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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Poema 29

Poema 29


O poeta é um ser solitário, cheio de amor e ódio, ira e afagos abafados.
Sente dentro de si, Deus e o diabo. 

(Seu céu é tão instável).

O homem sem nome se acha poeta, mas os verdadeiros poetas desprezam este carma, sonham em ser livres dessa prisão sem grades, trancas ou chaves - um carma que nos mutila aos poucos.

Choro, mas engulo o choro.

Ah! Como queria viver de pensamentos tolos e ser mais um na multidão. 

Como almejo ser um tolo feliz, não um poeta triste como sempre me fiz senti.

Marcos Martins

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

V

V



Hoje, senti vergonha por desejar morrer, por desejar não mais sofrer, por desejar ser feliz se todos choram, se todos imploram, se todos são sós, se todos são.

Olhei para o céu atrás de respostas que estavam na terra, que estavam em minhas costas. 

Que dor de parto eu sinto.
Minhas feridas são profundas e já apresentam sinal de infecção. Como temo dizer "Te amo". Deixarei a cena sem nunca ter dito esta verdade.

Eles choram, é eu sei. Tudo logo vai passar é o que sempre cospem em mim.

Ela se apresentou numa tarde triste e fria - não tinha nem um chocolate quente para lhe oferecer. Minha musa sem dentes e com mãos leprosas, você veio e se foi tão rápido.

Hoje, senti vergonha por não chorar, por não falar o que realmente era preciso dizer, por não ser o que tinha de ser, por sonhar acordado e dormir até tarde.

Hoje, não fui além de meu corpo opaco, cansado e tolo.



Marcos Martins.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Em lágrimas



Em lágrimas



Existiu, sem saber que existia
Viveu, sem viver realmente
Sorriu de forma discreta
Sorriu, sem saber sorrir de verdade.

Pisou, onde poucos pisaram
Lutou nos campos da ilusão. Foi derrotado.
Perdeu-se em algum momento da história
Achou-se. Voltou a se perder.

Tentou, novamente, sorrir de verdade, mas seus lábios doíam,
Lembrou que sorrisos são para bocas singelas, não para as miseráveis.
Chorou como um menino perdido por sua descoberta
Buscou abrigo, não coube o seu corpo fragilizado.

Ergueu os braços, clamou por Deus;
Ergueu os braços, chamou por Deus;
Ergueu os braços, gritou por Deus;
Ergueu os braços; vazio; ausência; lágrimas; silêncio.

Tentou ser feliz, mas não sabia como;
Tentou ser feliz, não ficava mais de pé;
Tentou ser alguém, porém os dados não deixavam;
Tentou ser feliz, não havia mais para quês.

Marcos Martins.

Fiz essa poesia, no dia 06 de setembro de 2012, ao ver várias pessoas dormindo nas ruas do Recife. Vi minha pequenez perante esses fatos e o que mais me entristeceu, foi notar que apenas eu era quem notava essas tristes sombras nas calçadas.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A VIDA TODA



A VIDA TODA

Quem deixa o ventre materno sempre vai sentir saudades de casa, de um tempo que ficou marcado, não só na mente, mas em todo o corpo; tatuado na alma.

O ventre é o céu, o paraíso que Michelangelo nunca ousou pintar.

Quando faço nascerem meus versos, sinto que saem de meu ventre e com a ruptura um trauma se forma, pois nem sempre os versos, a poesia está pronta para ao mundo, porém, como pai zeloso que sou, finjo ser mais forte, finjo não chorar – mas choro as escondidas – e as protejo com a vida.

No ventre, não temos problemas, não desenvolvemos transtornos, há apensa calmaria, segurança, paz. É Assim que deve ser.

Quando fui expulso do ventre que habitava, chorei feito um louco porque sabia que terreno pedregoso iria pisar.

Quando deixei o ventre, vi que apenas os poemas que cultivava poderiam me salvar de toda a sandice que os homens de boa fé iriam impor-me há vida toda.

