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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Porque não um poema para essa sexta? Poetar, poetar, poetar!




O lar que me aflige


Estou em tua casa – prisão –;
Estou em tua casa, então sigo tuas ordens – por mais medievais que sejam –;
Estou em tua casa e me privastes de escreve poesias que não contivessem rimas;
Estou em tua casa, porém me sinto perdido em um vale cheio de sombras com interesses próprios.

Livros que são lidos;
Livros que leem apenas determinados capítulos;
Livros que um dia foram proibidos de serem lidos. Capítulos inteiros, sujos com sangue dos que interpretaram de forma diferente; ou questionaram o que estava escrito.

Estou em tua casa, me deste abrigo, me deste de comer, tentaste me afagar, tentaste me fazer ver. E em troca, tinha que renunciar os instintos que nasceram comigo.

Viver em perdição, andar por sete dias e se banhar em sangue.

Estou preso em tua casa como hospede acorrentado.
Me deste tudo, menos o poder de escolher o que, para mim, era certo ou errado.       


Marcos Martins.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Tem conto para vocês lerem

Bom  dia, boa tarde e boa noite!

Tem conto novo na aba de contos de meu blog, deem uma lida. click aqui para ler o conto


O LIVRO SOBRE UM CORPO DESNUDO


O home nu, deitado em sua cama de casal, tinha apenas um livro para cobrir a nudez. Parecia em paz consigo, mas o mundo explodia lá fora. Ele não podia fazer nada, apenas ficar deitado em sua cama, há mais de três dias desfeita, e deitado, nu, com o livro a cobrir o sexo, podia refletir, enquanto o mundo explodia lá fora. (...)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Meu poema - Fim do tempo -



Fim do tempo

Quando parei de contar os dias, meses, anos e a idade que tinha e a por vir, finalmente, pude sentir-me imortal, mesmo sem ter plantado uma árvore, escrito um livro ou ter tido filhos.

Quando parei de me preocupar com o tempo que nos aprisiona, finalmente, me senti mais leve, livre, em paz comigo e com a terra.


Marcos Martins.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Você já observou a vida das formigas? Poesia para degustação




Degustação

Produzo, produzo, produzo, mas sei que não há ninguém para mastigar meus doces, apenas formigas esfomeadas, apenas formigas que sabem o que deve ser feito - o fazem sem hesitar -, sem a culpa que nos é imposta assim que os cordões umbilicais são cortados e todos os sonhos começam a morrer.

Mas as formigas, essas não sonham – dádiva maravilhosa que Deus pode conceder a um ser - e isso faz toda a diferença, moldando o caráter, a fé, esperança, desesperança, vitórias e derrotas de cada um que come e não tem tempo para sentir os sabores, todos os sabores, ficando apenas os dissabores para serem degustados e digeridos, tenha fome ou não.


Marcos Martins.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

O tempo passa, a poesia fica e as flores, nos dias de hoje, morrem sozinhas sem serem contempladas da forma que deveriam




Flor no asfalto


Uma flor nasceu no asfalto. Todos ficaram chocados com tamanha audácia, mas começaram a parar suas vidas rápidas para notarem o quão linda estava à flor. De cor cintilante, nascida na selva de pedras, onde predadores com número 40 e salto agulha poderiam furar-lhe as pétalas nasceu à flor no asfalto.

Uma flor nascida, não se sabe como, nem o porquê, pois tudo tem seu porque – Não importa sua cresça, ou as razões para se fazer sangrar -.

Foi feito um referendo e todos os homens de gravata e paletós caros decidiram acatar o pedido da população, com suas vidas rápidas, e matar a flor que lhes distraiam e fazia com que parecem para por em prática a ociosidade da contemplação.

Foi arrancada do chão a flor que nasceu no asfalto cinza, de uma cidade cinza, com homens que calçam 40 e mulheres de salto agulha. 

Nasceu onde não devia a flor do asfalto, e por isso mesmo, foi morta como todos desejaram.

E a falta de amor seguiu;
E a falta de tempo seguiu;
E todos seguiram e sentiram-se mais seguros, sem uma ameaça que pudesse distrair os que seguem, na cidade dos não lugares.        


Marcos Martins.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Trecho de meu livro - Memórias de uma vida morta - onde conto a história de Banjamim, uma cara que começa a viver depois que morre




- É lindo sim. Sabe, fico imaginando se um tsunami viesse para cá, seria o fim desses arrecifes, do parque das esculturas, do marco zero – falava enquanto deslumbrava a paisagem - A propósito, me chamo Azrael sou um transportados, um anjo, mas pode me chamar de Malak, é mais fácil de se pronunciar.

Foi se apresentando e me estirando a mão para me cumprimentar. Por uns instantes relutei em apertar sua mão, mas ao cumprimenta-lo senti uma mão macia e que emanava um calor que nunca avia sentido antes.

- O que me aconteceu, como você sabe meu nome, como vim parar aqui, você é um anjo mesmo ou eu estou sonhando?

- São muitas perguntas Benjamim, vou te responder a mais importante, ok.

- Ok.

- Você morreu Benjamim, não foi uma morte honrosa, mas depois do século XX, são raras mortes honrosas.

Não podia acreditar no que acabara de ouvir, me senti tonto, o estomago embrulhou um pouco, achei que fosse desmaiar. 

- O que? Eu morri! Acho que vou vomitar.

- Não se preocupe isso sempre acontece com os marinheiros de primeira viagem – ele tocou em meu ombro e tentava me reconfortar.

- Como é que você diz uma coisa dessas para alguém, assim de uma vez só?

 - Gosto de ser direto – continuou - Vamos, vamos sair daqui, só espero que você não enjoe em barcos, temos que atravessar para o outro lado; temos que pegar o bonde.   

- Bonde, mais que bonde?

Ele não me respondeu e foi andando sem me dar atenção.

- Você tem dinheiro para darmos ao barqueiro? – perguntou-me.

- Dinheiro? Não sei se você notou, mas eu estou morto - não sei como pude dizer isso, pensei.

Enquanto Malak se afastava, para pegar o barco, eu podia sentir o mar, as ondas quebrando no paredão de uma forma diferente, era como se elas cantassem para mim uma música desconhecida, mas que me reconfortava.
  
- Droga! Já estou devendo uma grana pra esse barqueiro – falava Malak em vos alta, enquanto tentava fazer nascer um sorriso em seus lábios.

Um barco se aproximou e um senhor com um semblante alegre, que guiava o barco a motor, olhou para mim e deu um sorriso simples, porém cativante.

- Vai para o outro lado, Malak? – perguntou o barqueiro.

- Estou tentando ir, meu velho.

- São quatro reais.

- Meu amigo, você poderia deixar na conta?

- Você já vem com essa conversa há tempos, no dia em que você me pagar sua divida, eu me aposento.

- Quebra esse galho, meu velho. Não tenho culpa se eles sempre aparecem sem nenhum um tostão, mas prometo que te pago tudo no fim do mês.

- Tudo bem, mas que fique bem claro, se chegar o fim do mês e você não me pagar, vai ter que atravessar nadando.

- Vamos Benjamim, você tem que pegar o bonde. (...)