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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Escolhas

Escolhas


Escolhas certas;
Escolhas erradas;
Escolhas que mudaram o mundo;
Escolhas que mataram meu mundo.

Sempre escolhas a fazer, sempre por fazer...

Ficamos entre escolhas boas, más, fracas, fortes, impensadas, erradas, malditas, santas e sem querer machucar.

Tudo é escolhido e ficamos torcendo pelos contos de fadas, torcendo pelo “Era uma vez” que faz tudo dar certo no final eternamente feliz.



Marcos Martins.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

V

V



Hoje, senti vergonha por desejar morrer, por desejar não mais sofrer, por desejar ser feliz se todos choram, se todos imploram, se todos são sós, se todos são.

Olhei para o céu atrás de respostas que estavam na terra, que estavam em minhas costas. 

Que dor de parto eu sinto.
Minhas feridas são profundas e já apresentam sinal de infecção. Como temo dizer "Te amo". Deixarei a cena sem nunca ter dito esta verdade.

Eles choram, é eu sei. Tudo logo vai passar é o que sempre cospem em mim.

Ela se apresentou numa tarde triste e fria - não tinha nem um chocolate quente para lhe oferecer. Minha musa sem dentes e com mãos leprosas, você veio e se foi tão rápido.

Hoje, senti vergonha por não chorar, por não falar o que realmente era preciso dizer, por não ser o que tinha de ser, por sonhar acordado e dormir até tarde.

Hoje, não fui além de meu corpo opaco, cansado e tolo.



Marcos Martins.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Platônico



Platônico
(Marcos Martins)

Que sentimentos são esses? 
Que vida é essa?
Quem eu sou nesse mundo?

Eu rumo sem rumo; 
Eu fujo dá dor, 
Deito-me, fecho os olhos, enxergo a beleza das rosas e todo o perigo incontido da flor. 

Deixei de me importar com quem sou, pois o que importa é que entrei em tua vida.

Adentro teu corpo, toco o âmago do teu ser, te adubo por dentro para que por fora sejas bela de ser vista; desejada por todos, porém só minha.

Não importa se o mundo me faz sangrar, se há vida me faz chorar, porque me tens, me controlas; me consomes. 

Colho teu alimento, mastigo-o para você 
Reconforto-me com teu sorriso
Preciso te sentir para dar razão a meu viver.

É triste esse amor, pois deixei de me amar para te amar, para me sentir em ti.

Deixei de me enxergar, para ser teus olhos;
Deixei de respirar, para ser teus poros; 
Troquei o meu ser, por teu bem estar.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tão peculiar



Tão peculiar
(Marcos Henrique Martins)


Às vezes tenho vontade de arrancar todos os meus dentes;
Às vezes tenho vontade de arrancar meu coração;
Às vezes sinto vontades covardes tomarem meu peito;
Às vezes tenho vontade de deixar de ser tão solidão. 

Não me reconforto.
Não há conforto para eremitas. Tudo, toda vida é um jogo e todos nós, tolos jogadores, somos crentes que não vamos perder. Já perdemos. Mas o que importa é a forma como à derrota nos deleitara.

Às vezes tento contar às estrelas do céu;
Às vezes tento contar carneiros para, tentar, dormir;
Às vezes tento falar, mesmo quando não me escutam;
Às vezes me vem uma vontade de sangrar.

Não aceito.
Não há conforto para quem vê seus amados mortos. Tudo, toda vida um dia finda. É o mesmo jogo, só que com dados diferentes. No fim, sempre perdemos, mas o que importa é forma como vivemos.

Às vezes, tento ser feliz e escrever uma ode;
Às vezes me perco em poemas;
Às vezes escrevo para me perder;
Às vezes tenho sonhos pequenos que de meus olhos brotam.

Não mais tenho.
Não me habita esperança. Tudo se foi pela latrina e o que restou foram árvores de ilusão que teimam em nascer cada vez mais altas em meu quintal. No fim, sempre esperamos por novos dados. E o que importa para mim pode não importar para você, pois enxergamos o mundo de forma tão peculiar.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Desnudo



Desnudo
(Marcos Henrique Martins)

Vem à calmaria, me sinto bem, mas antes passou a tempestade que me tirou toda a inocência. Um poeta disse certa vez que perdera a inocência no dia em que soube que iria morrer um dia. Perdi a minha antes de ter 32 dentes. 

