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sexta-feira, 20 de março de 2015

Eu te amo


 Eu te amo

Por que todos dizem “eu te amo” de forma automática?
Por que todos dizem “eu te amo” de forma pragmática?
O amor, o amor nos tempos atuais não serve, não cabe nos bolsos, não cabe no peito, não se encaixa na poesia.

O amor foge, corre, teme ser morto, teme ser esquecido por inteiro.

Por que todos dizem “eu te amo” e nada do amor se brota?
Por que todos dizem “eu te amo” e mais crianças morrem em guerras idiotas?
Por que todos dizem “eu te amo” sem saber se amam?

O amor não serve mais para nós.
O amor ficou esquecido em livros empoeirados, em estantes enferrujadas, e nunca serão lidos.

O amor, Ah! O amor.
O amor que finjo sentir é o mesmo que faz com que matem sem piedade, se medo de respingar sangue nas mãos.
Por que todos dizem “eu te amo” se o amor não habita mais aqui?


Marcos Martins.

quinta-feira, 12 de março de 2015

DORES QUE GUARDO EM UMA CAIXINHA DE MÚSICA QUEBRADA


DORES QUE GUARDO EM UMA CAIXINHA DE MÚSICA QUEBRADA


Não tinha dinheiro para comprar o último livro do último poeta vivo;
Não tinha vontade de morar embaixo da ponde Duarte Coelho;
Não podia sorrir enquanto todos morriam em guerras sem sentido;
Não foi mais o mesmo ser que um dia já sorriu ser.

Todos os caminhos levam a morte;
Toda morte já gritou pela vida;
Toda vida, um dia, já perdeu seu sentido;
Todo sentido já foi dor, medo e agonia.

Um poeta bêbado perambula pelas ruas de meu inferno pessoal,
me declama poesias sem rimas,
me faz sentir que não há porque se estar vivido e serelepe, enquanto crianças sofrem sozinhas dentro de um quarto cinza de hospital.

Não há cruz para todos;
Não há penitencia que me limpe o espírito; 
Não há amor dentro de meu peito murcho;
Não há luz dentro de meu olhar perdido.

Já quis ser um novo homem, mas era tarde de mais, era tarde de mais para mim, para eles, para todos, pois o homem sucumbe em sua própria lama e não há nada, nem cola que possa consertar o que quebramos nos últimos séculos, pois uma taça de cristal quebrada continua sendo uma peça incompleta, com pedaços de si espelhadas, perdidas, que não podem ser restauradas.

Não conseguiu concretizar seu último pedido;
Não sabia como pedir paz sem ferir o que os homens denominam ser inimigos;
Não ouviu mais aquela musica, dentro daquela caixa que lhe dava motivos para se sentir em paz.

Tudo foi quebrado. 
Não, não adianta, não mais.

Marcos Martins.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

ANALOGIA DO POETAR


ANALOGIA DO POETAR


Fazer poesia que fere;
Fazer poesia que marca;
Fazer poesia que faz refletir a mais atormentada alma.

Um soneto seria bem vindo, mas não tenho a melodia rítmica contida em mim. Não a ponto de fazer um soneto.

Fazer poesia por prazer;
Fazer poesia para saciar o caos, saciar o caos contido em meu espírito cheio de espinhos.

Não me preocupa a métrica, o ritmo, os decassílabos, pois sou ser livre que escolho onde piso.

Fazer poesia mórbida;
Fazer poesia que para alguém faça algum sentido;
Fazer poesia que não faça sentido algum, pois há coisas que devem ser deixadas de lado o significado e sentir, apenas sentir o que vem de dentro, o que vem do mistério em cada um de nós contido.

Fazer, dar a luz e deixa-la seguir, deixa-la ir para aonde outros possam transformar a íris em rios translúcidos de sentimentos que não se possa nomeá-los com certeza.

Fazer uma poesia que me lave a alma e leve de mim todo o mal que um dia em meu corpo esteve contido.



Marcos Martins.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Retomando as atividades. Poema: O HOMEM ENFERRUJADO


O HOMEM ENFERRUJADO


Quando a luz solar adentrou pela brecha do quarto, morbidamente escuro, e tocou as pontas dos meus dedos, senti que ainda fazia parte de algo, que ainda era uma peça no tabuleiro.

Pude notar que meus velhos dedos enferrujados ainda podiam se mexer a minha vontade – por mais escassa que ela houvesse se tornando.

