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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Poema 29

Poema 29


O poeta é um ser solitário, cheio de amor e ódio, ira e afagos abafados.
Sente dentro de si, Deus e o diabo. 

(Seu céu é tão instável).

O homem sem nome se acha poeta, mas os verdadeiros poetas desprezam este carma, sonham em ser livres dessa prisão sem grades, trancas ou chaves - um carma que nos mutila aos poucos.

Choro, mas engulo o choro.

Ah! Como queria viver de pensamentos tolos e ser mais um na multidão. 

Como almejo ser um tolo feliz, não um poeta triste como sempre me fiz senti.

Marcos Martins

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Gentileza por que fugiste




Gentileza por que fugiste





Mataram a gentileza;
Corromperam o natal;
Subornaram a ideologia;
Falaram mal dos bons vizinhos, disseram que eles só queriam aparecer.

Fizeram pouco das pessoas educadas;
Ridicularizaram os homens de boa fé;
Espancaram a primavera;
Pisaram em meu coração.

Fui à busca da educação, estava caduca e com transtorno bipolar.
Perguntei as minhas lágrimas por que chorava? Reponderam: Estamos cansadas de tudo e resolvemos nos suicidar, saltando de tua íris para o fim de nossa existência.

Torturaram os cânticos natalinos;
Puseram foco na pomba da paz, que voou em chamas e sem rumo buscando o firmamento que não há mais.

Debocharam dos tratados de paz;
Mataram dentro do cinema, enquanto se passava um filme que falava de paz - A gentileza dos homens, aqui jaz.
Há gentileza nos homens? Não sei se nos cabe mais.

Caráter morto;
Amabilidade obsoleta;
Respeito em poucos homens;
Civilização dos incivilizados;

Respingos de sorrisos inocentes não nos tocam mais, não alcançam nosso âmago. 
Só restou o desejo de se, timidamente, falar: feliz natal a todos os seres racionais com momentos irracionais.

Marcos Martins.


OBs.: por causa de um salgadinho, nesse fim de semana, um cara quase apanha no cinema, pensando nisso resolvi fazer esse poema, nessa data mágica que é o natal.    

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Busca

Busca


O que é o pensar das coisas?
O que são as dúvidas?
Como responder as perguntas que ruborizam?
Como ser verbo, se não sou nem adjetivo?
Como fazer a coisa certa de uma perspectiva caleidoscópica?
Como é sentir o amor, sem interesses burocráticos?
De que osso foi feita a natura?
De que costela foi feita a incerteza?

Meus amigos, no auge de minha imaturidade, dizia que todas as preocupações, dúvidas e inseguranças eram balelas.
Meus amigos, no auge de minha maturidade, vos digo, caminhem e só, pois todas as preocupações, dúvidas e inseguranças são balelas. Nada como andar nu na chuva, correr então, isso é que é ser livre das amarras.

No auge de minha tola existência digo “A verdade é que não existem verdades”. A verdade; se insistem descortinar “É que fico dando sentidos novos a velhos poemas”.     

Marcos Martins.

sábado, 8 de março de 2014

Poema 85


Poema 85 


Sou o avesso do verso, o poeta sem nexo
Meu mundo é tão imenso, perturbador e complexo
Como meu pensar.

Eu sinto vocês sentem?
Eu sinto, mas não me sinto
Eu minto – sou tão feliz –
Me vejo  – sou tão mentiras –
Omito – sou todo, dúvidas –
Vomito.

Olho no espelho e vejo temor em meu reflexo sem alma, sem cor, sem dúvida, sem dor, o nada.

Eu quero ser reflexo com vida, poder sorrir, poder sentir o calor, o desabrochar, o perfume das flores mais lindas, mas ali trancado, meu reflexo está tão só. Só, porém feliz por ser eu a carregar a cruz de nossa vã existência.         


Marcos Martins.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Encômio ao ócio



Encômio ao ócio



O relógio avisa-me que são 10 horas da manhã e eu aqui deitado, deitado em meu ócio. Não sinto vontades, nem as fisiológicas, que o amanhecer nos trás, apenas ócio. Fecho os olhos, sinto os olhos a mexerem de um lado para o outro, de um lado para o outro. Contemplo o escuro com toda sua calma, sabedoria e cumplicidade.

O relógio me avisa que são 11 horas da manhã. A cama esquenta, meu quarto esquenta, meu corpo está frio. Terei morrido? Não quero mexer-me para ter certezas. Concentro-me e o ouço o tic, tac, tic, tac. 11 e meia. Não tenho animo, apenas ócio.

