sol que manchaste homem;
Concerta a terra que tu perdeste.

Concerta: elogia tua Amanda;
Concerta: afaga teus rebentos.
Pois as estradas que tu tomaste
São as mesmas em que te perdestes.

Concerta teu coração, que a labuta não é tenra;
Conserta teu coração, pois o que para morre;
Concerta teus sentimentos, pois ninguém é uma ilha;
Conserta o que te é palpável, pois o ilusório quem concerta é o tempo.

Marcos Martins.


sexta-feira, 20 de julho de 2012

O que quero te dizer, mas omito

O que quero te dizer, mas omito
(Marcos Henrique Martins)


Não busco a felicidade nas coisas, nem a tristeza das coisas. Não busco o aroma das flores, nem o sentido da vida. Busco o vaco, a dor e a incerteza, por isto não sou compreendido. Me chamam de louco varrido, mas é na dor que me transformo, que produzo com consciência, que me sinto confortável, neste mundo cheio de ilusões doces.

Não busco certeza em nada, fico confortável com as perguntas sem respostas, pois para que responder tantas perguntas se nós mesmos não temos a verdadeira certeza. Me sinto confortável, neste mundo de ilusões doces.

Não busco a simetria das coisas, gosto da imperfeição, o plural da vida, seja em noite de luar com estrelas, ou em noites frias em pleno verão. Me sinto confortável, neste mundo de ilusões doces.

Não peço a compreensão dos filósofos ou intelectuais, deixem-me com minhas dores, deixe-me em minha cruzada, onde me acostumei com meu fardo e já não paro mais para descansar.

 Não busco a felicidades das coisas, é verdade. Apenas busco me encontrar, saber a que lugar pertenço, mesmo sem ter respostas que façam sentido, mesmo sem fazer sentido as íris dos outros, mas não machuco ninguém por isto.

Por favor, não queiram me compreender, apenas deixe-me viver com todas as feridas que o mundo me presenteou com tudo o que quero te dizer, mas omito.

Me sinto confortável, neste mundo de ilusões doces.




sábado, 5 de maio de 2012

Saiu mais uma resenha sobre meu livro!


Olá amigos! Bom dia, boa tarde ou boa noite!

O blog Histórias Fantástica da jornalista Miriam Santiago fez uma resenha sobre meu livro O Lado Avesso – Nornes, o Mago. Vale a pena dar uma conferida a aproveitar para conhecer o blog de Miriam. Lá, você encontra autores nacionais, estrangeiros, lê contos, poemas, fica sabendo de lançamentos de livros e muito mais.

 Tem uma postagem muito legal falando sobre livros com disign inusitados. Dá um cyber pulo lá.

Click para ir ao blog

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Brilhos

Brilhos
(Marcos Henrique Martins)


Estrelas brilham;
Pessoas brilham;
Coisas brilham e ofuscam a luz que existe em cada ser individual.

Gosto das surpresas que não são para mim. Gosto quando vejo outros a chorar e a sorrir, isso me alimenta, serei um vampiro? Não, por que não gosto da cor vermelha, faz querer me ver sangrar por todos os que se culpam por terem um dia sorrido.

Você sabe como me fazer sentir frio, isso me faz mais vivo. Me sinto vivo sempre que me encontro perdido.

Estes brilhos que me cegam me segam, fazem comigo tudo aquilo que preciso para continuar respirando, acenando e fugindo. Prosa louca, respingos de sanatórios onde reposam muitos de nossos entes queridos.

Ao ver esses brilhos, percebo por que tantos mosquitos se sentem seduzidos. Prosa pobre, com rimas escassas. Meu prosear é uma escarpa onde poucos conseguem encontrar lugar para seu descanso. Tudo é bem mais profundo que a imaginação de homens pode captar.          
 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Chagas

Chagas
(Marcos Henrique Martins)


Quando corro, meu corpo reage e me diz para parar, pois os ossos não são mais os mesmo da época de menino. Havia um tempo, em que os livros me deixavam entorpecido e nada mais importava, a não ser, ler todas as vidas que os livros me apresentavam, mas vieram as verdades incutidas e tudo se desfez. Perdi toda a alegria, me perdi de Deus e enterrei minha cruz num lugar que não podia mais chegar, pois moradias foram feitas encima de tudo o que conhecia.

As feridas que me consomem não me matam, apenas, me fazem ver, sentir a vida doer. Meus porões estão cheios de lembranças que não sei mais como usar, estão com mofo, alguns tão gastos, outros de tão esquecidos cometeram suicídio e ficaram lá, no escuro.

Não traço linhas, não ando mais por estradas, apenas sinto minhas chagas que não me deixam em paz. Não, não me deixam voltar aos bons tempos, porque o tempo não se importa com o que você é, ou já foi. O tempo é apenas o tempo e só.

O que restou? Um vazio que não cabe nada, pois suas paredes não são de confiança, foram moldadas com as saudades que sinto de um tempo que me marcou enquanto descobria que, o sentido da vida é o sentido que a vida te dá, e as lágrimas que você pode colher ao longo do porvir não são feitas para o consumo, apenas para que saibas que vives com feridas que nunca vão te abandonar.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Osculo


Osculo
(Marcos Henrique)


Tentei e tentei, mas o fracasso teima em me persuadir;

Corri o mais lento que pude, só para tentar ser notado;
Morri por mil vezes e deixei-me enfeitiçar;

Pedi ajuda a anões que só enxergavam trabalho;

Furei-me numa roseira;

Deixei os cabelo crescerem e me tranquei na torre mais alta;

Tudo foi tão em vão que quase me esqueci de mim, esqueci o quanto me desvalorizei, tudo por isso e agora que o tenho não o quero mais.

Quantas línguas, quanta saliva, quanta facilidade, vejo que hoje não foi só a lua que perdeu seu brilho, que perdeu sua mágica, espero que os tempos que estão porvir melhorem isso, acho que não, mas a fé ainda continua forte e nisso me apoio, até quando?

Ela tocou em minha face pela última vez e me fez sentir vida, os céus ainda guardam seus heróis puros, tudo o que quis foi isso por muitos anos, mas vejo que minhas pernas são mais longas, doce querida sem lábios, doce e ao mesmo tempo aguado, futilidade sem novidades sem rima para o que acabei de fazer, agora que o tenho não o quero mais, nem descreverei mais o que tento busquei em te, pois o que fizestes não se faz, era só meu assim dissestes, não é justo enganar quem tento foi sincero, não se engana lábios puros, que tua boca seque e tua língua cole em teu céu impuro, para que não possas fazer mais isso com ninguém e ninguém lhe queira mais tocar.

Agora vou para onde nunca deveria ter saído, vou para meu verdadeiro lar, o útero de minha mãe me espera e lá nunca serei enganado.

P.S: morra!