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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Meu eu inerte



Meu eu inerte
(Marcos Henrique)


Minha irá vai me consumir.

Vou matar a poesia;
Vou matar meu falar;

Todos riem e eu choro nessa noite sem alegrias. Todos temem o fim, mas almejam agarrá-lo com as duas mãos em seus subconscientes. O fim é só o começo da vida quando me vou, quando me vou!

Feridas abertas e velhas cicatrizes já tão conhecidas, a última ceia e o gosto do arroto ainda se faz soluçar.


O pai que nunca tive me batia de mais. Quem matou a poesia?
Quem matou meu pensar?

Temos dor e tripas, temos tripas e fezes que lutam para se libertar. Se escrever me deixa livre, sou mais livre que Deus ou o diabo que vivem por suas próprias regras.

O último milênio e tudo é tão igual, comida sobre a mesa, mesa sem casa, casa sem paredes, paredes, prisão, mente vazia, cu, boca, solidão.

Fui eterno até ontem... Lá no alto tudo é tão cinza. Passos rápidos, rostos limpos e nada é igual à ontem.

Sempre pensem que liberdade fosse difícil de conseguir, mas é só pular sem olhar para baixo. Minhas asas vão aguentar? Quem sabe?


Sou um conquistador do acaso do mundo sem mundo, sem pés, sem chão, sem nada. Minhas lágrimas derretem meu rosto e tudo fica como a dois mil anos atrás, inerte em meu peito que dança um tango com instrumentos desafinados.

Escrever correto me entedia, eu me entedio de mim, sou tão insatisfeito de mim que jogo fora a mim e sem mim vivo melhor, vivo como homem livre. Vivo,vivo.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Picadeiro doentio

Picadeiro doentio
(Marcos Henrique)

Poetar! Poetar em mim.

Que triste fim, que triste fim para um palhaço fosco que nunca se fez rir. Hora chora em demasia pelo circo, pelo arlequim, outrora chora lágrimas claras pelo amor que nunca se fez sentir, pois a mulher barbada não o quis mais como homem. Pobre palhaço do soluçar ofegante.

Pobreza em amar quem não lhe quer. Tortura em amar quem tanto lhe quer e não o pode ver, tristeza em amar quem nunca amou. Chorar por quem nunca se vez merecer.

Ó! pobre homem de calças largas e gravata engraçada.

O amor é isso, um circo com homens se ceroulas a mostra, leões castros, domadores sem bigodes e mulheres flexíveis quem não sabem fazer café.

O amor é um picadeiro doentio e desordenado, com uma platéia que aplaude os infortúnios da vida alheia.

Esse poema é dedicado ao garoto que nasceu sem dons.



sábado, 24 de setembro de 2011

O mundo



O mundo

(Marcos Henrique)


O mundo está louco, e eu sóbrio esta noite;

O mundo está morto, e eu vivo como um bebê;

O mundo está morto, e eu tão só;

O mundo está morto, e eu perdido em esquinas cinza;

O mundo está morto, e eu buscando humildade;

O mundo está morto, e eu estou morto e sem alma.
Que dia é esse?

À hora teima em não chegar. A vida vai embora e não volta, sempre em minha hora de acordar.

Os dias já foram mais claros, meus olhos viam bem mais. E agora?

O mundo está morto, e eu, eu estou preso num turbilhão de dúvidas existencialistas e perguntas feitas.

O mundo está morto. Não. O mundo está triste e eu vagando por lembranças mortas.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Versos perdidos ao vento


Versos perdidos ao vento
(Marcos Henrique)

O Fogo não queima mais em meu peito;

Meu peito não bate mais um coração;

Meu coração é músculo com defeito, nessa vida cinza cheia de mórbidos desejos e doce alusão.

O tom de meu poetar, são diatônicas imprecisas, acordes desafinados, uma dissonante imperfeita que segue a risca as regras dos acordes fracos que toco em um violão desafinado. No fim do jogo me deito e canto canções desprovidas de tom, de voz, melodia, das lembranças de outras vidas vividas, ou dores que não senti em mim. E agora a hora me chega, me parte, me torce, deflora. E o tom que agora me consola me lembra que hoje não sou nada, nem ontem fui se quer.

Meus versos se perdem, não apertam as mãos. Coerência não é bem vida. Já existe civilidade e racionalidade de mais, mesmo que de forma tão burocrática.

O fogo não queima mais em meu peito porque acordei de meu longo sonho, onde só sonhava e não via nada além da beleza frágil que teimava em consertar, mas a cola acabou, e hoje, só vejo o que me faz pensar nessa triste sina que é a miséria humana, contada ao longo dos séculos, sofrida todos os dias que me sinto menos nesse não tão perfeito mundo perfeito.

domingo, 18 de setembro de 2011

DIEGO...

(Por Diego El Khouri)


Final do dia:

um abraço sem abraço

o beijo sem lábios

um olhar sem olhar

o café frio sem provar

o gosto amargo de amar

a noite fria sem esquentar

um jeito simples de falar.


Depois vem a madrugada:


a poesia a gritar

a melancolia a chorar

a música triste a cantar

o beijo amargo a saciar

a mente farta de pensar

a rima pra rimar

a saia justa a levantar

o corpo febril a gozar

a solidão ímpar a gargalhar.


Depois vem a manhã:


a roupa a enforcar

os dentes a escovar

o pão a alimentar

o ônibus a pegar

o cochilo a cochilar

o ponto a parar

a porta a arrombar

na loja a trabalhar

o telefone a tocar

o patrão a falar

o funcionário a xingar

e o diego a roubar

diego a roubar

diego a roubar

diego a roubar

diego a roubar

diego a roubar

diego a roubar

diego a roubar

diego a roubar

diego a falar

diego a esbanjar

diego a fustigar

diego a usurpar

diego a peidar

diego a sondar

diego a trepar

diego a chorar

diego a cagar

diego a vomitar

diego a menosprezar

diego a trancafiar
diego a roubar

diego a enganar

diego a esbanjar

diego a roubar
diego a roubar
diego a roubar

diego a fumar

DIEGO PAU NO CÚ!!!!!!!!!!!!!!!

Diego

a

calar.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quando tudo for dor


Quando tudo for dor
(Marcos Henrique)

Quando a dor parecer mais puras, vou encontrar o arco-íris em tons de cinza que sempre busquei e nunca pude tocar;

Quando a dor parecer mais pura, serei todo seu acaso. Todo seu, de coração e lagrimas;

Quando a dor parecer mais pura, mais terna, quero leite morno e torradas de alho;

Quando a dor parecer mais pura, meu rosto desfigurado será visto por todos e me servirá de orgulho, um orgulho heróico;

Quando a dor parecer mais pura, de nada mais me servira à maturidade;

Vou ter que lutar pela dor que teima em querer me abandonar, pois preciso de meus medos e demônios para ser um homem completo.

Quando a dor se for, serei só. Todo solidão, um drogado em abstinência, um eu sozinho, bandeira sem haste;

Quando a dor se for, não terei mais motivos para ser um ser vivo, pois de que adianta ter dentes e não se ter carne para mastigar e regurgitar;

Quando a dor se for e o paraíso vier, não terei para aonde ir, não terei para quem viver mais, pois todos os contos de fadas não me serviram mais de nada.

Quando tudo se for, só me restará à ironia de ter visto o quão pequenino, perdido e vão eu sou.

Obrigado a mamãe, papai e a todos os seres do invisível que me cercam. Até os que me sufocam.