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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Poesia: INCOMODO




INCOMODO


Vejo a miséria de longe e me compadeço - sou humano -.

Sinto a dor das famílias desabrigas forasteiras em suas pátrias e me compadeço na dor – sou humano -.

Ouço murmúrios de crianças mutiladas, famintas de vida e comida, me compadeço e choro – sou humano -.

Vejo os donos do mundo a falarem, falarem, falarem e se reunirem e falarem ainda mais nas possibilidades de se dar paz a terra. Observo tudo nos noticiário e me encho de esperança – sou humano -.

Rumores de guerra, fome, peste, crueldade, genocídio; vejo, ouço, me choco com todos os fatos que os noticiários das 20 horas me revelam, sou humano e me compadeço na dor.

Outro dia, uma mulher com uma ferida aberta em carne-viva me pediu auxilio enquanto eu passava pela metrópole sem alma, não tinha nada nos bolsos para dar-lhe e segui minha vida sem nenhum remorso ou culpa. Ao vivo tudo não passa de sorte para uns e azar para outros.

Cheguei a minha casa e finalmente pude assistir ao noticiário e me comover com as misérias do mundo, bem longe das verdades que luto todos os dias para não encontrar.     


Marcos Martins.

sábado, 27 de abril de 2013

Vamos ler poesia?




Sobras

Gosto dos poemas que sobram no papel, simetria é para arquitetos conservadores, não para mim; 

Gosto de escrever poemas para se ensopar a alma, não suporto métricas ou rimas – isso me castra o cérebro -.

Adoro as frases soltas porque elas percorrem todo o corpo, passando por terminações nervosas e excitando todo o ser.

Não pertenço a nenhuma escola poética, prefiro a poesia das ruas, o ritmo dos passos – sempre apresados -, os olhos que não me notam, dessa forma posso criar meu poetar ensandecido, – poetar desvairado -, sempre pronto para percorrer desnudo por estradas dos saberes e não saberes.

Podem até não me entendere, mas me sinto dentro de vocês com os versos que crio para deleite de quem os devora, para a ira dos que os desdenham, para ó acalmar de todo meu ser.

Marcos Martins.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Quero falar de Paz



Gostaria de compartilhar com vocês essa poesia, que denuncia toda essa violência que vemos todos os dias, dentro e fora do País.  



Quero falar de Paz
(Marcos Henrique Martins)


Não escutem minha voz rouca; meus versos tolos;
Não leiam esse poema, pois vai falar de paz, essa palavra tão démodé para este século marcado pela violência. Marcado pela luta em nome de criadores do mundo que, destruímos a cada dia.

O século XXI tem cheiro de sangue, tem gosto de sangue, tem cor de sangue. Unifiquemos nossas diferenças no sangue.

Sangue, sangue, sangue, que não consigo conjugar.
  
O sangue que circula por minhas veias ferve, mas teme manchar carpetes novos e ser protagonista de uma luta que ceifa vencedores e vencidos.

O sangue de pessoas mortas, em violentas vidas, coalha em cantos onde já cresceram flores. Cães lambem esse chão vermelho em brasa, para matar a sede. Se pensassem, aceitariam a sede.

Quero falar de paz, mas meus olhos não têm forças para procurar o belo, pois o vermelho de teu sangue não sai de minhas mãos, não sai de minha impotência, minha voz rouca, meus versos tolos, violência que não tenho como justificar.


22.09.12
18h37.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Um de meus poemas de meu livro Álbum de Lembranças



Vontade de Voltar
(Marcos Henrique Martins)

Já escrevo sem me preocupar com os dias, com as datas, com o que o tempo pode me dar de bom, ou não. Lembro-me de quando era jovem e puro. Hoje, continuo jovem, mas com ossos que viram pó e se partem com tanta facilidade.

Não faço rimas lindas e alegres, meu punho doe quando escrevo, queima quando escrevo; cego quando escrevo ou tento escrever rimas belas.

