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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Uma poesia turbulentamente normal





MUNDO TURBULENTAMENTE NORMAL


É hora de voltar ao mundo turbulentamente normal, onde sonhos são apenas sonhos e nada mais; onde vidas são apenas números e nada mais; onde a natureza selvagem fica cada vez mais domesticada em nossas cidades sitiadas.

É hora de voltar ao mundo moderno, onde podemos seguir com nossas superstições e queimar algumas bruxas, para não perdermos o hábito da superstição.

É hora de voltar ao mundo, ó mundo. O mundo que está doente, que adoecemos, que pisamos e nos importamos sem nos importar realmente. 

É hora, sempre é alguma hora para se fazer algo, algo que nunca alcanço, mas tudo bem, pois tenho amigos para rirem de minhas piadas fracas, de minhas roupas gastas, de minhas ideias medianas, de meus pertences que não me pertencem –  nada nunca me pertenceu de verdade.

É, é hora de voltar, de voltar para onde?

É bom, é bom existir, mesmo que por vezes não faça nenhum sentido para mim;

 É bom, é bom existir e saber que podemos levar nossos erros para a sepultura sem culpa alguma, pois os vermes não são puritanos;

É, é bom saber que tudo um dia termina, que o dinheiro termina, e que o mundo continua cada vez mais ensurdecedor, e que os sonhos são apenas sonhos, e que os risos são apenas risos, e que os perdidos fingem se encontrar, e que os líderes fingem se importar.

É hora de seguir nessa estrada turbulenta, com todo o meu afã.


Marcos Martins

sábado, 10 de maio de 2014

LIBERTA-ME POETAR



LIBERTA-ME POETAR

Não sou tão metódico quanto me acusam;
Não sou tão eufórico quanto me censuram;
Não sei me portar em lugares fechados, é bem verdade.
Não piso em ovos
Não sei respirar na cidade.

O pensamento sufocante é a pior sensação que um poeta pode experimentar, pois, se repousa em seu âmago lhe consome o coração e o poetar. Se a poesia não se forma, não se transmuta, é pura letra morta sem paixão posta num pedaço de papel que nunca terá uma alma-poesia.

O cansaço me toma, eu sei, mas é preciso, é preciso poetar, assim como é preciso, é preciso sacrificar-se por quem se ama.

Não sou tão bom com pessoas;
Não sou tão bom em tentar ser bom;
Não sou tão bom em fingir ser o que a sociedade me cobra de forma silenciosa, mas sempre está lá.

Uma rima alegre me faria bem;
Uma musa inspiradora me faria bem;
Uma poesia alegre me faria muito bem.
Você senhor destino é quem me faz mal, pois sou teu escravo e do senhor nem o nazareno escapou.  


Marcos Martins.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A VIDA TODA



A VIDA TODA

Quem deixa o ventre materno sempre vai sentir saudades de casa, de um tempo que ficou marcado, não só na mente, mas em todo o corpo; tatuado na alma.

O ventre é o céu, o paraíso que Michelangelo nunca ousou pintar.

Quando faço nascerem meus versos, sinto que saem de meu ventre e com a ruptura um trauma se forma, pois nem sempre os versos, a poesia está pronta para ao mundo, porém, como pai zeloso que sou, finjo ser mais forte, finjo não chorar – mas choro as escondidas – e as protejo com a vida.

No ventre, não temos problemas, não desenvolvemos transtornos, há apensa calmaria, segurança, paz. É Assim que deve ser.

Quando fui expulso do ventre que habitava, chorei feito um louco porque sabia que terreno pedregoso iria pisar.

Quando deixei o ventre, vi que apenas os poemas que cultivava poderiam me salvar de toda a sandice que os homens de boa fé iriam impor-me há vida toda.

Marcos Martins.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Deixa a escova sobre a mesa e venha coçar minhas costas, pois nada mais importa; nem os títulos, nem os túmulos


Deixa a escova sobre a mesa e venha coçar minhas costas, pois nada mais importa; nem os títulos, nem os túmulos


Me larga, deixa que eu me vá, me desmanche e permita que eu seja levado como poeira;

Me larga, deixa que eu ande sem rumo, sem um lugar certo para repousar minhas chagas;

Me larga, deixa que eu use o gerúndio, não importa se vou estar fragilizando a poesia;

Me largar! Me deixa tocar as estrelas, me deixa contar as estrelas, pois sei que em uma delas há de existir vida que vá-lha a pena salvar; 

Me larga, deixa que eu seja feliz dentro de toda essa loucura que é a minha tua, nossa vida;

Me larga que eu quero sorrir, que eu quero não ter medo, não ter culpa, não ter ira, não ter nada e mesmo assim não me sentir vazio;

Me larga, deixa tudo como está, onde tudo deve ficar – dentro dos universos quânticos –.

Não importando o peso da poeira que paira;

Não importa o cheiro da poeira e do mofo;

Não importa os títulos sem sentido para quem vê por entre as brechas dos universos paralelos; para quem senti, mesmo sem tocar.

A poeira me mostra que os tempos passaram e que valeram a pena sangrar, errar, chorar.

Tentar, tentar, tentar. Desistir. Voltar a tentar.


