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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Segunda era.

13/10/2002


Larvas flamejantes brotam em mim, um queimor, uma febre que não cessa meu corpo; não sinto meu espírito, o que é mesmo isso?

O que foi?!

O que aconteceu?!

Por que essa insônia?!

Por que a claridade me dói os olhos?!

Uma dor aguda me corta de canto a canto. O sol lá alto, imponente, nunca será tocado, eu nunca serei tocado, nunca serei violado, mesmo depois de morto, podre, decrépito, nunca serei tocado, nunca serei eu mesmo de novo, nunca; é uma palavra que me causa medo e dor, meu suicídio tem feições de menino, minhas feições, meu rosto, meus olhos, todo meu corpo, todo meu ser, tudo, tudo...

...Eu nada sou eu nada encontrei meu poema suicida nunca será entendido porque ainda respiro, eu me acho dor, eu me sinto dor, a dor se materializa em mim, em mim! Como gostaria de olhar no espelho e ver um rosto sorrindo, a angustia da alma me tortura me maltrata, que tipo de homem eu sou? Que tipo de dúvida eu sou?

Meus pulsos estão com cicatrizes profundas, meus olhos estão negros e sem vida, mais não acendam as velas, ainda estou vivo.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Eu, meu, corpo & minha poesia



Jaboatão, janeiro 07 de 2007


Me deixei levar pelo agora;
Me deixei levar por ontem;
Fui tão longe quanto você;
Vi mais coisas que todos;
Mas sei que sou um perdido sem rumo e isso não vai mudar;

Sempre só no escuro, é isso o que eu quero acreditar, pois sei que ninguém está lá para me vigiar e os sapos são bons cantores. Pedi a todos os santos para ver a vista mais linda e eles riram por eu ser tão ingênuo.

Fui, volte e você nunca esteve lá para mim. Nunca, foi tudo o que consegui.

Meu corpo está cansado por agora e não sei onde sentar para descansar. Todos os lugares estão cheios de perdedores e não tem vagas para mim. Perdão por ter feito todos lerem esses lapsos mentais de meu ser, mas isso me ajudou a conhecer melhor a mim mesmo e para minha surpresa e desespero eu gostei.

Utilizei a licença poética para compor esse poema.

sábado, 16 de julho de 2011

Narcose




Narcose
(Marcos Henrique)


Vem! Vem! Vem me buscar!
Aonde posso ir? Como posso andar?
Tudo é tão novo aqui, onde tudo está?
Tudo é nada e nada é o nunca que habita meu instinto, minha ânsia do espírito, meu medo de respirar.

Meu passado já foi limbo, meu futuro é ruínas e letargia;
Tudo fica onde deveria estar meu caos, meu falar;
Onde posso tocar? O que é real? Cogumelos verdes me cercam e me protegem de loucos lobos e anjos sem olhos.

Onde não dói? Por mais claro que pareça tudo é tão escuro e úmido;
Por mais claro que pareça tudo é tão suspeito e úmido.

Vem! Vem! Vem e me usa!
Me usa e me cospe;
Meu usa e me maltrata;
Deflora meu ser.

Por mais claro que esteja. Nada, nada é dito com clareza para minha culpa e minha pureza está suja e de veias entupidas. Sou tão limitado e só perto de vocês. Sou tão limitado e só visto por vocês.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Eu prisão



Eu prisão
(Marcos Henrique)


Eu, prisão de meu corpo, metáfora do viver;
Eu, prisão de meus anseios, poesia doentia, prisão e meu sofrer;
Eu, prisão de meus medos, medo da dor, rosto desfigurado, som da morte, medo de correr;
Eu, prisão do amanhã, certeza de um oje sem “H”, sem falsas esperanças mornas.

Ouço o canto dos surdos, uma linda melodia que invade o juízo de meu velho cérebro e minha tola vida.

Eu, prisão de meu tédio, crepúsculo, pus, esgoto, flores, vida, morte, canção de ninar para velhos e jovens que ficaram escondidos no esquecido de nosso não lembrar;
Eu, prisão de teu ventre, úmido, sujo, pequeno, lotado, falho;
Eu, prisão de mim mesmo, refúgio de loucos atormentados que não sabem mais sonhar;
Eu, prisão de todas as verdades que lutam, mas não conseguem respirar

terça-feira, 31 de maio de 2011

Lasso




Lasso
(Marcos Henrique)


Tenho um lasso em minhas pernas, que me incomoda o coração;

Tenho um lasso em minha cabeça, que me pesa a vista;

Tenho um lasso em meus braços, que me deixa impotente e fadigado;

Tenho laços por meu corpo, por partes incertas. Ratifico, sou todo um lasso que não consegue auferir um único canto para pousar o espírito, não consegue aferir esse genocídio dentro de meu ser ofuscado.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Poema tirado do meu livro Segunda era

Segunda era
12/05/2003

O silêncio corta, rasga, destrói tudo que esta só, tudo que esta onde não estou, onde estou agora?

Ela me enxerga com seus olhos agudos, sua mente astuta, espera pacientemente até a hora de meu sangue empretecer.

Fiz dois pedidos hoje, por causa disso estou triste, por causa disso não sou mais aquele puro menino.

Deus não está morto como falou Zaratustra, nós é que não nos cansamos da morte; e meu sangue continua a empretecer.

Fim de linha; é, fim, é começo e fim, inicio estupro, meio, prazer com dor, choro, violação de meu eu, coração que não bate mais no peito, peito que não se sente mais útil, fim de linha.

Não ascendam as velas, ainda estou vivo.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Vermelhar



Você é tão linda, tão bonitinha, suas bochechas rosadas, sua força é enorme para o seu tamanho, acho que é por isso que te admiro, te respeito e gosto de teu gosto.

Serás lavada hoje, serás preparada para mim, para que eu possa saciar meu desejo que também é teu, então, é nosso e juntos seremos mais fortes que o universo, seremos uma dupla perfeita, dinâmica, imbatível, o herói e sua desejada, juntos a combater o mal.

Vou te deitar em água corrente, vou te lavar bem lavadinha para que possas ficar com aquele cheiro que só você tem, com aquele gosto que me toca os lábios e me faz delirar.

Agora que vou te lavar, tiro toda sua roupa com as mãos limpas e suaves, para não te machucar, te reparto de canto a canto e te deito na banheira que te dará mais sabor e me dará mais energia, estás quase pronta é só bater um pouco, adoça-la a gosto e está pronto meu delicioso suco de beterraba, saúde.

Marcos Henrique.