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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O ditador sem reino



O ditador sem reino
(Marcos Martins)

Estou aqui em meu trono, posso sentir tudo com uma voracidade que machucaria até os deuses do olimpo.

Sinto tudo com a serenidade plena dos moribundos.
Vejo os lobos em seus covis, vejo as presas em suas prisões.

Meu trono é todo meu, por toda a decadência que os tempos possa me dar. Sinto prazer em me desfazer de meus desafetos, pois os bobos da corte já não me fazem rir com outrora, porém continuo imponente em meu reino, pois tenho mercenários como amigos.

Meu reino por um toque amigo! 
Meu reino por um sorriso puro!
Minha alma por uma justiça, verdadeiramente, justa.

Faço minhas leis - a executa meu carrasco -.
Faço minhas leis em meu reino decadente – ilusões de um pobre sonhador que não sonha há tempos.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Lúdico



Lúdico
(Marcos Henrique Martins)




Guardado não posso quebrar
Preso em casa, na frenta da velha TV, me deparo com meu reflexo no tubo de imagem entre um canal e outro. Noto meus olhos. Que triste, que triste.

Se continuar aqui não tem como me machucar. É o que todos pensam em seus mundos.

Pássaros dormem a noite, apenas predadores observam.
Outro dia conversei com Deus e o que ele me falou continua sendo um mistério para mim até hoje.

Quero um conhaque, quero um abraço amigo e ouvir alguém afinando um violino.
Quero voltar a sentir você.
Quero voltar para dentro de um útero.
Quero sair, mas perdi o jeito. Desaprendi como caminhar por entre as nuvens.
Quero um copo d’água dada por você, cansei de tomar vinagre e de sangrar para quem não olha mais para mim.

Cansei de escrever versos sem sentido para mim. Cansei de matar, de ser morto, questionar, de ter que posar para fotos de família sorrindo.
Cansei de olhar o infinito e de sempre afinar meio tom abaixo meu violão que, de tão velho, não pega mais afinação.
Cansei de ser homem feito que anda só, de mãos dadas, com o menino destino.  


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Quarta



Quarta
(Marcos Henrique Martins)

Quarta, hoje é quarta-feira, eu sei.
Mas de que vale uma quarta-feira quando o sol esquenta apinho um pouco do que restou de meu frágil juízo?

É, tudo bem para você que não conta os dias, mas para mim...
Hoje é sexta, duas coisas me deixam louco: perder e viver sem viver.
É, tudo bem para você que não conta os dias, mas para mim...

Vou relaxar um pouco e fumar um cigarro. Droga! Lembrei que parei de fumar depois que Deus curou meu câncer. Tudo bem as melhores promessas são aquelas que não podem ser cumpridas.

Que dia é hoje?
Que horas são?
Será que ela veio por mim ou pelas contas atrasas?

Seus olhos não me disseram absolutamente nada, logo eu que sei ler almas. 
Quarta, hoje é quarta-feira, eu sei.
É, tudo bem para você que não conta os dias, mas para mim...
Ok, tudo bem, não sou religioso, te perdoo. Tenho bom coração. 

"Dedicada a meu grande amigo e inimigo literário César Vice". rsrsrsrs. Tu sabe que te quero bem.