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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Impressão



Impressão


Não gosto de gosto amargo da vida;
Tem gosto de naftanila, tem gosto de anilina.

Vejo fotos nos jornais, violência me cada esquina;
Vejo fatos de animais de pessoas desconhecidas;
Vejo gestos tão boçais, vejo paz, vejo guerrilha;
Vejo luta pela paz, vejo a paz sendo vencida.

Se sei que estou vivo é porquê ainda respiro, respiro esse cheiro, esse cheiro poluído.
As leis não foram feitas para serem cumpridas - quem sabe omitidas? -.

A lei da selva não espera, ela age como uma fera e lhe come pouco a pouco, passando assim o desgosto de morrer: Pouco a pouco. Sem nada poder fazer, sem um lugar seguro pra crescer, com um futuro duro pra você...

Vejo fotos nos jornais, violência em cada esquina;
Vejo fatos de animais de pessoas conhecidas;
Vejo o horizonte tão perto, quase certo que vou cair nesse deserto de aflição;
Sem um copo d’água na mão ou um final pra minha canção.

Mas é só impressão.



terça-feira, 6 de abril de 2010

Celebração Há Vida



Já falei e nada fiz, quando será que não verei mais o dia nascer?

Entender-te já foi mais fácil, te tocar, pensei ser tocável. Te enxerguei, mesmo quando não estavas lá.

Hoje; eu recordo que ontem nada fui, hoje, eu recordo e choro; não mais imploro só me deixa com meus vermes nessa cova rasa nesse caixão que não me cabe o corpo, sem flores, sem vida, sem nada.

Não a para que chorar se as escritas são verdadeiras, não há caminho certo, a estrada, a razão, a vida é tudo balela; quanto a mim, não ligue, faça o que sempre tem feito; nada!

Marcos Henrique

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Eu, meu corpo e minha poesia



Eu, meu corpo e minha poesia


É difícil ser o que todos querem, nas esquinas tudo soa fácil e nada pode nós deter. Eu vi o que eu queria para mim e isso doeu tanto.

Eu quero ser eu;
Eu quero ter corpo, quero ter vida, mas nada me habita.

Talvez uma cor mais clara possa me dizer o que sempre quis ouvir, mas o carimbo para o lado bom quebrou, só restou burocracia.

Eu quero tentar, quero sorrir, quero ter fé, mas tudo é tão, injusto...

Há certas coisas que não devem ser questionadas, só cumpridas, só cumpridas e com o tempo tudo ficara melhor, todo ficara mais claro, tudo e eu nada. Tudo...

Estou melhor depois do desabafo que fiz, às vezes é bom se confessar, obrigado por tudo o que você não fez isso me ajudou a ver o mundo mais claro.

Eu sempre fugi, mas nunca encontrei, pois o que busco esteve sempre aqui, bem aqui, bem dentro de mim.


Marcos Henrique

sábado, 9 de janeiro de 2010

Poema do livro Segunda Era


Segunda era



Ser ou ser morte, ter ou ter vida, as horas passam rindo, a esperança já foi minha amiga.

Mundo ruindo, ruído, qual o sentido se não te sinto, não vejo, não respiro, não toco, não posso, não forço, não posso...

Não quero ouvir tua voz hoje, só hoje quero ser surdo, mudo, sentir meu suicídio, que bate forte em minha porta, não vou me vangloriar, não vou achar o que escrevo lindo, sempre sofro, sempre sou suicídio.

Ser ou ser morte, ser ou ser forte, ter ou ter espírito.

Não acendam as velas, ainda estou vivo!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Seu cu tem cabelo



Seu cu tem cabelo


Todos os dias eu penso em lhe cortar;
Todos os dias uma gilete para raspar;
Todos os dias essa porra a suar;
Todos os dias preciso me banhar!

Seu cu tem cabelo!?
Seu cu tem cabelo!?
Seu cu tem cabelo!


Marcos Henrique

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Felicidade



A chuva radioativa cai lá fora e eu aqui dentro não posso ir embora, meus pulmões estão com pus, mas eu não pus a culpa em você.


A radiação clareia tão bem a aurora, quase vejo os corpos queimados, só sinto o cheiro de corpos sem formato, ouço os gritos de agonia como um badalar de sinos me estourando os ouvido que já sangram.


As crianças choram porque nascem vivas. Tantos cabelos caindo pelo chão. Um olho olha para mim sem dono, quem perdeu a visão? Quem apertou o botão? Meus dentes caem pelo chão, minhas feridas não saram; estou bem, estou tão feliz, meu filho nasceu morto.


Não sei por que mais acho que a terra chora, não sei se Deus se foi ou se nós o mandamos embora, não choro mais; estou tão feliz, minha mulher morreu, só falta eu agora.


Não a mais comunicação; somos tão iguais agora; estão todos como eu; podres por dentro e podres por fora, que sorte a nossa, á morte vem e nos consola.
Estou tão feliz, sinto que vou morrer agora.