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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Dor!



VI

Chove em mim lágrimas e dor. Uma forte dor corta meu peito. Não tenho lar, nem tenho para quem pedir desculpas.

Minha doce vida esta amarga, como tudo começou não lembro, nem sei como voltar - ando em círculos.
Não queria mais chorar, só voltar ao início de minha vida, só ao início, antes de tudo, de minha ruína. Estou na lama, não posso me levantar, Deus me ama eu sei, mas sofro tanto e não tenho lar. Todos meus amigos andam em círculos viciosos - não os vejo, não os toco.
Você me daria uma chance?
Quero contar minha estória, mas de dentro de um lar, não das ruas das amarguras, com meus lábios rachados, minhas mãos frias, meu peito dolorido, meu olhar sofrido.
Meus sentimentos estão confusos, meu filho esta morto e continua em meu útero apodrecendo, apodrecido, e tão só. Não posso tocá-lo, não posso ajudá-lo, não posso nada em mim.

Marcos Martins.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A saga de Demétrius



Então disse Ponssius enfurecido olhando para o criado que caíra desfalecido

- Quem foi que tentou me envenenar?!

Se não fosse meu criado teria sucumbido até a morte, enterre-o com honras militares.

Ponssius era um rei bom para seu povo, famoso por sua coragem, temido por seus inimigos por sua crueldade e invejado por seu irmão Dionélio, que sonhava em deitar-se com sua esposa, filha e vê-lo morto.

- Os deuses me abençoaram mais uma vez – disse Ponssius erguendo seu cálice cheio de cidra.

Brindemos a vida e não choremos a morte de calíto, pois ele há de estar num paraíso, sem o fantasma da morte e o da velhice para lhe rodear; quanto ao meu algoz, falem a toda cidade que fuja antes que descubra quem o é, pois se puser as mãos sobre ele ira preferir estar morto...

continua...

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Poema 21



Poema 21
(Marcos Henrique)


Acordado. Estou;
Dormindo. Estou;
Vivo. Eu vou;
Morto. Há dor.

Alegria. Perdi logo cedo;
Inocência. Pedir logo ao descobri que um dia iria dormir num longo sono, sem ar, sem água, sem nada. Sem nada de novo, só velhos amigos, são anjos dormindo no jardim do éden. Mas éden acabou não restou nem sementes, Cristo chorou. Não teve consolo, nem mesmo seu pai o consolou. Ele soluçou, suas lágrimas viraram polças D’água, que o homem pisou e transformou em lama.

E Cristo falou: Vinde a mim as criancinhas – não houve resposta – Estão todas mortas, seus pais as mataram por ciúmes de Cristo.

Somos maus, somos imprevisíveis, somos a raça desumana, sejam bem vindos ao nosso terror.

sexta-feira, 19 de março de 2010

2012 - Depois do Fim do Mundo (rabiscos ainda)

Marcos Henrique


- Chegamos e o mundo ainda está lá – fala Gael brincado enquanto estaciona.

- Lá não, bem aqui – responde Deyse.

O Casal desce do carro, Gael pega Vinicius nos braços que dorme tranqüilamente; eles entram em casa, Gael põe Vinicius na cama, troca à roupa do filho, o cobre, beija sua face e sai delicadamente para na acordar o garoto, se bem que o mundo poderia acabar ali agora que o rapazinho não acordaria – o sono dos inocentes – pensa Gael.

Deyse está no quarto se preparando para o marido, coloca uma camisola transparente que deixa a mostra seu belo corpo, liga o som de seu quarto, bem baixinho, pois a música será apenas para os dois o mundo pode estar calmo, mas não precisa saber o que acontece no quarto do casal, Gael escuta a música enquanto vai em direção do quarto com uma garrafa de vinho, eles não precisaram de copos nesse restante de noite.


01 de janeiro de 2012
10:29 am.


- Bom dia amor – diz Gael beijando a face de sua esposa.

- Que horas já são querido? - pergunta Deyse, se espreguiçando na cama.

- Não se preocupe com as horas, hoje é domingo lembra? E o mundo não acabou, fica deitada mais um pouco, vou ver nosso campeão no quarto dele e preparar um café da manhã gostoso pra gente – responde Gael acariciando os cabelos de Deyse.

Gael levanta-se e vai até o quarto de seu filho Vinicius que dormi tranqüilamente.

