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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Poema 10


Poema 10
(Marcos de Almeida Calado)


Que batalha é essa?
O que é que eu sinto?
Porque me toco e não me sinto?

Tumor invisível;
Ansiedade platônica;
Vitória adiada;

Minha alma foi roubada, minha roda é quadrada. Só um sinal, só um. Só um ponto luminoso, só um pingo no meu rosto, só o nada, retratado, tão falado e tão vazio, tão frio, tão insano, tão pagão, tão religioso, tão complexo, tão vistoso.

Sou louco por não ser louco, nesse mundo de insanos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Poema 04


Poema 04
(Marcos Henrique)



Perspectivas;

Cálculos, são só palavras.

Dúvida;
Futilidade, são só palavras.

Calor;
Tesão;
Sentimentos;
Solidão, são só palavras ditas, escritas, sentidas, vividas, malditas, fingidas. Apenas palavras.

Quem é o poeta se não está morto? Senão não é criativo, não rima seus versos. Que são só palavras.

Um chinelo é um chinelo;
Papel sujo de amarelo;
Caneta estoura e me mela, me suja a cara limpa, me faz parar de escrever, só palavras.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Poema 03


Poema 03
Marcos Henrique


Todos os dias luto contra morte, e sei que venço – por ainda respirar esse ar poluído –. Até quando vai durar a esperança em preencher uma vida tão vazia? Peço a Deus quase todas as noites, às vezes com fé e às vezes com muita fé, às vezes só peço, não por me sentir diferente – mesmo parecendo comum – ao olho nu – igual a uma lata de refrigerante –.

Não sei porque me perguntam tanto – qual a minha natureza? –.

Será que tem flores por lá? Ou será só impotência de ter pernas e não saber andar?


terça-feira, 20 de abril de 2010

Mortos (Parte Final)



O brilho da lamina cega por alguns segundo o rapaz.

Vai! Faz o que tem de ser feito, eu prefiro virar o nada a te seguir. – fala o rapaz abrindo os braços, aceitando assim sua sentença.

O ser não hesita, e corta-lhe a cabeça em um só golpe, caindo assim o corpo do rapaz ao chão.

O ser; proferi um grito medonho e sai voando, em seguida chega ao local dois anjos.

Chegamos tarde, o aliciador esteve aqui antes. – comenta o anjo para o outro.

Pobre homem, não teve tempo de saber a verdade, só a verdade vos libertara. – diz o outro anjo.

Na terra, outra criança acaba de nascer.

Da próxima vez chagaremos a tempo? – pergunta o anjo ao outro.

Não sei, mas até lá, espero que ele tenha uma vida apreciável, essa é a terceira vez que o perdemos, não podemos falhar mais. – responde o anjo.

A vida sempre sopra em nossos ouvidos, antes de nos deixar viver.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Mortos parte 4



O ser pergunta ao rapaz de que lado ele pretende ficar.

Do lado da justiça – responde o rapaz.

Então vá para o outro lado – diz o ser.

O rapaz fica espantado e lhe vem um aperto no coração.

De que lado você luta – pergunta o rapaz.

Do lado do ser mais puro que Deus já vez, Lúcifer! – responde o ser.

O rapaz fica atônito, não sabe o que pensar, em toda sua vida ele imaginava que o diabo era um monstro, um ser feio aos olhos humanos.

Vejo que você não aprendeu nada humano tolo – diz o ser com ar de superioridade.

Esse exército de demônios que você vê, não é de meu senhor, e sim de teu Deus, ele despreza os suicidas e fetos que são abortados não servem para sua vaidade – fala o ser com ódio nos olhos.

Não! Não pode ser...! – fala o rapaz com os olhos em pranto.

Sim! Esses seres alados que você vê; e essa infantaria que vem em nossa direção é de teu Deus – diz o ser abrindo suas asas e demonstrando imponência.

Prefiro que corte minha cabeça, a ficar do teu lado demônio, que meu Deus te perdoe as ofensas e tenha piedade de tua alma. – responde o rapaz erguendo o punho fechado.

Se, é assim, não tenho outra escolha - fala o ser desembainhando sua espada.

sábado, 17 de abril de 2010

Parte 3 de Mortos


E como se mata o que já está morto? – perguntou o rapaz.

Aqui nesse instante você não está vivo, você acha que esse é seu corpo, que está com essas roupas, que agora você está respirando, tudo está na sua cabeça meu filho – desse o ser.

O rapaz ficou intrigado e com medo, apertou as mãos e perguntou ao ser.

Então quer dizer que se deceparem minha cabeça viro nada – falou o rapaz com a voz tremula.

Sim – respondeu o ser.

E nesse momento um clarão se formou no céu, um estrondo cortou o céu e as nuvens ficaram da cor de sangue, ouvia-se choro de crianças, mulheres gritando e gritos horríveis cortavam o céu, o rapaz sentiu um calafrio e um medo lhe paralisou todo o corpo. Bestas aladas rasgavam as nuvens, uma carruagem com cavalos pegando fogo corria por sobre as nuvens, eram guiados por uma besta metade homem, metade pássaro, ele erguia a mão e de súbito uma legião de demônios, com seios de mulheres e genitálias masculinas, apareceram rasgando tudo e todos que estavam em seu caminho, não poupavam nem as crianças, os anjos voavam com lanças em direção ao exercito de demônios, raios e trovões se espalhavam num barulho ensurdecedor.
Onde o jovem se encontrava era belo, flores perfumavam o lugar, árvores enormes davam sua graça, cachoeiras com águas cristalinas, rios cheio de vida, de repente, ele olha e observa que em sua direção vem uma espécie de infantaria; cavalos com cabeças pegando fogo servem de montaria para homens sem olhos, catapultas são armadas e são lançados fetos ardendo em fogo de mulheres que abortaram.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mortos (continuação) parte 2



(continuação)


Ele não sabia, mas sua jornada só estava começando.

E como foi meu enterro? Acho que não foi ninguém – falou o rapaz.

É, você não tinha muitos amigos – disse o ser.

No céu, estavam travando uma longa batalha, demônios tentavam invadir e destronar Deus, os anjos estavam perdendo a batalha, então os homens também tinham que lutar; homens e anjos se misturavam, asas e lanças se misturavam.

O que terei que fazer? – perguntou o rapaz.

Terás que lutar, para poder ficar livre – respondeu o ser.

Mas, aqui eu sou livre – disse o rapaz.

Não, não é, você foi convocado meu filho – disse o ser.

Convocado, mais eu estou morto e estou no céu, não posso ser convocado aqui – disse o rapaz com um espanto claro em seu rosto.

Então o ser meio homem meio animal começa a lhe explicar tudo.

Você tirou sua própria vida, sua alma estaria condena ao tormento eterno, Deus lhe está dando uma chance, se você lutar Por ele, sua alma será salva, se não...

Quer dizer que ou eu luto, ou vou para o inferno – disse o rapaz.

Não, você vai para um lugar pior que o inferno – respondeu o ser abrindo suas asas.

E se eu morrer aqui? Não posso morrer aqui não é? – perguntou o rapaz.

Sim, aqui se você for destruído, vira infinito, vira poeira, se junta ao nada – respondeu o ser com um brilho no olhar.


(continua...)