sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Números e vida

Números e vida
(Marcos Henrique)
(Marcos Henrique)
1,2,3. Terminei. Só os números que não terminam nunca;
4,5,6. Terminei. Só os dias que não param de fazer-me sangrar;
301,302,306. Terminei. Meus sonhos não findam; minha ânsia não se extingue;
69,666,7. Terminei de contar, mas os números continuam rumo ao infinito, rumo ao horizonte que nunca terei. Será que se eu deixar de contar os dias, poderei viver sem expectativas, sem ânsias de querer voar.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Continuação de Mortos Parte III

Onde o jovem se encontrava era belo, flores perfumavam o lugar, árvores enormes davam sua graça, cachoeiras com águas cristalinas, rios cheio de vida, De repente, ele olha e observa que em sua direção vem uma espécie de infantaria; cavalos com cabeças pegando fogo servem de montaria para homens sem olhos, catapultas são armadas e são lançados fetos ardendo em chamas de mulheres que abortaram.
O ser pergunta ao rapaz de que lado ele pretende ficar.
Do lado da justiça – responde o rapaz.
- Então vá para o outro lado – diz o ser.
O rapaz fica espantado e lhe vem um aperto no coração.
- De que lado você luta – pergunta o rapaz.
- Do lado do ser mais puro que Deus já vez, Lúcifer! – responde o ser.
O rapaz fica atônito, não sabe o que pensar, em toda sua vida ele imaginava que o diabo era um monstro, um ser feio aos olhos humanos.
- Vejo que você não aprendeu nada, humano tolo – diz o ser com ar de superioridade.
- Esse exército de demônios que você vê, não é de meu senhor, e sim de teu Deus, ele despreza os suicidas e fetos que são abortados, eles não servem para sua vaidade – fala o ser com ódio nos olhos.
- Não! Não pode ser...! – fala o rapaz com os olhos em pranto.
- Sim! Esses seres alados que você vê; e essa infantaria que vem em nossa direção é de teu Deus – diz o ser abrindo suas asas e demonstrando imponência.
- Prefiro que corte minha cabeça, a ficar do teu lado demônio, que Deus te perdoe as ofensas e tenha piedade de tua alma – responde o rapaz erguendo o punho fechado.
- Se é assim, não tenho outra escolha - fala o ser desembainhando sua espada.
O brilho da lamina cega por alguns segundo o rapaz.
Continua...
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sábado, 3 de dezembro de 2011
Continuação de Mortos Parte II