Gael sai do quarto e vai para cozinha preparar o café da manhã dele e de sua esposa, liga o rádio relógio que fica em cima do armário da cozinha e logo o que se ouve é sobre um ataque.

- O prédio da ONU foi atacado, até agora nenhum grupo extremista se declarou autor do atentado...

- É pelo o que eu vejo o mundo voltou ao normal e hoje ainda é primeiro de janeiro quando tudo isso vai acabar? – pensa Gael enquanto frita uns ovos.

(continua)


sábado, 5 de dezembro de 2009

2012 Depos do Fim do Mundo (ainda escrevendo)



29 de novembro 2077

01:15 am.



Gael acorda assustado dentro de uma cápsula cheia de um líquido gosmento e amarelado, ele está completamente nu e cheio de fios colados em seu corpo, seu corpo arde feito fogo, ele vê tudo embaçado de dentro da cápsula, mas percebe que pessoas o observam do lado de fora, vultos não param de passar, como se pessoas trabalhassem ali, muita movimentação em ritmo frenético, ele não consegue identificar quem são ou o que são.

O líquido começa a secar, Gael não tem forças nas pernas e cai, ficando sentado dentro da cápsula, uma ducha de vapor se inicia dentro da cápsula, isso alivia a queimação do seu corpo, um líquido vermelho começa a encher a cápsula como se fosse água, mas mais densa, poderia ser tudo menos água, pois transmitia um odor insuportável. A cápsula está completamente cheia, Gael sente que vai se afogar só que para sua surpresa ele começa a respirar dentro da cápsula cheia daquele líquido avermelhado e mal cheiroso, Gael flutua e seu corpo começa a receber pequenas descargas elétricas ele desmaia enquanto seu corpo da espasmos, a sessão dura horas e horas, Gael não sabe, mas ele não é o único naquela estranha sala, várias outras cápsulas também estão lá contento pessoas tão amedrontadas e sem saber o que estava acontecendo da mesma forma que ele.

As luzes se ascendem Gael está em pé, vestido com um macacão cinza e um corte de cabelo militar, suas mãos estão prezas por uma espécie de algemas que cobre todas suas mãos como luvas de boxe, seus pés descasos recebem uma pequena descarga elétrica que faz com que ele torne a se.

Uma espécie de fila indiana é percebida por Gael que olha de um lado para o outro e nota que ele não é o único ser humano ali, mais de cinqüenta homens se encontram naquela situação sem saber o que está acontecendo ou o que vai acontecer a eles.

De repente uma voz poderosa é ouvida do nada, como se fosse a voz de um deus que decide a vida dos homens.

- Consegui me ouvir SPx80? – pergunta a voz.

O homem olha para os lados e para cima, ele não sabe porque está sendo chamado daquele jeito, mas também não conhece outro nome que não seja aquele para ser chamado, o homem apesar do medo acena com a cabeça que sim, pode ouvir a voz ríspida que o chama.

- Você está na terra no ano de 2077 agora é noite, seu plante foi invadido a sessenta e cindo anos por uma raça alienígena a matriz de seu corpo foi destruída você é um clone que está vivo para um propósito “Retomar seu planeta”, a pergunta que vou fazer é muito simples mamífero... – continua a voz enquanto o homem demonstra mais medo que entendimento – você deseja lutar por seu plante? Sim ou não?

O homem não sabe o que dizer, seu corpo todo treme, ele urina-se e começa a chorar é muita pressão na sua cabeça, então uma contagem repressiva é iniciada, um alarme ensurdecedor soa luzes azuis são ascendidas, todo aquele barulho deixa os homens assustados que nada podem fazer, até receberem o comando para falar suas bocas não podem dizer uma só palavra é como se seus corpos não os pertencessem mais.

- Cinco, quatro... – segue a contagem – responda mamífero! - fala a voz num som tão potente quando as sirenas que ecoam.

- Eu... eu tenho medo, o que é tudo isso?! Onde eu estou?! – grita o homem com medo em seus olhos.

- Dois, um, zero, Seu tempo acabou - fala a voz - Então um silêncio amedrontador corta todo o lugar, os homens tentam se mexer, tudo em vão, nada pode ser feito.

Uma luz se forma logo em frente ao homem, surge uma porta e alguém ou alguma coisa vem na direção do homem com uma arma na mão, seus cabelos são brancos da cor de neves, mas seu corpo de nada é envelhecido ele está trajando um uniforme azul-escuro com um colete preto, os outros não conseguem ver sua face apenas a arma que ele carrega na mão esquerda.

