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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Gentileza por que fugiste




Gentileza por que fugiste





Mataram a gentileza;
Corromperam o natal;
Subornaram a ideologia;
Falaram mal dos bons vizinhos, disseram que eles só queriam aparecer.

Fizeram pouco das pessoas educadas;
Ridicularizaram os homens de boa fé;
Espancaram a primavera;
Pisaram em meu coração.

Fui à busca da educação, estava caduca e com transtorno bipolar.
Perguntei as minhas lágrimas por que chorava? Reponderam: Estamos cansadas de tudo e resolvemos nos suicidar, saltando de tua íris para o fim de nossa existência.

Torturaram os cânticos natalinos;
Puseram foco na pomba da paz, que voou em chamas e sem rumo buscando o firmamento que não há mais.

Debocharam dos tratados de paz;
Mataram dentro do cinema, enquanto se passava um filme que falava de paz - A gentileza dos homens, aqui jaz.
Há gentileza nos homens? Não sei se nos cabe mais.

Caráter morto;
Amabilidade obsoleta;
Respeito em poucos homens;
Civilização dos incivilizados;

Respingos de sorrisos inocentes não nos tocam mais, não alcançam nosso âmago. 
Só restou o desejo de se, timidamente, falar: feliz natal a todos os seres racionais com momentos irracionais.

Marcos Martins.


OBs.: por causa de um salgadinho, nesse fim de semana, um cara quase apanha no cinema, pensando nisso resolvi fazer esse poema, nessa data mágica que é o natal.    

sábado, 16 de agosto de 2014

Poema 86



Poema 86


Não gosto quando fico assim - sem medo da morte, entregue a sorte que nunca me fez sentir-se seguro.

Não gosto quando olho para o horizonte e apenas enxergo neblina, tão densa, sem vida. Nessas horas, apenas o silêncio do escuro pode guiar-me, me leva seguro pelas beiras do mundo sem que eu caia, então paro e espero que tudo volte a ser como eu idealizo - e não alcanço. Idealizo e nunca alcanço.

Por vezes, meus olhos não enxergam as entrelinhas do livro da vida, meus poros não absorvem as partículas de vida que são invisíveis ao olho humano. 

Meu tato, meu paladar também não sentem, porém está lá, em algum canto, bem guardado, e só posso ter fé no escuro que continua a me levar pelos precipícios do mundo, com a esperança de que não caia num vazio frio e profundo, onde a morte possa me alcançar. 

Marcos Martins.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Um bom lugar



Um bom lugar
(Marcos Henrique Martins)


Te dispo te teus pudores;
Te dispo de tuas veste castas;
Te exponho ao meu mundo;
Te corto e misturo teu sangue ao  meu, és minhas, sou teu.

Somos loucos, somos únicos na diversidade dos mundos que podemos idealizar; que podemos sonhar e nunca, nunca tocar para não destruímos. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Bom dia! Em primeira mão, a primeira primeira poesia de uma séria que comecei a escrever. Nessa primeira fase vou falar do tempo. Mas outros estão por vir, aguardem e confiem.



Tempo para se descobrir
(Marcos Henrique Martins)


Não nasci velho, foi o tempo que me moldou.
Não nasci taciturno, foram às castrações naturais da vida que me moldaram.
Não vivia nas sombras dos pensamentos das pessoas, foi à poesia que me fez penetrar no âmago dos seres racionais que dessecam tão bem sapos.

Não. Nem sempre fui um tolo. Sim, já fui um sonhador, um homem que aceitava tudo. Do natural ao sobrenatural e não questionava nada, mas agora já com meus cabelos agrisalhando-se e caindo em estradas da perdição, passei a ser um contestador de voz baixa que não é ouvida por ninguém. Nem por sua sombra.

Não nasci para sofrer, nasci por um plano que nunca me alcança, nem quando paro para respirar, ou assoar o nariz. 

Não. Não nasci para a vida burocrática, para ter que apertar mãos a cada dois minutos e sorrir como se estivesse tudo bem. Minha angústia não permite isso.

Não nasci com todos os fios de cabelos, é bem verdade. E os que conquistei comecei a perde-los ao longo dessa estrada cheia de postos de pedágios que cobram pedaços de nossa alma sem dor nem piedade.

