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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Juntos, somos um todo, sozinhos sou nenhum!



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Abraços virtuais a todos!
Marcos Hernique.

Continuação de meu conto - Contos e Retalhos


- Calma Pedro, não queremos que seus pais acordem não é verdade? – fala a fada se revelando para o garoto.

- Você é linda dona fada dos dentes – fala o garoto embriagado com a beleza da fada.

- Obrigada Pedro, você também é um belo garoto e sei que é muito educado e estudioso – continua a fada – por isso vim até aqui para te conceder esse desejo, pois apenas faço isso para garotos bons iguais a você.

- Então quando poderei ganhar minha bicicleta? – pergunta o garoto já de pé na cama.

- Calma Pedro, as coisas não funcionam bem assim – responde a fada com um brilho em seus olhos – Sou uma fada dos dentes, então preciso de dentes para poder conceder desejos e o seu é muito difícil por isso precisarei de...

Pedro olha e escuta atendo, o mundo poderia estar acabando fora de seu quarto que o garoto não ouviria nada, apenas a voz da fada.

- ... Preciso de todos os seus dentes.

Pedro põe as mãos na boca e fica um pouco assustado – todos os meus dentes? – pergunta o garoto.

- Sim – continua a fada – Porém não fique preocupado, não os quero agora, só daqui a dez anos.

- Dez anos? – pergunta Pedro abrindo apenas uma brecha entre as mãos para poder falar e logo volta a cobrir sua boca.

- Em dez anos você poderá me dar seus dentes, e como já será um homem, “um astronauta”, poderá comprar novos dentes – a fada continua tentando persuadir o menino – seu pai não tem dentes que mandou fazer?

- Tem sim – responde Pedro.

- Então você pode fazer o mesmo e como já será um astronauta você terá muito dinheiro para poder comprar quantos dentes quiser – fala a fada dos dentes se aproximando revelando assim toda sua forma belíssima de se ver.

- Mas só daqui a dez anos né? – pergunta Pedro.

- Claro, dou minha palavra, mas tem uma coisa – a fada toca na mão do garoto de forma suave – você não poderá contar a ninguém.

- E se meus pais perguntarem o que vou dizer? – pergunta Pedro.

- Diga que foi o menino Jesus – responde a fada dos dentes.

Pedro olha para a fada sua cabeça diz que tem algo de errado, mas seu coração inocente de criança deseja tanto aquela bicicleta que se deixa seduzir e concorda com a fada selando seu compromisso com um beijo na testa da fada dos dentes.

- Agora durma – continua a fada – amanhã você terá sua bicicleta.

- Do jeito que eu quero? – pergunta Pedro se arrumando na cama.

- Será a bicicleta dos seus sonhos, mas daqui a dez anos não faça nenhuma viagem espacial antes de me dar seus dentes – fala a fada com um lindo sorriso.

- Não se preocupe nunca deixei de cumprir uma promessa – diz Pedro se cobrindo e fechado os olhos num sono mágico.

- Eu conto com isso Pedro, conto com isso – diz a fada dos dentes e desaparece como que por encanto.

O dia amanhece e logo que acorda o garoto corre para a sala e a bicicleta está lá como prometido.

- Mãe! Mãe! - grita o menino desesperado para que seus pais venham ver a maravilhosa surpresa.

Seus pais ainda meios tontos de sono e com trajes de dormir chegam na sala e se deparam com uma visão que para eles parecia uma miragem.

- Quem colocou isso ai garoto?! – pergunta o pai de Pedro.

- Foi o menino Jesus pai! Foi o menino Jesus! – grita Pedro já montando em sua bicicleta.

- Mais, mais... Isso é impossível! – fala o pai incrédulo.

A mãe de Pedro se ajoelha começa a chorar e a rezar – só pode ser um milagre! – fala a mãe do garoto com lágrimas nos olhos

- Tem algo de errado aqui – fala o pai de Pedro.