Continua...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Meu amigo 38

Foto do Filme Kick Ass, data do lançamento do filme 16 de abri no Brasil


Meu amigo 38




Revolver!
Revolver!
Me da o teu disparo;
Me rasga, me estupra com meus ossos quebrados;
Me mancha com sangue que não é o orgasmo da virgem, que sonha gatilhos no transporte.

Quem pode viver em jaulas resfriadas, não troca, não dá, nem quer a liberdade.

Pra que viver com medo do gatilho, se eu posso viver em carros tão blindados.

Revolver!
Revolver!
Me tira a própria vida, protege pra mim a vida dos que vivem, na mira, na mira, na mira do revolver.


Marcos Henrique

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Você sabe quem é Lula Côrtes?

Lula Côtes e eu só de tietagem


Trechos da entrevista feita com Lula Côrtes por Cristiano Jerônimo
Especial para INTERPOÉTICA com colaboração de Meri Rezende estudante de jornalismo.

Fonte Site: http://www.interpoetica.com/entrevista_lula.htm

Minha homenagem ao cara mais Rock and roll de Pernambuco, e o melhor, assite em Candeias – Jaboatão dos Guararapes – PE.

Faço a corte para Lula Côrtes!



Vida longa para você nessa dimensão meu chapa!

Marcos Henrique.

Lula Côrtes
“Eu pinto as cenas que eu imagino.
E pinto com palavras”

por Cristiano Jerônimo Especial para INTERPOÉTICA Colaborou Meri Rezende

Sem alardes, Luiz Augusto Martins Côrtes, 60 anos, o pernambucano Lula Côrtes, canaliza toda a sua hiperatividade (e haja Ritalina) para produzir, diariamente, pinturas de óleo sobre telas, gravuras de lápis dermatográfico sobre papéis canson e vergê, contos, poemas e músicas. Ainda sobra tempo para dar aulas de pintura gratuita, como faz há mais de oito anos. Seu enraizamento com o litoral do município de Jaboatão dos Guararapes – onde há 16 anos reside de forma itinerante no triângulo Piedade/Candeias/Barra de Jangada – e a sua referência artística no município (Lula já recebeu várias homenagens, entre elas o título de Cidadão Jaboatonense) fez com o prefeito eleito Elias Gomes o nomeasse para o cargo de Gerente de Cultura da Prefeitura, onde trabalha ao lado de Ivan Lima Filho. Mas, engana-se quem pensa que Lula Côrtes se resume a Jaboatão, Recife, Pernambuco. Há pouco tempo, ele foi capa e figurou nas páginas centrais da maior revista mundial do show business: a Rolling Stone (ver fotos). Ao lançar o luxuoso e arrojado livro-conto O Lobo e a Lagoa, em João Pessoa (PB), foi capa de todos os jornais e matéria de página inteira dos cadernos de cultura (ver fotos). Em reconhecimento ao seu trabalho literário, no final do ano passado, ainda sob a presidência do poeta Vital Correia de Araújo, a União Brasileira dos Escritores de Pernambuco (UBE/PE) deu-lhe a carteira de sócio efetivo, retroagindo a ano de admissão a 1972, quando o multiartista lançou o Livro das Transformações. Na ocasião, foi homenageado. Em 2008, ficou no topo das paradas de sucesso de World Music nos Estados Unidos, com o relançamento mundial (por gravadoras da Inglaterra e dos EUA) dos discos Paêbiru, Satwa e No Sub Reino dos Metazoários (com homenagem a Marconii Notaro). Atualmente, divide-se e desdobra-se nas muitas tarefas que escolheu e em outras que o mundo lhe deu como incumbência. Canta com os Bluestamontes Blues Band e a Má Companhia (sua fiel escudeira há 18 anos) e está gravando o CD triplo Tarja Preta, o qual define como “um tratado sociológico sobre a juventude atual, divido em três comprimidos (discos) à base da substância ativa lula córtex”, brinca. Confira, na íntegra, a longa e polêmica, só pra variar, entrevista concedida por Lula Côrtes ao jornalista e escritor Cristiano Jerônimo, em seu apartamento, na beira mar da Barra de Jangada, quase dentro do mar. Não poderia faltar neste bate-bola, os clássicos episódios psicodélicos e surrealistas da vida do cantor, artista plástico e escritor. E mais, revelações surpreendentes da época do regime militar e a mais completa recapitulação biográfica da sua ampla carreira artística.