Marcos Martins.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Trecho de meu livro - Memórias de uma vida morta - onde conto a história de Banjamim, uma cara que começa a viver depois que morre




- É lindo sim. Sabe, fico imaginando se um tsunami viesse para cá, seria o fim desses arrecifes, do parque das esculturas, do marco zero – falava enquanto deslumbrava a paisagem - A propósito, me chamo Azrael sou um transportados, um anjo, mas pode me chamar de Malak, é mais fácil de se pronunciar.

Foi se apresentando e me estirando a mão para me cumprimentar. Por uns instantes relutei em apertar sua mão, mas ao cumprimenta-lo senti uma mão macia e que emanava um calor que nunca avia sentido antes.

- O que me aconteceu, como você sabe meu nome, como vim parar aqui, você é um anjo mesmo ou eu estou sonhando?

- São muitas perguntas Benjamim, vou te responder a mais importante, ok.

- Ok.

- Você morreu Benjamim, não foi uma morte honrosa, mas depois do século XX, são raras mortes honrosas.

Não podia acreditar no que acabara de ouvir, me senti tonto, o estomago embrulhou um pouco, achei que fosse desmaiar. 

- O que? Eu morri! Acho que vou vomitar.

- Não se preocupe isso sempre acontece com os marinheiros de primeira viagem – ele tocou em meu ombro e tentava me reconfortar.

- Como é que você diz uma coisa dessas para alguém, assim de uma vez só?

 - Gosto de ser direto – continuou - Vamos, vamos sair daqui, só espero que você não enjoe em barcos, temos que atravessar para o outro lado; temos que pegar o bonde.   

- Bonde, mais que bonde?

Ele não me respondeu e foi andando sem me dar atenção.

- Você tem dinheiro para darmos ao barqueiro? – perguntou-me.

- Dinheiro? Não sei se você notou, mas eu estou morto - não sei como pude dizer isso, pensei.

Enquanto Malak se afastava, para pegar o barco, eu podia sentir o mar, as ondas quebrando no paredão de uma forma diferente, era como se elas cantassem para mim uma música desconhecida, mas que me reconfortava.
  
- Droga! Já estou devendo uma grana pra esse barqueiro – falava Malak em vos alta, enquanto tentava fazer nascer um sorriso em seus lábios.

Um barco se aproximou e um senhor com um semblante alegre, que guiava o barco a motor, olhou para mim e deu um sorriso simples, porém cativante.

- Vai para o outro lado, Malak? – perguntou o barqueiro.

- Estou tentando ir, meu velho.

- São quatro reais.

- Meu amigo, você poderia deixar na conta?

- Você já vem com essa conversa há tempos, no dia em que você me pagar sua divida, eu me aposento.

- Quebra esse galho, meu velho. Não tenho culpa se eles sempre aparecem sem nenhum um tostão, mas prometo que te pago tudo no fim do mês.

- Tudo bem, mas que fique bem claro, se chegar o fim do mês e você não me pagar, vai ter que atravessar nadando.

- Vamos Benjamim, você tem que pegar o bonde. (...)


sábado, 16 de março de 2013

INVISÍVEL NA CIDADE




INVISÍVEL NA CIDADE


Não sou de fazer caras e bocas. Gosto de passar despercebido por meus predadores, também não gosto de ser presa, prefiro ser - O pacificador -, nem presa, nem predador, mas o mundo nos ensina a matar muito sedo e isso me deixa perdido porque estou cansado de limpar minhas mãos; estou cansado de sentir gosto de sangue; estou cansado, tão cansado.

Nunca fui de sorrir a toa, acho que os sorrisos estão cada vez mais escassos, por isso, guardo os meus num local seguro, bem lacrado. Outro dia um garoto me falou: “vá à merda, seu idiota”. Não se fazem mais criança como antigamente, não se fazem utensílios domésticos como antigamente, tudo é descartável e sua via não menos.

Não sou de fazer poses ou de me vestir com roupas chamativas, prefiro a opacidade, a neutralidade das cores sem brilho, pois brilhar é perigoso e todos os predadores vão te encontrar; encurralar, e torcer para que você tenha câncer.

Não, não sou como os homens que passam pelo mundo tentando deixar sua marca, sou um homem que quer apenas passar despercebido pela cidade, onde pessoas passam, carros passam, olhares se cruzam, mas não se notam.

Cansei de tentar fazer algo que faça sentido nesse mundo, cansei de prezas e predadores, cansei de esperar em pé, agora me sento e finjo fazer parte de algo maior, porém faço tudo isso sem fazer caras e bocas, porque gosto de ser invisível na cidade onde todos fingem se importar.  


Marcos Henrique.

quarta-feira, 13 de março de 2013

EM LÁGRIMAS



EM LÁGRIMAS


Hoje me veio uma vontade de chorar e com as lágrimas que acariciavam meu rosto, uma paz se faz nasce. A paz que busquei por tantos anos.

Hoje, com minhas lágrimas, todo o peso do mundo desceu de meu dorso e finalmente não tive mais que carregar a cruz do mundo.

Hoje, quando chorei, pude sentir, ver, contemplar o todo.

Chega de dor, de horas mortas.

Hoje chorei e me fez um bem, mais do que todos os sorrisos que dei nos últimos dez anos.


Marcos Martins.