Veio à calmaria, mas não me senti bem com ela, me acostumei ao caos, me acostumei aos urros das grandes cidades, das mazelas, dos homens sem rotos que caminham - sem rumo -, que pedem esmolas e lhes são negada. Como todo o mais em suas vidas, pois Deus, Deus não os enxergar, talvez se tivessem lepra, quem sabe. 

Pensei que a calmaria fosse me trazer paz, mas me trouxe dor, desassossego, medo e pensamentos conflitantes.

Sempre que acordo tenho que ouvir uma foz me suplicando para levantar, tomar minha cruz e seguir no deserto das possibilidades, que para mim se apresentou como um mar do impossível. Se ao menos soubesse caminhar sobre as águas.

Chegou à calmaria e ficou sem graça por me ver desolado no canto de uma parede cheia de mofo. Não sei o que fazer nessa calmaria, foram muitos anos sendo disciplinado no caos.

Tiro minhas vestes, fico nu, porém não é o suficiente, então tiro a pele que me habita, fico com os músculos expostos. Ainda assim não me sinto nu por inteiro. Me dispo de meus músculos; de meus órgãos, vísceras, veias, fico apenas com meus ossos e meu coração, pois ele, ainda me deixa ser demasiadamente humano.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Bom dia! Em primeira mão, a primeira primeira poesia de uma séria que comecei a escrever. Nessa primeira fase vou falar do tempo. Mas outros estão por vir, aguardem e confiem.



Tempo para se descobrir
(Marcos Henrique Martins)


Não nasci velho, foi o tempo que me moldou.
Não nasci taciturno, foram às castrações naturais da vida que me moldaram.
Não vivia nas sombras dos pensamentos das pessoas, foi à poesia que me fez penetrar no âmago dos seres racionais que dessecam tão bem sapos.

Não. Nem sempre fui um tolo. Sim, já fui um sonhador, um homem que aceitava tudo. Do natural ao sobrenatural e não questionava nada, mas agora já com meus cabelos agrisalhando-se e caindo em estradas da perdição, passei a ser um contestador de voz baixa que não é ouvida por ninguém. Nem por sua sombra.

Não nasci para sofrer, nasci por um plano que nunca me alcança, nem quando paro para respirar, ou assoar o nariz. 

Não. Não nasci para a vida burocrática, para ter que apertar mãos a cada dois minutos e sorrir como se estivesse tudo bem. Minha angústia não permite isso.

Não nasci com todos os fios de cabelos, é bem verdade. E os que conquistei comecei a perde-los ao longo dessa estrada cheia de postos de pedágios que cobram pedaços de nossa alma sem dor nem piedade.

Não. Não desaprendi a sorrir, apenas não quero o fazê-lo, pois sorrir, sorrir faz com que eu tenha câimbras em minha face, faz com que eu tenha pesadelos nas noites quentes do Recife.

Não. Eu não nasci sabendo andar. Na verdade nem engatinhar aprendi, então tive que começar a rastejar muito cedo, muito novo, muito puro e ter medo.

Não. Eu não nasci, fui obrigado a nascer, fui obrigado a viver, me foi imposta a grandeza e a derrota; a vaidade e a humildade; os sorrisos e a dor; o perdão, a ilusão e o ódio.

Não, não nasci velho, foi o tempo que me moldou assim, a imagem e semelhança de alguém que nunca toquei com minhas mãos pequenas.


*Dedico essa poesia ao velho safando Charles Bukowski, poeta e escritor da geração da contracultura.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Um dia



Um dia
(Marcos Henrique)

Um dia a mais e eu me fiz menos;
Um dia a mais – Nuvens borradas e falsos segredos –;
Um dia a mais – Tudo é o nada em vidas curtas –. Vidas? Tolos pensamentos;
Um dia a mais – Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sempre –;
Um dia a mais – Meus sonhos, sonhos pequenos –;
Um dia a mais, menos fome, mais vida, menos vida, mais fome;
Um dia a mais para que eu possa ter todos, absolutamente, todos os entendimentos que não vão me servir para nada quando meu dia se fizer menos;
Um dia a mais, só um dia qualquer com versos de efeito, métrica imperfeita, esperanças renovadas, ilusões refeitas, apenas um dia a menos para se comemorar mais um dia.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Meu mundo



Meu mundo
(Marcos Henrique Martins)

Olhos cheios de olheiras 
Pálpebras baixas
Olhos secos, sem vida.

