acompanhar

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ontem o mundo acabou



Ontem o mundo acabou
(Marcos Henrique)



Ontem o mundo acabou para ricos e para pobres;

Ontem o mundo acabou para negros e brancos;

Ontem o mundo acabou para homens, mulheres e crianças;

Ontem o mundo acabou para sãos e doentes, para vermes e inocentes;

Ontem o mundo acabou para Deus e o diabo, para ateus e devotos fervorosos;

Ontem o mundo acabou para o bem e para o mau, para o bem e para o mal;

Ontem o mundo acabou para quem espera dias melhores, para quem sonha com doces sonhos;

Ontem o mundo acabou para todas as crenças, credos, etnias;

Ontem o mundo acabou para banqueiros e correntistas;

Ontem o mundo acabou para os sorrisos claros, para as lágrimas verdadeiras. Saudade;

Ontem o mundo acabou para os poetas e escritores, para os loucos;

Ontem o mundo acabou para verdades e mentiras, para a vida;

Ontem o mundo acabou para mim.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ontem, foi o fim do mundo (Escrita experimental)


Ontem, foi o fim do mundo
(Marcos Henrique)


Não lembro que horas eram, na verdade, não fazia mais sentido preocupar-se com horas. Sempre fui prezo as horas, aos dias, a tudo o que o mundo moderno nos reserva quando deixamos de andar de causas curtas e somos impelidos a usar terno e grava, não sei por que disse isso, nunca usei um terno, nem sai dar nó em gravatas. Bom, não importa mais.

O mundo acabou é verdade, mas todos nós sabíamos que mais dia, menos dia, isso iria acontecer, só que não da forma inusitada que aconteceu, nem que eu seria o protagonista a contar essa história. Na verdade descobri que o mundo acaba todos os dias para quem deixa de pisar em seu solo, os astronautas são uma exceção, mergulhadores e alpinistas também. Bom, vocês sabem o que quero dizer.

Alguns devem está se perguntando - que dia foi isso? - como diria o poeta: os dias não importam mais porque os cigarros acabaram. Ou alguma coisa desse tipo, poetas às vezes são um saco, gente também, e donos da verdade mais ainda, escritores são herois, médicos e bombeiros também, mães solteiras são mais que heroínas, políticos honestos raridade, são quase folclóricos, poderia colocar mais gente ai nessa descrição, mas já me basta, porque essas coisas passam por minha cabeça? Sempre foi assim, desde pequeno, às vezes ia dormir pensando em coisas e acordava pensando em mais coisas – parágrafo longo de mais – as coisa são engraçadas, eu às vezes não.

Não sei como ninguém mais conseguiu descobrir o segredo que eu descobri. É o mundo acabou! Mas continuamos aqui sem saber e cabe a mim esse fardo de contar a todos que, o mundo não mais existe. Que força é esse que faz nós acharmos que ainda respiramos que ainda dirigimos, nos apaixonamos, fazemos sexo – isso pode não ser tão ruim – sentimos sono, fome, calor, frio, dor, saudade, medo, alegria, tristeza, solidão, paixão. É o mundo acabou e tudo ficou do mesmo jeito, da mesma forma que era antes, mas agora eu sei e vou ter que contar a todos, absolutamente a todos vocês, quer queiram ou não.

(continua, ou não...)

sábado, 15 de janeiro de 2011

Como menino



Corações partidos, gestos há muito tempo esquecido e ele não me olha mais como antes, sofrer em ti, sofrer por ti sentir.

Uma canção para alegrar um coração partido, gestos dignos, fala clara, anjos voando e sorrindo, tudo isso não sinto.

Meu clamor já foi ouvi, mas se perdeu entre tantos pedidos, se ao menos eu voltasse a ser um bom menino.

Nascer e se afastar cada vez mais; não entendo os motivos, não entendo esse meu coração partido, não mais te sigo, não mais...

Meu Deus! que olha para mim e não enxerga mais aquele doce menino.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Poemas inacabados

Ouve um tempo em que comecei a escrever, mas não conseguia terminar minhas prosas, então decidi chamar essa fase de poemas inacabados. Aos poucos vou colocando nesse espaço meus poemas em prosa, e se quiserem, nos comentários podem colocar o que vocês acham como seria o fim de cada um deles, ou melhor como seria o final de cada um deles.

Marcos Henrique.




Os conselhos da vida são imitados por todos os que temem não conseguir viver com ar suficiente
(Marcos Henrique)


Olho nos olhos da morte, que me olha, e me diz que não é chegada minha hora, não, ainda não é hora de partir, fique um pouco mais e deixe seu sorriso amarelo registrado nos livros de visitas – Ela diz.

Meus olhos começaram a doer quando pude enxergar de verdade pela primeira vez;
Meu ventre materno atrofiou, não tenho mais um feto para me fazer Companhia em noite sem conhaque. Só sinto dor.

Olho nos olhos da morte que rir, sabe que está acima do bem e do mau, é uma mensageira, uma coletora, a guerreira que não conhece derrotas, com um vasto troféu de...

(criem um fim para esse poema em prosa)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A faca me ameaça



A faca me ameaça
(Marcos Henrique)


A dor um dia vai passar. O fim é o começo, eu sei.
Não sou louco, só um pouco tolo.

Vou viver (fingir), eu sei, mas mesmo assim viver.

O dia vai chegar e não vou ficar sentado com uma garrafa de coca choca nas mãos, esperando, vendo o tempo passar.

Os frutos não foram colhidos, a escuridão não me deixa passar;
Os frutos não foram colhidos, eu sei, eles estão lá, esperando por mim, apodrecendo por mim.

Quero viver e não tenho nem você por mim – solidão –, não vou mentir mais para minha alma, não mais. A dor um dia vai passar.

A dor um dia vai, enquanto posso, espero e minha velha cadeira de lembranças. Espero e vejo o dia raiar refletido em meu punhal.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Turbilhão



Meu doce tormento, venha e me estupre mais uma vez, não pare! Machuque-me sem piedade, você venceu, o que resta fazer eu sei, mas temo, temo falhar como sempre.

Como gostaria de ser enterrado vivo, sufocar seria menos doloroso, seria mais honroso, mas o que é honra nesse mundo fútil, mundo de um Deus que não tem mais ouvidos. Não me orgulho por ter escrito isso, mas é o que sinto; então, fodam-se meus conceitos, minha moral, minha esperança, meu senso do correto, meu negro funeral, meu negro espírito, minha vã vida.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Jaboatão, dezembro de 2015




Todos querem conhecer um cara imaginário, todos os sonhos, todos os rostos que nunca saberei o nome, nunca os chamarei pelo nome. È tão estranho olhar estranhos, todos eles com suas vidas secretas, suas lágrimas, suas iras...

Minha caixa de retalho guarda rostos por mim imaginado, que serventia tem?

Eu sou um estranho de mim que se intoxica fácil com a vida, meu Karma, minha rotina e todos esses sussurros que passam por mim só me trazem tristeza.

Para mim é sempre estranho. Sempre insatisfeito, sempre andando só nesse mundo de perfeitos.