Elevo meu pensamento para longe, para bem longe de tudo. Meus quadris doem um pouco, tanto tempo deitado, tanto tempo a refletir sobre tudo, sobre o nada, meu existir, o existir dos outros, das coisas, o fato de EU existir, do Ele existir, o sentido da vida que quero dar a outras pessoas, por não conseguir ter um sentido em mim.

Levantei.

Comi, mas permaneci com fome
Bebi e continuei com sede
Sorri, porém por dentro não me alegrava
Vivi triste com a vida que levava.

Há dias em que existo
A dias em que existo
Adia meu existir.

Por vezes, me tranco mim
Por vezes, deixo meu ócio por meus ossos entranharem-se dentro de todos os questionamentos que vivem mim.
Louvo o ócio
Louco ócio
Ócio, contraditório, que me faz produzir. 



Marcos Martins.
 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Que bom que o mundo acabou



Que bom que o mundo acabou
(Marcos Henrique Martins)


Que bom que o mundo acabou. Agora não teremos mais que nos preocuparmos com a miséria que nos assola. Não teremos que observar pessoas sofrendo nas ruas por não terem um lar, ou porque nossos governantes fingem se emocionar com mensagens de fim de ano.

Que bom que o mundo acabou. Só assim não nos mataremos por divergirmos das crenças religiosas dos outros. Não teremos mais que jogar na cara do outro que o nosso Deus é melhor que o deles. Não precisarei temer mais Deus algum.

Que bom que o mundo acabou e com ele todo o tipo de corrupção que o ser humano possa participar.

O mundo acabou, estamos livres das amarras! Não precisamos mais fingir!

Que bom que o mundo acabou, pois não precisaremos mais nos preocupar com as drogas que arruínam vidas, não precisaremos mais fingir que gostamos de alguém, nem sorrir em fotos de família.

Que bom que o mundo acabou. Só assim não vou mais precisar desejar feliz ano novo a quem não desejo nada. Não precisarei dormir depois da meia noite cumprimentando pessoas que acho ser piores do que eu. 

Que bom que o mundo acabou, porque não precisaremos mais nos preocupar com as emissões de gases poluentes, ou com o massacre de filhotes de focas. Não precisaremos mais assistir a massacres em escolas e tentar encontrar explicações onde ela não existe.

Que bom que o mundo acabou e com ele toda nossa imaturidade, todo nosso preconceito; nossa soberba; ignorância; barbárie; nossa incompreensão do que é ser humano. E os sorrisos falsos. Detesto sorrisos falsos. 

Que bom que o mundo acabou. Agora não teremos mais que nos chatearmos em engarrafamentos quilométricos ou ficarmos irritados porque perderam nossas malas nos aeroportos lotados em época de férias na Disney.

Que bom que o mundo acabou. Não precisamos mais ter superstições, apostar em profecias fantasiosas de civilizações que nunca viram um computador, ou tiveram um perfil criado em uma rede social.  

Ah! Que bom que tudo acabou e com ele todos os problemas, dos menores aos maiores, dos insignificantes aos mais significantes para cada um de nós.

É o mundo acabou, que bom. E a vida, há vida continua.       

21.12.12            

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Bom dia, boa tarde ou boa noite e ótima segunda! Algumas micrônicas




Becos
(Marcos Henrique Martins)

Aqui não passa ninguém, nem à saudade. 


***


Verdade tímida
(Marcos Henrique Martins)

Quando me perguntaram por que queria ser escritor, respondi: “porque não suporto viver com o vazio em minhas vísceras”, mas na verdade queria ter dito: “porque sou masoquista”. 


***


Medo
(Marcos Henrique Martins)

O que me dá medo são os homens de boas intenções.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Eu recomendo Revista Figurinhas Descoladas

 
Olá amigos ciber amigos eu recomendo a todos o site da Revista Figurinhas Descoladas. A primeira e segunda edição da revista está em seu site para você ler e baixar. A revista aborda temas variados e no site você ainda encontra um chat e uma rádio on-line.


Quem quiser conhecer e participar do grupo no Facebook

segunda-feira, 25 de junho de 2012

13/11/02

 
13/11/02
(Marcos Henrique Martins)

Eu não sei nada, e mesmo assim as perguntas continuam a me devorar. Perguntas só servem para gerar mais dúvidas e mais solidão em mim.

A dúvida não tem mãos e eu só gostaria de um abraço antes do desjejum.

Risos e lágrimas tem o mesmo gosto e são tão diferentes, como explicar esta disparidade? Como saciar minhas incertezas?