Cristiano Jerônimo: Como foi o lançamento do seu livro o Lobo e a lagoa em João Pessoa, na Paraíba?

Lula Côrtes: O lançamento foi maravilhoso, numa fundação maravilhosa, na praia do Cabo Branco. O auditório tinha 250 lugares e os 250 estavam ocupados. Até os corredores estavam cheios.

Aonde foi, Lula Côrtes, o lançamento?

Na Fundação Casa de José Américo, na Paraíba, dia 12 de novembro.

Você foi capa de todos os jornais da Paraíba. Na sua opinião, será que aqui em Pernambuco, este mesmo lançamento, renderia uma capa de cultura?

Não, não renderia nada não. Ninguém dá nada não.

Nem pela importância cultural que você tem, de ser pernambucano e de ter várias vertentes artísticas?

Eu acho que isso não interessa muito a Pernambuco não. Eu acho que o “Movimento Cultural” de Pernambuco está voltado pra um monte de caras que vivem trabalhando com as secretarias de cultura, com as leis de incentivo à cultura, que dizem que incentivam a cultura (Nesta entrevista, Lula ainda não tinha começado a trabalhar com Elias Gomes e atualmente, com o prefeito eleito, acredita que é possível oxigenar a cultura de Jaboatão dos Guararapes). Então eles (produtores) vivem mais pra incutir falsas idéias na cabeça dessas pobres pessoas que estão começando aqui. Entendeu? De que eles não são nada. De que eles que estão ligados à prefeitura é que podem. De coisas desse tipo: que são tudo e que vão dar todos os canais pra ele, desde que eles dêem a alma, o trabalho e o dinheiro pra eles. Entendeu? Então Recife anda pra trás por isso. Você chega em qualquer lugar e as coisas tem outra conotação. Entendeu? Isso eu já falei em tantas vezes, em tantas entrevistas que eu acho que é por isso, talvez, que eu não toque nos lugares e que eu nem precise mais disso. Porque é uma coisa tão clara, tão notória, que eu não sei como é que essas pessoas não caem. É um tipo de crime isso. É um crime contra a inocência dos artistas daqui. É um crime contra a idoneidade moral.

Você se refere a quê? Claro que não precisa citar nomes...

Me refiro à obrigatoriedade de qualquer coisa que se faça aqui ter que se fazer através de esmolas da prefeitura, de esmola de leis de incentivo à cultura que pertencem a uma panela que nós todos sabemos dos nomes.

Então, o que precisava mudar aqui, com base nesta sua opinião?

Eu acho que precisava de uma limpeza, precisava de Ajax, um furacão branco, se é que existe. São pessoas viciadas que mudam de governo pra governo, sem ideologia, sem coisa nenhuma. Mas que estão ali agregadas à prefeitura, usurpando os direitos das pessoas de fazerem arte, são sub-seres. Entendeu? São os produtores que não produzem nada, os arquitetos que não arquitetam nada, os escritores que não escrevem. Todos eles estão na prefeitura do Recife. Essa merda vai ficar assim o tempo todo.

Tem um tom de desabafo também nisso aí?

O desabafo é eterno. Tem cinco anos que eu falo isso. Aliás, desde o começo dessas leis. Você veja: em todos os meus trabalhos, eu nunca procurei um apoio de uma lei dessas de incentivo, porque você vai lá e é a mesma coisa de você estar conversando com um poder de traficante. O cara vai te dar oficialmente, você manda seu projeto elaboradíssimo para lá. Se for um projeto pouco rentável, ele diz que não: “Esse projeto é muito pobre, você precisa fazer um projeto mais aprimorado pra gente dar uma carga nele”. Eles chamam de “projeto do caralho” o que vende mais. Eles querem que seja uma média aprovável. Eles fazem isso, eu não.

Fazem o quê?

Por exemplo, meu livro custa 20 mil reais. O cara diz: - eu te libero vinte mil, mas se você me der cinco. Entendeu? O cara vai se virar num livro que custa vinte mil com apenas quinze mil. Pensando que está lucrando alguma coisa, vai ficar endividado. Não vai fazer no nível que ele quer, a coisa que ele queria. E esse alguém vai colocar cinco mil no bolso sem fazer absolutamente nada. Esses são os representantes da nossa cultura. Isso é um negócio.