Marcos Martins.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Você já observou a vida das formigas? Poesia para degustação




Degustação

Produzo, produzo, produzo, mas sei que não há ninguém para mastigar meus doces, apenas formigas esfomeadas, apenas formigas que sabem o que deve ser feito - o fazem sem hesitar -, sem a culpa que nos é imposta assim que os cordões umbilicais são cortados e todos os sonhos começam a morrer.

Mas as formigas, essas não sonham – dádiva maravilhosa que Deus pode conceder a um ser - e isso faz toda a diferença, moldando o caráter, a fé, esperança, desesperança, vitórias e derrotas de cada um que come e não tem tempo para sentir os sabores, todos os sabores, ficando apenas os dissabores para serem degustados e digeridos, tenha fome ou não.


Marcos Martins.

quarta-feira, 20 de março de 2013

37 páginas de meu livro para lerem!



Olá amigos! Quem quiser dar uma lida em meu livro: O lado Avesso - Nornes, o mago. Onde misturo seres de nosso folclore como: curupiras, caiporas, alamoas (vc conhece a lenda da Alamoa? Não?), com dragões, elfos, magos, guerreiros, etc... Ah! Também coloquei falas de nossas linguá indígenas para servir como língua dos curupiras e criar um identidade nacional para esse celebre personagem de nosso folclore. Quem quiser ler 37 páginas de meu livro é só ir para esse endereço: Click aqui!

O livro está a venda nas livrarias: cultura, editora Baraúna e Saraiva (em e-book). 

Vamos valorizar os escritores nacionais pessoal! Abraços literários em todos!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Há vagas?



Há vagas?
(Marcos Henrique Martins)


Tenho que procurar algum lugar que me encaixe, porque é difícil se achar quando não se pertence a lugar nenhum.

Tenho que entreter meus dedos, então escrevendo até sangrar, escrevo poemas manchados com meu sangue; que nunca serão lidos e se os leram, não irão entender e se entenderem, não irão aceitos-lós e se os aceitaram, irão me crucificar, porque todos procuram mártires.

Tenho que procurar um lugar, pode ser um lugar barato mesmo, para sentar um pouco e poder fumar um cigarro, mas eu não fumo – quem é inocente por inteiro, você? –. 

Tenho que achar um lugar, tenho que encontrar algum lugar, pois estou desesperado e um homem desesperado não precisa justificar seus atos de selvageria.

Preciso, realmente, de um lugar que me encaixe para poder envelhecer e ser respeitado não só por financeiras que querem roubar o que passei a vida toda tentando juntar – sentido para minha existência –.

Preciso de um lugar para encaixar meus pertences, é pouca coisa, mas é tudo o que os que se enquadram no esquema não conseguiram juntar.

Preciso me encontrar.     

Dedicado a Chales Bukowski.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tão peculiar



Tão peculiar
(Marcos Henrique Martins)


Às vezes tenho vontade de arrancar todos os meus dentes;
Às vezes tenho vontade de arrancar meu coração;
Às vezes sinto vontades covardes tomarem meu peito;
Às vezes tenho vontade de deixar de ser tão solidão. 

Não me reconforto.
Não há conforto para eremitas. Tudo, toda vida é um jogo e todos nós, tolos jogadores, somos crentes que não vamos perder. Já perdemos. Mas o que importa é a forma como à derrota nos deleitara.

Às vezes tento contar às estrelas do céu;
Às vezes tento contar carneiros para, tentar, dormir;
Às vezes tento falar, mesmo quando não me escutam;
Às vezes me vem uma vontade de sangrar.

Não aceito.
Não há conforto para quem vê seus amados mortos. Tudo, toda vida um dia finda. É o mesmo jogo, só que com dados diferentes. No fim, sempre perdemos, mas o que importa é forma como vivemos.

Às vezes, tento ser feliz e escrever uma ode;
Às vezes me perco em poemas;
Às vezes escrevo para me perder;
Às vezes tenho sonhos pequenos que de meus olhos brotam.