Paro, me olho, respiro e penso:
“Que bom que existo, mesmo que quem me lê não entenda esse sentimento que eu sinto. Que bom que existo”.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Meu livro na livraria Saraiva



Amigos, no site da livraria Saraiva vocês encontram o e-book de meu livro: O Lado Avesso - Nornes, o Mago. Onde criei uma estória em que misturo seres de nosso folclore, como curupiras, caiporas, alamoas, com dragões, elfos, magos e etc...

O e-book custa apenas R$ 17,90 

click aqui é vá para o site da livraria Saraiva 

Você também encontra o livro, em seu formato físico nos sites da Livraria Cultura e no site da Editora Baraúna.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Intelecção

Intelecção
(Marcos Henrique Martins)


Hoje não tenho nada para você – Acabaram as floras, morreram os jardins. –
Hoje não tenho nada para os amigos – Findaram os abraços, apertos de mãos, sorrisos doces. –
Hoje, o dia não se fez nascer, foi parido as duras penas, não queria a perfeição da rima.
   
Quando os corações se tocam, faz algum sentido o tempo da saudade.
Quando meu poetar faz algum sentido e não provoca sensações, não me satisfaço com os sorrisos de canto de boca.

Hoje, o dia acordou com olhos de ressaca e me revelaram os motivos da traição de Capitulina. Tudo foi feito por amor, assim como as guerras, assim como os acertos e os erros. Tudo é culpa do amor.

Hoje, não tenho nada para você, nada para os garotos de rua que não se adaptam mais a um lar e, os olhos não conseguem esconder a tristeza da nossa impotência.
Hoje. Hoje vai ser o melhor dia de minha vida porque penso que posso controlar alguma coisa. Que tolo. Hoje achei que poderia explicar os mistérios da vida em um simples poema sem rimas.

quarta-feira, 6 de junho de 2012


 
Desejo
(Marcos Henrique Martins)

Gostaria de ter vida – Não estou disposto a escrever;
Só quero ter vida! – Não estou disposto a sonhar;
Só quero ter vida – Não me importo com guerras ou a paz.

– Apenas vida –

Não quero conversa fiada ou amizades verdadeiras. Só vida.
 
 – Basta –

Chega de tormento, basta de desespero,
Chega de angústia, basta com os erros.
Quero jogar fora meu peito. Só quero vida, não quero doces; só vida.

Parei de querer tentar entender a existência das coisas.
Não me importa o sabor das cores; quero vida, mesmo que sem cores. Vida, sem suas cores.

O que farei quando tiver vida, se nunca lidei com isto, se sempre fui inerte, mas quero experimentar a vida, já que até os parasitas  vivem a vida de seus hospedeiros.

Só quero vida, apenas vida, com ou sem pudores. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

No teu Sorriso

No teu Sorriso
(Marcos Henrique Martins)

Quero entrar no teu sorriso, percorrer tuas emoções, sentir teus batimentos cardíacos: Tum, tum, tum, tum, tum, tum.

Quero seguir teu espírito livre e lindo. Translucido. Indolor. Ver de dentro de teus olhos o infinito, terno, mágico, sul real, solidão que conforta.

Quando me volto para dentro, dentro de mim, posso sentir o sangue por minhas veias a esquentar meu corpo d’água e, todo o mínimo se torna o máximo do eterno, do estante que me fiz para mim. O tempo para e, posso ver tudo, de tudo com uma calma que só os clérigos têm – Como se santos não fossem homens e sim querubins nus, a nos rir.

Percorro os esmaltes de teus dentes, brancos, perfeitos, um mar de civilidade. Na branquidão de teus dentes, me perco num horizonte suave, misto de esperança e dúvida. Uma dúvida esperançosa, daquelas esperanças de garoto. Tempos bons. Tempo bom.

Quando a mãe, sempre presente, me indagava: - Já escovou os dentes? – Eu respondia com um riso.  Os risos estão escassos. Sorrisos, vemos aos montes, mas risos... Risos de anjos, estes, quase não se faz nascer.