Ó! Doce placenta onde te escondes? Por que foges de mim, não tenho nojo de te, vem e encobre todo o corpo, sei que não tenho mais lanugem, mas ainda sou teu garoto, sou teu garotinho que chora quando cai ao chão e sente fome por não encontrar mais seu cordão umbilical.

Nada é mais como antes, antes da realidade do existir.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Eu recomendo: Blog Revista Ouro

Se você quiser ler resenhas, entrevistas e saber as novidades do mundo literários, então da um cyber pulo no blog Revista Ouro do estudante de Jornalismo Valber Assis.

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sábado, 14 de janeiro de 2012

II PARTE de meu conto: Matou a família e foi ler o jornal do dia




- Bom dia – disse à esposa que, acabara de acordar. Ele respondeu com um aceno de mão, a companheira sorriu.

Levantou-se por uns instantes, olhou para a sala, o relógio estava lá certeiro como nunca. Ponteiro pequeno encima do número seis, ponteiro grande encima do número quatro.

- Vinte minutos de atraso. Vinte minutos! É um absurdo!

- O que foi José? – perguntou a esposa aparecendo na porta da sala.

- O jornal, está atrasado vinte minutos! Um absurdo!

- Ele chega já. Tomou café?

-Tomei. Que absurdo!

- Tua filha vem hoje para cá, vem com as crianças, o marido e a sogra.

- Que falta de respeito! – dizia e, não prestou atenção a uma única palavra da esposa que, gesticulou com a mão, algo do tipo: Ah! E saiu da porta para trocar de roupa.

Tornou a olha para o jornal de sábado, o pegou nas mãos, abriu o primeiro caderno, não era a mesma coisa, não tinha o mesmo cheiro, aquele aroma que apenas jornais novos tinham. Foi para a seção de esportes, não importava mais saber que seu time do coração havia perdido. – Só notícias mortas – pensou.

- O que está acontecendo com o mundo? – tornara a se perguntar.

Foi até a sala, pegou as chaves da grade e foi até o portão – Onde se meteu este filho da puta? – falava, se referindo ao jornaleiro.



Voltou para dentro de casa. Guardou as chaves, pendurou-as no porta chaves que tinha ganhado da única filha. Tornou a olha para o relógio. Quinze para as sete.

- Puta que o pariu!

- O que é isso homem? Tá ficando doido? – lhe repreendeu a esposa.

- Quase uma hora de atraso do jornal - continuo – Isto nunca aconteceu, são vinte anos de assinatura. É uma falta de respeito!

- Chega já – falava esposa, tentando acalmá-lo.

Às sete horas em ponto, sua filha toca a cigarra, mas com o barulho que os filhos dela faziam, não seria preciso tocar cigarra alguma.

O velho estava sentando numa das cadeiras do terraço, um jogo de cadeiras com um centro de vidro que o genro havia dado de presente no último natal.

- Papai, abra aqui o portão.

- Já vou – falou emburrado.

Abriu o portão, tentou driblar as formalidades. Em vão. Apertos de mãos, beijos e pedidos de benção foram-lhe solicitados. – Entrem, vamos entrando – falou.

Seus netos, dois meninos, um de oito e outro com seis anos, entraram rasgando o mundo metafísico, até esbarrarem na forma física da avó.

A família estava reunida, para passar um domingo juntos, já que nem sempre se viam. A vida moderna não nos da tempo de socializarmos fisicamente. A filha, havia se casado e ido morar a duas horas de viagem da casa deles, foi morar perto da sogra que, já era muito idosa e estava mais para lá do que para cá. O genro era um engenheiro metido a besta que, conseguiu seu primeiro emprego no ramo graças ao falecido pai, um arquiteto de renome.

- O que papai tem mãe?

- É o jornal.

- O jornal?

- Está atrasado, sabe como seu pai é não vive sem ler o jornal.

- Sei. Se soubesse disso, tinha trazido o de lá de casa.

O velho escutou de sua cadeira no terraço – Filha desnaturada! – pensou.
continua...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Não, não, não



Não, não, não
(Marcos Henrique)


Não me peça para ir;
Não me peça para fica;
Não me peça para existir;
Não me peça para amar.

