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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Flerte com a vida



Flerte com a vida



Ela me olha de longe, me observa, estuda, flerta.
Tem medo de se aproximar de mim e eu de tentar alcançá-la. Apenas nos olhamos. Há desejo.

Mais uma vez confabulo possíveis formas de felicidade a seu lado e, me pego a imaginar universos paralelos onde não há dor, magoa, incertezas ou esse arcabouço de miséria e mesquinharia humana. 

Ouso me aproximar de forma sutil. Aproximo-me com os lábios trêmulos e as pernas tímidas. Chego bem perto, mas não há toco. Apenas desejos em erupção.

Ouso falar algo, a voz falha, tremem minhas mãos.
Penso em um poema, lembro que não o terminei e mesmo que o tivesse finalizado é triste de mais para iniciar uma conversa amiga.

Ela me olha, um olhar de piedade, me sorri e se vai.  
Eu a desejo, ela não chora mais por mim;
Eu a desejo! Ela se vai sem me deixar sentir.


Marcos Martins.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Vivo com meus Nãos



Vivo com meus Nãos


Toco meu coração; 
Toco meu espírito;
Toco meu corpo sem me olhar no espelho; 
Cansei de meu reflexo.

Sinto às cólicas do mundo
Sinto dores nos ossos, às mesmas dores da época de meu crescer – crescer machuca (é um mal necessário).

Toco meu coração, percebo que já mencionei isto, percebo o quão cíclico é meu existir.

Gostaria de poder chorar por você que devora esses versos;
Gostaria de poder chorar, poder tocar você – mesmo sem te tocar – te tocar – mesmo sem compreender meus caminhos – te tocar.

Sempre convivi com as limitações do "Não", o mesmo que carinhosamente nos é dito por nossas amadas genitoras.

Sempre o Não, sempre um Não a me cercar. Mas quando acho um sim, perdido em livros empoeirados sem o acordo gramatical, mesmo assim, sempre termino nas mãos do Não.


Marcos Martins.