O que escrevi, talvez nem faça mais sentido para mim nos dias de hoje, mas em algum tempo de minha existência fez toda a diferença, aliviou a parte imaterial de meu ser, mas agora, que o leio, releio, fico a me perguntar, qual dúvida, qual batalha estava sentido para conceber mais este poetar. E estas dúvidas, que assolam meu cerne e tiram meu sono em noites calmas, preencheram uma parte de mim que vagava nu, em escuridão profunda.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

O que não conto a ninguém


O que não conto a ninguém
 (Marcos Henrique Martins)


Quando me pego olhando o horizonte, meus olhos lacrimejam, derrete minha face;

Quando me pegam olhando o horizonte e me perguntam o que vejo, não tenho resposta concreta para dar a mim nem a ninguém. Apenas olhos de saudade.

Meus poros exalam fluxos verdadeiros e contínuos de melancolia, mas uma melancolia sóbria, serena, de um lugar que nunca pisei, mas vi muito cedo - como explicar essas coisas não me cabe, apenas piso -.

Para que ter a obrigação de explicar as coisas? Existem coisas que não precisam de tanta explicação, cientifica ou filosófica, natural ou sobrenatural; apenas aceitar, aceitar e só.

Quando me vi só, ainda menino, algo quebrou dentro de mim. Quando olhei bem dentro dos olhos da morte, e ela me levou quem mais amava - Vó Dorinha - algo quebrou dentro de mim. Fui juntado os cacos, me cortei em alguns, manchei com sangue o chão já limpo.

Esta prosa me fez refletir que sou bom em ficar de pé, que sou melhor ainda em cair e; tão, tão, mais tão teimoso em levantar. Cair de cara no chão, cair sem roupas em um mundo de cores fortes, apertos de mãos fortes e gritos de perdas fortes - Odeio gritos de perda. -

A descoberta da senhora morte me foi dada quando era muito jovem, violou o segredo mais puro que toda criança te consigo, guardada em um mundo sem adultos para não quebra-lo. Mas apesar de escrever palavras tristes, em linhas que não se importam, sou um ser brincalhão, gosto de fazer os outros rirem, apesar de não rir mais com um riso inocente.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

IV

 
 
IV
(Marcos Henrique Martins)


Agora, nesta noite escura e quente, sinto meu peito bater com um som que nunca tinha ouvido antes.

Me falta ar, me sobram velas.

Teu oxigênio não me serve mais...

Medo, solidão, incertezas, perdição. Receio por todos esses sentimentos obscuros, mas já dei risadas boas um dia - Faz tanto tempo -, nem lembro bem dos motivos.

Tempo, esse tempo que sempre me tortura, me grita verdades, intimida, mastiga, tritura.

A calmaria é falsa, assim como suas lágrimas e seu abraço sempre a me apunhalar. Esse abraço que me corta, maltrata, porém quero sempre experimentar.

Meus dias na terra serão lembrados como motivo de vergonha por tudo que nunca conquistei. Já me despedi por varias vezes, mas nunca sai de cena realmente, só me mantive escondido, junto com os dejetos de pessoas boas e más.

Nunca. É sempre nunca para mim, por mais que lute, por mais que eu sangre, sempre é nunca para mim. Pobre de mim. Podre! Sou um bêbado inconveniente que não tem coragem de partir.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Poemas de meu livro de poesias "Dor" (ainda escrevendo)


 
 III
(Marcos Henrique Martins)


Quais são os aceitáveis? Quem se aceita de verdade? Sonhos poluídos me percorrem o corpo. Gritos de meninas que não estavam prontas para serem mães, pais ainda meninos, tortura, carrascos, anjos sem asas e mendigos.

O mundo não mudou apenas nomes mais belos e complicados surgiram.

Não ligo. Não me importo. É tudo mentira. Sempre me importei, sempre liguei, nunca fui visto. Tudo bem. Eu nunca fingi bem mesmo.

De onde se origina a vida sofrida? De onde vem todos esses dentes que me adormecem a face deixando gosto de sangue podre em minha língua. Feito vocês, eu finjo entender as respostas vagas.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

"Soneto Sem Título" - Autor: Fábio de Carvalho




"Soneto Sem Título"
Autor:Fábio de Carvalho

.
"Quantos dias se passam...
quantas horas se vão...
quantos momentos se distanciam...
quantos minutos nas mãos...

.



Quantas maneiras para sorrir...
quantos tipos de felicidades...
quantas artimanhas para demolir
tudo que é maldade...
.
Nada sem propósito
Tudo com um desejo
para um dia alcançar...
.
...aquilo que nos faz mórbidos
em instante puro, tal ensejo
nos fará como ouro brilhar!
.

