
Um dia;
Um amor;
Um dia;
Um raiar em dor;
Duas vozes;
Duas dúzias;
Duas, duvidas. Um soneto;
Uma canção;
Tudo isso esqueço, tudo isso é desilusão.

Só poruma noite, não quero pensar em nada, não quero pensar em Deus ou no diabo, não quero pensar na guerra, na fome, na dor, no homem, não quero pensar no dia, na noite, nas horas, no nada ou em tudo.
Pela primeira vez pude sentir o terno;
Pela primeira vez pude distinguir entre o bem e o mal, entre te ter e perder tudo que havia sonhado;
Pela primeira vez tive medo de meus sentimentos confusos de meu palpitar de coração, desse mundo que me fizeste ver;
Pela primeira vez senti-me na flor da idade, não como um rebelde cansado.
Posso girar o mundo ao contrario e dizer que é você, sem medo...
Pela primeira vez a sorte e o acaso se juntaram e conspiraram contra mim, contra todos os sonhos e pedidos imaginados;
Pela primeira vez senti em meu peito que mora ao lado (tão perto, tão distante, tão impensado); medo de perder o que não havia conquistado;
Pela primeira vez posso dizer te amo, sem parecer, sem parecer mínimo, sem parecer sábio. O cordão umbilical já foi cortado, mesmo com todo sangue misturado não sinto vergonha do mistério ou do acaso, não sinto vergonha de meus sentimentos abstratos.
Pela primeira vez te vi e vi minha imagem refletida em teus lábios, pude ver que somos um só corpo, vivendo nesse mundo, separados.
Pela primeira vez desejei o indesejável.







A vida me mutila e os sonhos me entristecem por não se realizarem, às vezes não quero mais sonhar, mas é só o que me resta.
Os sonhos são difíceis de serem concretizados, a vida é difícil de ser suportada, o que nos resta? Quais são as brechas? Digam-me! Quais são as brechas?!
Meu corpo nunca repousou por inteiro, meu fardo é pequeno, mas de peso descomunal, sou um proscrito – o filho há muito tempo esquecido. Minhas lágrimas caem e enchem o chão com poças de sangue sem vida, vejo como são felizes as pessoas realizadas e penso: como gostaria de sentir esse sabor.
Não lembro como foi meu ontem, não me sinto bem no meu hoje, e agora? Estou dentro e me sinto por fora, com frio, vejo vários cobertores, nenhum me serve, deixa meus pés a mostra; está frio por dentro, estou dentro do vazio e logo percebo que sou eu, seu eu! Sou eu me Deus! Tenho tanto medo do que sou agora e o que serei quando chegar minha hora.
Dê-me paz, eu ti suplico meu pai!