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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Flerte com a vida



Flerte com a vida



Ela me olha de longe, me observa, estuda, flerta.
Tem medo de se aproximar de mim e eu de tentar alcançá-la. Apenas nos olhamos. Há desejo.

Mais uma vez confabulo possíveis formas de felicidade a seu lado e, me pego a imaginar universos paralelos onde não há dor, magoa, incertezas ou esse arcabouço de miséria e mesquinharia humana. 

Ouso me aproximar de forma sutil. Aproximo-me com os lábios trêmulos e as pernas tímidas. Chego bem perto, mas não há toco. Apenas desejos em erupção.

Ouso falar algo, a voz falha, tremem minhas mãos.
Penso em um poema, lembro que não o terminei e mesmo que o tivesse finalizado é triste de mais para iniciar uma conversa amiga.

Ela me olha, um olhar de piedade, me sorri e se vai.  
Eu a desejo, ela não chora mais por mim;
Eu a desejo! Ela se vai sem me deixar sentir.


Marcos Martins.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Bom dia, boa tarde ou boa noite e ótima segunda! Algumas micrônicas




Becos
(Marcos Henrique Martins)

Aqui não passa ninguém, nem à saudade. 


***


Verdade tímida
(Marcos Henrique Martins)

Quando me perguntaram por que queria ser escritor, respondi: “porque não suporto viver com o vazio em minhas vísceras”, mas na verdade queria ter dito: “porque sou masoquista”. 


***


Medo
(Marcos Henrique Martins)

O que me dá medo são os homens de boas intenções.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Respostas que tento deglutir



Respostas que tento deglutir
(Marcos Henrique Martins)


Já fiz tantas perguntas ao longo de minha vida
Já passei noites em claro – dias obscuros – pensando, pensado e me corroendo por dentro. Tudo na esperança de que alguém pudesse deixar sua zona de conforto e me desse, ou ao menos apontasse para respostas coesas nesse quebra-cabeça do ser pensante.

Tudo seria uma grande falácia?

A verdade que persigo não pode ser absoluta, pois verdades absolutas não existem – Esse pensar seria uma verdade absoluta? –.

Verdades que libertam;
Verdades que aprisionam;
Verdades que salvam vidas;
Verdades que destroem ilusões que foram milimetricamente criadas para preencherem cantos vazios de nosso ser;
Verdades que não aceitamos;
Verdades mentirosas para confortam toda frustração contida em teu peito, em meu existir.

O mundo gira a procura de verdades, mas elas, quando achadas nem sempre são bem mastigadas, pois verdades sempre tem gosto de ranço no fim da mastigação.

Cansei de procurar respostas, parei de correr atrás de pessoas iluminadas que pudessem me responder alguma coisa. Hoje, apenas olho para o céu à noite e vejo todas aquelas estrelas. Respiro fundo e percebo minha pequenez nesse mundo de lobos sedutores, criadores de verdades que aprisionam meu espírito contestador. Eles nunca me deixam tocar às incontáveis estrelas desse céu que oculta dissabores, para que vivamos hipoteticamente em paz com nossos credores.