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quarta-feira, 21 de maio de 2014

Ofício


Ofício


Fiz um conto hoje, mas não soube lhe dar um título;

Fiz uma crônica hoje, porém não soube lhe dar um título;

Escrevi um romance e não soube dar nome aos personagens.

Fiz um poema hoje, mas não sei a que escola pertence - isso me fez um bem - e a paz, dentro de meu ser, voltou a reinar.


Marcos Martins.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Colo


Colo


Teu colo me acolhe sem fazer perguntas; 
Teu colo me resguarda do mundo que me toca e fere sem pena;
Teu colo – doce colo.

Colo de mãe protetora;
Colo santo;
Colo que acalma; que dá sem nada em troca buscar.
Colo gestacional. 

Teu colo me diz que devo permanecer um pouco mais, que a jornada é longa e meus pés ainda estão inchados.

Colo. Colo que me acalma; que me dá motivos para continuar a ter sonhos com um mudo menos só; menos vazio (coberto de gente); menos mal (repleto de gente que pisa superficialmente).

Teu colo;
Meu colo;
Teu colo me acolhe e me afaga;
Teu colo me guarda.


Marcos Martins.

sábado, 17 de maio de 2014

"



É vida que engole vida;
É gente que engole gente;
É selva que devora selva;
É realidade que nos castra o sonho.


Marcos Martins.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Mundo cão


Mundo cão


Quem é louco nesse mundo cão?
Quem é oco nesse mundo, irmão?
Quem é são nesse mundo louco?
Quem é sóbrio nesse mundo ébrio?

Quem tem cede e não prova d’água?
Quem tem fome e mastiga a magoa?
Quem tem dor e se puni em carne?
Quem tem carne e reparte o pão?

Qual teu pleito nesse mundo cão?
Qual teu pleito nesse mundo, irmão?
Quais teus medos – cicatrize nos ossos?
Qual teu sonho que já nasce morto?

Qual a mão que te bate o rosto?
Qual a mão que te afaga a carne?
Qual a vida que te foi negada?
Qual a magoa que teima em viver?

Mundo cão; 
Mundo cão;
Mundo cão.


Marcos Martins.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

ESCREVER E ADOECER A ALMA




ESCREVER E ADOECER A ALMA 

Escrever e adoecer a alma
Será uma dádiva?
Será uma benção?

Quem sabe ao certo esses fatos são apenas rotina crua - crua é minha vida. 

Sempre me sentindo um prisioneiro de mim mesmo.

A dádiva me foi dada e junto me veio a magoa, o medo e o eu sozinho. 

Não me importo como serei lembrado, se como um gênio ou um retardado. Apenas ouçam minhas poesias doentias, meu desabafo.

Chorem!
Riam!
Sejam o que não fui - seres livres!

Sem cortes nos pulsos, sem veneno circulando nas veias, sem saudade de um lugar que nunca foi visto por meus olhos cansados, não posso descrever, mas o sinto desde menino, desde a época clara, antes das trevas reinarem em meu pensar.

Fazer-me vida;
Fazer-me paz;
Fazer-me o que não sou – alegria -. 

Marcos Martins.

sábado, 10 de maio de 2014

LIBERTA-ME POETAR



LIBERTA-ME POETAR

Não sou tão metódico quanto me acusam;
Não sou tão eufórico quanto me censuram;
Não sei me portar em lugares fechados, é bem verdade.
Não piso em ovos
Não sei respirar na cidade.

O pensamento sufocante é a pior sensação que um poeta pode experimentar, pois, se repousa em seu âmago lhe consome o coração e o poetar. Se a poesia não se forma, não se transmuta, é pura letra morta sem paixão posta num pedaço de papel que nunca terá uma alma-poesia.

O cansaço me toma, eu sei, mas é preciso, é preciso poetar, assim como é preciso, é preciso sacrificar-se por quem se ama.

Não sou tão bom com pessoas;
Não sou tão bom em tentar ser bom;
Não sou tão bom em fingir ser o que a sociedade me cobra de forma silenciosa, mas sempre está lá.

Uma rima alegre me faria bem;
Uma musa inspiradora me faria bem;
Uma poesia alegre me faria muito bem.
Você senhor destino é quem me faz mal, pois sou teu escravo e do senhor nem o nazareno escapou.  


Marcos Martins.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

PRELO


PRELO


Sufoco meus sentimentos; 
Sufoco os anseios que se espremem em meu ser - Castro-os -.

À máquina domina cada vez mais o espírito humano, que deixa de ser cada vez mais demasiado humano, para ser demasiado opaco.

Os acontecimentos do novo mundo mostram velhos métodos de fazer sangrar.
E as rosas não florescem mais no tempo delas. 
E a angústia floresce cada vez mais cedo - morbidamente bela.

Um toque e posso quebrar;
Um toque e nunca mais serei o mesmo;
Um toque e o não sentir se apossa de mim;
Um toque – nostalgia que aflora e me faz olhar senilmente;
Um toque e comprimo o todo, o todo de uma parte maior que torcemos existir.


Marcos Martins.