Quando entrei em teu riso, pude ver, pude voltar a me reconhecer como homem, mas os olhos de menino que rir, a cada alvorecer.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Resenha de meu livro O Lado Avesso – Nornes, o Mago no blog livretando


Título: O Lado Avesso #1 - Nornes, o mago
Autor(a): Marcos Henrique Matos
Editora: Editora Baraúna
Número de Pág.: 278

Tibério está prestes a pedir a mão de sua namorada em casamento. Ao chegar no restaurante onde o pedido seria feito, ele percebe que esqueceu a aliança no carro e vai buscá-la, mas algo trágico acontece, Tibério é atropelado por um carro desgovernado e entra em um coma profundo.

No mesmo momento, em um mundo desconhecido - na cidade de Fargo -, surge um homem de origem desconhecida, onde nem ele mesmo conhece o seu passado. Sabe apenas que se chama Theo, afinal, foi assim que o espírito da floresta o acordou de seu sono profundo. Theo acaba descobrindo que faz parte de uma profecia e que sua missão é dar fim à guerra que desde muito tempo acontece em Fargo.


"E nos tempos negros um homem sem passado virá de uma terra distante e desconhecida. Sua coragem e justiça destruirão todo o mau e restaurará o equilíbrio do brilho da pedra de Eufanor, restaurando o clã dos cavalheiros."




 

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Drenos em bonecos secos



Gostaria de convida-los a fazerem uma viagem. Escrevi esse poema tendo como base a música Drain You da banda Nirvana. Então os convido a ao mesmo tempo em que forem ouvindo a música, a cada estrofe cantada, vocês lerem uma linha do poema. Dá a sensação de que é a tradução da musica, mas não é. Acho que vale a pena a viajem.
Logo abaixo do poema a música, diretamente de youtube




Você disse que sempre estaria por perto quando eu caísse;
Mentir te deixa mais linda à noite, quando as estrelas fogem de medo. Cumplicidade complicada e drenos em bonecos secos;
Perdão sem perder o que nunca foi encontrado.

Quero ver seu coração, ruínas e sonhos (rostos rosados)
Luta sem amor, cor sem cheiro, olhos sem fé, flores sem vasos, Deus sem D.

E todos riram quando te contei meus segredos no alto de uma colina sem luz, pulamos juntos até o fundo, quebramos o que não poderia ser quebrado. No alto, tudo é tão pequeno e frágil como velhos com passados tristes;

Eu estudei todos o movimentos que fluíam junto com teu cheiro.

Quero ver seu coração, ruínas e sonhos (rostos rosados);
Luta sem amor, cor sem cheiro, olhos sem fé, flores sem vasos, Deus sem seu ser.

Você disse que sempre me amaria, mas o eterno está acabado. Fale o que não pode ser comprido e eu toco o que não pode me tocar com os dentes.

Rostos de meninos no esquecido, cumplicidade complicada e drenos em bonecos secos. Sou mais complicado que os retratos de Da Vinci.


Quero ver seu coração, ruínas e sonhos (rostos rosados);
Luta sem amor, cor sem cheiro, olhos sem fé, flores sem vasos, carne da carne, poema sem espírito, violência tocada com violinos, Deus sem estar.

Marcos Henrique Martins.



sábado, 21 de abril de 2012

Rimas


Rimas
(Marcos Henrique Martins)

Não gosto de rimas, elas me sujam, me deixam constrangido.
As rimas só servem - se é que tem serventia -, para enganar nossos corações e nos fazer soltar risos de canto de boca.

Prefiro os versos sem rimas. Ásperos. Ousados. Inexplicáveis. Sujos e pantanosos.

As rimas são como diabinhos tomando leite morno e comendo biscoito maisena, os poemas secos não, são como doses de uísque que nos reconforta a alma de uma forma que nem a vã filosofia terrena ousa desmistificar com veemência.

Os poemas rimados deveriam ser banidos do mundo literário, mas volto atrás, se nem os parnasianos conseguiram triunfar, os tolos poemas rimados devem continuar a povoar nosso imaginário e nossos corações ásperos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Eu recomendo o blog: Um Universo Fantástico

Olá amigos, eu recomendo este blog: Um Universo Fantástico de minha amigoa Bianca Prado. Muito bom mesmo! Lá você fica sabendo das novidades literárias, resenhas e muitos mais. Deem um ciber pulo lá.

Click na imagem para ir ao blog: 



segunda-feira, 5 de março de 2012

Revelação




Revelação

(Marcos Henrique Martins)

Uma revelação para um homem sem rumo
Sem futuro planejado
Sem passado memorável
Perdido em seu próprio quarto, em suas próprias palavras.