No céu, estavam travando uma longa batalha que já durava milênios, demônios tentavam invadir e destronar Deus. Os anjos estavam perdendo a batalha, então homens também tinham que lutar. Homens e anjos se misturavam, asas e lanças se misturavam dor e lágrimas se misturavam.
- O que terei que fazer? – perguntou o rapaz.
- Terás que lutar, para poder ficar livre – respondeu o ser.
- Mas, aqui eu sou livre, não sou? – Perguntou.
- Não, não é. Você foi convocado – disse o ser.
Convocado, mas eu estou morto e estou no céu, não posso ser convocado aqui – disse o rapaz com um espanto em seu rosto.
Então, o ser meio homem meio animal começou a lhe explicar as regras do caos.
- Você tirou sua própria vida, sua alma estará condena ao tormento eterno, Deus lhe está dando uma chance, se você lutar por ele, sua alma será salva, se não...
- Quer dizer que ou eu luto, ou vou para o inferno – interrompeu o rapaz.
- Não, você vai para um lugar pior que o inferno – respondeu o ser abrindo suas asas.
- E se eu morrer aqui? Não posso morrer aqui não é? – perguntou o rapaz.
- Sim, aqui se você for destruído, vira infinito, vira poeira, se junta ao nada, ao caos – respondeu o ser com um brilho no olhar.
- E como se mata o que já está morto? – perguntou o rapaz.
- Aqui nesse instante você não está vivo, você acha que esse é seu corpo, que está com essas roupas, que agora está respirando. Tudo está em sua mente.
O rapaz ficou intrigado e com medo, apertou as mãos e perguntou ao ser.
- Então quer dizer que se deceparem minha cabeça viro nada – falou o rapaz com a voz tremula.
- Sim – respondeu o ser.
E nesse momento um clarão se formou, um estrondo cortou o céu e as nuvens ficaram da cor de sangue, ouvia-se choro de crianças, mulheres gritando e gritos horríveis de agonia e tormento, o rapaz sentiu um calafrio e o medo lhe paralisou todo o corpo.
Bestas aladas rasgavam as nuvens, uma carruagem com cavalos em chamas corria por sobre as nuvens, eram guiados por uma besta metade homem, metade pássaro de olhos negros e mortos, ele erguia a mão e de súbito uma legião de demônios, com seios de mulheres e genitálias masculinas, apareceram rasgando tudo e todos que estavam em seu caminho, não poupavam nem as crianças. Os anjos voavam com lanças em direção ao exercito de demônios, raios e trovões se espalhavam num barulho ensurdecedor. O paraíso estava em guerra.
- O que terei que fazer? – perguntou o rapaz.
- Terás que lutar, para poder ficar livre – respondeu o ser.
- Mas, aqui eu sou livre, não sou? – Perguntou.
- Não, não é. Você foi convocado – disse o ser.
Convocado, mas eu estou morto e estou no céu, não posso ser convocado aqui – disse o rapaz com um espanto em seu rosto.
Então, o ser meio homem meio animal começou a lhe explicar as regras do caos.
- Você tirou sua própria vida, sua alma estará condena ao tormento eterno, Deus lhe está dando uma chance, se você lutar por ele, sua alma será salva, se não...
- Quer dizer que ou eu luto, ou vou para o inferno – interrompeu o rapaz.
- Não, você vai para um lugar pior que o inferno – respondeu o ser abrindo suas asas.
- E se eu morrer aqui? Não posso morrer aqui não é? – perguntou o rapaz.
- Sim, aqui se você for destruído, vira infinito, vira poeira, se junta ao nada, ao caos – respondeu o ser com um brilho no olhar.
- E como se mata o que já está morto? – perguntou o rapaz.
- Aqui nesse instante você não está vivo, você acha que esse é seu corpo, que está com essas roupas, que agora está respirando. Tudo está em sua mente.
O rapaz ficou intrigado e com medo, apertou as mãos e perguntou ao ser.
- Então quer dizer que se deceparem minha cabeça viro nada – falou o rapaz com a voz tremula.
- Sim – respondeu o ser.
E nesse momento um clarão se formou, um estrondo cortou o céu e as nuvens ficaram da cor de sangue, ouvia-se choro de crianças, mulheres gritando e gritos horríveis de agonia e tormento, o rapaz sentiu um calafrio e o medo lhe paralisou todo o corpo.
Bestas aladas rasgavam as nuvens, uma carruagem com cavalos em chamas corria por sobre as nuvens, eram guiados por uma besta metade homem, metade pássaro de olhos negros e mortos, ele erguia a mão e de súbito uma legião de demônios, com seios de mulheres e genitálias masculinas, apareceram rasgando tudo e todos que estavam em seu caminho, não poupavam nem as crianças. Os anjos voavam com lanças em direção ao exercito de demônios, raios e trovões se espalhavam num barulho ensurdecedor. O paraíso estava em guerra.
continua...
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Primeira parte de meu conto "Mortos"

