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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Mais um trecho de meu livro Lugar Nenhum - Paraíso Distópico



O ar daquela casa me sufocava, não conseguia respirar, não conseguia raciocinar lá dentro, todo o ambiente me oprimia, me encarcerava.

– Lázaro! – grita Ainá tentando me fazer parar.

Não conseguia ouvi-la bem, mas pelo tom de sua voz sabia que ela queria que eu a esperasse, no entanto só me vinha à vontade de sair daquela casa, de sair de perto daquele homem bêbado que me fizera toda aquela confissão. À medida que tentava alcançar a porta ia ficando sem forças, mais e mais sufocado, já não conseguia enxergar bem, à vista estava turva e tudo começara a girar, lembro que cheguei a tocar com um dos dedos na maçaneta da porta, depois, escuridão.

Não sei quanto tempo fiquei desacordado, mas foi tempo suficiente para que o senhor Gildo ficasse mais sóbrio, ele me olhou de forma dócil, ergueu uma caneca com café quente e depois mudou o semblante, ficando austero.

– Você está bem garoto? – perguntou-me, acenei com a cabeça dando a entender que sim.

Ainá se aproximou de mim e me abraçou. Estávamos no quarto do Senhor Gildo, era um quarto simples, tinha uma cama de casal, que eu estava deitando, um criado mudo, um guarda-roupa sem portas, que deixava as poucas roupas que tinha a mostra, e muitas lãs de aço espalhadas pelo chão.  

– Onde estão os outros? – perguntei a Ainiá ainda convalescente.

– Espalhando mais lãs de aço e chapas de metais por toda a casa – respondeu o senhor Gildo se antecipando.

Podia sentir em sua voz que o esforço de Gabriel e dos outros era em vão, só não entendia o porquê dele deixa-los desprender toda aquela energia.

– Precisamos conversar filho – falou o homem pondo a caneta em cima do criado mudo.

– Sou todo ouvidos.

– Não na frente dela.

– O senhor me fala tudo agora, eu conto tudo a ela logo em seguida, então não percamos tempo.

– Tudo bem, mas acho que após ela me ouvir, não terá uma noite de sono tranquilo. – falou num tom ameaçador e ao mesmo tempo preocupado – Isso tudo é bem maior do que você pensa – continuou, – quando eles começam esse processo, só param quando tem aquilo o que querem.

– Com o senhor foi assim? – pergunto. 

A pergunta abala o velho homem que segura à mão esquerda, que começa a dar espasmos involuntários.

(...)

sábado, 18 de setembro de 2010

III ato




III ato.


Nessa noite louca e confusa vejo estrelas pairarem sobre minha sombra desolada, essas loucas estrelas que clareiam a densa madrugada.
Oh! Por de sol que sucumbi meu fardo, me queima com voracidade, me lança nessa densa camada de magma, fúria incontrolável de meu eu, loucos nus, estrelas sem luz, anjos castros, sede, fome insaciável...

Louco! Pobre de te;

Tolo! pobre de mim, que me encho com o enjôo matinal, minha clara evidência de que em mim às vezes abita seres inimagináveis.

Poema tirado de meu livro "Inspiração de Terceiros".

sábado, 3 de julho de 2010

A insana verdade de Marcos Henrique


A insana verdade de Marcos Henrique
(Marcos Henrique)


Sou um anjo pornográfico, que tem medo de voar;
Sou um homem pornográfico, que tem medo de amar;
Sou de tudo o mais, menos, de todo o mau, o melhor veneno, arte fraca, falsa que é meu poetar.

A insanidade me rodeia, olha; me namora, se esconde e se mostra sinuosamente para mim. Estou sego. Cego e fechado em meus pensamentos. Estou caótico e ultrapassado, estou excitado com a vida torta que escolhi.

Sou um anjo pornográfico, deleite de meus pensamentos pobres;
Não. Eu sou o acaso, que mete medo nos que tem medo de serem controlados.

A ânsia por viver me mata cada dia menos, o vivo só cada dia mais, só entre rostos conhecido que não sei pronunciar seus segundos nomes, que pensam ser um ser, sem saber o que é o ser.

Me perco em pensamentos, perco e não me acho, acho que não me perco, enrolo com palavras doces que a cada dia me deixam mais seco, mais áspero, opaco, oco, meio vivo, meio morto, idolatra do poetar verdadeiro que em mim nunca há de se manifestar.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Poema 21



Poema 21
(Marcos Henrique)


Acordado. Estou;
Dormindo. Estou;
Vivo. Eu vou;
Morto. Há dor.

Alegria. Perdi logo cedo;
Inocência. Pedir logo ao descobri que um dia iria dormir num longo sono, sem ar, sem água, sem nada. Sem nada de novo, só velhos amigos, são anjos dormindo no jardim do éden. Mas éden acabou não restou nem sementes, Cristo chorou. Não teve consolo, nem mesmo seu pai o consolou. Ele soluçou, suas lágrimas viraram polças D’água, que o homem pisou e transformou em lama.

E Cristo falou: Vinde a mim as criancinhas – não houve resposta – Estão todas mortas, seus pais as mataram por ciúmes de Cristo.

Somos maus, somos imprevisíveis, somos a raça desumana, sejam bem vindos ao nosso terror.

sábado, 22 de maio de 2010

18-07-99 h.:13:30



18-07-99 h.:13:30
(Marcos Henrique)


Faça parte de mim;
Me sinta, não finja que é ruim;
Perceba dentro de mim quem é você.

Quem são os estranhos que pedem por nós. Quem somos quando estamos sós.

Verdade não mente. Mentira não fuja;
Verdade não bata. Justiça não Julga? Ou só o que lhe convém.

Faça parte de mim, mas não me adoeça, se cure, não jure que se curou, não finja que é ruim. Não te forço a estar comigo, a falar comigo, andar comigo, a viver como eu vivo, porém te peço para tentar fazer parte de mim, que é você mesmo.

Se não entendes, não tem condeno, mas se confias em mim, faça parte de você; eu.