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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um dia


Um dia
(Marcos Henrique)

Um dia a mais e eu me fiz menos;

Um dia a mais, nuvens borradas e falsos segredos;

Um dia a mais, tudo é o nada em vidas curtas. Vidas, nossos tolos pensamentos;

Um dia a mais. Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sempre;

Um dia a mais, meus sonhos, sonhos pequenos;

Um dia a mais, menos fome, mais vida, menos vida, mais fome;

Um dia a mais para que eu possa ter todos, absolutamente, todos os entendimentos que não vão me servir para nada quando meu dia se fizer menos;

Um dia a mais, só um dia qualquer com versos de efeito, métrica imperfeita, esperanças renovadas e perdidas, ilusões refeitas, apenas um dia a menos.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quando tudo for dor


Quando tudo for dor
(Marcos Henrique)

Quando a dor parecer mais puras, vou encontrar o arco-íris em tons de cinza que sempre busquei e nunca pude tocar;

Quando a dor parecer mais pura, serei todo seu acaso. Todo seu, de coração e lagrimas;

Quando a dor parecer mais pura, mais terna, quero leite morno e torradas de alho;

Quando a dor parecer mais pura, meu rosto desfigurado será visto por todos e me servirá de orgulho, um orgulho heróico;

Quando a dor parecer mais pura, de nada mais me servira à maturidade;

Vou ter que lutar pela dor que teima em querer me abandonar, pois preciso de meus medos e demônios para ser um homem completo.

Quando a dor se for, serei só. Todo solidão, um drogado em abstinência, um eu sozinho, bandeira sem haste;

Quando a dor se for, não terei mais motivos para ser um ser vivo, pois de que adianta ter dentes e não se ter carne para mastigar e regurgitar;

Quando a dor se for e o paraíso vier, não terei para aonde ir, não terei para quem viver mais, pois todos os contos de fadas não me serviram mais de nada.

Quando tudo se for, só me restará à ironia de ter visto o quão pequenino, perdido e vão eu sou.

Obrigado a mamãe, papai e a todos os seres do invisível que me cercam. Até os que me sufocam.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

À alegria do poeta (I parte)


D
(Marcos Henrique)

Talvez seja uma esperança tola, eu temo, mas, quando olho nos teus olhos, me vejo. Nada de precisão, nada de demasia, mas eu a vejo e ela a mim, mesmo no meu mundo tão pequeno. Ela me vê?


Quem se lançará primeiro - A emoção ou o medo?


Ficarão os sentimentos reprimidos?

Ficara a vontade adormecida? Não sei, sou tão pequeno.


Se você pudesse me tocar e me curar, por mais que tenha medo, tenho saudade do terno.

Temo gostar, amar, mas tenho mais medo desse único olhar, temo que todo esse sentimento se perca no esquecimento, se perca nos teus olhos.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um dia



Um dia
(Marcos Henrique)


Um dia a mais e eu me fiz menos;
Um dia a mais. Nuvens borradas e falsos segredos;
Um dia a mais. Tudo é o nada em vidas curtas. Vidas. Nossos tolos pensamentos;
Um dia a mais. Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sempre;
Um dia a mais. Meus sonhos, sonhos pequenos;
Um dia a mais, menos fome, mais vida, menos vida, mais fome;
Um dia a mais, para que eu possa ter todos, absolutamente, todos os entendimentos que não vão me servir para nada quando meu dia se fizer menos.
Um dia a mais, só um dia qualquer com versos de efeito, métrica imperfeita, esperanças renovadas, ilusões refeitas, apenas um dia a menos.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

È triste ver

Marcos Henique


É triste ver os pássaros voando e ficar prezo ao chão.


A dor percorre meu corpo como sangue, só que ao invés de vida só sinto desgosto. Sinto que um pedaço de meu peito falta, mas não sei onde ele possa estar.

Onde deixei?
Onde o guardei?

Meus olhos estão aqui tristes como sempre, meu tumor me acolhe, me alimenta, mas não me deixa arrotar. Meu peito está tão comprimido; mal posso respirar.

Não posso me entregar - me rejeitam tanto -. Quantos futuros possíveis um homem pode ter e quantos lhe trarão alegrias?

Nascer pode ser pior que morrer para uma alma despreparada. A estrada é longa, minhas pernas curtas. Anjos povoam o lugar e me mostram as surpresas que a vida não me dará e eu continuo aqui no nada, por inteiro, mas algo me falta.

Não molho as flores, não tenho controle, não sou perfeição, o lindo me é negado e minhas pernas doem tanto. O clarão que me sega(ceifar) em minha vida de escuridão, faz com que eu morra só em meu coração.
Dor! Erga-me sua mão, não posso tocar em seu peito, meus punhos não cicatrizaram ainda. Quando piso, não sinto meus passos no chão.

Não posso voltar minha vida; é só ida, só ida.

Que mal a em respirar?
Penitencia!
Penitencia!
Penitencia!
Minha dor passou...? Eu não me tornei o homem que queria ser então continuo sendo esse homem que não escolhi para ser, vivendo, fingindo ser.


sábado, 20 de agosto de 2011

Não vejo mais



Não vejo mais


Não vejo mais o amanhã, só corpos na estrada;
Não me respeite mais por tudo o que te fiz;

Eu tenho o revolver e sei usar;
Carros na estrada, sem ninguém para dirigir;

Serpentes que cospem também sabem sorrir;
Garotos sem pais, anjos sem fé...

...e ontem foi bom também pra você?

Que o barulho dos ignorantes se faça ressoar nos lares de todos que um dia conseguiram ter cultura.
Frases de efeito só servem para alimentar nosso ego.
Se perder faz com que fiquemos mais fortes, quero ser um fraco vencedor.

Eu não sou um bom lugar para respirar.

Todo inicio tem um fim e o fim é só o começo do nada.
Se porra é adjetivo, então; cu é a solução?

De que vale enxergar nesse mundo de hipócritas?

Satisfeito?
...não...


Esqueçam tudo o que disse, sou apenas um homem sem olhos no azul profundo de meu tédio.

Marcos Henrique

terça-feira, 31 de maio de 2011

Lasso




Lasso
(Marcos Henrique)


Tenho um lasso em minhas pernas, que me incomoda o coração;

Tenho um lasso em minha cabeça, que me pesa a vista;

Tenho um lasso em meus braços, que me deixa impotente e fadigado;

Tenho laços por meu corpo, por partes incertas. Ratifico, sou todo um lasso que não consegue auferir um único canto para pousar o espírito, não consegue aferir esse genocídio dentro de meu ser ofuscado.