Não mais tenho.
Não me habita esperança. Tudo se foi pela latrina e o que restou foram árvores de ilusão que teimam em nascer cada vez mais altas em meu quintal. No fim, sempre esperamos por novos dados. E o que importa para mim pode não importar para você, pois enxergamos o mundo de forma tão peculiar.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Desnudo



Desnudo
(Marcos Henrique Martins)

Vem à calmaria, me sinto bem, mas antes passou a tempestade que me tirou toda a inocência. Um poeta disse certa vez que perdera a inocência no dia em que soube que iria morrer um dia. Perdi a minha antes de ter 32 dentes. 

Veio à calmaria, mas não me senti bem com ela, me acostumei ao caos, me acostumei aos urros das grandes cidades, das mazelas, dos homens sem rotos que caminham - sem rumo -, que pedem esmolas e lhes são negada. Como todo o mais em suas vidas, pois Deus, Deus não os enxergar, talvez se tivessem lepra, quem sabe. 

Pensei que a calmaria fosse me trazer paz, mas me trouxe dor, desassossego, medo e pensamentos conflitantes.

Sempre que acordo tenho que ouvir uma foz me suplicando para levantar, tomar minha cruz e seguir no deserto das possibilidades, que para mim se apresentou como um mar do impossível. Se ao menos soubesse caminhar sobre as águas.

Chegou à calmaria e ficou sem graça por me ver desolado no canto de uma parede cheia de mofo. Não sei o que fazer nessa calmaria, foram muitos anos sendo disciplinado no caos.

Tiro minhas vestes, fico nu, porém não é o suficiente, então tiro a pele que me habita, fico com os músculos expostos. Ainda assim não me sinto nu por inteiro. Me dispo de meus músculos; de meus órgãos, vísceras, veias, fico apenas com meus ossos e meu coração, pois ele, ainda me deixa ser demasiadamente humano.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Conto:O rei está morto



O rei está morto
(Marcos Henrique Martins)

Quando levantei logo cedo e pude ouvir o galo me dar bom dia sorrindo percebi que algo faltava, não sabia ao certo o que era não tinha a profundidade das coisas pequenas embrenhadas em mim. A única coisa que me vinha à cabeça era que - O rei estava morto. 

Fui até a copa, tomei um pouco de água, aquela água descerá como vidro, pois meu estômago, ainda adormecido, não aceitava tomar banho logo cedo. E aquele pensamento voltava a minha razão - O rei está morto -.  Como não planejei meu dia, fiquei meio perdido neste momento inquietante de meu saber das coisas, logo eu, um cético assumido, não poderia acreditar em crendices supersticiosas, ora bolas. Se o rei estivesse mesmo morto como eu poderia saber? Mas a voz aguda e renitente ecoava no fundo de meus pormenores “O rei está morto”.

Cuidei de tomar um bom copo de leite morno, depois do total despertar de meu estômago, que a senhora Vangruber preparara para mim. A senhora Vangruber era uma imigrante que não teve sorte de enriquecer em terras brasileiras, o azar acometera sua vida. Mas que fique claro que eu não acredito em azar ou sorte, acredito nos fatos, em coisas palpáveis e na santa razão dos filósofos iluministas. Apenas citei a apalavra “azar” para replicar as palavras da senhora Vangruber, pois, acho engraçado entregar a vida a coisas de cunho sobrenatural. 

Sempre iniciava meu desjejum com um pouco de leite morno, poderia passar dias falando sobre os benefícios de se tomar leite morno. Todos os males físicos e da alma que essa lactose poderia curar. Nem o mais sábio dos alquimistas poderia dispor de tamanha sapiência das virtudes do leite e no deleitar de suas teorias, a respeitos das coisas da natureza, haveria de concordar comigo que o leite morno é e sempre será a cura para todos os males, físicos, morais, perturbadores de cunho assaz para tudo. Isso sem mencionar as moléstias da alma que tal bebida poderia curar. 

Como falei antes, sou um cético para certos pormenores, porém, estou vivo e suscetível às influências folclóricas que todo ser civilizado está. Farei um dia uma ode a tal bebida pura e simples de se preparar. Um dia farei um ensaio. É isso! Farei um ensaio sobre bom leite morno. 