Cortês-Pernambuco
Quarta-feira, 22 de janeiro de 2012.
 
 
Para conhecer os trabalhos deste poeta acesse seu blog: http://fabiodecarvalhopoetasonetistaescritor.blogspot.com.br/
 
Vale a pensa fazer essa viagem. 

segunda-feira, 21 de maio de 2012

No teu Sorriso

No teu Sorriso
(Marcos Henrique Martins)

Quero entrar no teu sorriso, percorrer tuas emoções, sentir teus batimentos cardíacos: Tum, tum, tum, tum, tum, tum.

Quero seguir teu espírito livre e lindo. Translucido. Indolor. Ver de dentro de teus olhos o infinito, terno, mágico, sul real, solidão que conforta.

Quando me volto para dentro, dentro de mim, posso sentir o sangue por minhas veias a esquentar meu corpo d’água e, todo o mínimo se torna o máximo do eterno, do estante que me fiz para mim. O tempo para e, posso ver tudo, de tudo com uma calma que só os clérigos têm – Como se santos não fossem homens e sim querubins nus, a nos rir.

Percorro os esmaltes de teus dentes, brancos, perfeitos, um mar de civilidade. Na branquidão de teus dentes, me perco num horizonte suave, misto de esperança e dúvida. Uma dúvida esperançosa, daquelas esperanças de garoto. Tempos bons. Tempo bom.

Quando a mãe, sempre presente, me indagava: - Já escovou os dentes? – Eu respondia com um riso.  Os risos estão escassos. Sorrisos, vemos aos montes, mas risos... Risos de anjos, estes, quase não se faz nascer.

Quando entrei em teu riso, pude ver, pude voltar a me reconhecer como homem, mas os olhos de menino que rir, a cada alvorecer.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Os benefícios do inexplicável

Os benefícios do inexplicável
(Marcos Henrique Martins)


Se amo em demasia. O faço por saber que minhas pegadas logo, logo se apagaram. Não serão nem sobra do que já fui. Por isto, amo em demasia, choro em demasia, me alegro em demasia, entristeço-me em demasia, vivo em demasia.

A fugacidade da vida ensina a poucas pessoas a aproveitarem a viagem - Que pena -, e muitos se perdem em sua pequenez, em seus preconceitos, seus corações gélidos – Que triste -. Não ligo para os que só sabem se mal dizer da sorte. Não ligo para os que não sabem aproveitar o nascer do dia, um céu iluminado, um céu nublado, o cheiro da manhã, o nascer de mais uma vida, contemplar a poesia do dia a dia. Amar, amar, amar.

Se vivo, e viver é bom, mesmo quando choro;
Se fico a andar ao leu e a sorrir de minhas limitações;
Se caio e levanto, sem ter pena de mim;

Faço todas estas coisas, pois sei que um dia meu véu se rasgará, e então, poderei gritar, mesmo sem ser ouvido, gritar aos quatro cantos, para que todos os seres invisíveis do infinito possam se alegrar com meus gritos de: Vida! Vida! Carne Viva! Sangue vivo que me vez um bem, danado, por meu corpo, tolo, circular.            

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Soneto (Marcos Henrique)



Um dia;

Um amor;


Um dia;


Um raiar em dor;


Duas vozes;


Duas dúzias;

Duas, duvidas. Um soneto;

Uma canção;


Tudo isso esqueço, tudo isso é desilusão.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Enterrado com os sentidos ativos (do meu livro Clamor)

Não consigo mexer meus ombros, está tudo escuro, tão escuro...

Não posso respirar ou me levantar, o que está havendo? E todos esse vermes que me devoram e vomitam em mim.

Aqui é frio e úmido. Quanto excremento repousa em mim;

- O que eu fiz meu Deus?!
- O que eu fiz para ficar assim?!

Vejo uma luz lá longe, sinto que posso ir até lá, mas temo, temo que lúcifer esteja guardando a porta, guardando meu lugar, talvez tenham demônios esquentando meu lugar e a imundice de seus corpos irão me tocar e me devorar.

Filosofia de cemitério, maldita filosofia! Já posso enxergar, vejo um rosto tão belo, um semblante triste e ao mesmo tempo belo, quero lhe tocar mais que tudo. Quero senti-lo.

