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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Bom dia! Em primeira mão, a primeira primeira poesia de uma séria que comecei a escrever. Nessa primeira fase vou falar do tempo. Mas outros estão por vir, aguardem e confiem.



Tempo para se descobrir
(Marcos Henrique Martins)


Não nasci velho, foi o tempo que me moldou.
Não nasci taciturno, foram às castrações naturais da vida que me moldaram.
Não vivia nas sombras dos pensamentos das pessoas, foi à poesia que me fez penetrar no âmago dos seres racionais que dessecam tão bem sapos.

Não. Nem sempre fui um tolo. Sim, já fui um sonhador, um homem que aceitava tudo. Do natural ao sobrenatural e não questionava nada, mas agora já com meus cabelos agrisalhando-se e caindo em estradas da perdição, passei a ser um contestador de voz baixa que não é ouvida por ninguém. Nem por sua sombra.

Não nasci para sofrer, nasci por um plano que nunca me alcança, nem quando paro para respirar, ou assoar o nariz. 

Não. Não nasci para a vida burocrática, para ter que apertar mãos a cada dois minutos e sorrir como se estivesse tudo bem. Minha angústia não permite isso.

Não nasci com todos os fios de cabelos, é bem verdade. E os que conquistei comecei a perde-los ao longo dessa estrada cheia de postos de pedágios que cobram pedaços de nossa alma sem dor nem piedade.

Não. Não desaprendi a sorrir, apenas não quero o fazê-lo, pois sorrir, sorrir faz com que eu tenha câimbras em minha face, faz com que eu tenha pesadelos nas noites quentes do Recife.

Não. Eu não nasci sabendo andar. Na verdade nem engatinhar aprendi, então tive que começar a rastejar muito cedo, muito novo, muito puro e ter medo.

Não. Eu não nasci, fui obrigado a nascer, fui obrigado a viver, me foi imposta a grandeza e a derrota; a vaidade e a humildade; os sorrisos e a dor; o perdão, a ilusão e o ódio.

Não, não nasci velho, foi o tempo que me moldou assim, a imagem e semelhança de alguém que nunca toquei com minhas mãos pequenas.


*Dedico essa poesia ao velho safando Charles Bukowski, poeta e escritor da geração da contracultura.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Primeira vez

Primeira vez
(Marcos Henrique)


Pela primeira vez pude sentir o terno;

Pela
primeira vez pude distinguir entre o bem e o mal, entre te ter e perder tudo que havia sonhado;

Pela
primeira vez tive medo de meus sentimentos confusos de meu palpitar de coração, desse mundo que me fizeste ver;

Pela
primeira vez senti-me na flor da idade, não como um rebelde cansado.

Posso girar o mundo ao contrario e dizer que é você, sem medo...

Pela
primeira vez a sorte e o acaso se juntaram e conspiraram contra mim, contra todos os sonhos e pedidos imaginados;

Pela
primeira vez senti em meu peito que mora ao lado (tão perto, tão distante, tão impensado); medo de perder o que não havia conquistado;

Pela
primeira vez posso dizer te amo, sem parecer, sem parecer mínimo, sem parecer sábio. O cordão umbilical já foi cortado, mesmo com todo sangue misturado não sinto vergonha do mistério ou do acaso, não sinto vergonha de meus sentimentos abstratos.

Pela
primeira vez te vi e vi minha imagem refletida em teus lábios, pude ver que somos um só corpo, vivendo nesse mundo, separados.

Pela
primeira vez desejei o indesejável.


quinta-feira, 14 de julho de 2011

Eu prisão



Eu prisão
(Marcos Henrique)


Eu, prisão de meu corpo, metáfora do viver;
Eu, prisão de meus anseios, poesia doentia, prisão e meu sofrer;
Eu, prisão de meus medos, medo da dor, rosto desfigurado, som da morte, medo de correr;
Eu, prisão do amanhã, certeza de um oje sem “H”, sem falsas esperanças mornas.

Ouço o canto dos surdos, uma linda melodia que invade o juízo de meu velho cérebro e minha tola vida.

Eu, prisão de meu tédio, crepúsculo, pus, esgoto, flores, vida, morte, canção de ninar para velhos e jovens que ficaram escondidos no esquecido de nosso não lembrar;
Eu, prisão de teu ventre, úmido, sujo, pequeno, lotado, falho;
Eu, prisão de mim mesmo, refúgio de loucos atormentados que não sabem mais sonhar;
Eu, prisão de todas as verdades que lutam, mas não conseguem respirar

sábado, 31 de julho de 2010

24 horas para o inferno



24 horas para o inferno
(Marcos Henrique)



Meu purgatório particular, aberto 24 horas por dias, todos os dias da semana. Não me amola, não me atormente, invés disso, me ajuda a achar a Luz, deixa eu ir embora, não me prenda mais nesse cárcere metal, pois prisão de intelectual me amargura.

Não tem cura minha agonia, tenho que conviver com ela. Sinto como se uma faca saísse de minha cabeça, daí vem à dor, o horror de saber que a faca vai entrar de novo em meu cérebro tempestuoso, em meu juízo já fraco.