- Não tem nada de errado pai, foi o menino Jesus que ouviu minhas preces, as minhas e as da mamãe! – diz Pedro eufórico com o presente.

- Desça já daí garoto! Essa bicicleta deve ter um dono – continua o pai de Pedro puxando o garoto pelo braço o tirando de cima da bicicleta bruscamente – eu vou achar o dono dessa bicicleta. Você a roubo Pedro?

- Não pai eu juro que não!

- Você não ouviu o menino dizendo Carlos, foi Jesus que nos deu esse presente – fala a mãe de Pedro acreditando no milagre que o filho acabará de contar.

- Você só deve estar louca Sandrea, não está vendo que Deus ou Jesus, ou Buda ou o diabo iria se importar com um pedido desses – continua o pai de Pedro – o que pensa em mulher?! Porque Deus não curou seu pai quando morreu de leucêmica, ou fez crescer um novo braço no filho dos Almeidas?! O que nosso filho tem de tão especial que Jesus deu a ele uma bicicleta?!

- Eu vou ser astronauta pai! – fala Pedro chorando tentando tocar na bicicleta – Eu vou ser astronauta!

- Astronauta! – continua o pai de Pedro – olha aqui muleque chegou a hora de você crescer!

- Carlos não! – grita Sandrea.

- Olha bem nos meus olhos garoto, nada surge assim do nada, Jesus nunca te daria um presente desses e Papai Noel não existe, entendeu! Sempre fui eu quem te deu todos os presentes que você recebeu nos natais, eu Pedro! – esbraveja Carlos sacudindo o garoto pelo braço.

- Não! Não é verdade! – grita o menino em prantos – Não é verdade não é mãe?! Não é mamãe?!

Sandrea apenas olha o filho e chora sem saber o que dizer. Pedro se solta das garras do pai e vai chorando para o quarto onde fica trancado chorando aos prantos na cama, junto com suas lágrimas sua inocência é maculada.

- Precisava ter feito isso Carlos! – grita Sandrea.

Carlos apenas olha para a bicicleta, ele se desconecta por completo, não ouvi uma só palavra da esposa, na cabeça de Carlos só há lugar para uma coisa: Como aquela bicicleta foi aparecer ali.

Continua...

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Estou grato por tudo o que você não me fez.



Estou grato por tudo o que você não me fez
(Marcos Henrique)


Estou grato por tudo o que você não me fez;
Estou só, dentro de você.
todos respiram seus vícios, isso não é de tudo ruim.

Eu não acredito mais em você. Me faz voar num vou rasante por sobre minha alma, que talvez, talvez possa voltar a te sentir.

Todos os segredos secretos que você me contou me fizeram muito mal, mas te perdoo por tudo o que não sou.

A cadeira continua lá, sem você para sentar;
Meu espírito ficou bem aqui nessas marcas de sangue que seu fluxo sugou para o inferno.

Eu não acredito mais em você.

Jogo de xadrez, foi isso o que me tornei;
Ao sul, o belo está morto. Todos os dias eu rezo por você.

Meu parto já se aproxima, mas meu bebê morreu antes de sorrir, coloquem perto de meu rosto para que eu possa lhe sentir. Agulhas me furam sem parar, meus olhos olham o que ninguém conseguiu ver.

A cadeira continua lá, sem ninguém para sentar. Quanto a mim? Continuo, continuo, continuo com minhas vidas.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Estive dentro



Estive dentro

Estive dentro do chão, tenho pernas e não posso andar. Tenho bons sonhos, pois todos dizem adeus.

Fico sempre a espera, uma luz onde não há, mas, todos dizem adeus e não posso acenar.

Dentro do medo há mais medo;
Dentro do medo há mais medo;
Dentro do oco de meu pensar.

Não há mais lugar num corpo que não pode andar.