Quando clamo pelo nome de Deus ele chora sangue, sinto pena e desejo em lhe consolar. É tão mitológica a face de lúcifer, a forma que nos é ensinada. Quando o vejo só me vem pena no pensamento. Expulso de casa, agora vaga livre e ao mesmo tempo prezo, eu lhe sinto, mas percebo que não sou como ele, não minto como ele, nem faço tentações, não sou um servo fiel, mas mesmo andando, mesmo que de longe de Cristo eu o sigo.

Lúcifer me perdoe, mas não posso atravessar as portas que guardas para mim, continuo aqui, prezo, continuo aqui em meu sepulcro esquecido, te desejo do fundo de minhas víceras paz de espírito.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Novo mundo



Novo mundo



Por muito tempo estive imóvel;
Por muito tempo pensei ser o que sabia que seria;
Por muito tempo, sempre enxerguei pelo furo da caixa;
Por muito tempo eu tive pilares para me apoiar.

Meu porta retrato está despedaçado junto com as fotos do que achava ser meus conhecidos. Me senti livre depois de ter visto que no retrato não tinham mais rostos conhecidos ou se tinha não os reconhecia mais.

Por muito tempo eu ri, sonhei e pude voar ver tudo lá do alto;
Por muito tempo contei as horas para ficar com alguém;
Por muito tempo tive tempo para pensar no tempo que perdia com rostos conhecidos;
Por muito tempo eu me via no espelho.

Meu baú está mofado e não quero mais limpa-lo, o fogo é a melhor solução. Meus pertences não são mais necessários, pois não piso mais no mesmo chão.

Para que ver o passado?
Para que rememorar?
O que ficou para trás, ficou bem enterrado, num local que não tenho mais como achar.

Por um tempo eu vi sorrisos;
Por um tempo eu vi rostos que para mim não pareciam desconhecidos;
Por um tempo tomei vinho barato e fumei alguns baseados;
Por um tempo fiz parte de uma tribo.

Os anos passaram e eu passei, sobrevivi a tudo e hoje não me vejo mais com clareza no espelho e o porta retrato com todos aqueles rostos, todas aquelas faces que estão no esquecido não sabia mais o que sentia por eles, não sabia mais o que significavam para mim, pois hoje, tenho outros porta retratos, outros álbuns para preencher com novos rostos, com novas estórias, com tudo novo.

Por pouco tempo eu tive uma história que hoje se tornou lenda, e não sei se sonhei ou se a vivi.

Marcos Henrique

sábado, 8 de outubro de 2011

Um pequeno conto


Tanto tempo fora de mim
(Marcos Henrique)

Passei dois dias fora de mim, vaguei por tantos lugares coloridos e cheios de vida que quando voltei ao meu corpo, não me senti mais a vontade. Para aonde fui não precisava de um corpo chato e preguiçoso para me atrasar. Não precisava comer essa comida alterada, nem beber água fresca. Fresca?

Percebi que o universo não é tão vasto, nos é que não temos mais tempo para contemplá-lo. É uma pena, pois o universo tem todas as respostas e todas as perguntas guardadas num arquivo morto, com fichas coloridas.

Do que mais senti saudades? Foi de poder me ver por inteiro, sabe nu mesmo. Senti muita falta de poder me ver nu, pois não conseguia me ver sem meu corpo, só sentia que estava lá, mas não podia me ver ou me tocar. Masturbação então era impossível, mas quem precisa se masturbar quando se tem tanta coisa para ver?

Nesses dois dias que passei fora de mim, não senti, um único dia, falta da humanidade, e o pior é que agora não me sinto mais parte da matilha, me sinto deslocado, um eremita numa casa com banheiros.

Tanto tempo fora e, ninguém sentiu falta de mim. Não os culpo, é o progresso nos roubando a vida e nos dando falsas expectativas de um futuro glorioso. Futuro?

Sempre me preocupei com meu futuro, mas depois que sai do meu corpo, não me preocupo mais com nada, porque não há mais nada para se preocupar, pois hoje, eu sei que sou eterno nesse grande universo sempre em expansão, sou a menor partícula da uma razão que não entendo, se é que existe alguma razão, mas sei que penso.

Depois de minha experiência, consigo ver todo o individualismo em que minha raça se encontra. Não, não encontrei vida inteligente lá fora, continuamos sós, entre esses mais de 6 bilhões. É, é triste mesmo, eu sei. Continuamos mais sozinhos que o universo, mais perdidos que a justiça, sem sentido algum para ter prazer com o ato de se masturbar, apenas fingindo e tomando remédios de tarja preta para conseguirmos suportar uns aos outros.

Dois dias fora de meu corpo. E tudo está bem pior do que ontem.