Você convive com essas dificuldades há muito tempo?

Eu não convivo porque eu não me envolvo com eles. Eu vejo isso acontecer. Eu não entro porque meus trabalhos como você vê, são autofinanciados. A alternativa sou eu mesmo. Eu vendo meus quadros, pego meu dinheiro e invisto no que eu quero pra fazer a coisa no nível que eu acho que o povo de Pernambuco merece.

É por isso que tu não para de pensar e produzir de forma inquieta?

E de fazer, lógico. A Casa da Praia... (um livro de ficção inédito). O povo de Recife merece um trabalho daqueles. Um monte de universitários maravilhosos interessados em artes plásticas, gente informadíssima. Eles merecem ter um livro nas mãos que seja digno que eles possam levar para a França. É uma coisa internacional que foi feito na terra deles. Então eles vão ter orgulho de mostrar aquilo. Mas se eu dependesse da “cultura”, do “negócio da cultura” daqui eu jamais faria um livro no nível que eu faço. Você está entendendo? Eu preciso de pessoas como Patrícia Lima, como pessoas da Bagaço (editora), que entram na coisa, arte pela arte, que vão ganhar o que nós ganhamos. Nós estamos ganhando. Aos trancos e barrancos, nós estamos ganhando. Mas nós estamos ganhando uma coisa de uma qualidade que Recife nunca viu.

Mas vamos voltar a falar do livro O Lobo e a Lagoa...

Eu estou falando exclusivamente sobre o Lobo e a Lagoa. Amanhã às dez horas da manhã, eu tenho uma reunião com o pessoal da Editora Coqueiro aqui em casa. Estarei editando A casa da Praia. Um livro não tão elaborado como O Lobo e a Lagoa, mas de um conteúdo fino. Um livro com um tratamento gráfico interessante, com um corpo interessante de você pegar, porque eu busco realizar muito mais do que esse povo das leis de cultura se propõem a fazer. Sou a favor da lei, mas quando ela serve para estimular a cultura, mas não enquanto estiverem esses negociantes da arte ali dentro. Você tem que se ligar, você sabe quem são. Entendeu? Eu conheço os miseráveis que vivem disso, que vivem da boquinha ali dentro. Estão fudidos, não são ninguém. Não tem nada pra dar. Só tem pra sugar de nós artistas.

E essa questão da panelinha?

A panela é eterna porque eles são impessoais, apartidários. Mudou o governo, mas eles estão lá. Eles vão lamber o ovo do próximo. Não importa a bandeira que o outro segure na mão. Importa o quanto ele tem no bolso pra dar a ele.

Com relação ao artista, existiria preconceito com determinadas pessoas?

Existe porque tem os coniventes com isso. Tem os que vivem já destes esquemas. Estão dentro dos esquemas mais caros, dos cachês mais altos. Pessoas que dão mais alto pra essa máfia. Você está entendendo? É uma máfia. Não tem outro nome. É uma máfia. É o crime organizado da cultura pernambucana. É isso que acontece dentro da cultura.

Lei de incentivo do Recife ou Funcultura do Estado de Pernambuco?

Do estado de Pernambuco. Não estou falando da Lei Rouanet. Entendeu? Não estou falando de uma coisa federal. Entendeu? Estou falando que aqui dentro existe uma manipulação, antiga e está na cara de todo mundo. Todo mundo sabe quem é quem ali. Entendeu? Então, eles não querem uma pessoa como eu. Não querem uma pessoa que diga que você não vai ficar com meu dinheiro, esse é o meu projeto e tal. Eles não vão poder insistir comigo e se sujar comigo, para ganhar dos pobres que vierem depois de mim. E por isso que eu não procuro essas pessoas. E não tenho nada a ver com essa cultura pernambucana. Eu simplesmente sou pernambucano, eu amo minha terra.

Nada disso impediu que saísse o seu audiobook O Lobo e a Lagoa, de excelente qualidade, diga-se de passagem...

Nunca me impediu desde 72, 71. Desde 1969, quando eu fiz o Ávido Vício. A primeira impressão em 69. Mas não existia esse meio de vida. De uma década pra cá, isso virou um meio de vida. Compram carro novo com isso todo ano.

