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domingo, 11 de outubro de 2015

V ato

V ato


Ignore-me, sou tão louco.

Sou tão compulsivo, tolo!

Não há intrigas, não há discórdia em mim, sou meu próprio amigo moribundo que espera atenciosamente pelo recomeço, meio, mas só sente o fim.

Justas essas frases insolentes não são, insolência também não.

O fruto que tanto busco ficou podre de tanto me esperar, não posso voltar, a sentença já me foi dada.

Sou louco? 

Sou louco! 
Tolos, não!
Sou só aquele que enxerga de mais na neblina densa como lama. 

Marcos Martins

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

No lixo

No lixo


Por entre sacos rasgados, mau cheiro, podridão, há vida que luta por um espaço dentro do buraco da dignidade.

Restos de comidas são garimpados em meio à esperança de não estarem totalmente estragadas, como se isto fizesse diferença ao estomago. O ronco do estomago, sempre presente, confirma que o que menos importa é o paladar.

Cachorros lutando por espaço, ratos sempre presente, cães lutando por comida, ratos devorando o que se pode ou não mastigar.

Um campo aberto, espaços sempre presentes; por entre as janelas de um coletivo, vejo condições de cárcere ao ar livre, miséria e morte; desonra e humilhação, presentes se banqueteando.

Vi três anjos revirando o lixo, três anjos meninas a desbravarem sacos fétidos, buscando matar a fome, a dor. Senti-me impotente. Apenas olhei. Apenas olhei e pensei que o número três era enigmático. Três anjos sem asas, três inocentes crianças a se misturarem ao lixo, a se alimentarem de lixo. Mãos curiosas, olhos sem vida, momentos felizes por acharem restos que um dia se chamou – comida –.

Ao passar, de longe, pude ver fragmentos de uma vida sem vida. Com meus olhos pude censurar e indignar-me com a situação e, continuar ausente, com um sentimento de culpa que morreu com o mudar da paisagem.

Vi três anjos na imundice e com o distanciar de minhas têmporas, não mais distinguia o que era gente, o que era bicho, o que era inocência, o que era lixo.

Marcos Martins.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Soneto Sem Título" - Autor: Fábio de Carvalho




"Soneto Sem Título"
Autor:Fábio de Carvalho

.
"Quantos dias se passam...
quantas horas se vão...
quantos momentos se distanciam...
quantos minutos nas mãos...

.



Quantas maneiras para sorrir...
quantos tipos de felicidades...
quantas artimanhas para demolir
tudo que é maldade...
.
Nada sem propósito
Tudo com um desejo
para um dia alcançar...
.
...aquilo que nos faz mórbidos
em instante puro, tal ensejo
nos fará como ouro brilhar!
.

Cortês-Pernambuco
Quarta-feira, 22 de janeiro de 2012.
 
 
Para conhecer os trabalhos deste poeta acesse seu blog: http://fabiodecarvalhopoetasonetistaescritor.blogspot.com.br/
 
Vale a pensa fazer essa viagem. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

No teu Sorriso

No teu Sorriso
(Marcos Henrique Martins)

Quero entrar no teu sorriso, percorrer tuas emoções, sentir teus batimentos cardíacos: Tum, tum, tum, tum, tum, tum.

Quero seguir teu espírito livre e lindo. Translucido. Indolor. Ver de dentro de teus olhos o infinito, terno, mágico, sul real, solidão que conforta.

Quando me volto para dentro, dentro de mim, posso sentir o sangue por minhas veias a esquentar meu corpo d’água e, todo o mínimo se torna o máximo do eterno, do estante que me fiz para mim. O tempo para e, posso ver tudo, de tudo com uma calma que só os clérigos têm – Como se santos não fossem homens e sim querubins nus, a nos rir.

Percorro os esmaltes de teus dentes, brancos, perfeitos, um mar de civilidade. Na branquidão de teus dentes, me perco num horizonte suave, misto de esperança e dúvida. Uma dúvida esperançosa, daquelas esperanças de garoto. Tempos bons. Tempo bom.

Quando a mãe, sempre presente, me indagava: - Já escovou os dentes? – Eu respondia com um riso.  Os risos estão escassos. Sorrisos, vemos aos montes, mas risos... Risos de anjos, estes, quase não se faz nascer.

Quando entrei em teu riso, pude ver, pude voltar a me reconhecer como homem, mas os olhos de menino que rir, a cada alvorecer.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Todo dia




Todo dia
(Marcos Henrique Martins)


Todo dia sai um pedaço de mim;
Todo dia é uma estória é uma estória sem fim;
Agonia rir sempre de mim
Demasia, minha vida é sempre assim.

Meus pecados, eu carrego em meu peito;
Meus pecados, eu carrego do meu jeito;
Meus pecados...

Inicio, meio e fim.




quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Os heróis estão no chão


Os heróis estão no chão
(Marcos Henrique)


Deus está zangado comigo, por termos esgotado seus pedidos;

Sua cruz, não pesa mais.
Seu sangue azedou.
Os heróis estão no chão e sujos de sangue ruim.

Eu não posso voltar. Não quero ir.

Você morreu por mim e por todos que choravam. Todos estão aqui, sem se importar.

Também posso levitar ao pensar, também posso ter um jardim, ter um pouco de vida em mim.
Todos os gestos forçados em nome de te, todas as mortes em nome, de mim.

O gosto do amanhã é amargo, o sol não brilha mais aqui.
Sua cruz não pesa mais, desça e vamos queimá-la.

Você morreu por mim e por todos que sorriram;

Todos estão aqui, sonhando suas vidas;
Todos estão aqui, matando suas vidas;
Todos estão, sem sentir o que eu sinto;
Todos estão aqui, sonhando o impossível.

Sonhar destrói os sonhos.






segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Poema 27



Poema 27
(Marcos Henrique)


Me sinto prezo, numa prisão sem grades, sem trancas ou chaves;
Me sinto sem chão. Espaços apertados, dor, cólera, meu eu sem razão.

Sou tão livre e me sinto tão prezo.

Não sei como isso funciona, nem sei quando termina, não lembro quando tudo começou, apenas sinto, sinto quando chega à dor.
Não minto, nem demonstro o que sinto, apenas sinto e finjo sorrir.

A solidão está por perto, para compartilhar sem paraíso o que eu sinto. Quando chega, não tem hora para acabar e a solidão vai embora, me deixando ao Deus dará.

sábado, 31 de julho de 2010

24 horas para o inferno



24 horas para o inferno
(Marcos Henrique)



Meu purgatório particular, aberto 24 horas por dias, todos os dias da semana. Não me amola, não me atormente, invés disso, me ajuda a achar a Luz, deixa eu ir embora, não me prenda mais nesse cárcere metal, pois prisão de intelectual me amargura.

Não tem cura minha agonia, tenho que conviver com ela. Sinto como se uma faca saísse de minha cabeça, daí vem à dor, o horror de saber que a faca vai entrar de novo em meu cérebro tempestuoso, em meu juízo já fraco.