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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mortos parte 4



O ser pergunta ao rapaz de que lado ele pretende ficar.

Do lado da justiça – responde o rapaz.

Então vá para o outro lado – diz o ser.

O rapaz fica espantado e lhe vem um aperto no coração.

De que lado você luta – pergunta o rapaz.

Do lado do ser mais puro que Deus já vez, Lúcifer! – responde o ser.

O rapaz fica atônito, não sabe o que pensar, em toda sua vida ele imaginava que o diabo era um monstro, um ser feio aos olhos humanos.

Vejo que você não aprendeu nada humano tolo – diz o ser com ar de superioridade.

Esse exército de demônios que você vê, não é de meu senhor, e sim de teu Deus, ele despreza os suicidas e fetos que são abortados não servem para sua vaidade – fala o ser com ódio nos olhos.

Não! Não pode ser...! – fala o rapaz com os olhos em pranto.

Sim! Esses seres alados que você vê; e essa infantaria que vem em nossa direção é de teu Deus – diz o ser abrindo suas asas e demonstrando imponência.

Prefiro que corte minha cabeça, a ficar do teu lado demônio, que meu Deus te perdoe as ofensas e tenha piedade de tua alma. – responde o rapaz erguendo o punho fechado.

Se, é assim, não tenho outra escolha - fala o ser desembainhando sua espada.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Te sinto menos

Sofro com você cada vez mais que te sinto menos, meu coração fica cada dia menor, difícil de sentir.

Viver pode ser difícil, mas o mais difícil é sobreviver com alicerces ruindo.

Que saudade do belo, saudade do terno me toma o peito, me estripa, me arruína a vida;

Maldito ateísmo!

Maldita descrença que vem surgindo!

Maldito sou eu, bendito és tu que houve minhas blasfêmias.

As orações já acabaram, não sei o que fazer. As forças acabaram, mas eu não posso ver tua mão amiga - não sinto mais me acolher -.

Sou maldito ou digno de misericórdia?

Sou motivo de vergonha, tristeza, derrota, mas te amo mesmo quando te viro as costas, mesmo quando não sou mais menino, mesmo quando meu ateísmo me toca, mesmo quando estou cego nesse labirinto. Eu, um proscrito.


Marcos Henrique

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Segunda era



Segunda era
12/06/2003


Ela me tomou o corpo, ela me tomou a alma, ela me fez de tolo, ela me cortou os pulsos, ela, só ela, eu só eu, nós somos nada e ela me é tudo.

Feri-me com uma asa de anjo, ele me batei e cuspiu em minha face, essa foi à única prova de amor que tive em anos, eu, só eu.

É duro lutar contra seus vícios, é duro querer o paraíso sem roubá-lo, mais tudo bem, todos um dia tentaram fugir de lá.

Deitado, sinto que estarei bem, deitado estou seguro de meus atos, deitado, respirando, até quando. Não ascendam as velas, ainda estou vivo.