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quarta-feira, 21 de março de 2012

Beijos de peixe.


Beijos de peixe
(Kiss of fish)
(Marcos Henrique Martins)

Você nunca foi uma boa moça comigo e só me da esses beijos de peixe, eu sei, já entendi minha eternidade.

Só uma vez me diga quem é você.
Só uma noite me entre, me entregue a você.

Minha violência me viola, me mutila, mas continuo brincando com o desconhecido.

Não há perdão para perdoar, não a claridade sem escuridão, não a dor sem coração.

Só uma vez me diga quem é você.
Só uma noite me entre, me entregue a você.

Como todos que um dia partem; você me parte, me rasga, me mastiga, me vomita, me joga na latrina...

...E o céu continua sendo o céu, e o céu continua sendo azul, não bata para entrar,não entre..

quinta-feira, 11 de março de 2010

Tuberculose



De todos os futuros possíveis, por que fui escolher logo esse?

Minha alma chora não me alegro mais, já me faltam forças para escrever e isso me mantém viv. Quero queimar todos os livros, todos meus vícios!

Em que lugar devo me encaixar?
Minha dor de cabeça amiga, nunca me deixa, nunca me deixa relaxar.

Correntes fortes poderiam me socorrer. Minha casa, meu lar, minha solidão, meu coração.

Não há mais o que pensar de mim, não há mais o que esperar de mim, não há mais nada em mim.

Marcos Henrique

quarta-feira, 10 de março de 2010

Segunda era



Segunda era.

13/10/2002.

Larvas flamejantes brotam em mim, um queimor, uma febre que não cessa em meu corpo;
Não sinto meu espírito, o que é mesmo isso?

O que foi?!

O que aconteceu?!

Por que essa insônia?!

Por que a claridade me dói os olhos?!

Uma dor aguda me corta de canto a canto. O sol lá alto, imponente, nunca será tocado, eu nunca serei tocado, nunca serei violado, mesmo depois de morto, podre, decrépito, nunca serei tocado, nunca serei eu mesmo de novo, nunca, é uma palavra que me causa medo e dor, meu suicídio tem feições de menino, minhas feições, meu rosto, meus olhos, todo meu corpo, todo meu ser, tudo, tudo...

...Eu nada sou, eu nada encontrei, meu poema suicida nunca será entendido porque ainda respiro. Eu me acho dor, eu me sinto dor, a dor se materializa em mim, em mim!

Como gostaria de olhar no espelho e ver um rosto sorrindo, a angustia da alma me tortura me maltrata, que tipo de homem eu sou? Que tipo de dúvida eu sou?

Meus pulsos estão com cicatrizes profundas, meus olhos estão negros e sem vida, mas não acendam as velas, ainda estou vivo.

Marcos Henrique

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Te sinto menos

Sofro com você cada vez mais que te sinto menos, meu coração fica cada dia menor, difícil de sentir.

Viver pode ser difícil, mas o mais difícil é sobreviver com alicerces ruindo.

Que saudade do belo, saudade do terno me toma o peito, me estripa, me arruína a vida;

Maldito ateísmo!

Maldita descrença que vem surgindo!

Maldito sou eu, bendito és tu que houve minhas blasfêmias.

As orações já acabaram, não sei o que fazer. As forças acabaram, mas eu não posso ver tua mão amiga - não sinto mais me acolher -.

Sou maldito ou digno de misericórdia?

Sou motivo de vergonha, tristeza, derrota, mas te amo mesmo quando te viro as costas, mesmo quando não sou mais menino, mesmo quando meu ateísmo me toca, mesmo quando estou cego nesse labirinto. Eu, um proscrito.


Marcos Henrique

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Desordem




Desordem


Agonia dor no peito;
Pleonasmo, gotas de sol caem em meu peito;
Risos de bebês animam meu inconformismo passageiro;
Egoístas, doces, lábios cortados, tesão, falta de desejo
.

Os cordões umbilicais servem para que? Para mim fogo, forca, desordem, desapreço.

Minha cultura é inculta, ou pura de mais para vaguear por entre pernas de loucas vadias e travestis que sonham em ter um útero para gerar mais que desejo?

Desordem me afora, me deixa louco, às vezes me acalma e posso voltar a respirar esse gás que inflama todo meu peito.

Te desejo mais, te vejo menos.

Gatos negros não temem a noite, nem a fome qu
e a noite nos provoca - insanos desejos -.

Escrever é uma arte que esqueço quando me toco e sinto que estou só, nesse grande enigma que é ser, que é o fazer.