Mas a voz volte e meia me perseguia “O rei está morto!”. Não me interesso por assuntos das nobrezas, não sou nobre, não por titulação, sou apenas um capataz das coisas burocráticas que ninguém mais ousa fazer. Se ao menos tivesse ouvido os conselhos de minha genitora, mas não. Parentes só nos dão conselhos para nos atrasar a vida, era assim que eu pensava em minha insolente burra e fugaz juventude.

Peguei as ferramentas de meu oficio, coloquei tudo em minha pasta e fui para minha labuta burocrática, que me fazia refém a mais de 10 anos. Minha labuta! Escravidão remunerada, soldo de minha juventude e outros adjetivos não tão nobres que não ouso mencionar. Logo eu, que sonhava em viver no meio do mundo, fui me acorrentar justamente em uma repartição pública, onde o público e o pessoal nunca podem se misturar. 

Com o desembaraçar das horas fui concluindo as etapas tediosas de meu ofício, mas sem que percebesse, soltei em alto e bom tom “O rei está morto!” Todos me olharam espantados, como eu poderia dizer tamanha sandice. Que rei? Que morte? Para que um rei se vivemos numa república? Sorri com rubor e me pus a trabalhar com a cabeça quase tocando a escrivaninha, mas os olhares, ah! Os olhares repúdiosos me incomodavam. Estava refém daqueles olhares que ansiavam em me caluniar, em me achar “doidivanas”. Podia ler os olhos de cada um.

No relógio, marcavam meio dia. A hora que todos esperam no âmago de seu ser, mas para mim não, não naquele dia, não podia me deliciar com os alimentos que repousavam em minha marmita. Não. Não até resolver aquele impasse “O rei está morto”.

Quanto mais lutava para me despistar de meus pensamentos irritantes, mas tinha a certeza que não conseguiria ir muito longe, pois era carcerário de meus pensares e, não conheço uma única alma viva que tenha conseguido fugir de seus demônios internos. Foi quando de súbito levantei da cadeira, fui até uma janela - ao menos não haviam nos privado de ar puro -, e gritei a plenos pulmões. 

– O rei está morto! 

Todos pararam. A cidade me olhara de baixo para cima e meu espírito atormentado pode enfim ficar em paz por alguns minutos, mas tamanha era a curiosidades dos olhos transeuntes lá de baixo que me senti como uma rapariga de saias que recebe uma rajada de vento malicioso e lhe deixa exposta em missa de sétimo dia.

As pessoas de minha repartição não gostaram de minha revelação, me chamaram “Anarquista!”. E logo tive que ir vê a autoridade máxima, O chefe. Um senhor de cabelos ralos, bigode bem cuidado e uma vaidade descomunal, mas qual chefe não é vaidoso? Para se chegar à chefia de algo o homem tem que ser vaidoso, se olhar no espelho e se ver em mil.

- Porque gritou aos quatro cantos que o rei estava morto?

- Não sei senhor.

- Como não sabe, por acaso você é algum piadista?

- Não, não sou.

- Então o que o levou a gritar daquela forma, essas palavras sem sentido? Por acaso não sabes que somos uma república?

- Sei, mas....

Todas as frases que se finalizam com um “MAS” são motivos para que todas as terminações nervosas comecem a incomodar o corpo. Um comichão que percorre da parte mais significante a menos insignificante de nosso corpo se inícia, num ciclo mais forte que cotrações de uma mulher prestes a dar a luz quando um “MAS” é proferido dos lábios de alguém.

- Mas... O que?  - perguntou meu algoz.

Pus-me a explicar.

- Acordei logo cedo, como sempre o faço. Tomei meu banho, escovei meus destes, me vesti, calcei meus sapatos, mas antes pus as meias, fui até a cozinha, tomei meu leite morno. O senhor conhece todos os benefícios que o leite pode nos proporciona?

Ele apenas me olhou, incrédulo, e não me respondeu a pergunta, talvez achasse que fosse uma pergunta retórica. Ele passou a mão em seus cabelos ralos e me fitando, perguntou.