Hoje, é o dia em que acordo de um logo sono,
De um longo sonho inquietante, de uma louca razão.

Não me peça para compor um soneto;
Não me peça para ser o que sei que sou;
Não me peça, peça a Jarbas;
Não me diga o que é o amor.

Minha cor, minha dor, meu sangue, meu eu, nada me faz bem.
Sou o acaso, o impronunciável “Zé ninguém”;
Sou apenas mais um que sonha em ter mais um dia feliz, dentro de toda essa verdade que é a vida. Tolo, poeta tolo, fingidor da poesia. Tolo, apenas tolo.

Não me peça nada;
Não me diga mais nada;
Não ria, não chore; não me olhe, não me note;
Não mais me apavore, pois sou o que você nunca conseguiu ser. Sou o que você nunca conseguiu viver.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Continuação de Mortos Parte III



Onde o jovem se encontrava era belo, flores perfumavam o lugar, árvores enormes davam sua graça, cachoeiras com águas cristalinas, rios cheio de vida, De repente, ele olha e observa que em sua direção vem uma espécie de infantaria; cavalos com cabeças pegando fogo servem de montaria para homens sem olhos, catapultas são armadas e são lançados fetos ardendo em chamas de mulheres que abortaram.

O ser pergunta ao rapaz de que lado ele pretende ficar.

Do lado da justiça – responde o rapaz.

- Então vá para o outro lado – diz o ser.

O rapaz fica espantado e lhe vem um aperto no coração.

- De que lado você luta – pergunta o rapaz.

- Do lado do ser mais puro que Deus já vez, Lúcifer! – responde o ser.

O rapaz fica atônito, não sabe o que pensar, em toda sua vida ele imaginava que o diabo era um monstro, um ser feio aos olhos humanos.

- Vejo que você não aprendeu nada, humano tolo – diz o ser com ar de superioridade.

- Esse exército de demônios que você vê, não é de meu senhor, e sim de teu Deus, ele despreza os suicidas e fetos que são abortados, eles não servem para sua vaidade – fala o ser com ódio nos olhos.

- Não! Não pode ser...! – fala o rapaz com os olhos em pranto.

- Sim! Esses seres alados que você vê; e essa infantaria que vem em nossa direção é de teu Deus – diz o ser abrindo suas asas e demonstrando imponência.

- Prefiro que corte minha cabeça, a ficar do teu lado demônio, que Deus te perdoe as ofensas e tenha piedade de tua alma – responde o rapaz erguendo o punho fechado.

- Se é assim, não tenho outra escolha - fala o ser desembainhando sua espada.

O brilho da lamina cega por alguns segundo o rapaz.

Continua...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Vamos dar uma força a literatura nacional

Esse é o livro do escritor Adriano Villa

Vamos dar uma força pessoal!

Amigos e amigas

Depois de muitos anos, finalmente A Casa de Ossos será lançado pelo selo: Llyr Editorial e o grande dia escolhido: 07/09/11 na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, no estande da Usina de Letras - Estande: Q12 - Pavilhão: Verde, estarei presente no estande a partir das 15h. Quem puder aparecer para compartilhar este momento único, eu agradeço, mas se não puder, por estar em outro estado, quem sabe um dia apareço por aí, mas enquanto isso não acontece, peço, encarecidamente que repassem este email para suas listas, neste momento eu preciso de toda ajuda possível, ainda tenho mais dez livros para serem lançados em casa.



Felicidades a todos
E obrigado pela atenção
Adriano Villa

sábado, 11 de setembro de 2010

Distúrbio


Distúrbio
(Marcos Henrique)


Com o distúrbio me sento e oro por dias que não estão por vir;

Por agora sou um pedaço de mim que aflora o rosto rubro em silhueta;

O que sou? Pergunto-me mais uma vez...