Não. Não desaprendi a sorrir, apenas não quero o fazê-lo, pois sorrir, sorrir faz com que eu tenha câimbras em minha face, faz com que eu tenha pesadelos nas noites quentes do Recife.

Não. Eu não nasci sabendo andar. Na verdade nem engatinhar aprendi, então tive que começar a rastejar muito cedo, muito novo, muito puro e ter medo.

Não. Eu não nasci, fui obrigado a nascer, fui obrigado a viver, me foi imposta a grandeza e a derrota; a vaidade e a humildade; os sorrisos e a dor; o perdão, a ilusão e o ódio.

Não, não nasci velho, foi o tempo que me moldou assim, a imagem e semelhança de alguém que nunca toquei com minhas mãos pequenas.


*Dedico essa poesia ao velho safando Charles Bukowski, poeta e escritor da geração da contracultura.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Quarta



Quarta
(Marcos Henrique Martins)

Quarta, hoje é quarta-feira, eu sei.
Mas de que vale uma quarta-feira quando o sol esquenta apinho um pouco do que restou de meu frágil juízo?

É, tudo bem para você que não conta os dias, mas para mim...
Hoje é sexta, duas coisas me deixam louco: perder e viver sem viver.
É, tudo bem para você que não conta os dias, mas para mim...

Vou relaxar um pouco e fumar um cigarro. Droga! Lembrei que parei de fumar depois que Deus curou meu câncer. Tudo bem as melhores promessas são aquelas que não podem ser cumpridas.

Que dia é hoje?
Que horas são?
Será que ela veio por mim ou pelas contas atrasas?

Seus olhos não me disseram absolutamente nada, logo eu que sei ler almas. 
Quarta, hoje é quarta-feira, eu sei.
É, tudo bem para você que não conta os dias, mas para mim...
Ok, tudo bem, não sou religioso, te perdoo. Tenho bom coração. 

"Dedicada a meu grande amigo e inimigo literário César Vice". rsrsrsrs. Tu sabe que te quero bem.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

13/11/02

 
13/11/02
(Marcos Henrique Martins)

Eu não sei nada, e mesmo assim as perguntas continuam a me devorar. Perguntas só servem para gerar mais dúvidas e mais solidão em mim.

A dúvida não tem mãos e eu só gostaria de um abraço antes do desjejum.

Risos e lágrimas tem o mesmo gosto e são tão diferentes, como explicar esta disparidade? Como saciar minhas incertezas?

O que escrevi, talvez nem faça mais sentido para mim nos dias de hoje, mas em algum tempo de minha existência fez toda a diferença, aliviou a parte imaterial de meu ser, mas agora, que o leio, releio, fico a me perguntar, qual dúvida, qual batalha estava sentido para conceber mais este poetar. E estas dúvidas, que assolam meu cerne e tiram meu sono em noites calmas, preencheram uma parte de mim que vagava nu, em escuridão profunda.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Os benefícios do inexplicável

Os benefícios do inexplicável
(Marcos Henrique Martins)


Se amo em demasia. O faço por saber que minhas pegadas logo, logo se apagaram. Não serão nem sobra do que já fui. Por isto, amo em demasia, choro em demasia, me alegro em demasia, entristeço-me em demasia, vivo em demasia.

A fugacidade da vida ensina a poucas pessoas a aproveitarem a viagem - Que pena -, e muitos se perdem em sua pequenez, em seus preconceitos, seus corações gélidos – Que triste -. Não ligo para os que só sabem se mal dizer da sorte. Não ligo para os que não sabem aproveitar o nascer do dia, um céu iluminado, um céu nublado, o cheiro da manhã, o nascer de mais uma vida, contemplar a poesia do dia a dia. Amar, amar, amar.

Se vivo, e viver é bom, mesmo quando choro;
Se fico a andar ao leu e a sorrir de minhas limitações;
Se caio e levanto, sem ter pena de mim;

Faço todas estas coisas, pois sei que um dia meu véu se rasgará, e então, poderei gritar, mesmo sem ser ouvido, gritar aos quatro cantos, para que todos os seres invisíveis do infinito possam se alegrar com meus gritos de: Vida! Vida! Carne Viva! Sangue vivo que me vez um bem, danado, por meu corpo, tolo, circular.