- O que isso tudo tem haver com seu delírio na janela?

- Não foi delírio, senhor, foi uma forma de externar o que estava me dilacerando o peito e a cabeça.

- Que rei é esse, você o matou?

Tomei um susto! Aquela pergunta repentina. Queria ele me acusar de assassinato? Queria ele me condenar ao ostracismo das grades de aço e roupas xadrez? Não poderia cair naquele truque, não, ele não iria me incriminar por saber o que todos não sabiam, ou não queriam saber. O rei estava morto, era fato, agora querer me acusar de tamanha barbárie, isso sim, era uma loucura.  

- Não matei rei nenhum, não sou um assassino, meu senhor.

- Então que rei é esse? 

Não sabia o que dizer, então, mais uma vez, gritei a plenos pulmões.

- O rei está morto!

Meu chefe tomou um susto, seus olhos se arregalaram quase que saltam para fora do rosto, se não fosse seu nariz, acho que teriam saltado. Todos correram para a sala do patrão. Uma quase algazarra se formou na porta, todos queriam ver o que estava acontecendo. Não conseguia entender o que diziam do lado de fora, falavam todos ao mesmo tempo, quanto a meu chefe ficou transtornado e me mandou embora para casa, falou que eu precisava descansar e, de um bom copo de leite morno.

Ao seguir para meu lar, via as pessoas andando, levando suas vidas nas costas, todas sem terem a informação que eu tinha “O rei estava morto”. Sorri por algumas vezes, acho que me acharam bobo, mas não ligava, pois tinha a informação que ninguém mais tinha e não deixaria que ninguém ousasse roubá-la de mim. Um homem é uma fortaleza em seu lar, e era para lá que eu estava seguindo.

Ao chegar a minha casa, tratei logo de observar quais eram os cantos mais vulneráveis de meu lar, tratei de fazer os reparos necessários para que nenhum invasor ousasse invadir minha fortaleza. Fiz barricadas, armadilhas com baldes cheios de água com sabão, mas algo faltava. Então, tive a grande ideia. Tinha que informar a todos que “O rei estava morto”. Comecei pela lista telefônica, onde pude selecionar todos os telefones de jornais, do impresso, ao radiofônico e claro a TV, minha esperança era que a TV sabendo de tamanha revelação interromperia sua grade de programação para dar um boletim extraordinário. Toda a sociedade, ou melhor, todo o país teria que saber desse fato. Deixei meu egoísmo de lado e me pus a ligar para todos os meios de comunicação, já inventados, para que a humanidade pudesse descobrir o que só eu descobrira naquela manhã reveladora “O rei estava morto”.

Findado meu dever moral e cívico, pude descansar por alguns minutos, foi então que tive a grande ideia de rever minhas economias para poder comprar um megafone e do alto de minha janela começar a informa a todo o cidadão, descente, assim como eu, que o rei estava morto. Não tardei e, logo estava com o megafone em punho a informar a todos os que passavam por minha rua, e devido ao tamanho da parafernália que adquirira quem sabe pessoas das ruas vizinhas pudessem ouvir minhas verdades.

- O rei está morto! O rei está morto!

De forma, incansável, me pus a informar a todos, alguns nem se importavam com minhas revelações - pobres diabos - outros paravam a frente de minha casa e contemplavam as verdades que ecoavam de minha voz amplificada por meu megafone. Foi então que a conspiração se formou. Uma rede ultrassecreta de agentes de algum órgão decidiu me interpelar e mesmo com toda a proteção que havia criado, minha fortaleza foi invadida, saqueada, e eu, levado como prisioneiro para ser torturado, ou sabe-se lá Deus o que fariam com minha pessoa para que a voz da verdade que saiam de minhas cordas vocais findasse.

- Que lugar é esse – perguntei, sem ter uma resposta satisfatória. Na verdade não obtive resposta alguma. 