Drenos e bonecos secos. Sei que já me peguei dessecando bonecos sem sentimento, mas o que fica? O que fica são abstrações, loucura ou sentimentos por coisas fúteis? Não sei, não sou Deus, nem deus, nem ateu,
nem judeu, nem sei se sou eu, quando sou eu.

Desordem, córtex cerebral, intuito, coração, suor, medo, medo, desejo, círculos, desordem acaricia meus seios.

Marcos Henrique.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Insegurança


Entre Deus e o diabo existem anjos e bastardos;
Entre Deus e o diabo existem anjos e bastardos que riem de nossa insegurança.

Os pensamentos se separam (a tristeza é tão frágil);
Fingimos ser tão fortes, até na hora da morte.

Entre Deus e o diabo existem anjos e bastardos;
Entre Deus e o diabo existem anjos e bastardos que riem de nossa insegurança.

Como a dúvida e a fé às vezes são tão questionáveis, o abismo me chama pra voar, é só pular que tudo fica fácil, é só pular quando você se sentir frágil.

Entre Deus e o diabo existem anjos e bastardos;
Entre Deus e o diabo existem anjos e bastardos que riem de nossa insegurança.

Não vou voar minhas asas atrofiaram, não vou esperar que a dor finja cessar. Vou me enganar com o abismo que finge me ajudar.

Marcos Henrique

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Nas sombras (olhos negros)


Nas sombras (olhos negros)
Geogton Leite/Marcos Henrique.



Num sussurro o despertar;
Abra os olhos e então...
Olhos negros nas sombras não refletem meu coração.

Num sussurro um descuido;
Meu olhar na multidão;
Olhos negros não refletem meu coração.

Nas sombras não vejo você;
Nas sombras só há solidão;
A dor no peito, a dor no seio (leite materno, amor de menos, caixa em forma de coração).

Mais um dia, nasce o nada;
Tão vazio, sinto o nada;
Tão perdido por você – labirintos - olhos negros;
Choro claro;
Dor no peito;
O vazio - meu receio - no espelho não encontro minhas mãos.

E dentro das sombras demônios me circulam, me torturam, prendem meu coração;

Olhos negros, não refletem teu coração.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Céu Azul




Céu Azul


Anjos rasgam os céus azuis em vôos suicidas;
Deus se escondeu com vergonha do que criou;
Meus heróis morram de tristeza! Estão todos pelo chão;
Se você não pode voltar, eu não posso ir.

Não a nada mais aqui, nem pessoas para matar, onde estão?

Segredos que causam dor só servem para envenenar todo ar;
Eu não quero ter medo de você, eu não quero ter que matar você.

O sol ainda brilhara amanhã em quanto os justos poderem lutar;
Eu não quero voltar pra você, eu não quero ir...

Meus heróis morram de tristeza! Estão todos pelo chão;
Se você não pode voltar, eu não posso ir.
Não a nada mais aqui, nem pessoas pra matar, onde estão?

Marcos Henrique

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Alma




Escrever e adoecer a alma, será uma dádiva? Será uma benção?

Quem sabe ao certo esses fatos só são rotina crua, crua é minha vida, my life. Sempre me sentindo um prisioneiro de mim mesmo...

A dádiva me foi dada e junto me veio a magoa, o medo e o eu sozinho, não me importo como serei lembrado, se como um gênio, ou um retardado, só ouçam minhas poesias doentias, meu desabafo; chorem! Riam! Sejam o que não fui! Sejam livres! Sem cortes nos pulsos, sem veneno nas veias, sem saudade de um lugar que nunca é visto por meus olhos, não posso descreve-lo, mas o sinto desde menino, desde a época clara, antes das trevas reinarem em meu pensar.

Fazer-me vida;

Fazer-me paz;

Fazer-me o que não sou, alegria.

Marcos Henrique.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Vergonha



Estou triste e com vergonha por estar triste, porque estou triste com meu criador, com meu Deus; eu o chamo tanto – nunca ouço resposta.

Não faço tudo certo e quando acho que acertei, erro com mais força.

Estou triste por meus pedidos serem insignificantes, enquanto todos sofrem por males como: A fome ou o preconceito humano, eu sofro por não se realizarem meus sonhos pequenos.

Estou triste e com vergonha por mostrar essa tristeza egoísta a Deus; Deus que tudo nos deu e estragamos; meu Deus! Perdoe-me os pedidos pequenos, perdoe-me a descrença que às vezes sinto, perdoe-me por achar que meu umbigo é tudo nesse mundo de egoísmo.

Tenho tanta vergonha de minhas preces, meus pedidos. Disperso-me te pedindo perdão por minhas falhas, por meu umbigo.