A estética de O Lobo e a Lagoa, no ponto de vista do texto, tem alguma influência da escola surrealista?

Eu não sei escrever. Começa aí a história. Então eu comecei a pintar. Quando eu comecei a escrever poemas e pintar diariamente, eu lia muitas fábulas antigas, o universo infantil. Na época da minha infância não existia televisão, então o grande portal pra imaginação vinha da leitura. Como deveria ser até hoje. Então eu pinto as cenas que eu imagino. Eu pinto com palavras.

No caso de O Lobo e a Lagoa, você escreve as cenas que você vê, mas você pintaria?

É justamente isso. Por isso que eu ilustro também. Porque eu procuro pintar o que eu estou escrevendo e escrever o que eu pinto. Eu toco o que eu pinto, eu pinto o que eu escrevo e escrevo o que eu toco.

Por que não lançou O Lobo e a Lagoa aqui em Pernambuco?

A princípio eu pensei lançar na Livraria Cultura. Mas aí o pessoal da Cultura queria 45% do meu trabalho. O cara queria ser meu sócio sem me dar absolutamente nada. Nem um gole de vinho.

Então isso impediu o lançamento na Cultura?

Eu não estou aqui pra dar de mamar a menino grande. Eu não tenho filho barbado, que bebe todo dia em restaurante chique, para ganhar 50% do meu trabalho.

O que Lula Côrtes está fazendo neste momento, além de dar entrevista, claro?

Um novo livro chamado Retorno ao Jardim do Éden, além destas telas que você está vendo. Também ensaio várias vezes por semana e sempre estou me apresentando na noite.

E você vive da arte que você produz?

É claro. Eu sou Lula Côrtes. Eu pinto, toco e canto. Eu escrevo meus livros. Isso tem um custo. Um custo que eu tenho que pegar do que eu ganho para colocar e produzir mais. Se não, já teria parado há muito tempo. São trinta anos de trabalho, são vinte livros e eu não sei quantos discos, entendeu? Incontáveis. Mas isso não é conhecido dentro de Pernambuco. Você sabe que todo meu trabalho foi lançado na América (EUA) pela Time Lags Records e no Reino Unido pelo selo Mr. Bongo. Um reconhecimento internacional absurdo. Nos Estados Unidos ficou na parada em décimo terceiro lugar. Você está entendendo? Então aqui é incapaz de tudo. O pessoal dar uma nota nos jornais... Não pode dar uma nota nos jornais. Quando os ditos críticos, os historiadores da arte vêm falar sobre meu trabalho, eles não se dão ao trabalho de vir na minha casa e, depois, falam absurdos sobre mim. Infundados, sem nenhuma noção de nada do que estão falando. Em livros, em textos, em revistas importantes tidas como idôneas, de artes aqui. São pessoas incompetentes que vem falar sobre as coisas sem saber. Não se dispõem a pegar um ônibus e vir aqui. Eu terei que pegar um ônibus e ir lá? Eles têm carro lá do jornal. Porque não vem aqui? Dão informação inverídica, escrevendo merda, dizendo que sou historiador de arte. Não sou historiador de porra nenhuma.

A entrevista complete está no site: http://www.interpoetica.com/entrevista_lula.htm

domingo, 29 de março de 2009

Despertar



A vida me mutila e os sonhos me entristecem por não se realizarem, às vezes não quero mais sonhar, mas é só o que me resta.


Os sonhos são difíceis de serem concretizados, a vida é difícil de ser suportada, o que nos resta? Quais são as brechas? Digam-me! Quais são as brechas?!


Meu corpo nunca repousou por inteiro, meu fardo é pequeno, mas de peso descomunal, sou um proscrito – o filho há muito tempo esquecido. Minhas lágrimas caem e enchem o chão com poças de sangue sem vida, vejo como são felizes as pessoas realizadas e penso: como gostaria de sentir esse sabor.


Não lembro como foi meu ontem, não me sinto bem no meu hoje, e agora? Estou dentro e me sinto por fora, com frio, vejo vários cobertores, nenhum me serve, deixa meus pés a mostra; está frio por dentro, estou dentro do vazio e logo percebo que sou eu, seu eu! Sou eu me Deus! Tenho tanto medo do que sou agora e o que serei quando chegar minha hora.