Me de uma morte lenta, um copo de eutanásia para gargarejar e, não finja que já fui bom, que todos possam sonhar e isso se aplica aqui nesse mesmo lugar inerte.

Dentro do medo há mais medo;
Estive dentro do impensado e tudo foi tão rápido que morri só, sem poder respirar.

Marcos Henrique

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sei que

Fumar pode F com sua vida

Sei que


Eu sei que você sabe que eu também sei, me desculpe, às drogas não me fizeram bem;

Os dias passam rápido, os tesouros terminam aqui, sem nunca terem sido enterrados;

Deus me ajuda para ser forte como nunca me senti, o passado me sacode, o horror me morde. Quero te ter em meus braços finos e fortes, quero poder te acolher, você me olha e me desmonta como tudo que sabe. Você me fez.

O horizonte é tão longo que não da para tocar e o céu fica no meio onde posso me olhar;

As paredes estão frias e a casa a se olhar com lembranças repentinas de uma vida que não há;

Eu sei que você sabe que eu também sei, eu sei que você sabe o que eu não sei;

Eu sei! Eu sei! Eu sei!!! Não, não sei.


Marcos Henrique.

sábado, 29 de outubro de 2011

Um dia ouvi Deus no rádio


Um dia ouvi Deus no rádio
(Marcos Henrique)

Um dia ouvi Deus no rádio e todos não escutaram;

Continuo andando em círculos sem poder para, sem poder parar...

Hei! Todos vocês, escutem Cristo, ele estava certo, o deserto não é lugar para se andar sozinho no escuro.

E todas essas coisas que só você mesmo para me dizer: Ser é melhor que ter.

Sou louco por dentro e o que sobra nada mais se aprova, minha mente não mais é minha. E todas essas cores. Onde ele está? Onde ele está?

Eterno tormento, pássaros que passam e se vão. Meu elo com o eterno ficou bem aqui onde não posso tocar. Todo louco tem razão e suas verdades são puras, não puritanas.

Quem definiu o que é loucura?
Quem definiu o que são as coisas?
Quem me projetou tão imperfeito?
Quem se mostra por inteiro, a não ser pela dor.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Continuação de meu conto - Contos e Retalhos


Pedro ainda sonhava com sua bicicleta, depois de conseguir a bicicleta, virar astronauta seria muito mais fácil, assim pensa o garoto com toda sua inocência, toda noite ele rezava e como seu aniversário era no mês de dezembro reforçava suas orações, pedido a Papai Noel que desse uma ajudinha.

Os dias se passaram e os pais de Pedro não conseguiam a tão falada bicicleta. Era noite faltavam apenas algumas horas para Pedro completar 11 anos, ele nascera às 03h47 da madrugada, o relógio marcava 24h50 da madrugada, Pedro dormia no silêncio da madrugada quando de repente uma luz se formou em seu quarto, sua cama tremeu e seu corpo estremeceu. Pedro acordou meio sonolento e ouviu uma voz doce a chamá-lo.

- Pedro, Pedro! Não tenha medo, não vou te machucar – dizia a voz.

- Quem está ai? Não é o Papai Noel, nem o menino Jesus? – disse o menino – quem é você?

- Sou a fada dos dentes e quero te presentear – dizia a voz doce sem revelar sua forma.

- Foi Papai Noel ou o menino Jesus que te mandou até aqui? – Perguntou Pedro em sua inocência de menino.

- Não, não foram eles, mas sei tudo o que se passa com você – continuou a voz – Sei o que você mais deseja nesse mundo e posso te dar...

- Pode...?! – falou o garoto excitado sentando-se na cama, pois a ânsia de ganhar sua bicicleta era maior que qualquer medo do escuro ou do sobrenatural, mas o que seria sobrenatural para um garoto que acreditava em Papai Noel?

- Você deseja uma bicicleta, não é verdade?

- É sim! É Sim! Você pode me dar? – fala Pedro quase em pé na cama.

Continua...