Depois da alguns momentos de reflexão percebi um ambiente, hora hostil, hora cercado de demência e olhares vagos para um horizonte imagético. Foi então que percebi um homem se aproximar, ele me olhava com olhos da verdade, uma verdade oculta que poucos podem perceber. Como eu era astuto e grande conhecedor dos gestos humanos, sabia que ele me escutaria e talvez fosse à única pessoa na terra que me ajudaria a iniciar um movimento libertário, uma nova revolução disseminativa e decisiva, pura, que todos iriam compartilhar da verdade absoluta que entranhava em mim.

- Você fuma? – me perguntou.

- Não, mas preciso de sua ajuda – respondi.

O homem me olhou de cima a baixo e com um gesto tímido, acenou positivamente para mim. Era disso o que eu precisava, de um fiel escudeiro para me ajudar a propagar tudo o que eu sabia.

- O rei está morto, sabia? – perguntei.

Foi então que percebi que não conseguiria revelar ao mundo minhas certezas. O homem me olhou tortamente e num momento de fúria, começou a esbravejar.

- O rei está morto?! Mas isso é impossível! Quem está levantando inverdades a meu respeito?! Guardas! Guardas! Descubram quem anda inventando calunias sobre mim e cortem-lhe a cabeça!

Era óbvio eles queriam que eu caísse no descrédito, queriam me transformar num sandeu para que a verdade nunca fosse revelada. O rei estava realmente morto, porém, colocaram um impostor, um proletário para usar a coroa que só pertencia ao verdadeiro monarca. 

Que o bom Deus nos ajude-se nessa hora de conspiração.                                

Bom dia! Em primeira mão, a primeira primeira poesia de uma séria que comecei a escrever. Nessa primeira fase vou falar do tempo. Mas outros estão por vir, aguardem e confiem.



Tempo para se descobrir
(Marcos Henrique Martins)


Não nasci velho, foi o tempo que me moldou.
Não nasci taciturno, foram às castrações naturais da vida que me moldaram.
Não vivia nas sombras dos pensamentos das pessoas, foi à poesia que me fez penetrar no âmago dos seres racionais que dessecam tão bem sapos.

Não. Nem sempre fui um tolo. Sim, já fui um sonhador, um homem que aceitava tudo. Do natural ao sobrenatural e não questionava nada, mas agora já com meus cabelos agrisalhando-se e caindo em estradas da perdição, passei a ser um contestador de voz baixa que não é ouvida por ninguém. Nem por sua sombra.

Não nasci para sofrer, nasci por um plano que nunca me alcança, nem quando paro para respirar, ou assoar o nariz. 

Não. Não nasci para a vida burocrática, para ter que apertar mãos a cada dois minutos e sorrir como se estivesse tudo bem. Minha angústia não permite isso.

Não nasci com todos os fios de cabelos, é bem verdade. E os que conquistei comecei a perde-los ao longo dessa estrada cheia de postos de pedágios que cobram pedaços de nossa alma sem dor nem piedade.

Não. Não desaprendi a sorrir, apenas não quero o fazê-lo, pois sorrir, sorrir faz com que eu tenha câimbras em minha face, faz com que eu tenha pesadelos nas noites quentes do Recife.

Não. Eu não nasci sabendo andar. Na verdade nem engatinhar aprendi, então tive que começar a rastejar muito cedo, muito novo, muito puro e ter medo.

Não. Eu não nasci, fui obrigado a nascer, fui obrigado a viver, me foi imposta a grandeza e a derrota; a vaidade e a humildade; os sorrisos e a dor; o perdão, a ilusão e o ódio.

Não, não nasci velho, foi o tempo que me moldou assim, a imagem e semelhança de alguém que nunca toquei com minhas mãos pequenas.


*Dedico essa poesia ao velho safando Charles Bukowski, poeta e escritor da geração da contracultura.

sábado, 29 de setembro de 2012

Espasmo




Espasmo
(Marcos Henrique Martins)


Quero poder poetar nos quatro cantos do mundo
Poder gritar um: “Puta que o Pariu!”, sem chocar os puritanos, que não se chocam com guerras que dilaceram inocentes e castram sonhos.