Dê-me paz, eu ti suplico meu pai!

segunda-feira, 9 de março de 2009


Sentado aqui do teu lado posso sentir tua dor, teus olhos estão fechados, entretanto posso ver como são belos e quando olham para mim sinto-me em casa, não me deixes meu amor, não faça sentir-se só, estou aqui e você não toca minha mão... A escuridão é densa e não podemos nos tocar, não importa, sinto teu espírito a buscar meu afago. Como lembranças de um sonho bom, você já me confortou tanto e agora não sei o que fazer a não ser, pedir para que você não se vá, esse é o pedido de meu egoísmo, você não pode me ver, talvez só me sinta, então; não se vá, nossas vidas estão eternamente cruzadas, nem a escuridão, por mais forte que seja poderá nos afastar por muito tempo, onde você estiver serei sempre tua, sempre tua... Que caia a chuva, não me importo, ela não pode apagar tudo o que somos, segure minha alma com delicadeza, sinta o que eu sinto, quando estou contigo tua presença me faz tão bem. Noite vespertina me abre os olhos, sei que o tempo está por acabar e todos os momentos pedem socorro, sufocados num canto, eles lutam por você e por mim. Meu espírito se sente livre, não há corrente que possa nos fazer mal... A enfermidade não teme nosso amor, isso; levara-la a ruína. Longas vidas, longa jornada, o dia nasce e outro termina só para me tentar fazer infeliz, amar é deixar ir, do fundo de meu egoísmo; vá... Marcos Henrique

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Tristeza do poetar (II parte)


D menos



Teus olhos me foram negados, teu corpo por mim nunca será tocado, é triste, mas eu sei que é isso mesmo que falo; sou triste, mais um dia no teu olhar sonhei com meu mundo claro.

Eu lamento, eu lamento meu lamento, lamento por ter culpa sem culpa.

Olhares que não mais se encontram. Descontentamento; sou seu eleito, sou seu melhor atormentado.

Estou com os olhos cheios de oceanos; mas mortos, sem vida, sem brilho, sem reflexo do belo, são meus olhos.

Não te culpo por te amar, não te culpo por meu sofrer, fico agora aqui em meu mundo, meu quarto escuro, regando com minhas lágrimas o que restou do meu coração.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Mais uma crônica, antiga, porém atual



Aprendendo a dividir


Nessa última eleição para presidente da república federativa do Brasil percebi ao ver uma pesquisa num determinado jornal, que dentro da elite brasileira o candidato à presidência Geraldo Alckmin era líder absoluto, mas infelizmente (para ele) nesse lindo país varonil os ricos são uma minoria; logo, uma maioria de barrigas fazia depositaram mais uma vez todas suas fichas em Luiz Inácio Jesus Cristo Lula da Silva, a fim de ver nosso herói tupiniquim tentar mais uma vez acabar com a corrupção e a desigualdade social que desde os tempos de Pedrinho (Pedro Alvarez Cabral) teima em nos ter como padrinhos.
O que ninguém percebeu, talvez devido a essa enxurrada de acusações que vimos serem jogadas de um ventilador para outro, mas eu vi, eu vi que os ricos têm que mudar seus conceitos e aprenderem a dividir seus bens é isso mesmo, quando digo bens não me refiro só a bens matérias, os intelectuais também, são os mais importantes, mas até que dólares em paraísos fiscais, eu explico ou pelo menos vou tentar mostrar minha visão do problema, vou colocar um ponto final aqui pra ficar mais legal começar essa explicação numa linha só dela.
Porque os ricos têm que aprender a dividir e a investir na educação dos pobres brasileiros é muito simples, é uma matemática simples vamos lá: Fome + miséria – futuro + desigualdade econômica = criminalidade, simples não, ou os ricos aprendem a dividir o que tem ou do contrário chegara um tempo em que, nem seus carros blindados os protegeram e suas famílias ficaram a mercê da sorte de um seqüestrador, não adianta pensar, a eu tenho um helicóptero, posso voar por toda essa gentalha, não vai adiantar meu nego, porque além bazucas os criminosos em maior numero também terão lanças foguetes para derrubarem seus brinquedinhos alados ou será que eles já não têm? Amigos a segurança pública é uma piada, a ONU é uma piada, Bush não sabe contar piadas, só de mau gosto, aprendam a dividir, pois quando o circo pegar fogo tenho a ligeira impressão que todos não caberão em “MAIME”.

Ano da graça 22 de novembro de 2006.
M.Martins.