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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Micro-crônicas


Ofício

Criar poemas talvez só não seja mais difícil que criar filhos, pois os poemas quando nascem e viram poesia saem de casa, mas os filhos, esses ainda ficam a parasitar por um bom tempo. 

***

Pergunta incomoda 

Para que serve um poeta nesse século da Atenção Parcial continua?

***

Brasileiro II

Deixei de contar os dias, agora só me preocupo com os feriados que caem às quintas.

***

Mundo

Sem assunto fico mudo e o mundo não se importa se lágrimas brotam de meus olhos cansados. Não importa, pois por um breve momento, com as lágrimas em meus cílios postiços, pude ver o mundo embaçado e isto me reconfortou por horas.

sábado, 3 de julho de 2010

A insana verdade de Marcos Henrique


A insana verdade de Marcos Henrique
(Marcos Henrique)


Sou um anjo pornográfico, que tem medo de voar;
Sou um homem pornográfico, que tem medo de amar;
Sou de tudo o mais, menos, de todo o mau, o melhor veneno, arte fraca, falsa que é meu poetar.

A insanidade me rodeia, olha; me namora, se esconde e se mostra sinuosamente para mim. Estou sego. Cego e fechado em meus pensamentos. Estou caótico e ultrapassado, estou excitado com a vida torta que escolhi.

Sou um anjo pornográfico, deleite de meus pensamentos pobres;
Não. Eu sou o acaso, que mete medo nos que tem medo de serem controlados.

A ânsia por viver me mata cada dia menos, o vivo só cada dia mais, só entre rostos conhecido que não sei pronunciar seus segundos nomes, que pensam ser um ser, sem saber o que é o ser.

Me perco em pensamentos, perco e não me acho, acho que não me perco, enrolo com palavras doces que a cada dia me deixam mais seco, mais áspero, opaco, oco, meio vivo, meio morto, idolatra do poetar verdadeiro que em mim nunca há de se manifestar.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Verdades de um esquizofrênico são


Verdades de um esquizofrênico são
(Marcos Henrique)

Oi.
Quem é?
Sou eu.
Quem é você?
Sou eu.

Que repete tantas coisas;
Sou eu;
Que revela seu interior.
Sou eu?

Me responde se tanto faz – ser bom ou trevas. – Sou eu.
Quem é seguro realmente de se?

Oi
Já foi
Sou eu?
Há Deus – sou eu – Deus se foi sem dizer adeus. Sou eu.

Como atormentar o inesperado? Sou eu. Que não permite, que não quer ser repreendido. Sou eu. Quem, eu?

Você se quer
Se fala
Se suporte sozinho.

Dentro de você existi alguém perdido, sozinho e com fome, vestindo trapos, com medo da noite, sem lugar para ir, mas assim mesmo vá.

Sou eu, eu sou medo. Você.