A morte sempre sopra no ouvi dos vivos antes de matar o corpo...
Era um dia lindo, crianças nascendo, noivas casando, batizados, muitos batizados e risos de alegria.
Mas como sempre existe um “Mas” em tudo, Nem tudo era perfeito.
- Não posso fazer mais nada, tudo está acabado.
O rapaz toma o maior número possível de comprimidos, engoli tudo e se deita em sua cama, com uma linda colcha cor de sangue vivo, minutos depois começa a se contorcer e a babar e, como quem tenta falar alguma coisa depois de cair com as costas ao chão, ele fica se esticando todo, olhando para o teto do quarto até seus olhos não apresentarem mais vida. Está morto. E por uns instantes tudo é escuridão absoluta e calmaria, mas na vida sempre vão existir os “Mas” e na morte também.
- Onde eu estou? - Pergunta o rapaz conseguindo sair de sua escuridão.
- Você não está nem no céu, nem no inferno – responde o ser meu homem meio animal alado.
- Quem é você? E o que eu estou fazendo aqui? – pergunta o rapaz meio perdido, olha para o horizonte infinito.
- Você não percebe o que aconteceu? – pergunta o ser.
- Eu estava no meu quarto e aí... Eu estou morto! É isso! Eu morri!? Achei que fosse falhar – diz o rapaz com um sorriso sombrio no rosto.
Ele não sabia, mas sua jornada só estava começando.
- E como foi meu enterro? Acho que não foi ninguém – falou.
- É você não tinha muitos amigos – disse o ser.
Continua...
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Reflexões de minhas fantasias
Reflexões de minhas fantasias
(Marcos Henrique)
(Marcos Henrique)
Não consigo ter inspiração, minha musa dorme, ou morreu de tédio por ter ficado muito tempo perto de mim, dentro de mim. Não consigo enxergar mais nada que me atraia, talvez seja eu, talvez seja Vênus, talvez seja a vida.
Recortes de jornais, palavras repetidas, dor, raiva, ira. Faço uma auto-analise, não sei me analisar tão bem, confesso. Deixo, defeitos passaram e virtudes se esconderem. O real não me fascina mais, mas sinceramente a quem fascina?
Já falei de mais de minhas dores, angustias, dúvidas e dissabores. Analisado meu ciclo de vida, vejo que algumas células nunca desabrocharam, nunca desabrocharão porque meu tempo passou, meu futuro virou passado, antes mesmo de se tornar presente, antes mesmo de se tornar palpável. Agora, a única coisa que me deixa feliz são filas de lotéricas, poder ficar ali parado, vendo as coisas passarem, as coisas que ninguém nota, como, por exemplo, os apostadores que fazem caras e bocas ao marcarem seus cartões, marcam os números já sonhando com a vida que dificilmente terão. A vida que terão só faz sentido em suas mentes, porque ninguém suporta a realidade, ninguém suporta uma fila de lotéricas simplesmente para pagar contas reais. Ninguém suporta os juros, ou o ônus da vida.
Não consigo ter mais nenhuma inspiração, não consigo mais imaginar nada, o que será de minha insuportável vida agora? Sai da caverna e, não gostei do que vi. E essa ida, essa saída, é sem volta, pois provei o que todos evitam, provei o gosto amargo de não poder imaginar mais nada. Como era feliz quando apenas imaginava como seriam as sombras que passavam, passavam e nunca me notavam. Como era feliz, quando podia fantasiar minha salvação.
sábado, 26 de novembro de 2011
Céu de brigadeiro

Céu de brigadeiro
(Marcos Henrique)
(Marcos Henrique)
Sons da perdição me guiem, me mostre à direção para o lado errado de minha vida. Sou um perdido com uma bússola que não sabe usar.
Meu pecado foi ter curiosidade, foi ter buscado respostas nas horas inconvenientes do dia, mas não me arrependo de ter te pedido abrigo, pois você foi o único que me estendeu as mãos, calorosamente sujas, verdadeiramente puras.
Quando todo o céu queimar e os anjos não tiverem para aonde ir, poderei ser o que sempre quis ser - um mensageiro de palavras falsas -, das graças que sempre me desgraçaram.
Não, não sei como ser o que você quer. Não consigo aceitar tuas verdades fracas e comprometidas com tua subserviência. Nunca poderei mudar o que me tornei. Nunca mais fecharei os olhos para mim.
Gostaria de compor, de ser um músico, ser um menestrel maldito que só revela coisas feias e fracas, mas não sei afinar meu instrumento, ou aquecer a voz. Fechei os olhos para o senhor razão, mas posso sentir o toque de seus dedos rosando em minhas mãos, em meu corpo.
Que todos os santos tenham piedade de minha índole;
Que todos os sábios possam me entender. Possam ouvir minha voz, meu clamor, ou melhor, não me ouçam, cansei de gritar ao vento.
Que todos os santos possam ouvir minha canção de ninar de morte, onde ponho o senhor morte para sonhar com crianças comendo algodão doce, brigadeiros quentes e, todas absolutamente todas, não sabem rezar nem um pai nosso, nem uma ave Maria.
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