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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Meu mundo



Meu mundo
(Marcos Henrique Martins)

Olhos cheios de olheiras 
Pálpebras baixas
Olhos secos, sem vida.

Paro, me olho, respiro e penso:
“Que bom que existo, mesmo que quem me lê não entenda esse sentimento que eu sinto. Que bom que existo”.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Bom dia, boa tarde ou boa noite e ótima segunda! Algumas micrônicas




Becos
(Marcos Henrique Martins)

Aqui não passa ninguém, nem à saudade. 


***


Verdade tímida
(Marcos Henrique Martins)

Quando me perguntaram por que queria ser escritor, respondi: “porque não suporto viver com o vazio em minhas vísceras”, mas na verdade queria ter dito: “porque sou masoquista”. 


***


Medo
(Marcos Henrique Martins)

O que me dá medo são os homens de boas intenções.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A três passos da loucura



A três passos da loucura 
(Marcos Henrique Martins)


Três linhas
Espaços em branco.

Sono
Sonho
Insônia

Dor
Horror
Gestos esperançosos 

Feto
Afeto
mãe que não dorme nunca

Esgoto a céu fechado, sem trancas ou chaves, porta ou teto
Prisão em céu aberto
Céu, meu céu amarelo, com nuvens vermelhas e virgens de saia, sem roupa intima por baixo.

Três linhas não deram, ultrapassaram os três espaços em branco de minha cabeça.

O sono não veio 
O sonho se foi 
Não durmo nunca mais

Insônia me guia para ser imortal, dentro dos três espaços vazio de minha cabeça.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Crucificado

 
Crucificado
(Marcos Henrique Martins)

Hoje, acordei cansado. Comecei o dia ansioso pela noite que se recusava me tocar, pois me traria o sono e o sono me levaria ao mundo dos que sonham. Fiquei à noite interia, em claro, com a esperança de ser visitado pelo senhor Morpheus, mas ela já deveria estar dormindo feito um anjo. Fiquei e
m claro esperando por mais um dia de fadiga, dessa sensação de perda e claustrofobia que minha impotência causa.

Hoje, acordei cansado com os olhos inchados de tanto chorar, com a boca seca e a garganta áspera de tanto orar. Pedi, em dado momento implorei, neguei o silêncio, por fim aceitei o vazio.

Hoje, descortinei as entrelinhas da vida, percebi o quão só somos; o quão poeira somos; o quão tolo somos. Existência passiva. Vida cativa, ordeira, que me causa náuseas, este mal estar.

Hoje, pude ver, com os olhos cheios de olheiras, como somos ovelhas nesta terra de raposas, raposas que se camuflam tão bem, fingem ser vegetarianas e adorarem brócolis e espinafre.

Hoje, acordei e por um breve momento não quis levantar. Mas aquela voz dizia-me:
“Vai! Levanta para sangrar por mais um dia.”
“Vai! Levanta para chorar por todos e por você.”
“Vai! Levanta para lutar por teu pão, sacrificado, de cada dia.”
“Vai! Levanta e vai viver a tua vida.”
“Levanta e vai viver, pois na vida não há tempo para lastimar!”
“Vai! Crucifica-te por todos e por quem não te enxerga, nesta multidão ocupada com seus mundos particulares.”

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Meu livro na livraria Saraiva



Amigos, no site da livraria Saraiva vocês encontram o e-book de meu livro: O Lado Avesso - Nornes, o Mago. Onde criei uma estória em que misturo seres de nosso folclore, como curupiras, caiporas, alamoas, com dragões, elfos, magos e etc...

O e-book custa apenas R$ 17,90 

click aqui é vá para o site da livraria Saraiva 

Você também encontra o livro, em seu formato físico nos sites da Livraria Cultura e no site da Editora Baraúna.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Pensamentos

Crescer é um trabalho descomunal e te deixa cicatrizes, dentro e fora do corpo, mas as melhores cicatrizes são às que te marcam a alma.

Marcos Henrique Martins.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Não, não




Não, não
(Marcos Henrique Martins)


O não, não me castra;
O não, não me magoa;
O não, não me maltrata;
O não, não me diz nada;

O não me fortalece;
O não me faz agir de forma cautelosa, quando piso em pontas de facas;
O não é um advérbio, mas é visto apenas como recusa;
O não deixa lágrimas em teus, meus, olhos;

O não me faz formular possibilidades e realidades alternativas;
O não é a luta do pecar contra o ser humano que realmente somos;
O não marca mais que sins frigidos;
O não. Como forma de negar verdades incautas.

O não, repetido de forma vertiginosa;
O doce não, saído dos lábios das mães zelosas.
Dois nãos e a certeza de uma possibilidade. 
Teu não me castra; me sega nesta estrada vaga; me sufoca; me azeda; me marca.

Teu não me mata.