Quero poder poetar livre do preconceito, livre do medo dos olhos de Deus - Somos doutrinados a temer Deus, não a amá-lo -.

Quero viver livre das correntes da poesia feita em cartórios;
Quero viver livre da vida burocrática, puritana, hipócrita e camuflada em que nos encontramos. Lixo, puro lixo!

Quero poder voar, mesmo sem ter asas;
Quero poder sentir minha alma, poder tirá-la de mim, lavá-la com sabão amarelo, e recolocá-la em meu corpo; livre dos pecados que me acumulam, ao longo da existência. 

Quero poder sentir todos os sentimentos, todas às lágrimas, tudo ao extremo. Sentir sem ser censurado ou tachado de louco. Sentir sem ser morto porque não compartilho da visão do mundo dos déspotas que nos guiam para intermináveis firmamentos.

Quero poder correr;
Quero poder ter pernas;
Quero poder correr;
Quero poder dar um sentido, uma direção às minhas pernas;
Quero, quero, quero. Sempre queremos coisas que nem sempre nos servem. Mas quero.

Somos gafanhotos vorazes, somos e nada somos; apenas achamos que somos, e dessa forma, somos iludidos, a acharmos, que ainda, vivemos.


OBS.: Fiz esse poema devido a crescente violência e imposição da visão religiosa no mundo. 

"Ninguém pode obrigar um homem a ser livre".

Albert Nolan.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Um de meus poemas de meu livro Álbum de Lembranças



Vontade de Voltar
(Marcos Henrique Martins)

Já escrevo sem me preocupar com os dias, com as datas, com o que o tempo pode me dar de bom, ou não. Lembro-me de quando era jovem e puro. Hoje, continuo jovem, mas com ossos que viram pó e se partem com tanta facilidade.

Não faço rimas lindas e alegres, meu punho doe quando escrevo, queima quando escrevo; cego quando escrevo ou tento escrever rimas belas.

Ó! Doce placenta onde te escondes? Por que foges de mim, não tenho nojo de te, vem e encobre todo o corpo, sei que não tenho mais lanugem, mas ainda sou teu garoto, sou teu garotinho que chora quando cai ao chão e sente fome por não encontrar mais seu cordão umbilical.

Nada é mais como antes, antes da realidade do existir.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Promoção no blog Sonhos e Resenhas

Bom dia amigos,

O blog Sonhos e Resenhas está com uma promoção muito boa, onde será feito um sorteio e você poderá escolher qualquer livro, dos relacionados no blog. Dá um ciber pulo lá, vejam os livros e saibam como participarem.

Abraços literários!

click na imagem para ir para o blog:

sábado, 15 de setembro de 2012

Eu recomendo!!!

Recomendo o blog Molho Livro. O nome já diz tudo! Esse é o blog do grande poeta Diego El Khouri, filho da exclusão, poeta e artista plástico sem nome e identidade, como ele mesmo se define.

Vale a pena dar um cibe pulo lá e conhecer o poeta e artista Diego El Khouri.

Click o na imagem para ir par o blog:

 

quarta-feira, 6 de junho de 2012


 
Desejo
(Marcos Henrique Martins)

Gostaria de ter vida – Não estou disposto a escrever;
Só quero ter vida! – Não estou disposto a sonhar;
Só quero ter vida – Não me importo com guerras ou a paz.

– Apenas vida –

Não quero conversa fiada ou amizades verdadeiras. Só vida.
 
 – Basta –

Chega de tormento, basta de desespero,
Chega de angústia, basta com os erros.
Quero jogar fora meu peito. Só quero vida, não quero doces; só vida.

Parei de querer tentar entender a existência das coisas.
Não me importa o sabor das cores; quero vida, mesmo que sem cores. Vida, sem suas cores.

O que farei quando tiver vida, se nunca lidei com isto, se sempre fui inerte, mas quero experimentar a vida, já que até os parasitas  vivem a vida de seus hospedeiros.

Só quero vida, apenas vida, com ou sem pudores.