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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Primeira parte de meu conto "Mortos"



A morte sempre sopra no ouvi dos vivos antes de matar o corpo...

Era um dia lindo, crianças nascendo, noivas casando, batizados, muitos batizados e risos de alegria.

Mas como sempre existe um “Mas” em tudo, Nem tudo era perfeito.

- Não posso fazer mais nada, tudo está acabado.

O rapaz toma o maior número possível de comprimidos, engoli tudo e se deita em sua cama, com uma linda colcha cor de sangue vivo, minutos depois começa a se contorcer e a babar e, como quem tenta falar alguma coisa depois de cair com as costas ao chão, ele fica se esticando todo, olhando para o teto do quarto até seus olhos não apresentarem mais vida. Está morto. E por uns instantes tudo é escuridão absoluta e calmaria, mas na vida sempre vão existir os “Mas” e na morte também.

- Onde eu estou? - Pergunta o rapaz conseguindo sair de sua escuridão.

- Você não está nem no céu, nem no inferno – responde o ser meu homem meio animal alado.

- Quem é você? E o que eu estou fazendo aqui? – pergunta o rapaz meio perdido, olha para o horizonte infinito.

- Você não percebe o que aconteceu? – pergunta o ser.

- Eu estava no meu quarto e aí... Eu estou morto! É isso! Eu morri!? Achei que fosse falhar – diz o rapaz com um sorriso sombrio no rosto.

Ele não sabia, mas sua jornada só estava começando.

- E como foi meu enterro? Acho que não foi ninguém – falou.

- É você não tinha muitos amigos – disse o ser.

Continua...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sem Alma


Sem Alma
(Marcos Henrique)



Quatro cantos;
Quatro paredes, sem portas, mas estamos dentro;
Sem chaves, quase sem fôlego;
Gritando, quase sem força;
Esperando, sem calma;
Com sono, sem alma;
Com fome, sem tripas;
Com os nervos a mil, gritando a mil;
Sem ouvidos para ouvir – o desabafo da alma –;
Conversa fiada, o grito no nada não se propaga.

Roupas rasgadas;
Menina adormecida;
Garoto entorpecido;
Maníaco fugitivo.

Suspiros, suspiros.
O tido, o tiro.

Sem ouvidos para ouvir;
Sem um corpo cara cair;
Sem alma para possuir;
Sem casa, sala, sonhos, som, vida, lama, tristeza, alegria e dor.
Sem alma.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Modernismo Brasileiro


Modernismo Brasileiro é um movimento de amplo espectro cultural, desencadeado tardiamente nos anos 20, nele convergindo elementos das vanguardas acontecidas na Europa antes da Primeira Guerra Mundial - C2i0N0e, Cubismo e Futurismo - assimiladas antropofagicamente em fragmentos justapostos e misturados.
A predominância de valores expressionistas presentes nas obras de precursores como Lasar Segall, Anita Malfatti e Victor Brecheret e no avançar do nosso Modernismo, a convergência de elementos cubo-futuristas e posteriormente a emergência do surrealismo que estão na pintura de Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro e Ismael Nery. É interessante observar que a disciplina e a ordem da composição cubista constituem estrutura básica das obras de Tarsila, Antonio Gomide e Di Cavalcanti. No avançar dos anos 20, a pintura dos modernistas brasileiros vai misturar ao revival das artes egípcia, pré colombiana e vietnamita, elementos do Art Déco.

São Paulo se caracteriza como o centro das idéias modernistas, onde se encontra o fermento do novo. Do encontro de jovens intelectuais com artistas plásticos eclodirá a vanguarda modernista. Diferentemente do Rio de Janeiro, reduto da burguesia tradicionalista e conservadora, São Paulo, incentivado pelo progresso e pelo afluxo de imigrantes italianos será o cenário propício para o desenvolvimento do processo do Modernismo. Este processo teve eventos como a primeira exposição de arte moderna com obras expressionistas de Lasar Segall em 1913, o escândalo provocado pela exposição de Anita Malfatti entre dezembro de 1917 e janeiro de 1918 e a 'descoberta' do escultor Victor Brecheret em 1920. Com maior ou menor peso estes três artistas constituem, no período heróico do Modernismo Brasileiro, os antecedentes da Semana de 22.

A Semana de Arte Moderna de 22 é o ápice deste processo que visava atualização das artes, e a sua identidade nacional. Pensada por Di Cavalcanti como um evento que causasse impacto e escândalo. Esta Semana proporcionaria as bases teóricas que contribuirão muito para o desenvolvimento artístico e intelectual da Primeira Geração Modernista e o seu encaminhamento, nos anos 30 e 40, na fase da Modernidade Brasileira.