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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Dialogo



"E ai, Marcos, quais foram os planos para à noite?"

"Estudar."

"E ai, estudou?"

"Nada, escrevi duas poesias"

"Isso vai te ajudar em quê?"

"Não as fiz para me ajudar, as fiz para esgotar a alma, caso contrário explodira ". 

"Surtiu efeito mesmo?"

"Por enquanto sim, mas tudo dentro de mim ainda grita, mesmo que de forma silenciosa, ainda grita."

Marcos Martins.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

MANTENHA A LONGINQUIDADE


MANTENHA A LONGINQUIDADE


Não tenho a menor vontade de criar qualquer tipo de laço contigo.
Deixe a distância nos proteger do mal que possamos causar um ao outro. É melhor assim. Apenas idealize como eu seria. Como seria minha voz; meu sorriso; meu toque, quais meus vícios e a forma como acordo logo pela manhã – assim a magia não se extingue. 

Não quero ter contato com você, não quero ter que te cumprimentar sempre que estiver on-line – deixe que o vento sempre fique na posição contrária a nós, para que nossos odores não sejam percebidos um pelo outro, é bem melhor assim.

Não quero saber o que você faz; o que você gosta de comer ou se sorri com esses programas humorísticos que só me fazem chorar por achar que a graça morreu no mundo moderno.

Por favor, não tente me tocar se um dia nos cruzarmos em uma fila de banco, desvie o olhar, saia sem pagar a conta, que já deve estar vencida – quem paga suas contas em dia quando não se é do alto escalão?

Fique longe, apenas a idealizar, é melhor assim, pois nos sonhos não choramos como na vida real. Nos sonhos podemos acordar e sanar o pranto. Nos sonhos podemos tudo, pois o metafísico é soberbo e Morfeu é bem mais misericordioso que Fobetor. 
        

Fique onde está;
Fique longe;
Fique.           


Marcos Martins.

sábado, 8 de agosto de 2015

Tudo poderia ser


Tudo poderia ser


Tudo poderia ser mais simples, os verdejantes pastos poderiam ser mais verdes que os quadros de Jean Pierre de La Plata, mas não o são.

Tudo poderia fazer sentido para mim um dia, se Jean Pierre de La Plata me pintasse de azul turquesa em nu frontal.

A força que brota da terra, já capenga a tempos, não atrai mais os homens para o campo. E essa geração que grita nas ruas, nas esquinas, que praticamente urra ainda não se achou, mas deve continuar a caminhar, pois há bifurcações que devem chegar a algum lugar – seja Pasárgada ou Minas que não há mais. 

Ó! Quem dera eu pudesse me materializar numa peça da Broadway, que está em cartaz a mais de 20 anos e não pareça velha. Viveria como se nada mais importasse para mim ou para Jean Pierre de La Plata – ele que sempre pintou paisagens mortas de forma tão viva. 

Cada ato seria um tom de minha vida e meu ego se enxeria com os aplausos efusivos, com flores que me seriam jogadas no palco, aplausos e mais aplausos, beijos apaixonados, bocas com desejo de minha boca, mas tudo tem seu lado real e a realidade que me cerceia não me faz poder ter o desfrute de um dia de fábulas – um dia inteiro de fábulas. 

Se Jean Pierre de La Plata não fosse tão quixotesco, não teria receio de enfrentar moinhos de vento com ele sem armadura, mesmo sabendo que moinhos são moinhos e que homens são só homens – pó que nasce, pó que cai ao chão e não brota.

Tudo poderia ser mais simples, mas o bater de asas de uma borboleta pode fazer toda a diferença para quem está do outro lado do mundo e nem sonha que estou pensando nele.

Tudo poderia ser, no entanto, há um abismo entre o querer e o ser.


Marcos Martins.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

És tu



És tu


Foste tu que me inspirastes a sangrar em versos líricos;

Foste tu quem me desconcertou o pouco de juízo que tinha guardado nos bolsos da velha calça jeans;

Foste tu que fizeste com que me importasse apenas com a licença poética, nada mais;

Foste tu quem me mostrou que se pode amar sem quebrar.

Como gosto de sentir teus lábios confortando os meus. Como isso é bom. Poder sentir tua saliva na minha, teu calor invadindo minhas vértebras – como isso é bom.

Foste tu que indicasses o caminho sem mostrar-me os perigos na estrada e por esse favor te sou grato, mesmo depois de todo sangue derramado – te sou grato.

Escrevo versos com a mão esquerda, a mesma que um dia julgaram ser a do diabo, mas quem assim julgou esqueceu-se de lembrar que todos têm demônios interiores.

Sim, fiz esse verso com a mão esquerda, a mesma que afaga; que corta; apedreja; que limpa o corpo quando este fede. 

Foste tu que me impusesse o tempo gestacional desses versos, esse delírio – epifania que sai de meu peito e escorre por entre os dedos. 

Sempre és tu, ninguém mais, ninguém menos.

Marcos Martins.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

A moral das coisas, ou não




A moral das coisas, ou não


Hoje à noite eu me encontrei com minha morte e meu espírito estremeceu. Ela me pediu um copo de água, perguntei-me: "Para que água?" Então como se tivesse lido meus pensamentos e pudesse ver todas as minhas dúvidas me respondeu: "Quero lavar tua alma".

– Lavar minha alma? - questionei.

– E saudades.

– Saudade de mim? 


– Claro,  mesmo sabe que não tens mais alma e és oco.

– Não tenho, a vendi, sou oco? Mas se minha alma não vivi mais comigo, então não lhe tenho serventia.

– Eu sei. Você a vendeu numa noite de devaneios, mas queria lhe ver mesmo assim.

Só após aquelas palavras me toquei que não tinha mais alma.


– A vendi? Como assim? Quer dizer que a vendi ao diabo?

– Não, pior que isso. (a coisa era mais seria do que eu imaginara)

– Pior? O que poderia ser pior que isso?

– Você a  vendeu a um banco.

– Um Banco? Impossível! - questionei.

– Também achava, pelo menos até ela ter que dormir num cofre escuro e frio.

– Qual foi o banco?

– E isso importa?

– Claro que importa, porque quero recupera-la.

– Não pode mais.

– Claro que posso!

– Não, não pode, porque hoje você vai chorar a sua morte e não haverá um final feliz para nós dois.

Moral da história... Porque tudo tem que ter uma moral se somos tão imorais na maior parte de nossas vidas?

Histórias imprecisas, contos inimagináveis
(Marcos Martins)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Colo


Colo


Teu colo me acolhe sem fazer perguntas; 
Teu colo me resguarda do mundo que me toca e fere sem pena;
Teu colo – doce colo.

Colo de mãe protetora;
Colo santo;
Colo que acalma; que dá sem nada em troca buscar.
Colo gestacional. 

Teu colo me diz que devo permanecer um pouco mais, que a jornada é longa e meus pés ainda estão inchados.

Colo. Colo que me acalma; que me dá motivos para continuar a ter sonhos com um mudo menos só; menos vazio (coberto de gente); menos mal (repleto de gente que pisa superficialmente).

Teu colo;
Meu colo;
Teu colo me acolhe e me afaga;
Teu colo me guarda.


Marcos Martins.