Sua fala não pode ser ouvida, é baixa, mínima. É insignificante, em relação à voz do trovão que amedronta tanto.

Palavras já me faltam
Perguntas - já não sei -
Respostas, eu espero de quem não sei se vem.

Quem são?
Como estão?
Aonde vamos?
A que chagamos?

Ficção seja bem vinda, pois você entendo bem
Para os que se acham salvos, eu digo, amém.

sábado, 14 de janeiro de 2012

II PARTE de meu conto: Matou a família e foi ler o jornal do dia




- Bom dia – disse à esposa que, acabara de acordar. Ele respondeu com um aceno de mão, a companheira sorriu.

Levantou-se por uns instantes, olhou para a sala, o relógio estava lá certeiro como nunca. Ponteiro pequeno encima do número seis, ponteiro grande encima do número quatro.

- Vinte minutos de atraso. Vinte minutos! É um absurdo!

- O que foi José? – perguntou a esposa aparecendo na porta da sala.

- O jornal, está atrasado vinte minutos! Um absurdo!

- Ele chega já. Tomou café?

-Tomei. Que absurdo!

- Tua filha vem hoje para cá, vem com as crianças, o marido e a sogra.

- Que falta de respeito! – dizia e, não prestou atenção a uma única palavra da esposa que, gesticulou com a mão, algo do tipo: Ah! E saiu da porta para trocar de roupa.

Tornou a olha para o jornal de sábado, o pegou nas mãos, abriu o primeiro caderno, não era a mesma coisa, não tinha o mesmo cheiro, aquele aroma que apenas jornais novos tinham. Foi para a seção de esportes, não importava mais saber que seu time do coração havia perdido. – Só notícias mortas – pensou.

- O que está acontecendo com o mundo? – tornara a se perguntar.

Foi até a sala, pegou as chaves da grade e foi até o portão – Onde se meteu este filho da puta? – falava, se referindo ao jornaleiro.



Voltou para dentro de casa. Guardou as chaves, pendurou-as no porta chaves que tinha ganhado da única filha. Tornou a olha para o relógio. Quinze para as sete.

- Puta que o pariu!

- O que é isso homem? Tá ficando doido? – lhe repreendeu a esposa.

- Quase uma hora de atraso do jornal - continuo – Isto nunca aconteceu, são vinte anos de assinatura. É uma falta de respeito!

- Chega já – falava esposa, tentando acalmá-lo.

Às sete horas em ponto, sua filha toca a cigarra, mas com o barulho que os filhos dela faziam, não seria preciso tocar cigarra alguma.

O velho estava sentando numa das cadeiras do terraço, um jogo de cadeiras com um centro de vidro que o genro havia dado de presente no último natal.

- Papai, abra aqui o portão.

- Já vou – falou emburrado.

Abriu o portão, tentou driblar as formalidades. Em vão. Apertos de mãos, beijos e pedidos de benção foram-lhe solicitados. – Entrem, vamos entrando – falou.

Seus netos, dois meninos, um de oito e outro com seis anos, entraram rasgando o mundo metafísico, até esbarrarem na forma física da avó.

A família estava reunida, para passar um domingo juntos, já que nem sempre se viam. A vida moderna não nos da tempo de socializarmos fisicamente. A filha, havia se casado e ido morar a duas horas de viagem da casa deles, foi morar perto da sogra que, já era muito idosa e estava mais para lá do que para cá. O genro era um engenheiro metido a besta que, conseguiu seu primeiro emprego no ramo graças ao falecido pai, um arquiteto de renome.

- O que papai tem mãe?

- É o jornal.

- O jornal?

- Está atrasado, sabe como seu pai é não vive sem ler o jornal.

- Sei. Se soubesse disso, tinha trazido o de lá de casa.

O velho escutou de sua cadeira no terraço – Filha desnaturada! – pensou.
continua...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

AVC


AVC


Corra! Corra!
Vá com o vento!
Morra! Morra! Só lamento!

Estrada louca! (desalento!)
Sonhos mornos, expostos ao vento!

Corra! Corra! Vá com o vento!
Corra! Corra! Vá com o vento!
Morra! Morra! Só lamento!

Corações partidos, sonhos lentos;
Falso choro, só lamento!!


Marcos Henrique