Todos riram de mim quando falei com sinceridade, quando me expus como uma criança que acabara de nascer: sem vestes. Inocente. Pura. Ingênua.

Ei! Meu bem, eu sempre estive aqui, nos bons e maus momentos, sempre acolhi tuas lágrimas, enxuguei tua face e te pus para dormir – você que nunca sentiu.

Não tem sido fácil, mas nunca disseram que seria.

Levantar tem sido tão difícil quanto aceitar todas essas mortes brutalmente sem sentido. Os pratos esperam sobre a mesa por mim que já não tenho paladar. E toda essa poeira que cobre meu corpo, como um manto sangrado (uma manto sagrado em um corpo profano), não me esquenta o coração... Coração? Coração que já não sei o porquê de ainda bater com deveras força. 

Ei! Meu bem, o fogo que queima por dentro não é nada além de fogo, e o amor no fim das contas não vence a razão – não vence o real.

Não sei se não tenho mais forças, ou se não quero mais levantar. Levantar para quê? Lutar por quê?  Lutar, por que sempre tem que se lutar (soldados nunca andam com bandeiras brancas nos bolsos, pois podem mancha-las com sangue).

O melhor seria ficar onde estou, o melhor é continuar sentido a ferrugem corroendo minhas juntas; vísceras; lembranças – partes doloridas de meu corpo.

Deixem que eu enferruje, deixem que me torne uma lembrança vaga, daquelas que não se sabe se é real ou apenas o cérebro pregando uma peça.

Ei! Meu bem, eu sempre acolhi tuas lágrimas e por esse fardo é que me encontro aqui, inerte, diante dessa quarto cheio de vazio, dentro de um corpo desabitado, enferrujando esquecido a mínguam, enquanto o sol, já fraco, ainda se faz presente por entre as brechas dessa quarto que assiste o consumir de um ser, que já não sabe mais se é real ou fora imaginado.    


Marcos Martins.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Devaneios Literários e afins: Tanto tempo fora de mim

Mais uma de minhas crônicas poéticas no site do jornal on-line Folha de Perdões.

O mundo está louco, ou só minha pessoa?

Tenho refletido nesses últimos dias sobre nossa existência e isso me fez lembrar do conto A igreja do Diabo, do Mestre Machado de Assis (mestre com M maiúsculo pois, particularmente falando, Machado foi um escritor singular. Digo isso por ele ser único como escritor. Mas é minha visão pessoal, podem descordar a vontade), no conto, o tinhoso faz uma proposta a Deus, de mostrar ao criador que os seres humanos não são flor que se cheire (não vou contar aqui o conto para que vocês possam lê-lo e não estragar a surpresa).

(...)

HABITA-ME


HABITA-ME

Esse ser que me habita, faz-me escrever em transe;
Esse ser que me habita, faz-me experimentar sensações constantes;
Esse ser que me habita, embriaga-me para fazer amor comigo sem culpa por me embriagar;
Esse ser que me habita, torna-me caverna platônica viva;
Esse ser que me habita, faz com que eu escreva essas linhas sem saber aonde vou pousar.

Ser que me habita, sempre podes entrar e eu mim fazer morada, és parte de mim – mistura complacente, meu ser inconstante.

Habita-me;
Consome-me;
Deleita-se em meu existir, pois sem ti nada sou – nem verbo, nem substantivo, nem em adjetivos posso estar contido.


Marcos Martins.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Mórbida aspiração



Mórbida aspiração



Quero ser teu parasita;
Quero roubar tua alma;
Quero roubar tua vida;
Tudo o que você tem e sonha em conquistar.

Quero roubar teu presente, passado e o por vir;
Quero roubar tuas alegrias, teus olhos, tua angustia, dor, anseios, medo, morte, razões e porquês;
Quero roubar tua forma de ver a vida.
Quero ser o mundo como você vê.

Sou teu parasita, vivo em tuas vísceras, me alimentando de teus desejos, de toda tua luta para sobreviver nesta, e se existir outra, vida.
Eu sou teu parasite. Quero roubar teu céu, sonhos, sons que te ninam, todas as idéias que idealizas; projetos concretizados, aplausos bem sucedidos, sorrisos, teu suor a métrica em tuas poesias.

Quero sugar a alma que enxergo em tuas retinas, ser o parasita que te habita, pois, sem você em mim, não há vida, nem há razões para meu ser.




Marcos Martins.