Sei quem sou por agora, sou só ócio, um mandrião sem vontades;

Sou soberbo em tudo o que faço de pior, sou único e só;

Sou escravo do ofício que se apresentou a mim, sou prisão sem trancas, porque não se pode trancar o que se acostumou com o cárcere;

Sou a aberração perfeita de Deus, bobagem, sou somente...

...humanidade...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Não me sinto mais

Não me sinto mais
(Marcos Henrique)



Não caibo mais em mim;


Não há mais “o eu";

Os dias só me servem para envelhecer.

Para que pensar no futuro se o futuro é estéril, para que pensar no amanhã se ele é tão cinza, é tão estranho imaginar que estamos sós e que todas nossas guerras foram em vão, porque ainda há guerras? A paz se matou de tanta tristeza e não deixou uma carta de despedida, estava muito cansada para escrever, mas ela não poderia morrer assim sem uma carta de despedida, então, os poderosos forjaram uma carta que era mais ou menos assim:

Olá eu sou a paz, vivi entre vocês todos esses séculos e vejo que aprenderam muito comigo e com nossas guerras, hoje seus filhos estão mais seguros e nossos ideais protegidos, todo o sangue derramado não foi em vão, graças ao nosso bom Deus vamos vencer no final, mas só se vence com sangue dos impuros lavando nossos pés e refrescando nossas almas, não morri em vão, estou bem, estou feliz...
Fiquem em paz.

Não caibo mais em mim;

Não vejo mais meu rosto;

Não me sinto mais protegido pelo invisível.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Hora certa para chorar.



Não adianta mais mentir, a vida chegou ao fim, como eu queria sentir o que foi deixado para trás. É, eu sei, o sol brilhara amanhã.

Lágrimas me partem o coração, como queria sentir, sentir seu gosto...

A trilha não existe mais, estou perdido, por favor, venham no vazio e me salvem, aqui é infinito e o vento não sopra, vejo anjos caindo, vejo seus rostos tristes e me pergunto – Deus o que fizestes!? Não entendo tantas línguas, não sei o que é misericórdia e todos essas coisas que o senhor vê de seu trono lhe entristece?

Coragem, força, não podem ser tocados e às vezes nem sentidas.

Como gostaria de saber uma nova reza que me completasse, me reconforte-se.

Vejo um corredor com rostos conhecidos, meu ateísmo retorna e meu espírito chora, soluça, implora, não ouço nada, nem um respirar, uma só palavra de conforto.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Mudança

Estava tão seguro de si, não me importava, me sentia guardado, um tesouro que nunca seria tocado ou violado, lá era escuro, mas para mim era um mundo claro, não sentia dor, medo ou dúvida, como era fácil, mas também era só, não sei por que lá era só e me sentia confortável.

Num belo dia calmo veio a tormenta, vi a luz que outrora me diziam ser a porta para o paraíso, mas eu já estava no paraíso, para aonde mais iria?

Um vento frio me cortou de lado a lado e mãos que na minha inocência achava ser de um anjo não de um carrasco que me batera com tamanha força que me fez chora compulsivamente, queria voltar, queria retornar ao meu mundo, meu mundo calmo e aconchegante, chorei o mais alto que pude tudo em vão; mas ao sentir aquele corpo junto ao meu, tive a sensação que voltara para meu mundo, então; pela primeira vez senti o gosto da vida por meus lábios e por minha garganta descer, para mim era tudo e eu nada sabia que minha vida acabara quando eu nascera.

Marcos Henrique.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Poema tirado do meu livro Inspiração de Terceiros


III ato.

Nessa noite louca e confusa vejo estrelas pairarem sobre minha sombra desolada, essas loucas estrelas que clareiam a densa madrugada.
Oh! Por de sol que sucumbi meu fardo, me queima com voracidade, me lança nessa densa camada de magma, fúria incontrolável de meu eu, loucos nus, estrelas sem luz, anjos castros, sede, fome insaciável...

Louco! Pobre de te;

Tolo! pobre de mim, que me encho com o enjôo matinal, minha clara evidência de que em mim às vezes abita seres inimagináveis.